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Curso de Endosutura Gástrica

fonte: SOBED

Com os objetivos introduzir os endoscopistas às possibilidades de uso da sutura endoscópica, permitindo avaliar sua factibilidade na rotina de cada serviço, a SOBED realiza o Curso de “Endosutura Gástrica”, dia 1º de junho, no XIII Simpósio Internacional da SOBED, em Campinas (SP). 

Autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2016, a sutura endoscópica é um device que abriu novas perspectivas para diversos tratamentos, como da obesidade, de complicações pós-cirurgias bariástricas, de tumores do TGI e de perfurações do tubo digestório. O procedimento tem como vantagem ser menos invasivo, sem incisões cirúrgicas e com menor risco de complicações, rápido (40 a 60 minutos) e com alta hospitalar no mesmo dia. 

Inscreva-se em: http://bit.ly/CursoEndosuturaSOBED

Cerca de 70 pessoas comparecem à reunião científica de maio da SOBED-RJ

Com auditório cheio e 72 presentes, a SOBED-RJ realizou nesta segunda-feira, dia 13, sua reunião científica de maio, no centro de estudos do Hospital Samaritano, em Botafogo.

O evento teve início com o Dr. Djalma Coelho dando às boas vindas aos presentes e chamando ao palco a Dra. Fernanda Barroso e o Dr. José Antônio Barroso, ambos residentes do Hospital Federal de Ipanema, que apresentaram caso para o projeto Jovem Endoscopista e foram sabatinados pelos presentes com perguntas sobre os temas abordados.

Em seguida, a Dra. Maria Aparecida Ferreira, do INCA, moderadora da reunião científica, chamou ao palco o Dr. Luiz Felipe, coordenador do programa de carcinogenas do INCA, que falou um pouco sobre Classificação Molecular de Tumores e de evento que será realizado pela SOBED-RJ, em julho.

Dando continuidade, o Dr. João Pedro Simões, R2 do INCA, apresentou caso clínico para o projeto Jovem Endoscopista, que também gerou grande debate entre os presentes.

Em seguida, ocorreram as palestras do Dr. Nelson Miyajima, de São Paulo, que falou sobre Diagnóstico endoscópico do câncer gástrico precoce, do Dr. Lincoln Ferreira, de Minas Gerais, que abordou Prevenção do câncer colorretal: papel da colonoscopia, e do engenheiro clínico Sérgio Pitanga, que apresentou curso de boas prática em limpeza e desinfeccção de endoscópios flexíveis (Hands on).

A próxima atividade científica da SOBED-RJ acontece em 15 de junho (sábado).

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Fim do Fee For Service?

fonte: Associação Paulista de Medicina

Resultado de um trabalho iniciado em 2016, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou, em março, o “Guia para Implementação de Modelos de Remuneração baseados em valor”. O documento detalha como funciona cada um dos modelos que estão sendo praticados pelas operadoras de planos de saúde [confira detalhes dos principais a seguir]. Além disso, o texto diz que o próximo passo é observar a utilização destas alternativas junto aos operadores e prestadores.

Atualmente, o usual é que os médicos e outros prestadores de serviços recebam honorários e procedimentos pelo fee for service. Nele, existe uma tabela com um valor estabelecido para cada um dos procedimentos realizados ou itens utilizados. A remuneração se dá pelo somatório discriminado de cada um dos procedimentos ou itens (entre os quais estão honorário profissional, diárias hospitalares, materiais, medicamentos, exames complementares etc.).

Cada serviço realizado é pago ao prestador, independentemente do avanço no tratamento do paciente. Os que são contrários ao já estabelecido modelo defendem que há a possibilidade de aumento dos custos por conta da alta requisição de exames, por exemplo.

Segundo João Sobreira de Moura Neto, diretor adjunto de Defesa Profissional da APM, os modelos sugeridos como alternativa ao fee for service são todos baseados no viés econômico, de custo. “É um problema, já que podem tirar a autonomia do médico de definir o que é melhor para o paciente. Sabemos que há profissionais que pedem muitos exames, mas vários destes novos modelos se propõem a prestigiar aqueles que não pedirem nenhum exame e isso é um perigo para o paciente e à boa prática. O ideal seria atingir o equilíbrio, não resolver a questão com pacotes, grupos etc.”, declara.

Da mesma forma, o diretor Administrativo da Associação Paulista de Medicina (APM), Florisval Meinão, destaca que todos os outros modelos testados até hoje representaram, sem dúvidas, redução dos honorários médicos. No seu entendimento, é necessário – agora que a ANS introduziu o assunto – que os médicos conheçam as alternativas e analisem com muita atenção as novas formas de remuneração.

“Além da mudança no pagamento do profissional, essas novidades estão mudando as relações de trabalho do médico de maneira mais ampla. Por exemplo, temos contratos para atender os pacientes de uma operadora de plano de saúde, mas não podemos realizar cirurgias em alguns casos. Assim, outro médico – contratado por um hospital – fará o procedimento. A relação de trabalho do segundo profissional, neste caso, é com o hospital e não com o paciente ou com o plano de saúde”, explica Meinão.

Orçamentação
Forma de remuneração prospectiva, na qual o estabelecimento de saúde estima, anualmente, suas necessidades de gastos e as apresenta ao ente financiador. Em contrapartida, o prestador compromete-se com o cumprimento de metas de desempenho, baseadas em métricas de eficiência e qualidade da prestação de serviço.

Pacotes
Bundled Payments
Os pagamentos em pacotes para melhoria dos cuidados em Saúde são compostos por vários modelos amplamente definidos de atendimento, que vinculam pagamentos para múltiplos serviços executados durante um episódio de atendimento e incluem a responsabilidade financeira e de desempenho por esses episódios de atendimento. Os prestadores têm, portanto, responsabilidade pelo ciclo completo do tratamento de determinada condição de saúde.

Capitação
Capitation
O prestador recebe um montante de recursos periodicamente, geralmente uma vez ao ano, que equivale ao número de indivíduos a ele adscritos, multiplicado por um valor per capita. Este valor unitário é frequentemente ajustado por risco, considerando, pelo menos, o sexo e a idade da população. A remuneração independe da quantidade de serviços prestados e esse valor fixo é pago antecipadamente. Há a possibilidade de implementar a captação por região geográfica ou por lista de pacientes, forma mais comum.

Desempenho
Pay For Performance/P4P
Ajusta o montante de recursos a ser pago ao prestador de serviços de Saúde segundo o seu desempenho por meio de algum método já existente. Em geral,
por orçamento global ou por capitation e, em alguns casos, por DRG (Diagnosis related groupings, que é um sistema de classificação de pacientes voltado especialmente para hospitais) ou até mesmo pelo próprio fee for service, ou ainda
criando outras propostas inovadoras.

Assalariamento
Bastante comum nos casos de verticalização da Saúde, em que os médicos são funcionários das operadoras e geralmente responsáveis pelo atendimento de um número excessivo de pacientes, especialmente em hospitais. Compreende o pagamento clássico como contraprestação dos serviços executados pelo empregado, de acordo com o número de horas trabalhadas, incluídos os benefícios sociais da relação formal de trabalho, tais como férias, décimo terceiro salário etc. A remuneração independe da produção de serviços.

CFM divulga primeiro levantamento com resultados de fiscalizações em hospitais

fonte: CFM

Em 102 salas cirúrgicas fiscalizadas pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), em 2018, um índice de 33% não tinha foco cirúrgico com bateria; 22% não possuíam negatoscópio para a leitura de imagens; 16% também não contavam com carro para anestesia ou monitor de pressão não invasivo; e 12% não dispunham de equipamentos básicos como fio guia e pinça condutora, entre outros problemas.

Os dados fazem parte do primeiro levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) após a entrada em vigor do novo Manual de Vistoria e Fiscalização. O documento, com 481 páginas, estabelece critérios para a fiscalização em centros cirúrgicos, unidades de terapias intensivas, salas de recuperação pós-anestésica e unidades de internação, avaliando as condições estruturais, físicas e de equipamentos.
Durante 2017, o Departamento de Fiscalização do CFM (Defis) realizou visitas de treinamento nos estados e a partir de 2018 os conselhos regionais passaram a realizar as ações seguindo o roteiro estabelecido no Manual. No período, foram fiscalizados 506 hospitais, mas como o Manual oferece a opção de vistorias por módulos, até porque nem todos os locais oferecem o mesmo tipo de serviço, foram realizadas ações em 102 centros cirúrgicos.
Nesses ambientes, foram analisadas as condições estruturais, a área física e instalações e os equipamentos. Em 3% dos centros investigados não existia área para higienização das mãos, uma falta grave, já que essa falha é fonte certa de infecção hospitalar. Já 44% não contavam com fonte fixa de óxido nitroso, usado em procedimentos anestésicos, e em 21% também faltava a fonte de oxigênio. Já 43% não dispunham de capnógrafo, aparelho que monitora o dióxido de carbono exalado pelo paciente durante cirurgias, e em 28% faltavam dispositivos para a realização de traqueotomia.
Nas salas de recuperação pós-anestésica a situação é precariedade também é grande: 28% dos centros cirúrgicos não tinham salas de recuperação pós-anestésica, sendo que em 18% faltavam oxímetros e em 19% não havia carrinhos de emergência. Também faltavam medicamentos básicos, como brometo de ipratrópio (15%), escopolamina (15%), diclofenaco de sódio (13%) e haloperidol (12%).
Para o coordenador do Defis, Emmanuel Fortes, os primeiros resultados das fiscalizações realizadas a partir do Manual de Vistoria e Fiscalização em hospitais, mostram que o CFM, ao ampliar seu arsenal fiscalizatório, pôde fazer “um diagnóstico preciso das inconformidades para exigir soluções dos administradores e gestores”. Fortes lembra, ainda, que ao fortalecer a fiscalização dos ambientes médicos, o CFM cumpre sua previsão legal e “atende as expectativas dos médicos e da população”.
Quartos e UTIs – Além dos centros cirúrgicos, o Manual de Vistoria e Fiscalização do CFM também avalia as condições de permanência dos pacientes. Nas fiscalizações realizadas em 2018, em 63% das 131 unidades de internação visitadas foram encontradas camas sem lençóis, superlotação em mais da metade dos quartos (53%), falta de grades nas camas em 21% e de cama regulável em 17%. Os quartos também não dispunham de biombos ou cortinas para separar um leito de outro (26%), nem de poltrona para acompanhante (15%).
Dos 506 hospitais fiscalizados, 68 possuíam UTI, sendo que dessas unidades 32 (47%), não tinham monitor de pressão intracraniana (PIC). Em 41% faltavam monitor de débitos cardíacos, em 37% inexistia oftalmoscópio e em 31% não havia capnógrafo. As UTIs fiscalizadas também não estavam preparadas para transportar os pacientes em caso de piora do quadro clínico. Em 35% faltava ventilador mecânico para transporte com bateria, 29% não dispunham de monitor cardíaco para transporte e 21% não dispunham de maca com suporte de cilindro de oxigênio. Até equipamentos baratos, como relógios e calendários posicionados de forma a permitir a visualização, estavam ausentes em 21% das UTIs.
Muitas das UTIs fiscalizadas não ofereciam os serviços diagnósticos que se dispunham a oferecer. Em 34 das unidades que ofereciam o apoio diagnóstico, 44% não dispunham de radiologia intervencionista, 35% não ofereciam ressonância magnética e 29%, de exame comprobatório de fluxo sanguíneo encefálico.
A implantação de novos roteiros ampliando o alcance nos mecanismos de controle para segurança do ato médico, em benefício da sociedade, demonstra que o CFM amplia seu arsenal fiscalizatório fazendo e, para fazer, cumpre com tal ato seu papel de fiscalização dos ambientes médicos conforme previsão legal e expectativas dos médicos e da população.

Médicas estão a caminho de serem maioria, mas ganham menos do que médicos

fonte: Folha de SP

Enquanto a medicina se torna uma profissão cada vez mais feminina, um estudo mostra que médicas brasileiras ganham menos do que seus colegas homens mesmo trabalhando em condições semelhantes.

A conclusão está em trabalho de cinco pesquisadores da USP publicado na semana passada no periódico acadêmico BMJ Open.

A partir de um levantamento telefônico, eles mapearam salários e condições de trabalho, como local, carga horária e especialidade, de uma amostra de 2.400 médicos representativa do país em 2014.

Constataram que 80% das mulheres se concentram nas três categorias inferiores de remuneração da profissão, de um total de seis. Entre os homens, essa proporção é de 50,8%.

Os dados mostram ainda que elas trabalham mais no SUS (Sistema Único de Saúde), estão mais presentes na atenção primária e fazem menos plantões, enquanto eles dominam as especialidades cirúrgicas e têm mais representantes na faixa etária a partir de 60 anos.

Para analisar a diferença de remuneração, os pesquisadores aplicaram um modelo estatístico que isolou esses fatores. O resultado mostra que, ainda assim, a disparidade persiste. A chance de um homem estar na faixa mais elevada de salário é de 17,1%; entre as mulheres, de 4,1%.

“Mesmo após ajustes de variáveis que poderiam influenciar nos ganhos, médicas ganham menos que médicos. O fato de existir discriminação salarial na medicina mostra que nem em grupo de mulheres de maior escolaridade elas estão afastadas da desigualdade presente na sociedade”, diz Mário Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores do estudo, ao lado de Giulia Mainardi, Alex Cassenote, Aline Guilloux e Bruno Miotto.

Constatações semelhantes já haviam sido encontradas em estudos de outros países, como os Estados Unidos. No Brasil, o mesmo já foi visto em pesquisas sobre outras profissões.

A desigualdade salarial acontece em um contexto de feminização da medicina no Brasil. Enquanto os homens dominam as faixas etárias mais avançadas, elas já são maioria nas faculdades e entre os profissionais de até 34 anos. De acordo com o estudo Demografia Médica 2018, elas são 57,4% da faixa etária de até 29 anos na categoria —na de 70 anos ou mais, apenas 20,5%.

Para Denize Ornelas, médica de família e secretária geral do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo), apesar da presença numericamente crescente, os espaços de poder não se abrem no mesmo ritmo, o que pode influenciar a remuneração.

“A maioria dos diretores de hospital é homem, assim como os de faculdade e os de órgãos públicos. Não à toa, nunca tivemos uma ministra da Saúde”, afirma.

Ela aponta uma certa pressão para que médicas escolham especialidades mais ligadas à mulher e à infância. “Somos vistas como pessoas mais ligadas ao cuidado, o que é um estereótipo.”

De fato, uma comparação entre as especialidades deixa evidente a disparidade de gênero. Homens são apenas 25,2% dos pediatras, mas 91,4% dos neurocirurgiões.

Diana Santana, 36, é uma das exceções. Mulher, negra e mãe de gêmeos, ela queria ser pediatra quando era criança, mas desenvolveu ao longo do tempo um interesse cada vez maior por neurociência, que aumentou na faculdade.

“Estudei piano desde cedo e gostava de fazer bijuteria. Queria unir esse interesse em neurociência com as minhas habilidades manuais.”

Ela conta que, em uma das seleções para a residência, estranhou a pergunta de um dos entrevistadores: “Você pensa em ter filhos?”. “Ele me perguntou coisas que tinham como base o fato de eu ser mulher, não tinham a ver com a minha carreira acadêmica, minhas habilidades, meu currículo. Eram duas vagas, e fiquei em terceiro.”

Foi aprovada na USP e diz não ver problema algum em conciliar a neurocirurgia com a vida em família —nesse caso, com participação igual do marido, frisa.

“Existe essa cultura muito antiga de que as mulheres  especificamente devem ter um tempo para o trabalho e um para ficar em casa, mas é uma construção social. Cabe a nós desconstruir.”​

CREMERJ passa a ter acesso ao SisReg

fonte: CREMERJ

O CREMERJ terá acesso ao Sistema de Centrais de Regulação (SISREG). A subsecretária municipal de Saúde Claudia Lunardi, responsável pelo sistema, franqueou acesso do Conselho plataforma como visualizador, em reunião nesta segunda-feira (25), na sede do CREMERJ. Assim, o Departamento de Fiscalizações (Defis) do Conselho passará a ter informações sobre as filas e a disponibilidade de leitos nas unidades. O mesmo acesso já é oferecido ao Ministério Público.

Os dados públicos do SISREG ficam disponíveis no portal “Transparência do SISREG”, sem identificação dos pacientes, que são cadastrados pelo número do cartão nacional de saúde. Os dados a que o CREMERJ terá acesso são mais detalhados, mas também mantêm a privacidade dos pacientes. As informações permitem ter uma visão macro das filas e das unidades.

“Há acessos pelo SISREG para administrador e para regulador. Os dados públicos no Portal da Transparência são um espelho da plataforma. Com o acesso de visualizador, o CREMERJ poderá ter ideia do mapa de leitos, abrangendo número de leitos livres, leitos disponíveis para regulação, tempo de permanência do paciente no leito e outros dados”, explicou Claudia Lunardi. Segundo ela, esse tipo de acesso serve apenas para observação, não permite alterar o sistema.

Para o presidente do CREMERJ, Sylvio Provenzano, esses dados serão especialmente importantes no âmbito das fiscalizações. “É comum que a direção da unidade fiscalizada nos sonegue informações. Assim teremos como verificar a situação dos leitos e até mesmo direcionar melhor a fiscalização”, comentou.

Participaram também da reunião a vice-presidente do Conselho, Célia Regina da Silva e os diretores Flavio Antonio de Sá, Beatriz Costa, Luiz Fernando Nunes e Ricardo Farias.

Amil descredencia sete hospitais da Rede D’Or no Rio

fonte: O Globo

A Amil vai descredenciar sete hospitais da Rede D’Or São Luiz no Rio a partir de 21 de junho, após queda de braço sobre como a maior operadora de saúde do país remunera os hospitais de sua rede. A informação foi antecipada nesta sexta-feira pelo colunista do GLOBO Ancelmo Gois. A Amil não especificou quais unidades estão na lista, que só será divulgada na segunda-feira aos usuários. Ao todo, 17 hospitais no Brasil serão descredenciados, entre eles os paulistas Bandeirantes e HCor. No Rio, todos da lista são da Rede D’Or.

Segundo a Amil, os hospitais descredenciados resistiram a abandonar a chamada remuneração por serviço (fee for service, no jargão do setor). Nesse modelo, o hospital recebe do plano por procedimento feito no paciente, como exames e curativos. A operadora argumenta que esse modelo incentiva a oferta de procedimentos desnecessários, causando desperdício e levando a uma assistência médica inadequada.

A Amil pressiona os hospitais a adotarem modelo alternativo, construído em torno de pacotes e baseado em resultado em saúde. Por meio dele, os hospitais recebem, em geral, pelo conjunto de procedimentos recomendado a determinado quadro de saúde ou doença. Assim, teriam menos incentivo a solicitar exames desnecessários, por exemplo.

Os modelos de remuneração vêm ganhando maior relevância, nos últimos três anos, num cenário em que os reajustes dos planos de saúde superam, e muito, os índices de inflação. Mas especialistas avaliam ainda ser difícil dizer se a mudança vai de fato trazer melhorias no atendimento e reduzir os preços dos planos para os usuários.

Avaliação seria precoce

No comunicado enviado a beneficiários da operadora nesta sexta, a Amil informou que não foi possível chegar a um acordo com alguns hospitais. E acrescentou que parte deles optou “pelo cancelamento unilateral do contrato”. A Amil esclareceu, no entanto, que o atendimento está garantido até o dia 20 de junho. A operadora afirmou que ampliará serviços em outras unidades para minimizar transtornos.

Segundo a Amil, 30% de sua rede credenciada de hospitais já migraram para o novo modelo de remuneração.

Em nota, a  Rede D’Or São Luiz confirma que, a partir de 21 de junho, parte de seus hospitais deixará de atender alguns planos do convênio Amil. Os demais convênios atualmente elegíveis seguem atendidos normalmente, sendo mantido “nosso compromisso de oferecer serviços de excelência aos nossos pacientes”. A Rede ressalta ainda que sempre se manteve aberta ao diálogo com todas as operadoras, tendo como prioridade buscar as melhores opções em prol do setor e do paciente.

O grupo afirmou ainda que adota as melhores práticas de gestão e trabalha com novos modelos de remuneração com mais de 70 operadoras de saúde. ” Somente assim, garante-se a liberdade de escolha do paciente em ser atendido no local de sua preferência, bem como do médico em praticar uma medicina de excelência, valorizando sua qualificação e treinamento permanente. É dessa forma que se afiança também a competitividade necessária para a sustentabilidade do setor”.

Já a  Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), também em nota, disse entender que essa negociação de formas de remuneração é realizada diretamente entre hospitais e operadoras de planos de saúde e que, atualmente, existem novos modelos de remuneração sendo praticados por parte relevante do setor, pois o mesmo já tem o entendimento de que o fee-for-service não deve ser a única forma de pagamento.

Segundo a Anahp, a própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) compartilhou com o mercado um guia de possibilidades de modelos diferentes de remuneração. Essas iniciativas mostram a motivação e compromisso do setor em propor novas alternativas para a construção de um sistema de saúde suplementar mais sustentável e adequado para os usuários.

Ainda é cedo para avaliar qual será o efeito do novo modelo de remuneração, defendido pela Amil, diz Mário Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP:

– Há muito tempo, planos de saúde e prestadores não se entendem sobre as melhores modalidades de remuneração e a organização de prestação de serviços aos usuários. Nessa briga, a dúvida é saber qual será a vantagem para o usuário.

Modelos variados

Scheffer lembra ainda que a mudança praticada pela Amil visa à redução de custos em um momento em que o setor vem perdendo clientes devido à crise.

Martha Oliveira, diretora de Novos Negócios da Qualired, especializada em gestão de saúde, ressalta que há vários modalidades de pagamento em vigor no mundo:

– Não há uma fórmula. Para saber qual é a melhor forma, é preciso estudar os dados, os clientes e os custos.

A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) explica que a negociação é feita diretamente entre hospitais e operadoras. E admite que “o setor já tem o entendimento de que o pagamento por serviços não deve ser a única forma de pagamento”. Afirma ainda que o setor está motivado a “propor novas alternativas” para a construção de um sistema “mais sustentável e adequado para os usuários”.

Amil e Rede D’Or serão notificadas a prestar esclarecimentos sobre descredenciamento

fonte: O Globo

Qual será o impacto do descredenciamento dos hospitais pela Amil para os beneficiários de seus planos de saúde ? Quais substituições serão feitas pela operadora para suprir a retirada dos hospitais? Como ficam os beneficiários em tratamento nasunidades descredenciadas ? Essas são as perguntas que afligem o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor ( Idec ) e o Procon Estadual do Rio de Janeiro querem respostas a partir da informação de que a Amil descredenciará 17 hospitais, a partir do dia 21 de junho, por divergência no modelo de pagamento da prestação de serviço.

Para tentar responder parte delas, o Procon-RJ notificou, na terça-feira, a Amil e a Rede D’Or a prestar esclarecimentos sobre o descredenciamento da rede de hospitais pelo plano de saúde. No Rio, a partir do dia 21 de junho, serão descredenciados pela operadora sete hospitais da Rede D’Or. No Brasil, 17 hospitais serão integralmente ou parcialmente descredenciados pela empresa.

— Precisamos saber se o Código de Defesa do Consumidor (CDC) está sendo desrespeitado no que tange à oferta. Afinal, a rede credenciada é determinamte para a contratação do plano, muitos podem ter feito a escolha justamente por que a Rede D’Or estava contemplada — pondera o presidente do Procon-RJ, Cássio Coelho.

Segundo o Procon-RJ, se as empresas não conseguirem provar que os consumidores não serão lesados pelo descredenciamento, podem ser autuadas e obrigadas a  pagar multa.

Empresa não informa unidades que substituirão as descredenciadas

Segundo Ana Carolina Navarrete, pesquisadora em saúde do Idec, o modelo de pagamento adota entre operadoras e prestadoras de serviço é uma questão entre as partes, mas qualquer alteração que advenha dessa mudança de prática não pode prejudicar a qualidade do atendimento ou sua frequência:

—A análise de qual é o melhor modelo de remuneração e o seu efeito para a qualidade da assistência é algo que deve ser feito pela agência reguladora. A nossa preocupação é sobre o efeito desse descredenciamento no acesso dos consumidores ao serviço. A Amil deve deixar claro quais serão as substituições feitas e garantir a continuidade de quem esteja em tratamento nessas unidades descredenciadas mesmo após o dia 21 de junho.

Consultada a Amil não informou quais as são as substituições que serão feitas na rede para garantir o mesmo perfil de assistência que era oferecido ao seu usuário. A operadora também não disse quais serão os planos que deixam de ser assistidos nas unidades hospitalares em que o descredenciamento é parcial. segundo a empresa, essas informações serão divulgadas em breve.

ANS diz que descredenciamento está em análise

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por sua vez,  informou, em nota,  “que está monitorando o caso do pedido da Amil quanto ao descredenciamento de hospitais de sua rede e que atuará em caso de necessidade para impedir que haja descumprimento da legislação do setor de planos de saúde e para garantir que não haverá prejuízo aos consumidores.”

A reguladora informa ainda que o pedido de descredenciamento está em tramitação e que ainda será analisado. A agência chama atenção para o fato de, enquanto, não for concluído esse processo, “não poderá haver descontinuidade na assistência aos beneficiários em tratamento ou em internação.”

A agência informou ainda que o descredenciamento de prestadores de serviço de saúde pode se dar pela redução ou substituição da rede e tem regras diferenciadas para hospitais e demais prestadores. As regras, acrescenta a reguladora, são mais rígidas para descredenciamento de hospitais: para as reduções, deve haver prévia autorização da ANS, e para a substituição por outro prestador, a agência deve ser comunicada para fins de avaliação da equivalência. Em ambos os casos, o beneficiário deve ser comunicado com 30 dias de antecedência.

Em caso de dificuldades de atendimento,  caso não consiga resolver com a operadora, a agência orienta que se registre reclamação pelos seguintes meios: Disque-ANS 0800 701 9656; Formulário Eletrônico na Central de Atendimento em www.ans.gov.br ou em um dos 12 Núcleos da ANS existentes nas cinco Regiões do País.

Confira abaixo os hospitais que serão descredenciados integralmente ou parcialmente pela Amil

Descredenciados:

São Paulo

Hospital Assunção (São Bernardo)

Hospital e Maternidade Brasil (Santo André)

Hospital Sino Brasileiro (Osasco)

Rio de Janeiro

Clínica São Vicente

Hospital Barra D´Or

Hospital Caxias D´Or

Hospital Copa D´Or

Hospital Oeste D´Or

Hospital Quinta D´Or

Hospital Rios D´Or

Alteração na aceitação de alguns planos:

São Paulo

Hospital HCOR

Hospital Leforte Liberdade (Antigo Hospital Bandeirantes)

Hospital São Luiz – Unidade Jabaquara

Hospital e Maternidade São Luiz – Unidade Itaim

Hospital São Luiz – Unidade Morumbi

Distrito Federal

Hospital Santa Luzia (Brasília)

Pernambuco

Hospital São Marcos (Recife)

ARTIGO: Quebra de contrato

fonte: O Globo

por Alfredo Guarischi, médico

O direito à saúde é fundamental e está na nossa Constituição. Estamos vivendo mais e sabemos o que é medicina de qualidade. Isso gera custos, e alguém tem que pagar a conta. Não existe almoço grátis.

O negócio mais lucrativo do país é o da saúde, em que mais de 700 operadoras de planos disputam um mercado bilionário de mais de 9% do PIB. Como comparação, o Brasil tem menos de 40 bancos privados.

Um terço da população tem acesso ao sistema de saúde privado. São mais de 47 milhões de pacientes potenciais (consumidores na linguagem econômica), que jamais adoecem ao mesmo tempo. Em caso de uma catástrofe, epidemia ou necessidade de resgate em massa, a responsabilidade do atendimento recairá sobre o sistema público, que não exige carteira plástica ou boleto bancário de pagamento. Nele toda a população pode ser atendida, mesmo os portadores de doenças pré-existentes. O maior sistema de saúde público do mundo, que já foi campeão em vacinação e em transplantes de órgãos, continua sendo subfinanciado, dilapidado por más gestões e fatiado entre partidos políticos, vários envolvidos em corrupção. Com tudo isso, por que tanto interesse de empresas privadas em administrá-lo? Filantropia com renúncia fiscal é negócio ou filantropia?

Pois bem, semana passada o CEO da United Health Group, dona da Amil, que tem milhões de consumidores, afirmou que não pode “continuar encaminhando pacientes para quem está a fim de desperdiçar dinheiro” sem proporcionar “uma medicina por preço justo” e que não pode “ser refém de qualquer prestador de saúde”. Além disso, o ex-secretário de Saúde da prefeitura de São Paulo — que parece continuar em campanha para ser ministro da Saúde — afirmou que alguns grupos não utilizam as evidências científicas mais atuais. Pegou pesado! Fica a dúvida, nessa luta comercial, se há conflito de interesse na dupla jornada de CEO e presidente da Mesa Diretora da Sociedade Brasileira Israelita Albert Einstein, um importante prestador de serviço para a Amil. Deixa pra lá!

A Confederação Nacional de Saúde defende o irrestrito respeito aos contratos firmados, fiscalizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar e repudia a acusação indiscriminada de “práticas questionáveis” ao modelo de pagamento atualmente usado, colocando hospitais, clínicas de diagnóstico e médicos como malfeitores. O consumidor, que compra seu plano de saúde com base na rede credenciada, será a principal vítima dessas brigas comerciais.

Fica a recomendação do sociólogo francês Émile Durkhein (1858-1917), que afirmava que o fato social deve atender a três características: coercitividade (os padrões culturais de uma sociedade se impõem aos indivíduos que a integram), exterioridade (cabe ao indivíduo aprender por intermédio da educação) e generalidade (os fatos sociais são coletivos).

Salvemos o SUS e a livre concorrência.