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Perfil: Dr. Carmelo Francisco de Souza Stanziola

Carioca, formado pela Faculdade de Ciências Médicas da UERJ, em 1975, Dr. Carmelo Francisco de Souza Stanziola teve o prazer de fazer a residência em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva, na mesma faculdade, por dois anos (1976/1977), no serviço do Professor Edson Jurado, pessoa que ele admira e o inspira até hoje.

Depois, trocou a orla carioca pela Costa Verde do Rio de Janeiro, ao fixar residência em Angra dos Reis, em janeiro de 1978, aceitando o convite do Dr. Nelson Valverde, da UERJ, para trabalhar no Hospital da Usina Nuclear de Angra.

Cheio de orgulho por ter acompanhado o avanço da Endoscopia Digestiva, ele é um apaixonado pela profissão, além de muito atencioso com os pacientes.

“Os primeiros exames endoscópicos eram realizados com fibroscópicos. Na UERJ, nós tínhamos aparelhos da empresa americana ACMI, que logo parou de fabricar e ficaram só os aparelhos japoneses. Fazíamos endoscopia digestiva alta e baixa, colonoscopia e também laparoscopia, que estava começando. Na época, existiam poucos serviços de Endoscopia Digestiva em hospitais públicos do Rio de Janeiro. Até hoje me sinto muito bem fazendo um procedimento diagnóstico bem feito e procuro fazer da melhor maneira possível. Faço endoscopia com muita calma e não tenho a menor pressa de terminar o exame. Brinco com a minha equipe que eu trabalho igual ao Chacrinha, que dizia que “o programa só acaba quando termina”. Eu digo que “o exame só acaba quando termina”. Ou seja, muitas vezes na endoscopia, é na saída que a gente encontra a lesão. Sempre digo para a minha filha endoscopista sobre a importância de ver lesões pequenas, lesões precoces”, afirma.

Desde o início da carreira, Dr. Carmelo sempre prezou pela qualidade do atendimento, pela atualização profissional e pelo carinho com os pacientes. Não é à toa que foi agraciado com o título de Cidadão Angrense, na década de 1990, e com uma menção honrosa da Prefeitura de Paraty pelo atendimento à população.

Dr. Carmelo recorda com orgulho dos 23 anos dedicados ao Hospital da Usina Nuclear de Angra (Hospital de Praia Brava), que na época era administrado por Furnas Centrais Elétricas. Trabalhou tanto na parte assistencial, quanto no Serviço de Endoscopia, iniciado em 1981, com a compra do 1º equipamento.

“Quando ingressei em 78, Angra 2 estava fazendo as fundações. Chegavam muitos trabalhadores do Nordeste. Fazíamos de tudo pois era um hospital pequeno que atendia os funcionários e a população do entorno. A gente era clínico geral, gastroenterologista e endoscopista. Em novembro de 81, compramos o 1º fibroscópico, que tinha quase 16 milímetros de diâmetro. Hoje, o aparelho da nossa clínica tem 9 milímetros, quase a metade. Na época, falei com o Dr. Edson Jurado e o Dr. Alexandre Abraão e fiquei uma semana na UERJ para testar e aprimorar o uso do aparelho. Fazia principalmente as endoscopias digestivas altas e as retossigmoidoscopias. Eu era o único médico de Angra que fazia endoscopia e assim foi por mais de dez anos. Depois, nós compramos um Pentax FG 28 C para fazer os exames de rotina e as emergências. Nossas grandes emergências eram corpos estranhos, como espinhas de peixe, afinal, estávamos à beira mar. Também fazíamos hemorragia digestiva. A quantidade de pessoas com esquistossomose era muito grande e o número de hemorragias digestivas, também. Quando começou a surgir a técnica da esclerose de varizes eu falei novamente com o Dr. Alexandre, pessoa que admiro muito, e fiquei uma semana me atualizando no Hospital Pedro Ernesto. Fiz muita esclerose de varizes, vi muita hemorragia digestiva por varizes de esôfago. Se tem algo de que eu possa me orgulhar é que nesse período todo trabalhando sozinho eu acredito que tenha feito um bom trabalho. Graças a Deus não me lembro de ter perdido nenhum doente de hemorragia digestiva. Acabei tendo um bom nome entre a população.”

Por muitos anos, Dr. Carmelo também teve a honra ser o responsável pelo Centro de Medicina das Radiações Ionizantes (CMRI), do Hospital da Usina Nuclear de Angra. E teve um papel fundamental no atendimento aos pacientes radioacidentados com o césio-137, no grave acidente de Goiânia, em 1987.

“Fui sendo preparado para o atendimento de acidentados com radiação. Na ocasião do acidente de Goiânia, colaboramos ativamente no atendimento às vítimas, que ficaram sob os nossos cuidados no Hospital Naval Marcílio Dias (RJ). Toda a parte de descontaminação foi feita por nossa equipe de Furnas, sob a minha responsabilidade. Eu e mais sete técnicos de enfermagem nos revezávamos. Atuamos por 2 meses na descontaminação.”

Em 1987, Dr. Carmelo decidiu montar o consultório próprio. Passou a atender duas vezes na semana, no período da tarde, conciliando com o trabalho no Hospital da Usina Nuclear.

Ao se aposentar, em 2000, o especialista continuou os estudos e iniciou uma Pós-Graduação em Clínica Médica (CAMI/UFRJ), em 2001. Ele recorda que, na época, o Hospital de Praia Brava passou a ser gerido pela Fundação Eletronuclear de Assistência Médica, que em 2003, criou um Centro de Estudos que recebeu o seu nome como homenagem.

Após a aposentadoria, Dr. Carmelo também se mudou da Vila Residencial de Furnas para uma casa mais próxima da cidade de Angra, onde encontrou no cultivo de vegetais a sua realização pessoal.

“Depois que me aposentei, eu e minha esposa construímos uma casa que tem um quintal ótimo. Fomos plantando árvores e os passarinhos foram chegando. Hoje, temos várias árvores em nosso quintal. Desde criança, por influência da minha mãe, sempre gostei de plantar e de animais, só não tinha muito tempo. Meus sogros que moravam conosco também sempre gostaram de mexer com a terra e nós adquirimos esse hábito.”

Dr. Carmelo também decidiu fazer uma horta orgânica no terreno da sua Clínica de Endoscopia, próximo à sua residência. Em 2020, com o isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, ele aumentou ainda mais a plantação.

“Na pandemia, fiquei 40 dias sem trabalhar. Minha mulher falou que daqui a pouco eu iria plantar até dentro de casa. É algo que realmente me distrai bastante. Na entrada da clínica, temos um mamoeiro. Ao lado, duas azaleias grandes e lírios da paz para garantir o bom astral. Na parte de trás, criamos uma horta orgânica variada com temperos, folhas e legumes. A gente não usa agrotóxico. Aqui, a gente vai distraindo a cabeça, afinal, todos precisam de uma válvula de escape. Tenho pacientes graves que trazem muita angústia. Acredito que cada um deve buscar algo que traga alegria. Tem gente que gosta de ver filme, ir à praia, e eu gosto desse cultivo. Também tenho prazer em compartilhar com os colegas da SOBED esse meu prazer em cultivar a terra.”

Casado, pai de duas filhas, Isabel e Silvia, e avô do Arthur (6 anos) e da Cecília (1 ano), Dr. Carmelo completa 45 anos de formado com a mesma alegria dos tempos de faculdade. A filha mais velha também se tornou gastroenterologista e realiza endoscopias no interior de São Paulo. Já a outra filha, designer gráfica, reside no Canadá.

Além da companhia adorável de sua esposa Graça, Dr. Carmelo tem como fiel escudeiro o cachorro Pingo. A equipe que atua em sua clínica também é considerada por ele uma grande família, pelos muitos anos de dedicação ao trabalho. E todos também se deliciam com o cultivo de vegetais.

DÊ UM PASSEIO COM DR. CARMELO PELA CLÍNICA E SUA HORTA

AS COLHEITAS

Importantes debates marcam webinar de outubro da SOBED-RJ

Cerca de 70 pessoas participaram na noite desta segunda-feira, dia 12, da primeira sessão científica da nova diretoria da SOBED-RJ, que contou com ampla participação dos presentes que debateram com moderadores e palestrantes o tema Terapia Endoscópica a Vácuo no Trato Gastrointestinal.

O webinar teve início com o Dr. Djalma Coelho agradecendo aos associados e à sua equipe pela confiança e participação ativa na gestão que se findou.

“Hoje, sinto que a SOBED-RJ voltou a ser uma SOBED-RJ amiga e companheira. E isso graças a vocês que foram a todas as sessões e que deram força. Foi uma gestão bacana e me sinto feliz de ter participado. Não sei se todos sabem, mas eu quis ser presidente, era um objetivo meu pois sempre achei que a gente poderia fazer parte e ajudar. Uma das pessoas que mais queria agradecer é a Rosania Inácio, uma pessoa maravilhosa e encantadora, que foi a nossa tesoureira. Também agradeço, em especial, à Dra. Ana Zuccaro, outra pessoa fantástica que me ajudou e apoiou, e ao Dr. Afonso Paredes, ex-presidente. Ambos acreditaram e confiaram em mim, assim como a Denise Junqueira e a Laura Helman. Nós trabalhamos incansavelmente para renovar a sociedade.”

Ele ainda aproveitou para falar sobre a sessão científica:

“Aproveitei a oportunidade para trazer o Dr. Diogo Hourneaux de Moura, que conheço desde a residência médica, e foi com muito carinho que eu queria que ele desse essa aula aqui na SOBED-RJ. Para essa geração nova – Miguel, Guilherme, Paula, Felipe – gostaria de dizer que vocês são o presente, e não o futuro. Hoje, a gente entrega a SOBED-RJ com superávit e sem dívidas. Tenho certeza que sociedade está nas mãos de brilhantes endoscopistas e administradores”, concluiu.

Na sequência, Dr. Djalma passou o bastão para o novo presidente da SOBED-RJ (gestão 2020/2022), Dr. Miguel Koury Filho, que deu seu depoimento:

“Estou emocionado. Tenho muito carinho com a SOBED-RJ. Eu ajudei e fiz parte de alguma forma, desde o Simpósio de Endoscopia Digestiva Diagnóstica e Terapêutica, que realizamos em 2018, em Petrópolis, como foi citado pelo Djalma. Tudo começou quando sentamos no Museu Imperial e começamos a trocar ideias. Depois comecei a fazer parte da Comissão Científica da SOBED-RJ. E fico muito feliz por ter ao meu lado o Dr. Djalma e pessoas experientes, como a Dra. Ana Zuccaro, a minha guru desde a época da minha formação em endoscopia no Hospital Federal de Ipanema, além de outras pessoas mais novas, todas com muito potencial de dar continuidade à esta missão. Agradeço a confiança dos amigos sobedianos que votaram em nós. Foi um processo eleitoral eletrônico muito bacana”, comentou Dr. Miguel.

O novo presidente da SOBED-RJ também demonstrou orgulho em começar a gestão com uma aula tão interessante como a do Dr. Diogo Turiani Hourneaux de Moura, médico do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital das Clínicas da USP e Mestre e Doutor em Gastroenterologia (HCFMUSP), com Pós-Doutorado pela Harvard Medical School.

O evento contou com a moderação do Dr. Guilherme Falcão, médico endoscopista e responsável técnico do Hospital Ferreira Machado, além de responsável pelo serviço de Endoscopia Digestiva Avançada da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos.

Antes de passar a palavra ao palestrante, Dr. Miguel Koury pontuou a presença ilustre do Dr. Eduardo Moura, presidente da SOBED-SP (gestão 2020/2022) e diretor do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital das Clínicas da USP.

Ao iniciar a palestra, Dr. Diogo Moura abordou o conceito do vácuo e os mecanismos de ações do vácuo. Também citou as indicações e contraindicações, as técnicas e o preparo do dispositivo, assim como casos clínicos e  resultados da literatura.

“Como a gente faz esse vácuo? Muita gente tem o desejo de fazer, mas não sabe como montar o dispositivo. O meu objetivo nesta palestra é mostrar que realmente funciona e abrir para dúvidas e comentários”, afirmou Dr. Diogo.

Com os moderadores interrompendo a palestra e apresentando as perguntas vindas do chat do Zoom e dos comentários do Facebook, o evento teve inúmeras discussões com o formato tendo enorme aceitação entre os presentes.

Em breve será divulgada a data do próximo webinar da SOBED-RJ.

 

Acidentes em crianças: saiba como a endoscopia digestiva pode contribuir no diagnóstico e tratamento

Segundo um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os acidentes são a principal causa de morte de crianças entre 1 e 14 anos, no país, totalizando cerca de 3,6 mil mortes por ano.

Atropelamentos e afogamentos são os acidentes mais fatais, porém, é preciso redobrar a atenção para possíveis quedas, queimaduras e ingestão de corpos estranhos, que podem levar crianças e adolescentes à internação.

A maior parte desses acidentes acontece na residência da criança ou no seu entorno, e muitos podem ser evitados com medidas simples de prevenção.

A Dra. Paula Peruzzi, médica especialista em Endoscopia Digestiva Pediátrica, explica que cada faixa etária apresenta características do desenvolvimento infantil que aumentam os riscos de determinados acidentes.

“A ingestão de corpos estranhos, por exemplo, é mais frequente entre crianças de seis meses e três anos de idade. Com o início da fase oral, os bebês começam a levar os objetos à boca, havendo maior risco de asfixia e ingestão de corpos estranhos. E nem sempre o acidente é visto por um dos responsáveis, como diz o ditado popular: “criança cega a gente”. Portanto, os pais e, em especial os pediatras, devem ficar atentos para sintomas como: dificuldade ou recusa alimentar, engasgos, salivação e sintomas respiratórios (broncoespasmo, estridor e infecção respiratória de repetição)”, afirma

Dra. Paula Peruzzi, que atua nos Serviços de Endoscopia Digestiva Pediátrica do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e do Hospital Estadual da Criança (HEC), ressalta que alguns corpos estranhos não são radiopacos, ou seja, não são visualizados em um raio-x simples, dificultando ainda mais o diagnóstico.

“Temos alguns casos no IFF, Hospital Materno-Infantil da FIOCRUZ, que é referência em endoscopia pediátrica, em que a criança permaneceu por um longo período com o corpo estranho no trato gastrointestinal, sem diagnóstico. Isto levou a uma série de complicações, inclusive, com necessidade de tratamento cirúrgico em casos que poderiam ser resolvidos apenas com procedimento endoscópico, se o diagnóstico fosse mais precoce. Recentemente, ao fazer a dilatação do esôfago de uma criança de 1 ano, com estreitamento de esôfago pós operatório, nos surpreendemos ao encontrar uma bateria aderida ao esôfago, causando lesão, com sinais de necrose da parede do órgão. O pai nem desconfiava que a menina tinha engolido a bateria”, afirma.

Outro caso alarmante, segundo a Dra. Paula, foi um de um paciente em idade escolar que relatava ter engolido um pequeno boneco de plástico, brinde de uma guloseima.

“Essa criança já havia passado por atendimentos médicos, com dor torácica ao se alimentar, mas como o brinquedo não aparecia no raio-x, demorou para ter o diagnóstico. Conclusão: ela permaneceu com o tal boneco aderido ao esôfago por cerca de um ano. Foi um longo período de sofrimento até solicitarem a endoscopia, quando foi possível visualizar o boneco e o removê-lo”, diz.

Apesar de um levantamento da Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal revelar que 80% a 90% dos objetos ingeridos são eliminados sem a necessidade de intervenção endoscópica ou cirúrgica, Dra. Paula destaca que o cuidado deve ser redobrado com baterias, imãs e objetos pontiagudos e perfurantes.

“As baterias, quando aderidas ao esôfago, podem causar lesão tanto pela liberação de substância cáustica, quanto por descarga elétrica. Os imãs, quando múltiplos, podem ser atraídos e causarem lesões graves no trato gastrointestinal. Felizmente, os casos mais comuns são com moedas, que na maior parte das vezes saem nas fezes dentro de quatro a seis dias, sem complicações”, afirma.

Uma outra causa importante de acidentes em crianças, em que a endoscopia digestiva também tem papel fundamental no tratamento, é a ingestão acidental de agentes corrosivos, como a soda cáustica.

“Frequentemente estes acidentes ocorrem no ambiente doméstico, onde muitas vezes os familiares diluem os agentes corrosivos em uma garrafa para realizar algum tipo de limpeza doméstica. As crianças, mais frequentemente entre dois e seis anos de idade, visualizam aquele líquido na garrafinha, muitas vezes colorido, e ingerem achando que é um suco ou refrigerante. Este tipo de acidente é mais comum do que se possa imaginar, podendo provocar desde queimaduras leves na cavidade oral e no trato gastrointestinal, até lesões graves, algumas vezes irreversíveis, com sequelas por toda vida, ou até mesmo óbito”, destaca Dra. Paula.

Diante de todos estes riscos, os exames endoscópicos são fundamentais para o diagnóstico e o tratamento das crianças, podendo ser realizados, em qualquer faixa etária, incluindo bebês e até recém-natos.

“Os exames endoscópicos são seguros quando realizados com os equipamentos apropriados para cada faixa etária, por endoscopistas e anestesistas treinados em pediatria, e em ambientes com suporte adequado, de acordo com a faixa etária de cada paciente”, ressalta a especialista.

É importante salientar que os exames endoscópicos são fundamentais no diagnóstico e tratamento destas crianças. Eles podem ser realizados, em qualquer faixa etária, incluindo bebês e até recém-natos. São seguros quando realizados com os equipamentos apropriados para cada faixa etária, por endoscopistas e anestesistas treinados em pediatria, e em ambientes com suporte adequado, de acordo com a faixa etária de cada paciente.

Também estamos vivendo um período bastante complicado diante da pandemia da COVID-19, que vem causando efeitos diretos e indiretos na saúde da criança e do adolescente.

“Os efeitos diretos estão relacionados às manifestações clínicas da doença, sendo os mais comuns os sintomas respiratórios e no trato gastrointestinal, como diarréia, vômitos e dor abdominal, até o desenvolvimento de manifestações em outros órgãos e a síndrome inflamatória multissistêmica da criança. Os efeitos indiretos estão relacionados desde as consequências do isolamento social no desenvolvimento infantil, com aumento no sedentarismo, obesidade, crises de ansiedade e depressão, até outras consequências como diminuição na cobertura vacinal, aumento dos acidentes e violência doméstica”, comenta Dra. Paula.

Especialista em Endoscopia Digestiva Pediátrica, e mãe de dois filhos e uma enteada, Dra. Paula finaliza apontando uma publicação recente da Sociedade Brasileira de Pediatria, que ressalta que a atenção com o ambiente doméstico deve ser dobrada nesse momento de pandemia.

“Durante o isolamento social, em que as crianças estão permanecendo mais tempo em casa, o ambiente deve estar seguro e sem riscos para a saúde dos pequenos”, conclui.

Conheça um pouco mais do Dr. Miguel Koury Filho, presidente eleito da SOBED-RJ

A eleição para a diretoria da SOBED-RJ, ocorreu entre os dias 7 e 9 de setembro, de forma exclusivamente online. Com expressiva participação dos associados, o Dr. Miguel Koury Filho foi eleito presidente da sociedade para a gestão 2020-2022.

Carioca, nascido e criado em Vila Isabel, o médico endoscopista Miguel Koury Filho iniciou a sua trajetória cursando Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. Após se formar, em 2000, recebeu convite para trabalhar em Petrópolis (RJ), onde também decidiu prestar a prova de residência em Cirurgia Geral no Hospital de Ensino Alcides Carneiro, pela Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP).

“Eu me formei e vim dar plantão em um hospital em Petrópolis. Por acaso, uma colega me pediu para dar plantão, eu não conhecia nada na região. Acabei fazendo, aqui, a prova de residência em Cirurgia Geral. Na época, até tinha uma simpatia pela Endoscopia Digestiva, mas não era a minha 1ª opção. Já dentro da residência, comecei a descobrir mais sobre a endoscopia, principalmente porque aqui em Petrópolis a gente não tinha serviço de CPRE. Então, como residente, tinha que levar pacientes para fazer CPRE no Hospital de Ipanema. E ao ver a equipe de lá trabalhar, foi quando despertou em mim a vontade de fazer endoscopia”, ressalta.

Dr. Miguel foi o 1º residente em cirurgia da Faculdade de Medicina de Petrópolis. E ao terminar a residência, foi fazer especialização em endoscopia digestiva no Hospital Federal de Ipanema (HFI), onde se encantou cada vez mais pela Endoscopia Terapêutica.

“Eu fui fazer a endoscopia por causa da CPRE. Eu não conhecia esse procedimento na época da faculdade. E a 1ª vez que eu vi uma CPRE tive certeza de que era isso que eu queria fazer. E é o que eu gosto até hoje: a endoscopia terapêutica. Sou eternamente grato aos colegas do Hospital Federal de Ipanema. Busco sempre me aperfeiçoar pois os avanços são enormes”, destaca Dr. Miguel.

Depois de terminar a especialização em Endoscopia Digestiva, em 2005, Dr. Miguel continuou indo uma vez por semana ao Hospital de Ipanema para acabar a formação em CPRE.

“Fiquei mais quatro anos me dedicando à formação em CPRE. Na época, já trabalhava no Hospital Alcides Carneiro, e comecei a dar aulas na Faculdade de Medicina de Petrópolis. Então, subia e descia toda quinta-feira”, recorda.

Em 2006, Dr. Miguel foi contratado como Professor da Disciplina de Clínica Cirúrgica da FMP, onde trabalha com muita dedicação até hoje.

“Cresci muito aqui dentro. Era residente da faculdade, virei professor, hoje sou coordenador da Comissão de Residência Médica do Hospital de Ensino Alcides Carneiro e supervisor do Programa de Residência Médica em Endoscopia Digestiva do HAC/FMP/FOG, que tenho muito orgulho de ter criado em 2018 e que já está no seu 3º ano de funcionamento. É a 1ª residência médica de Endoscopia Digestiva, pelo MEC, fora da capital fluminense. Hoje, o Estado inteiro tem quatro residências: Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG/Unirio), Hospital Federal de Ipanema (HFI), Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Hospital de Ensino Alcides Carneiro. Também agradeço aos endoscopistas de Petrópolis e do Hospital Alcides Carneiro que sempre me deram muita força, como o Dr. Marco Chimelli e Dr. Paulo Homen, entre outros”, ressalta.

Petrópolis não despertou em Dr. Miguel Koury apenas a paixão pela endoscopia terapêutica, pelo ensino. Foi lá que conheceu Isabela, com que namorou, casou e teve as filhas Luisa (12 anos) e Laura (8 anos).

“Ela era acadêmica do hospital e a gente acabou se conhecendo melhor. Apesar da Isabela fazer faculdade na Souza Marques, ela morava aqui, então, ela vinha dar plantão. Inclusive, a família dela é tradicional daqui de Petrópolis. Em 2002, decidimos morar aqui e estamos juntos até hoje”, afirma.

Dr. Miguel ainda é Mestre em Ensino das Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde defendeu um modelo de Programa de Residência Médica em Endoscopia baseado em competências. Também é membro da Associação Brasileira de Ensino Médico (ABEM) e membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED).

“Há 15 anos estou dedicado à Endoscopia Digestiva. Sempre participei das sessões da SOBED-RJ, desde a época da minha formação em Ipanema. Eu gostava muito de participar, não só pela parte científica, como pelo contato com os colegas. Durante a gestão do Dr. Djalma Coelho, ele me convidou para fazer parte da Comissão Científica. Então, fiquei ainda mais feliz dentro da SOBED-RJ e gostei muito do estilo de gestão dele, das propostas e da valorização do interior. Agora, aceitei o desafio de vir como candidato à presidência por entender que faz parte da nossa vida em sociedade nos dedicarmos em algum momento pra ajudar ainda mais. Estou cercado por pessoas experientes que já atuam na SOBED-RJ há algum tempo e por pessoas mais novas, porém, com potencial imenso para dar sequência naquilo que planejamos e acreditamos. Venho com viés educador e com a influência da atual gestão, que abriu as portas para uma maior atuação dos médicos do interior dentro da nossa sociedade. Sem demérito nenhum aos colegas e instituições da capital, onde sabemos que podemos contar com locais e médicos de excelência, vamos procurar valorizar todo o Estado, incentivando a participação de maior número de sobedianos dentro da sociedade, além da abertura de mais campos de formação, lutando para valorizar a nossa especialidade, sempre com ética e competência”, declara.

Segundo Dr. Miguel Koury, as reuniões científicas mensais da SOBED-RJ passarão a ocorrer presencialmente e online, de forma intercalada.

“A intenção é prestigiar também o pessoal do interior, facilitando a questão do deslocamento. Assim, ao dar uma atenção maior às sub-estaduais da SOBED-RJ, estaremos valorizando não só as pessoas como a parte científica, também”, comenta.

Em novembro de 2018, Dr. Miguel foi um dos idealizadores do Simpósio de Endoscopia Digestiva Diagnóstica e Terapêutica, realizado em Petrópolis. O evento contou com atividades teóricas, na Faculdade de Medicina de Petrópolis, e prática com mutirão de CPER e hands-on de Spyglass, no Hospital Alcides Carneiro.

“O simpósio ocorreu no início da gestão do Dr. Djalma e foi fundamental. A SOBED-RJ permitiu uma visibilidade muito grande para a nossa Faculdade. Além do simpósio, destaco a parte teórica, onde tivemos um mutirão de CPRE no Hospital Alcides Carneiro, onde estava presente além do Dr. Djalma Coelho, o então presidente da SOBED nacional, Dr. Fabio Ejima, entre outras autoridades, o que para mim foi um divisor de águas. A nossa ideia é fazer mais simpósios neste modelo em outras cidades do interior, permitindo que nossos associados de outros municípios de fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro também tenham acesso”, conclui.

Dr. Miguel Koury Filho conclui falando um pouco sobre o que pretende realizar:

“Estou aqui para somar, ouvir e aprender. Nossa intenção é agregar endoscopistas da capital e do interior e também promover o crescimento da área de ensino da SOBED-RJ. Gosto de conversar com quem tem ideias diferentes. Isso me ajuda a crescer e ajudará a Sociedade a crescer também. Conto com todos os colegas da SOBED para crescermos mais ainda”, afirma.

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A importância de divulgar e conscientizar a população sobre a prevenção do câncer colorretal

Desde 2015, a SOBED entrou na luta contra o câncer colorretal com a realização de mutirões de exames de colonoscopia pelo Brasil. A iniciativa, inicialmente através da Comissão de Mutirões e de Prevenção do Câncer Colorretal e depois pela Comissão de Ações Sociais da SOBED Nacional, tem como objetivos divulgar e conscientizar a população sobre a prevenção do câncer colorretal, com identificação e tratamento de lesões pré-cancerosas ou o câncer em fase precoce.

Dr. Ronaldo Taam, ex-presidente da SOBED-RJ, participou de diversas edições do mutirão e diz que os dados de incidência e mortalidade do câncer de cólon e reto (CCR) no Brasil são alarmantes, assim como a falta de divulgação e de conhecimento da doença, que apresenta mais de 40 mil casos novos por ano em nosso país.

“É o 2º câncer mais frequente, tanto no homem quanto na mulher. As estimativas do INCA para 2020 demonstram um número total de 41.010 casos novos, sendo 20.540 em homens (ultrapassando o câncer de traqueia, brônquio e pulmão) e 20.470 no sexo feminino (atrás do câncer de mama), o que representa 9,1% e 9,2% de todas as neoplasias (exceto de pele não melanoma), respectivamente, em cada grupo. Mas, infelizmente, o Brasil não implantou ainda um programa nacional de prevenção de câncer de cólon e reto. Por isso, temos que encarar como um desafio: enfrentar as dificuldades, planejar, colocar em prática as ações e corrigir as condutas sempre que necessário, fazendo o que é possível”, afirma.

O diagnóstico em fases mais avançadas também acarreta pior prognóstico e maiores custos relacionados a procedimentos diagnósticos e terapêuticos (cirurgia, quimioterapia, radioterapia), como explica Dr. Ronaldo:

“Existe a prevenção primária, na qual orientamos sobre a alimentação, o controle do peso corporal e a prática de atividade física, e a prevenção secundária, que consiste no rastreamento das lesões neoplásicas. Para tal, precisamos formar uma rede de colaboração ou uma força-tarefa, com a participação de diversas especialidades com a endoscopia digestiva, gastroenterologia, coloproctologia, oncologia clínica, cirurgias oncológica e abdominal, entre outras. Ao analisarmos a história natural do câncer de colón, observamos que ele se encaixa perfeitamente nos critérios para que seja feito um rastreamento, o que consiste em identificar pessoas assintomáticas dentro de uma população. Com o diagnóstico e o tratamento (através da polipectomia ou outro método de ressecção) de uma lesão pré-maligna, você pode mudar a história natural da doença. Os objetivos principais desse rastreamento são reduzir a incidência e a mortalidade do câncer de cólon e reto. Vemos todos os dias, nos hospitais e ambulatórios, pacientes sem queixa alguma e que acham desnecessária a realização do exame. Entretanto, é justamente nessa fase o melhor momento de diagnostica e tratar. Na grande maioria dos casos, a doença começa como uma lesão neoplásica não maligna, que é o pólipo adenomatoso ou serrilhado. Depois, quando o paciente passa a apresentar sinais e sintomas, como, por exemplo, sangramento digestivo ou alteração do hábito intestinal, isso já pode ser sinal de que a lesão esteja em estágio avançado. Por isso, o benefício para o paciente e para a saúde pública que essa detecção seja precoce, com melhor prognóstico e menor custo do que o tratamento da doença em fase mais avançada.”

Os programas de rastreamento podem ser realizados de 2 modos:

  • oportunista- quando há indicação do médico para um paciente individualmente, sendo oferecido o procedimento de colonoscopia, considerado como padrão-ouro e;
  • organizado- nesse caso a abordagem é de uma grande população e há necessidade de uma seleção de pacientes. A maioria dos programas dessa categoria se baseia na pesquisa do sangue oculto nas fezes e na colonoscopia.

Outra questão relevante é a necessidade de testes de rastreamento eficazes no país. Hoje, o mais comum é o teste da pesquisa do sangue oculto nas fezes, porém, o mais recomendado seria a incorporação do teste de sangue oculto pelo método imuno-histoquímico (FIT), o que é raro no Brasil.

“Se eu tenho um teste ruim, pode haver um resultado falso positivo e vou indicar uma colonoscopia em uma pessoa que não precisaria fazer, ou seja, ela vai se submeter a um exame invasivo, sem necessidade. Se, no entanto, o teste desse falso negativo, não seria feito o exame e o paciente poderia evoluir para um câncer. Ou seja, se vou selecionar uma população, eu tenho que ter um teste minimamente confiável. Uma vez com um teste positivo, aí sim partiríamos para uma próxima etapa, que seria a colonoscopia. Diante disso, dependemos do endoscopista para realizar uma colonoscopia de qualidade, desde o preparo de cólon até o exame completo, com a identificação das lesões e a retirada precisa das mesmas. Vale lembrar que a colonoscopia é um procedimento operador dependente e que novas tecnologias têm sido incorporadas no auxílio da detecção e identificação das lesões. Esse é um programa organizado que depende muito do apoio do nosso sistema de saúde, o SUS, da atenção básica. Nós precisamos equipar os hospitais; qualificar, treinar e remunerar adequadamente os médicos, enfermeiros e todos os profissionais de saúde; garantir todo suporte cirúrgico e oncológico para os casos mais avançados e realizar esse acompanhamento de modo contínuo”, declara.

No Brasil, é recomendado o rastreamento a partir dos 50 anos de idade. No entanto, Dr. Ronaldo relata que nos Estados Unidos começaram a ser diagnosticados casos em faixas etárias mais baixas e discute-se iniciar a partir de 45 anos. Essa atitude gerou bastante preocupação e aponta também para a importância da avaliação de custo-efetividade, o que recentemente foi mostrado em um estudo da Universidade de Stanford. Estas análises são a chave para a obtenção de melhores resultados com menores custos, ressalta:

“Essa análise é usada para comparar estratégias de custos por ganho de ano de vida com qualidade. Múltiplas análises de programas de rastreamento de CCR realizadas ao redor do mundo sugerem que diversas modalidades apresentaram-se com excelente relação de custo-efetividade. Os limites são calculados pelo PIB per capita e dependem dos cenários e dos recursos disponíveis. Nos EUA, os limites seriam entre US$ 100,000-150,000 por ano de vida com qualidade ajustada e os estudos de programas de prevenção mostram valores bem abaixo dos US$ 100,000. Esse mesmo estudo revelou um limite de US$ 25,000-50,000 para o Brasil, no mesmo grupo de países como o Reino Unido, Portugal, República Tcheca, Hungria e Coréia do Sul. Cada país deve fazer a sua análise e estabelecer os seus limites. No nosso continente, Uruguai, Chile, Paraguai estão com seus programas organizados de redução da mortalidade pelo câncer colorretal já em curso”, conclui.

Uma proposta inicial para implantação de um Programa Nacional de Prevenção do Câncer de Cólon e Reto já foi realizada pela Câmara Técnica de Endoscopia Digestiva do CREMERJ, da qual Dr. Ronaldo faz parte. Foi encaminhado documento para a Secretaria de Atenção Primária, do Ministério da Saúde.

Leia, na íntegra, a proposta enviada:

PROPOSTA INICIAL PARA IMPLANTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE CÓLON E RETO VIA CT ENDOSCOPIA CREMERJ

Dr. Ronaldo Taam é fellow da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal (ASGE) e do Colégio Americano de Gastroenterologia (ACG); membro titular da SOBED e FBG; ex-presidente da SOBED-RJ; e faz parte do staff do Serviço de Endoscopia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG/Unirio), onde também é responsável pela Residência Médica.

 

Perfil: Dr. José Augusto Messias

Clínico Geral e Especialista em Gastroenterologia, Dr. José Augusto Messias também é reconhecido pela significativa atuação junto à Endoscopia Digestiva. Na década de 70, em que a endoscopia estava germinando e crescendo, ele já participava da rotina do setor de Endoscopia, mesmo sendo residente de Clínica Médica do então Hospital de Clinicas do Pedro Ernesto.

“Me honra muito ter sido um dos fundadores da SOBED-RJ e ter feito endoscopia durante 25 anos ou mais, desde que me formei pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado da Guanabara, atual UERJ. Comecei a fazer endoscopia com o Dr. Edson Jurado, em 1973, no meu internato, junto também com o Dr. Alexandre Abrão, hoje chefe do Setor de Gastroenterologia e Endoscopia do Pedro Ernesto. Os fibroscópios ainda eram uma miragem para nós em 1974. Conseguimos um certo apoio da direção do hospital para atualizar o equipamento e nós (Edson Jurado, Alexandre Abrão e eu) montamos um time para dar cobertura às endoscopias de urgência dentro do Pedro Ernesto. Funcionava 24 horas, 7 dias na semana. Com isso, a direção do hospital comprou equipamentos mais modernos, como: colonoscópio, fibroscópio e endoscópio alto. Ao fim da minha residência, tanto eu como o Dr. Alexandre nos tornamos professores da Faculdade de Ciências Médicas e continuamos desenvolvendo o trabalho no Hospital Universitário. Eu trabalhava em dois turnos fazendo endoscopia de rotina dos serviços. E isso permaneceu durante décadas”, disse.

Aliás, Dr. Messias e Dr. Alexandre já eram amigos de longa data. Estudaram juntos desde o 1º ano do Ginásio (que correspondia aos últimos quatro anos do atual Ensino Fundamental). Depois, fizeram faculdade juntos, trabalharam no mesmo hospital, se formaram na mesma turma e atuaram no mesmo consultório. Uma amizade de 60 anos, desde 1959.

“Quando começamos a fazer endoscopia com o Dr. Jurado, o aparelho disponível para ver o esôfago era um tubo rígido que se chamava: Chevalier Jackson. E o aparelho para ver o estômago era uma gastrocâmera, que foi o 1º desenvolvido a partir da escola japonesa. Você simplesmente fotografava a partir de um determinado protocolo e depois examinava as fotos para poder fazer a impressão diagnóstica, você não conseguia nem biopsiar. Em 1976, quando nós três montamos aquele grupo que dava suporte às emergências do Pedro Ernesto é que incorporaram os primeiros fibroscópios, como um fibroendoscópico que conseguia chegar no duodeno, e um colonoscópico que nos permitiu realizar colonoscopias. Era uma época que eu chamaria de pré-histórica. Então, a gente fazia não só a endoscopia do esôfago com esse tubo rígido, como fazia também uma broncoscopia com broncoscópio rígido pra examinar a traqueia. Depois, começaram a surgir as escleroses, a escleroterapia, até que eu cheguei junto com a incorporação da chamada ligadura elástica para varizes e esôfago. Nesse período, em 2000 em diante, a endoscopia havia se tornado bastante tecnológica, o que fugiu um pouco do meu escopo profissional”, afirma.

A prática endoscópica tem lugar especial na carreira do Dr. Messias e apesar dele ter se desligado do setor nos últimos 15 anos, mantém forte relação com o grupo de endoscopistas da SOBED-RJ.

“Hoje a minha ligação com esse grupo se dá pela minha pratica clínica, já que trato muitos casos de gastroenterologia, como pacientes com câncer de esôfago em que que foram retiradas por endoscopia a famosa mucosectomia por via endoscópica. E eu me lembro da época em que a gente trabalhava no Pedro Ernesto e a cirurgia de câncer de esôfago era uma das cirurgias que mais dava frio na barriga, devido a quantidade de complicações, e a cirurgia quase sempre implicava em retirar o esôfago. Hoje, com a evolução da tecnologia, o cenário mudou”, relembra.

Dr. Messias revela que sempre frequentou congressos para se atualizar e teve muitos trabalhos publicados, principalmente aqueles focados na questão do adolescente.

“Na década de 80 e 90, a gente demonstrou que a realização de endoscopia diagnóstica em adolescentes era possível. Utilizamos um protocolo e conseguimos fazer a maior parte das endoscopias como fazíamos em adultos. Dava um pouco mais de trabalho de conversa e de convencimento, mas não havia nenhuma diferença médica para não fazer a famosa anestesia na garganta e uma pequena sedação endovenosa, como era o protocolo da época. Como consequência disso, eu me tornei professor Titular de Clínica Médica da UERJ e uma das minhas teses ao longo da vida foi justamente sobre câncer gástrico. Aproveitei todo material da área da gastroenterologia, com 317 doentes, numa época em que infelizmente a gente ainda tinha muito menos recurso de fazer um diagnóstico mais precoce e de fazer uma proposta terapêutica mais efetiva pra esses doentes. O câncer gástrico ainda é um desafio mas com a história do H. Pylori e com esses equipamentos endoscópicos o que temos é uma visão muito mais detalhada”.

Dr. Messias também é diretor do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente, uma área pioneira dentro da UERJ. O NESA possuiu uma enfermaria, um ambulatório grande, e um grupo que lida com atenção primária. Trata-se de um serviço referencial não só no Brasil, como no exterior.

Sobre fazer parte da história da SOBED-RJ, Dr. Messias guarda com muito orgulho de sua participação no Congresso em Curitiba, em 1974, quando ainda era residente.

“Eu estava naquele congresso e houve uma reunião dos gastroenterologistas e dos profissionais que também tinham já a prática da endoscopia. Fizemos a reunião, na presença do Dr. Glaciomar, Dr. Jorge, Dr. Luis Leite Luna, e de vários outros da 1ª geração de endoscopistas, e fundou-se a Sociedade. Quem assinou essa ata recebeu o título de sócio-fundador. Eu sou um deles, assim como o Dr. Alexandre Abrão. É uma história que guardo com muito orgulho!”, relata Dr. Messias.

 

 

As propostas para a gestão 2020/2022 da SOBED-RJ

A eleição para a diretoria da SOBED-RJ (2020/2022), que ocorre entre os dias 7 e 9 de setembro (segunda a quarta-feira), de forma exclusivamente online (confira o edital), terá chapa única, cujo candidato à presidência é o Dr. Miguel Koury Filho. Uma de suas principais propostas para a nova gestão é de aumentar o número de centros formadores de endoscopistas e de residências médicas no Estado do Rio de Janeiro.

Dr. Miguel Koury, que é coordenador das residências médicas da Faculdade de Medicina de Petrópolis, além de professor do Departamento de Cirurgia e supervisor do Programa de Residentes em Endoscopia da FMP, também aborda o foco que buscará dar à SOBED-RJ:

“Somar, ouvir, aprender, agregar endoscopistas da capital e do interior e também promover o crescimento da área de ensino da SOBED-RJ. Há dois anos consegui colocar a primeira residência médica de Endoscopia Digestiva, pelo MEC, fora da capital. Hoje, o estado inteiro tem quatro residências: Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG/Unirio), Hospital Federal de Ipanema (HFI), Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Hospital de Ensino Alcides Carneiro, aqui em Petrópolis. Então, acreditamos que mais locais têm potencial para isso e a nossa intenção é estimular que isso aconteça”, afirma

Com relação às reuniões científicas da SOBED-RJ, a proposta é que continuem ocorrendo mensalmente, intercalando eventos presenciais e online.

“A intenção é prestigiar também o pessoal do interior, facilitando a questão do deslocamento. Assim, ao dar uma atenção maior às sub-estaduais da SOBED-RJ, estaremos valorizando não só as pessoas como a parte científica, também”, comenta.

Em novembro de 2018, Dr. Miguel foi um dos idealizadores do Simpósio de Endoscopia Digestiva Diagnóstica e Terapêutica, realizado em Petrópolis. O evento contou com atividades teórica, na Faculdade de Medicina de Petrópolis, e prática com mutirão de CPER e hands-on de Spyglass, no Hospital Alcides Carneiro.

“A ideia é fazer mais simpósios neste modelo em outras cidades do interior, permitindo que nossos associados de outros municípios de fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, também tenham acesso”, conclui.

Não deixe de participar da votação online para eleição da SOBED-RJ. Seu voto torna a nossa sociedade ainda mais forte e sendo uma votação online, sua participação é mais fácil ainda. Basta pegar o seu celular e deixar seu voto.

CONFIRA O PERFIL DOS INTEGRANTES DA CHAPA ÚNICA PARA ELEIÇÃO DA SOBED-RJ GESTÃO 2020/2022

Miguel Koury Filho (presidente)

Mestre em Medicina; coordenador das residências médicas da Faculdade de Medicina de Petrópolis; Professor do Departamento de Cirurgia da FMP; Supervisor do Programa de Residência Médica em Endoscopia da FMP; Especialista em Endoscopia Digestiva.

 

 

Djalma Ernesto Coelho Neto (vice-presidente)

Mestre e Doutor pela Faculdade de Medicina da UFRJ; Professor do Departamento de Cirurgia da UNESA; Membro da Câmara Técnica de Endoscopia Digestiva do CFM; Membro Adjunto do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

 

 

Ana Maria Zuccaro (1ª secretária)

Mestre em Medicina; Especialista em Endoscopia Digestiva; Especialista em Gastroenterologia; Membro da Câmara técnica CREMERJ e CFM; Chefe do serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital Federal de Ipanema; Presidente da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SOBED; ex-presidente da SOBED-RJ.

 

 

Guilherme Falcão Ribeiro Ferreira (2º secretário)

Responsável pelo serviço de Endoscopia Digestiva Avançada da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos; médico endoscopista do Hospital Ferreira Machado (RT do serviço), do Hospital Geral de Guarus (responsável do serviço de CPRE), da Clínica/Instituto de Oncologia Santa Maria e do Hospital da Unimed/Campos; Professor convidado da Faculdade de Medicina de Campos; Membro titular da SOBED e da FBG.

 

Rosania Maria Inácio (1ª tesoureira)

Mestre em Gastroenterologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Especialista em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva; Médica Endoscopista do grupo Gastro Gávea; Membro titular da SOBED.

 

Felipe Mota Mendonça (2º tesoureiro)

Médico do serviço de Gastroenterologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ); Médico do setor de Endoscopia do Hospital Federal de Bonsucesso; Diretor técnico da Endogastroclinica Serviços Médicos LTDA; Membro titular da SOBED e da FBG.

Dia dos Pais: SOBED-RJ faz homenagem a pais e filhos médicos e endoscopistas

Neste Dia dos Pais a SOBED-RJ parabeniza os pais associados e faz uma homenagem àqueles que se tornaram fonte de inspiração profissional para os próprios filhos, incluindo o atual presidente da SOBED-RJ, Dr. Djalma Coelho, e seu pai, Dr. José Flavio, que nos últimos 30 anos compartilham dessa felicidade de poderem trabalhar juntos.

Aliás, a Medicina é mais do que presente no dia-a-dia da família Coelho. A esposa do Dr. Djalma, Dra. Saluá Coelho é médica anestesista e as filhas gêmas do casal, Mariana e Gabriela, de 18 anos, estão no 1º ano da faculdade de Medicina na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques. A dedicação, o amor à Medicina, o envolvimento com o trabalho e o cuidado com os pacientes são apenas algumas das características que fizeram elas seguirem o mesmo caminho dos pais.

E, assim como a família Coelho, outros associados têm histórias semelhantes.

Mãe de dois e casada com um endoscopista, Dra. Patricia Luna não se esquece da cena de seu pai preparando aulas, quando ela tinha apenas 7 anos. Ela define o seu pai, o Dr. Luiz Leite Luna, como um exemplo de seriedade, comprometimento e amor à Medicina, tanto que é referência na especialidade, além de ex-presidente e um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Endoscopia.

“Eu adorava ver os slides que ele montava. Ficava do lado dele só olhando, mesmo não entendendo nada. Na época, as aulas eram dadas com projeção de slides! E ele me deixava mexer, mas sempre recomendava: “- Só não tira da ordem!” Os slides eram lindos! Ele colocava figuras de livros, fotografias de exames, esquemas e montava desenhos. Aquilo me encantava, e sem dúvida, me influenciou muito na escolha da minha profissão. Desde que me formei sempre trabalhamos juntos no Hospital São Vicente de Paulo, onde meu pai fundou o atual Serviço de Endoscopia. Uma vez ele leu um artigo com uma técnica diferente de Diverticulotomia de Zenker e fizemos juntos um caso utilizando essa técnica. Acabei apresentando este caso em uma reunião da SOBED e isso foi muito marcante para mim. Além do trabalho na assistência médica, ele sempre deu muitas aulas e participava de muito eventos científicos. E estudava muito, muito mesmo! Até hoje ainda estuda muito! Ele ama estudar! Com isso estava sempre ocupado. Trabalhava o dia todo e me lembro de muitas noites ele ter que sair também para trabalhar. As emergências! Apesar de vê-lo pouco nesta época, ele sempre dava um jeito de estar presente quando precisávamos. Nas nossas doenças, eventos e vitórias ele estava lá. Me lembro que quando fiz vestibular para Medicina ele me levou e me esperou em todas as provas. Acho que ficou mais nervoso do que eu!”, comenta Dra. Patricia Luna, que também trabalha no INCA.

Dra. Carolina Menezes é outro exemplo. Casada e mãe do Gabriel, ela foi residente do seu pai, o Dr. José Geraldo Menezes, ex-presidente da SOBED-RJ, e até hoje trabalham juntos como endoscopistas.

“A minha escolha profissional foi extremamente livre, mas com certeza o carinho e a paixão que meu pai sempre despertou me fez começar a olhar com outros olhos. Eu queria ser bailarina, mas na hora em que a gente chega para fazer a escolha acabei tendo a influência do meu pai, pois vendo dentro de casa a empatia dele e o carinho com os pacientes, eu também fui “mordida pelo bichinho.” Quando a gente começou a trabalhar junto, nosso convívio ficou ainda maior, não só do lado profissional, que até hoje é um grande aprendizado, mas inclusive pela nossa parceria de vida, que foi aumentando com o nosso convívio diário. Retidão, empatia e o jeito amoroso são marcas dele, além da grande paixão pelos seus alunos, por mais de 30 anos dedicados à formação de residentes. Eu amo muito o meu pai e a família que construí. Deus não poderia ter sido mais generoso com a gente. Agradeço por ter um pai amoroso, carinhoso, correto, e além de tudo, um protetor na vida pessoal e também na vida profissional. E que a gente possa trabalhar por muito, muito tempo, juntos”, reforça Dra. Carolina Menezes, que trabalha no Hospital Rios D’Or e em consultório, em Jacarepaguá.

Casado e pai do Lucas, Dr. Túlio Medina Guerra Pereira Caldas é endoscopista assim como o pai, o Dr. Francisco José Medina Pereira Caldas, também ex-presidente da SOBED-RJ. Os dois trabalham juntos e ele destaca a ética profissional como a maior característica de seu pai.

“Sem dúvida o meu pai foi a referência para minha escolha profissional. Também tenho primos e tios médicos. Da nossa rotina de trabalho conjunta posso afirmar que não existe um momento marcante apenas uma convivência agradável, com trocas de informações com uma pessoa que possui uma experiência incrível no mundo da endoscopia, o que eleva o meu conhecimento e torna todo procedimento em uma aula. Para mim o equilibro do trabalho é a chave e a família sempre será minha prioridade. Que neste dia apesar da distância todos tentem confraternizar e ficar perto, pois a família é a base”, reforça Dr. Túlio Medina, que trabalha no Hospital Central Aristarcho Pessoa, Hospital Federal Cardoso Fontes e no Hospital Unimed-Rio e é responsável técnico da EndoMedina-Clinica de Endoscopia Digestiva.

Prestes a casar e à espera do 1º filho, Dr. Rafael Quinellato recorda que por volta de 7 anos já falava que seria ser médico, igual ao seu pai, o Dr. Luiz Pinheiro Quinellato, ex-presidente da SOBED-RJ. Inclusive, começou a acompanhá-lo nos exames de endoscopia, antes mesmo de cursar medicina.

“Ele sempre me chamava para acompanhá-lo nos sobreavisos no Hospital Evangélico. Já na faculdade, quando estava de férias, sempre que possível acompanhava-o nos exames eletivos e eventualmente nas emergências/urgências endoscópicas. Ele me dava aulas, inclusive. Meu pai é o meu grande mentor, inspirador, uma pessoa muito humana, que pensa muito na pessoa que está do outro lado e procura sempre ajudar a quem precisa. É quem me norteia, um grande amigo. E a nossa relação é ótima. Trabalhamos no mesmo consultório desde 2012 e trocamos muitas figurinhas. Um momento marcante foi num desses primeiros sobreavisos  em que já estava na faculdade e ainda decidindo que especialidade iria fazer. O paciente estava fazendo endoscopia, por ter apresentado hemorragia digestiva, só que acabou vomitando muito sangue no meio do exame, inclusive sujando nossos sapatos. Meu pai ficou mais assustado do que eu, não pelo exame em si (hahaha). Ele dizia: – “Não é sempre assim, isso é uma raridade. Está tudo bem com você?” E eu não fiquei nem um pouco traumatizado, inclusive, depois fui desenvolvendo um interesse especial pela gastroenterologia, principalmente a clínica, até que resolvi fazer a residência em gastro e fiquei fascinado pela parte da imagem. Em 2012, logo após a residência em gastro, me tornei especialista pela SOBED em Endoscopia e hoje sou especialista na área de pâncreas e via biliar, após concluir o curso de capacitação em endoscopia da via biliar e eco endoscopia, em 2019. Então, a minha vida agora é a endoscopia, e poder trabalhar com o meu pai, que também é gastro e endoscopista, é uma honra. Tiramos dúvidas um com o outro e ele fica todo orgulhoso que eu fui um pouco além na realização de endoscopia avançada”, conta Dr. Rafael Quinellato, que trabalha na Clinica Quimed, no Hospital Carlos Chagas, no Hospital da Marinha e no Hospital Casa Evangélico, todos no Rio de Janeiro.

Casado e pai de dois filhos, Dr. Luiz Carlos Duarte Monteiro Júnior sempre guardará na memória o dia, em que sob a supervisão de seu pai, fez a sua 1ª endoscopia digestiva alta com um fibroscópio da marca Olympus. Desde criança, ele queria seguir na carreira e cresceu ouvindo histórias de casos médicos vivenciados pelo saudoso Dr. Luiz Carlos Duarte Monteiro.

“Meu pai tinha duas grandes paixões: sua família (esposa e cinco filhos) e sua profissão. Tenho certeza de que ele me influenciou, pois nunca pensei em outra profissão. Tivemos a alegria de trabalhar juntos durante muitos anos até ele se aposentar. A história dele me inspira. Na década de 70, ele se apaixonou pela Endoscopia Digestiva, parou de atuar como cirurgião geral e passou a se dedicar exclusivamente à Endoscopia. Participou da criação da nossa SOBED, e também de muitos congressos e cursos no Brasil e no exterior, divulgando e trocando experiências com colegas sobre a nossa especialidade. Para mim, a carreira de Medicina é hipnotizante e a minha família é o meu “porto seguro”. Sou um pai muito orgulhoso em ter o Victor, de 21 anos, cursando Administração, e a Marina, de 18 anos, fazendo curso preparatório para Medicina”, ressalta Dr. Luiz Carlos Duarte Monteiro Júnior, Diretor médico da Gastroimagem e responsável pelo Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital da Policia Militar de Niterói .

Casado e pai de duas filhas, Dr. Guilherme Falcão é médico endoscopista, assim como o pai, o Dr. Celso Ribeiro, considerado por ele um verdadeiro “professor em casa”, que sempre o inspirou.

“Meu pai ingressou na Endoscopia Digestiva em 1978. Desde criança não me lembro de pensar em seguir outra profissão. Mesmo ele nunca tendo “sugerido” ou me persuadido, é inegável que a admiração por ele foi decisiva na minha escolha e, principalmente, na especialidade. Hoje, por morarmos em cidades diferentes, não trabalhamos juntos, mas no início da minha vida profissional, trabalhamos e fizemos muitos procedimentos juntos, e é muito confortante ter um professor “em casa”. A troca de experiência é muito interessante, pois somos de gerações diferentes, com formação distinta, que por vezes nos levava a divergir sobre algumas condutas, mas no final, sempre prevaleciam o bom senso e ética”, comenta Dr. Guilherme.

Ele também fala de outras características do Dr. Celso:

“Meu pai é um grande médico! Mas antes disso, ele é um filho e irmão valoroso, um pai extremamente amoroso que nunca mediu esforços para educar a mim e meus irmãos, além de um vovô coruja muito querido por suas netinhas. Dentre todas as virtudes do meu pai, a que sempre me chamou atenção é a sua disposição e determinação para o trabalho. É um médico dedicado, arrojado e desbravador. Quando muitas vezes eu via dificuldades e impossibilidades, ele enxergava oportunidades de fazer algo novo e maior. Foi observando as suas atitudes que a dignidade ganhou vida na minha vida”, ressalta Dr. Guilherme Falcão, que hoje trabalha em Campos dos Goytacazes, no Hospital Ferreira Machado, no Hospital Geral de Guarus, na Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos, no Hospital da Unimed/Campos, além da Clínica/Instituto de Oncologia Santa Maria.

Casado e pai de dois filhos, Dr. James Menezes Alvarez conta que teve o filho mais velho, seu xará, no meio da faculdade e que o mesmo quando chegou ao 2º ano da escola disse que gostaria de fazer Medicina. Hoje, trabalham juntos no consultório da família, em Teresópolis. E o filho mais novo, Lucas, de 21 anos, também segue o mesmo caminho, está acabando o 3º ano da faculdade de Medicina.

“Minha esposa e eu éramos da mesma turma, começamos a namorar, e dois anos depois o “Jamezinho” nasceu. Jamais imaginávamos que ele fosse fazer Medicina, afinal, ele pegou a gente no meio da faculdade, fazendo residência, e às vezes ele ligava chamando para jogar bola e eu falava que não podia pois teria que dar plantão aos sábados. E pelo contrário! Ele começou a fazer a Medicina já decidido a seguir carreira na Endoscopia. Fez a residência de clínica médica aqui na UNIFESO, em Teresópolis, e foi fazer residência em Endoscopia em São Paulo, no centro formador da SOBED, do Dr. Arthur Parada. Depois, para a minha alegria, veio trabalhar comigo. Eu tinha uma demanda muito grande de exames e nós fizemos duas salas aqui. Estamos juntos desde março de 2018. Ele acabou de fazer 31 anos. E o nosso filho mais novo, que tem 10 anos de diferença, está acabando o 3º ano da faculdade, ainda não definiu a especialidade, mas já nos ajuda muito na parte tecnológica do consultório. Acho que dentro em breve teremos mais um que está super engajado”, conta Dr. James Menezes Alvarez, médico endoscopista que atua dentro do Hospital São José, de Teresópolis.

Dr. James Queiroz Alvarez, o “Jamezinho”, reforça que desde pequeno acompanhou todo o processo de crescimento dos pais na área médica e isso o fez ter certeza da sua escolha.

“Meu pai era intensivista e minha mãe era intensivista pediátrica, então, eu sempre tive muito contato com o hospital e sempre gostei! Ficava esperando eles saírem de plantão, jogando videogame/ computador na sala de repouso. Às vezes, o meu pai era chamado no sobreaviso e eu o acompanhava nos exames, quando já estava na faculdade. Sempre tive vontade de seguir a carreira. Eu já gostava de Endoscopia e durante a faculdade essa aptidão e essa vontade foram confirmadas. Acabei fazendo a residência de clínica medica já tendo esse interesse. O que mais admiro nele é o respeito que ele gera nos colegas e pacientes que ele conquistou aqui. Como pai, sempre me inspirou pelo caráter e pelas lições e valores. Mesmo com a ausência por conta dos plantões, residências e sobreavisos ele sempre que pôde se fez presente na minha vida e na do meu irmão. É um exemplo para nós”, reforça Dr. James Queiroz Alvarez.

Casado e pai de 2 filhos, Dr. Ricardo Alvariz é endoscopista e gastroenterologista e aprendeu desde criança com o seu pai, o saudoso Dr. Fernando Alvariz, que a Medicina deve ser uma paixão.

“É todo um conjunto que a Medicina traz para a gente, como a possibilidade de ver as pessoas bem, de proporcionar a melhora do paciente, de tirar a dor e até de curar. Tendo como uma paixão, eu já dizia que queria ser médico desde os 2 anos. Nunca tive dúvida. Meu pai sempre foi um apaixonado pela Medicina e deixou uma mensagem de retidão, de ser uma pessoa correta, ética, e isso foi um exemplo muito importante para mim e para quem conviveu com ele no período em que foi Chefe da Clínica Médica do Hospital de Bonsucesso e Chefe da Disciplina de Gastroenterologia da UERJ. Eu acompanhei o meu pai durante muitos anos. Depois que me formei, fui para a UERJ por causa dele. Quando ele se aposentou, eu continuei no ambulatório de fígado com ele, até ser fechado recentemente, quando ele já estava com 81 anos. Fiquei mais de 20 anos no ambulatório de fígado e depois acabei indo para Santa Casa, já que ele ficou alguns anos lá e novamente o acompanhei. Meu pai era gastroenterologista mas não fazia endoscopia. Já eu sempre fui um gastroendoscopista, sempre gostei da clínica de gastroenterologia e da clínica hepatológica, tanto que o meu mestrado e doutorado foram na área de hepatologia. Há 25 anos, sou professor da Disciplina de Gastroenterologia, na UERJ e atuo em hospitais privados através do nosso Grupo/Clinica Endoview”, revela Dr. Ricardo Alvariz, que escolheu para o filho mais velho o nome de seu pai.

A SOBED-RJ finaliza aproveitando para desejar um domingo de muito amor em família e que todos tenham um Feliz Dia dos Pais!

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CFM tem 1ª reunião da Câmara Técnica de Endoscopia Digestiva

A Câmara Técnica em Endoscopia Digestiva foi criada em maio deste ano pelo Conselho Federal de Medicina com o objetivo de discutir e tratar temas da especialidade para assegurar o bom atendimento da prática endoscópica no Brasil.

A 1ª reunião da CT ocorreu no dia 24 de junho, por videoconferência, e contou com um quórum significativo de participantes.

Segundo o coordenador da CT, Dr. Leonardo Emílio da Silva, membro titular da SOBED e representante de Goiás no CFM, a reunião foi extremamente produtiva.

“Nos apresentamos uns aos outros e já iniciamos uma proposta de documentos para fortalecer a especialidade no CFM e na AMB. A CT ficou composta por colegas de extrema importância no cenário da Endoscopia Digestiva nacional e internacional. Pessoas com comprometimento com a ética e a boa prática da endoscopia. Assim, já iniciamos os trabalhos com um documento sobre a retomada de exames nesse momento de pandemia, estendendo para o pós-pandemia”, ressaltou Dr. Leonardo Emílio, que foi designado conselheiro federal pelo CFM na CT de Endoscopia Digestiva.

Para o Dr. Flávio Hayato Ejima, conselheiro indicado pela SOBED para compor a CT, trata-se de um passo muito importante para estreitar a relação com o CFM.

“O Conselho Federal de Medicina é o principal órgão que faz toda a normatização da Medicina em relação aos médicos. A gente já tinha um relacionamento próximo, mas nunca dessa maneira. Inclusive, eu já era representante da SOBED no CFM. Agora, a Câmara Técnica vai fazer com que dentro do CFM exista um grupo muito capacitado para discutir todos os assuntos relacionados à atual situação da endoscopia no país, como: normatização, sedação, entre outros temas”, relatou Dr. Flavio Ejima, Ex-presidente da SOBED (2017-2018).

A Câmara Técnica é constituída após avaliação e aprovação da Diretoria, seguida da plenária do CFM. São cargos honoríficos, indicados pelos conselheiros do CFM, além de um representante indicado pela SOBED, totalizando 22 integrantes. Todos podem sugerir pautas, que serão submetidas e analisadas pelos membros da comissão, e os despachos serão feitos pelo CFM.

Para o coordenador da CT, Dr. Leonardo Emílio, trata-se de um marco para a especialidade:

“A Endoscopia Digestiva é uma especialidade desde 1992, ou seja, há 28 anos. A CT traz força e representatividade para a especialidade, pois os documentos do CFM podem ser iniciados pela Câmara Técnica. Isto quer dizer que podemos documentar a nossa especialidade, especialmente, através de resoluções e recomendações, que são documentos oficiais do CFM. Vamos contribuir para o progresso da Endoscopia Digestiva e, consequentemente, da sociedade.”

Da SOBED-RJ, participam a Dra. Ana Maria Zuccaro, como presidente da Comissão de Ética e Defesa Profissional, e o Dr. Djalma Coelho, atual presidente da sociedade regional.

“A criação da CT foi um marco histórico, reunindo não só a SOBED nacional, como todas as estaduais. A SOBED pediu que nós, presidentes das estaduais, entrássemos em contato com os nossos conselheiros federais, de cada Estado, pedindo apoio para a formação da Câmara Técnica. Então, foi um trabalho muito focado da equipe da SOBED, mostrando a importância da união de todos”, ressalta Dr. Djalma Coelho.

O coordenador, Dr. Leonardo Emílio, explica os próximos passos:

“Assim que o 1º documento estiver pronto, ele será apreciado pela plenária do CFM, que vai definir com relação à publicação e à oficialização do documento. Isso será feito de forma colegiada pela plenária, que reúne 28 conselheiros de todo o nosso Brasil. Assim que finalizarmos esse documento, já estaremos com uma extensa agenda de pautas que serão debatidas na CT, com assuntos extremamente pertinentes à prática da endoscopia digestiva no Brasil, com segurança e qualidade”, finaliza Dr. Leonardo Emílio.

Perfil: Dr. Ricardo Ebecken

Nascido em Niterói, Dr. Ricardo Ebecken, começou a sua trajetória acadêmica e profissional na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde se formou em Medicina, em 1971.

Realizou especialização em Endoscopia Digestiva na Santa Casa da Misericórdia (RJ), de 1972 a 1973.

Em 1974, se tornou professor de Gastroenterologia da UFF, no Departamento de Medicina Clinica/Endoscopia, e passou a ser responsável pelo treinamento de residentes no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap/UFF)

“Eu ingressei em abril de 1974, no mesmo período iniciou o programa de residência médica. Treinava os residentes ensinando endoscopia digestiva diagnóstica e terapêutica. O Huap/UFF já era um dos serviços públicos do Rio de Janeiro a realizar procedimentos endoscópicos. Foram 40 anos de dedicação no setor de Endoscopia Digestiva diagnóstica e terapêutica. Me aposentei em 2014.”

Membro titular da SOBED-RJ, Dr. Ricardo Ebecken também foi um dos fundadores da Sociedade, em 1978.

“Tive a honra de escrever no 1º livro da SOBED-RJ, datilografado na época. Fiz um artigo sobre Úlcera Péptica. E mais recentemente, pude contribuir com o último livro produzido”, disse Dr. Ricardo.

Dr. Ricardo na 2ª fileira, o segundo da esquerda para direita, durante o 1º Seminário de Endoscopia Digestiva, em 1973 (página 38- Livro História da SOBED-Glaciomar Machado)

Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória foi o trabalho no Hospital Escola São Francisco de Assis (Hesfa), da UFRJ, com o Prof. Glaciomar Machado.

“Comecei trabalhando no Hospital São Francisco, em 1978, com Dr. Glaciomar Machado. Foi ele que me ensinou a endoscopia. Fazia com gastrocâmera e gastroscópio, aparelhos que não existem mais. Os aparelhos eram limitados, com fibra. Hoje, tudo aparece em vídeo, é top de linha. Trabalhei com Dr. Glaciomar mais ou menos 15 anos, só na endoscopia”, conta Dr. Ricardo.

Eles também trabalharam juntos no Hospital Miguel Couto e na Santa Casa da Misericórdia.

Outro fato interessante é que Dr. Ricardo Ebecken fez parte da primeira turma de mestrado em Endoscopia Digestiva da UFRJ, no Fundão, em 1978, quando as atividades de ensino de Medicina passaram a se concentrar na Cidade Universitária.

Em julho de 1984, ele foi designado chefe do serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital Municipal Orêncio de Freitas (HOF), em Niterói, realizando procedimentos endoscópicos e terapêuticos, endoscopia digestiva alta e baixa, além de CPRE.

“Eu era responsável pelo treinamento cirúrgico de dois residentes, por ano, até dezembro de 2002, quando me aposentei. Profissionais de vários estados do Brasil aprenderam endoscopia comigo, como do Paraná, Rio Grande do Sul, entre outros.”

Na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Dr. Ricardo realizou Doutorado. Na Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica), fez estágio no Hospital Erasme, em 1995, com o Prof. Michel Cremer, no serviço de CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica diagnóstica e terapêutica).

Atualmente, Dr. Ricardo atende em consultório particular e trabalha no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), onde é responsável pelo Serviço de Endoscopia Digestiva.

“Faço endoscopia, colonoscopia, CPRE. Nós somos um grupo de sete médicos e estamos atendendo diretamente internados sem covid-19. Faço gastroenterologia clínica e atendo em consultório até hoje. Tenho pacientes que atendo há 40 anos. Sempre participei de congressos e tenho publicações em revistas internacionais. Anualmente, vou à São Paulo para eventos médicos relevantes. Também participei em diversas bancas examinadoras de Tese de Mestrado na UFF e UFRJ”, relata Dr. Ricardo.

Ele recebeu, ainda, a medalha de ouro no Prêmio RIMA, em 2018 e 2019, pela excelência em atualização científica internacional em gastroenterologia. Dr. Ricardo foi reconhecido pelo seu desempenho notável nos programas de leitura sistemática, investigação avançada e pesquisa de melhores evidências científicas vigentes por meio da interação experta na Rede de Informática de Medicina Avançada (RIMA).

Casado e pai de 3 filhos, Dr. Ricardo conta que sua filha já trabalhou com ele como endoscopista e que hoje atua em CTI, como intensivista. A outra filha optou pela advocacia.

Com uma trajetória marcante, Dr. Ricardo deixa uma mensagem para todos os colegas endoscopistas:

“Que a gente consiga vencer a covid-19 para voltar a trabalhar”.