Caros Sobedianos,

Vocês sabem o que ocorre realmente com as “verdades” propagadas pelas operadoras de saúde?

No dia 29 de agosto ultimo a Associação Médica Brasileira realizou a Reunião do Conselho de Defesa Profissional da AMB, na qual foram discutidos e apresentados de forma clara, os vários “mitos” que têm sido repetidamente utilizados e divulgado para as mídias, para que se crie “vilões” na saúde suplementar, permitindo tanto aos gestores públicos como privados lançarem mão de “soluções” inusitadas que já demonstram trazer grande prejuízo à população brasileira e aos profissionais de saúde, ambos imprescindíveis e fundamentais nos sistemas de saúde do país.

Apresentaremos sumariamente, os temas apresentados pela AMB e discutidos na reunião:

1. SINISTRALIDADE

TAXA DE SINISTRALIDADE: Segundo a ANS é o índice de despesas assistenciais, ou despesas médicas. Mostra a relação entre despesas assistenciais e o total das receitas com a operação de planos de saúde (contraprestações efetivas).

Os números apontados pela ANS não refletem a realidade das operadoras: Planos com custeio pós pagamento não devem ser considerados para fins de cálculo da sinistralidade, pois não há receita prévia.

Valores de glosa, devolução e outros “não pagos” não são demonstrados e podem estar embutidas nas despesas assistenciais.

A entidade “glosa” não existe em nenhum sistema de saúde publica ou privada internacional, considerando-se que são acordos pré-definidos e não são passiveis de questionamento por parte das operadoras. Esta aberração chamada “glosa” ocorre apenas no Brasil.

Não há nenhuma informação das despesas administrativas e dos valores destinados a reinvestimento, do lucro e dividendos, da corretagem entre outras.

O lucro das operadoras não diminuiu, pelo contrário, aumentou.

Usam o argumento de que há aumento da sinistralidade, apontando perdas e reduções de lucratividade.

No final, ocorreu um aumento de lucro de 20% por beneficiário no último ano.

Portanto, o argumento sobre aumento da sinistralidade está sendo usado para permitir o aumento das mensalidades e no mínimo a manutenção do lucro, bem acima da inflação, enquanto os reajustes dos serviços dos profissionais de saúde estão estagnados e sequer corrige perdas inflacionárias.

2. VCMH – variação de custos médico-hospitalares

O que é VCMH/IESS?
É a variação de custos médico-hospitalares. O índice do Instituto de Estudos da Saúde Suplementar IESS é composto principalmente por internações, que possui o maior peso no índice (60% dos custos). A VCMH/IESS é composta ainda de: Exames Complementares (14%), Consultas (10%), Terapias (10%) e Outros Serviços Ambulatoriais (OSA) (5%).

“A metodologia utilizada para o cálculo do VCMH pela ANS representa uma amostra de 10% do total de beneficiários dos planos INDIVIDUAIS (antigos e novos) distribuídos em todas as regiões do pais” (Índice de Variação do Custo Médico Hospitalar VCMH/IESS)

A metodologia do IESS não é exatamente aquela recomendada pelos institutos internacionais,

Para esses Institutos, são quatro linhas de negócios/produtos avaliados para o VCMH: planos de seguro amplos, planos de seguros menores, planos individuais e planos administrados.

O VCMH/IESS no Brasil é feito com base apenas nos planos individuais. Observe-se que a maioria das Operadoras de Seguro Saúde não tem disponível à venda o produto individual e esse plano é o que possui a mais alta faixa etária.

3. Envelhecimento Populacional

O paradigma do envelhecimento da população está servindo com um propósito perverso: expulsar os beneficiários mais idosos ou cobrar valores aviltantes.

Segundo estudos da OMS (Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde 2015):
A idade avançada não implica dependência.
O envelhecimento da população aumentará os custos com cuidados de saúde, porém, não tanto quanto esperado.
O gasto com populações mais velhas é um investimento, não um custo.
As carteiras das operadoras quando estratificadas pela idade não refletem a predominância de idosos acima de 60 anos.

Aguardem o próximo SOBED ONLINE sobre Fator de Qualidade, Ressarcimento ao SUS, Novas Formas de Pagamento, Coparticipação, Planos acessíveis propostos pelo Ministério da Saúde e Rol de Procedimentos!

Ana Maria Zuccaro
Comissão de Ética e Defesa Profissional – Presidente
SOBED
Fonte: Associação Médica Brasileira