Perfil: Dr. Luiz Leite Luna

A SOBED-RJ começa nesta semana uma série de matérias especiais mostrando perfis de grandes nomes da endoscopia digestiva fluminense. O nosso primeiro convidado é o Dr. Luiz Leite Luna.

Em 1967, a “Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil” (atual UFRJ) formava um jovem médico endoscopista que se tornaria referência na área.

Dr. Luiz Leite Luna, nasceu em Penedo (Alagoas), em 12 de dezembro de 1943, mas foi no Rio de Janeiro que construiu a base da sua trajetória profissional.

Realizou Residência Médica na própria universidade, em 1968, e fez fellowship em Boston, na Lahey Clinic Boston S.A, de 1969 a 1971.

“Quando eu cheguei aqui no Rio, em 1972, já funcionava o Hospital do Andaraí, onde fui trabalhar. Durante todo o período em que atuei neste hospital público eu assumi o serviço de endoscopia e fiz o 1º Centro de Hemorragia Digestiva do Brasil e talvez o primeiro do mundo! Do Brasil certamente foi o primeiro. Vinha todo mundo ver esse serviço pioneiro”, recordou Dr. Luna.

Além de trabalhar em sua clínica particular, Dr. Luna atendia em praticamente todos os hospitais da cidade. Segundo ele, eram quatro noites por semana para fazer emergências nos hospitais do Rio de Janeiro.

Ele relembrou como eram realizados os exames endoscópicos no início da sua carreira:

“Eu já peguei fibra de vidro, já peguei os fibroscópios Olympus e as gastrocâmaras. E logo em 1971 veio os fibroscópios, que se chamavam GIFD. Tinham os coledoscópios curtos da Olympus, chamados CFSD.”

Dr. Luna ressaltou que todo o material usado em seu trabalho era feito de forma artesanal:

“No começo, só pinça de biópsia pois a gente não fazia nenhum procedimento cirúrgico. Mas a partir de 1974, a gente começou a usar alças e agulhas de injeção que a gente mesmo fabricava. Não tinha nada comercial ainda. A gente que fazia com cateter, agulhinha de insulina. E as primeiras sondas de gastrostomia também eramos nós que fazíamos, com sondas urológicas.”

A partir de 1976, ele relembra o início da Endoscopia Digestiva Alta, realizada no Hospital Federal de Ipanema, Hospital Federal de Bonsucesso, Hospital Federal dos Servidores do Estado.

“De início era somente diagnóstico. Logo depois, em 74, a gente começou a tratar hemorragia digestiva através de esclerose e de eletrocoagulação. Um pouco mais pra frente a gente começou a fazer ligadura elástica nas varizes e começamos também a tirar, a injetar. Por volta de 1967, começamos a tirar os polímeros, as politectomias. E em 1974, eu fiz a primeira ensfincterotomia endoscópica para cálculo, ou seja a primeira papilotomia endoscópica.”

Entre outros avanços da década de 70, ele destaca a colocação de prótese em esôfago, para tumores de esôfago, além de dilatações de esôfago.

Mesmo vivendo em solo carioca, Dr. Luiz Leite Luna, nunca deixou de viajar para o exterior para se atualizar.

“Todo ano eu ia aos congressos americanos, além de viajar para França e Alemanha, trocar experiência com os amigos de lá. Na França, via os serviços do Claude Legori, que veio muito à SOBED a meu convite, e na Alemanha eu fui algumas vezes ver o serviço do Dr. Demling, que era um professor famoso, também do Prof. Lazo Safrani, logo no começo da papilotomia. Inclusive, o Dr. Claude Legori fez, em 1973, a primeira papilotomia endoscópica no Brasil, em Niterói, e eu estava junto.”

Segundo ele, só existiam duas revistas especializadas, as quais ele sempre recebia: Endoscopy e o Gastro Intestinal Endoscopy.

Dr. Luna também fundou o atual serviço de Endoscopia do Hospital São Vicente de Paula. Foi fundador, membro honorário da SOBED e presidiu a Sociedade de 1992 a 1994. É membro da Sociedade de Gastroenterologia, desde 1972, e foi membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Através da SOBED, editou quatro livros sobre atualizações em endoscopia digestiva:2

2014 – “Atualizações em hemorragia digestiva”

2016- “Atualização em terapêutica no esôfago”

2018- “Atualização e terapêutica no estômago e intestino delgado”

2019- “Atualização terapêutica nos cólons”

Com uma carreira brilhante na bagagem, encerramos a entrevista perguntando qual seria o seu maior feito. A resposta:

“Quatro filhos foi a minha melhor obra, com certeza.”