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Saiba como foi a reunião científica de agosto da SOBED-RJ

DSC01744Cerca de 30 pessoas estiveram presentes na noite desta segunda-feira, dia 3, na reunião científica de agosto da SOBED-RJ, realizada no auditório da Casa de Saúde São José, no Humaitá.

O evento teve início com o presidente da sociedade, Dr. Ronaldo Taam, falando sobre o IX Congresso de Endoscopia Digestiva do Rio de Janeiro, que ocorrerá nos dias 4 e 5 de setembro na própria Casa de Saúde São José. Além disso, também foi abordada a relação com os planos de saúde, principalmente Unimed-Rio e Amil.

Em seguida, a Dra. Paula Peruzzi e o Dr. Ângelo Freire apresentaram casos clínicos que foram debatidos com os presentes.

Após uma breve pausa para o café, ocorreu a palestra Tumor de Vias Biliares: abordagem endoscópica x abordagem radiológica, com a Dra. Janete Moura, Mestre em Gastroenterologia pela UFRJ, e pelo Dr. José Hugo Luz, radiologista intervencionista do Inca e da Rede D’Or e coordenador da residência médica de Radiologia Intervencionista do Inca. A sessão teve como moderador o Dr. Cleber Vargas, professor adjunto da UFRJ e ex-presidente da SOBED.

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FENAM cobra novamente do governo retorno da gratificação dos médicos

reuniao_brasiliafonte: FENAM

A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) cobrou novamente solução para o impasse na diferenciação do salário dos médicos federais com relação às outras categorias profissionais da saúde de nível superior. A suspensão do pagamento da gratificação representa perda de aproximadamente R$ 2 mil nos contracheques dos médicos com jornada de 20 horas.
A audiência foi convocada pelo ministério, e faz parte de uma série de conversas do Governo Federal para receber as pautas das entidades que representam as categorias profissionais. A FENAM foi recebida nesta quinta-feira (30) pelo secretário de Relações de Trabalho no Serviço Público do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Sérgio Mendonça.
“Nós não estamos pedindo aumento ou reajuste. Estamos pleiteando a correção de uma injustiça. É preciso que o governo faça alguma coisa para resolver isso. O momento é agora”, ressaltou Jorge Darze, secretário de Comunicação da FENAM.
Desde 2012, a FENAM em conjunto com o Sindicato dos Médicos do Rio do Janeiro realizou inúmeras reuniões com líderes do governo, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, ministros de Estado, além da própria presidente, Dilma Roussef, mas não houve solução até o momento.

Chioro defende revisão no financiamento do sistema de saúde pública

Arthur-Chioro-deedo-em-ristefonte: Agência Brasil

A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi extinta em 2007. Desde então, o governo deixou de arrecadar mais de R$ 350 bilhões para a saúde. O cálculo é do ministro da Saúde, Arthur Chioro, concordando com a necessidade de revisão do financiamento da saúde pública brasileira.

Durante a abertura do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Goiânia, o ministro disse que o governo defende um Sistema Único de Saúde universal e integral. Para Chioro, isso custa alto e tem de ser financiado pela sociedade brasileira.

“Esse financiamento virá do imposto das grandes fortunas ou da taxação das heranças? Vamos mexer na chamada taxação do pecado (fumo, álcool, jogos de azar etc)? Vamos direcionar os recursos do seguro Dpvat, que hoje ficam nas mãos das seguradoras e não vão para as dos usuários? Existem várias possibilidades que precisam ser discutidas com a sociedade”, questionou o ministro.

Chioro destacou que, enquanto o Reino Unido, considerado modelo de saúde pública universal, gasta U$3 mil por ano por habitante, no Brasil, considerando valores de 2013 e partindo de municípios, estados e União, o valor não ultrapassou U$525.

De acordo com o ministro, sociedade e governantes precisam rever o financiamento do sistema de saúde. Segundo ele, é uma injustiça a afirmação de que os gestores gastam mal o dinheiro da saúde.

Controle de doenças negligenciadas no Brasil elevaria produtividade em R$ 55 bi

estetoscopiofonte: Estadão

O controle de sete doenças tropicais negligenciadas (DTNs), consideradas endêmicas no país — hanseníase, esquistossomose, leishmaniose visceral, oncocercose, tracoma, filariose linfática e Chagas –, aumentaria a produtividade em R$ 55 bilhões até 2030 no Brasil. A estimativa, feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), leva em conta, por exemplo, o impacto de faltas ao trabalho, aposentadorias precoces e sequelas que reduzem a capacidade laboral dos doentes brasileiros.

“A maior parte das doenças não mata, mas afeta de forma significativa a produtividade. Países já entenderam que a criança não tratada vai faltar à escola, tem mais riscos de anemia, seu rendimento escolar será prejudicado e, em consequência, será um adulto com formação pior”, diz Márcia de Souza Lima, uma das autoras do relatório da OMS.

A professora Nádia dos Santos, da Escola Municipal Araceles Correa, em São Cristóvão, na região metropolitana de Aracaju, confirma as observações. Não raro, diz, alunos desmaiam nas aulas. “Uns dizem que é virose, outros, falta de café da manhã. Não sabemos de fato o que acontece.” Uma coisa, porém, é comum: além dos desmaios, estudantes se queixam de dores de barriga e enjoos, sintomas frequentes de esquistossomose e outras verminoses.

É em busca de pacientes com esquistossomose, a “doença do caramujo”, que o agente de controle de endemias Willamis Carmo percorre diariamente as ruas da empobrecida São Cristóvão. De casa em casa, tenta convencer moradores a fazer exames. Coleta o material, retornando com o resultado, e, em casos positivos, já com o remédio. “Faço isso há 20 anos, mas nada muda. Trato hoje, e amanhã a doença retorna.”

Entraves

A dificuldade para romper o ciclo de doença e pobreza se repete em outros cantos. As sete DTNs são consideradas endêmicas no país — comuns em áreas pobres, não despertam o interesse da indústria farmacêutica para desenvolvimento de vacinas, medicamentos e testes.

Diretora de Programas e Operações da Rede Global para DTNs, Márcia afirma que, embora essas doenças afetem uma em cada seis pessoas no mundo, há desafios para o diagnóstico. “Quando comecei a trabalhar, vi muita gente com tracoma e não mediquei. Não sabia reconhecer a doença. É preciso ensinar a comunidade médica a reconhecer os problemas.”

O relatório da OMS avalia que, embora seja necessário redobrar os esforços, passos importantes foram dados nos últimos três anos, quando uma parceria público-privada foi formada para tentar reduzir as DTNs no mundo. Hoje, 43% da população em situação de risco recebe tratamento para pelo menos uma das doenças, porcentual maior do que o de 2008 (35%).

São Cristóvão — quarta cidade mais antiga do Brasil, que já foi capital de Sergipe — tem altos índices de esquistossomose. Dos exames feitos ali, ao menos 25% são positivos — marca que justifica tratamento em massa. Para Carmo, o porcentual poderia ser maior. “Não testamos todos, não há como fazer análise. Se coleto mais de 50 amostras por semana, sou criticado pelo pessoal do laboratório.”

Coordenadora de vigilância epidemiológica da cidade, Flávia Moreira sabe das dificuldades. Ela espera ansiosa o início de um programa do Ministério da Saúde para diagnóstico e tratamento em massa entre estudantes de 5 a 14 anos. A promessa é que a cidade receberá verba para campanha de esclarecimento e diagnósticos.

O município apresenta ainda altos índices de hanseníase e leishmaniose, doenças negligenciadas endêmicas e alvo de um programa do governo. Neste ano, serão 2.263 municípios atendidos. No relatório, a OMS elogiou o Brasil pela iniciativa de testar e tratar de forma integrada hanseníase, esquistossomose, verminoses e tracoma.

Saneamento

Embora entusiasmada com a chegada de recursos extras, Flávia se diz pouco esperançosa. Ela lembra que é preciso adotar medidas para acabar com agentes transmissores da doença: coleta adequada de lixo previne a leishmaniose; água e esgoto tratados são essenciais para evitar a proliferação dos caramujos.

Moradores de uma casa encravada entre dois córregos, Maria Nair de Jesus, de 46 anos, e o filho mais velho, de 14, são vítimas de um ciclo que envolve o ambiente. Foram diagnosticados com esquistossomose. Maria resiste a usar todos os medicamentos por causa dos efeitos, como a diarreia. “Se ela tomar o remédio, vai se curar. Mas, em pouco tempo, se contamina novamente”, diz Carmo.

Retirada de medicamento envolve riscos

remediofonte: Folha de SP

A prática de desprescrição pode ser saudável, desde que o médico tenha um controle rigoroso de como vai se comportar o paciente após a retirada da medicação, na avaliação de entidades médicas.

“O risco de se retirar um medicamento sem um controle eficiente é o agravamento da condição clínica do paciente”, alerta Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina.

Ele comenta um caso em que um medicamento para uma doença imunológica foi desprescrito, e o paciente acabou perdendo os rins.

“A vantagem dos médicos de família e de comunidade é que eles estão muito próximos dos pacientes, o que permite um controle maior. Sempre que possível, [a desprescrição] é desejável. É saudável que os pacientes não sejam tão dependentes de medicamentos”, afirma Meinão.

Para o cardiologista Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), antes de orientar um paciente a deixar de tomar determinada medicação, o médico deve consultar o colega que prescreveu a remédio para evitar um conflito ético.

“É problemático. O clínico pode ter uma visão diferente da do especialista, mudar a medicação e isso ter consequências para o paciente”, diz.

Mas, segundo ele, é comum haver diálogo entre os médicos. Ele cita um exemplo corriqueiro: o paciente diabético que toma medicamentos orais, recebe do endocrinologista uma prescrição de insulina e que volta ao médico anterior (clínico ou cardiologista, por exemplo) sem saber o que fazer. “Tem que avaliar, conversar com o colega e com o paciente”, diz.

Daniel Knupp, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina e Comunidade, diz que a situação mais comum é do paciente que usa um remédio prescrito por um outro colega há muito tempo e que já não tem mais contato. “Mesmo assim continua tomando sem nenhum acompanhamento”, explica.

Preocupados com efeitos colaterais, médicos cortam remédios de pacientes

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O médico Stephan Sperling e a paciente Maria Aparecida de Sousa, 67, que teve remédios cortados

fonte: Folha de SP

Primeiro, ele tirou o anticoagulante da mãe. Depois, o diurético do pai e, por fim, o antidiabético da prima.

“A família pensou que eu estivesse maluco”, conta o clínico-geral e médico de família Marco Aurélio Melo, 42, professor em duas universidades em Goiás.

Ele adota a mesma atitude com seus pacientes na atenção básica de saúde, onde atua há 18 anos. “No início, eles estranham. Depois agradecem porque se sentem melhor sem os efeitos colaterais de remédios desnecessários.”

Rotina semelhante tem Hamilton Lima Wagner, médico de família e comunidade em Curitiba (PR). “Já desprescrevi para minha mãe, meus irmãos e para a minha esposa, pois identificava efeitos colaterais em medicamentos que estavam usando”, diz.

Marco e Hamilton não estão sozinhos. É crescente o movimento da chamada “desprescrição” entre os médicos de família e comunidade, especialidade que reúne 5.000 no país. Trata-se de um processo de reduzir ou suspender medicamentos.

Eles se apoiam na ideia de que muitos medicamentos fazem mais mal do que bem quando prescritos sem necessidade ou usados por tempo prolongado. O assunto foi discutido no Congresso Brasileiro de Medicina e Comunidade, que ocorreu em Natal (RN).

Exemplos de medicamentos frequentemente desprescritos são o ácido acetilsalicílico (AAS), que tem função de anticoagulante, o omeprazol e seu similares, usados para combater a azia e a doença do refluxo, e a metformina, indicada a pacientes diabéticos e pré-diabéticos.

“Minha mãe é hipertensa controlada e estava tomando AAS infantil sem uma razão consistente. Além de não ter ganho, sofria queimação do estômago. Tirei há dois anos. Ela ficou ótima”, conta Melo.

Da prima, classificada como pré-diabética, ele tirou a metformina. “Com dieta adequada e atividade física, o nível glicêmico se normalizou e se mantêm controlado há três anos.”

O omeprazol é outro clássico da desprescrição. É muito comum a pessoa já não ter mais sintomas da gastrite e continuar tomando. O abuso motivou a FDA (agência americana de fármacos e alimentos) a fazer alertas sobre o risco dessa prática.

O uso prolongado leva ao chamado rebote, ou seja, ao se interromper o remédio abruptamente, os sintomas voltam, fazendo o paciente acreditar que tem de usá-lo para o resto da vida.

O problema é que o uso crônico leva à diminuição da absorção de vitamina B12, o que pode causar problemas de concentração, de memória, confusão, anemia e até alterações de ritmo cardíaco.

“É frequente a orientação dada por alguns especialistas de que determinado remédio deve ser usado pelo resto da vida. Não consideram as interações medicamentosas ou os efeitos colaterais do uso prolongado”, afirma Wagner.

Especialmente entre idosos, é comum o uso de vários remédios diferentes, ao mesmo tempo, e em tratamento prolongado –a chamada polifarmácia.

“Os diversos medicamentos para tratar doenças crônicas frequentemente criam dificuldades operacionais, pois agem em lugares simultâneos ou interferem na ação dos demais”, explica Wagner.

Foi o que aconteceu com a aposentada Maria Aparecida de Sousa, 67. Ela chegou à uma unidade de saúde da família na zona oeste de São Paulo com pancitopenia (redução de todos os elementos do sangue, glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas), além de falta de ar e de apetite.

Ao analisar os remédios que a aposentada tomava, o residente Stephan Sperling matou a charada: duas drogas para artrite reumatoide, receitadas um ano antes, e um anti-hipertensivo eram os responsáveis pelos sintomas.

“A artrite estava sob controle e as medicações já poderiam ter sido desprescritas. O que gente tinha que cuidar, na verdade, era do medo que dona Maria tinha de sentir dor”, conta Sperling. O anti-hipertensivo foi trocado.

“Não sinto mais dor, estou bem disposta. Minha vida mudou desde que parei com a medicação”, conta Maria.

Gustavo Gusso, médico de família e professor da USP, explica que, para adotar a desprescrição, o profissional precisa estar bem atualizado e, antes de tudo, estabelecer um vínculo com o paciente.

“Isso não ocorre na primeira consulta. Os efeitos positivos e negativos da medicação precisam ser bem avaliados.”

Exercícios aumentam resposta à quimioterapia

exerciciosfonte: O Globo

Com diagnóstico de câncer, a empresária Luciana Provenzano lembra que recebeu de seu médico um artigo científico sobre os benefícios do exercício físico para reduzir os sintomas da quimioterapia. De início, a notícia da doença, confessa ela, deixou-a “aterrorizada”.

Pensava que ficaria fraca e magra demais. Mas como já era fisicamente ativa, seguiu a recomendação: caminhadas, ioga e musculação faziam parte de sua rotina.

— Como queria ter o mínimo de sintomas, me exercitava quase todos os dias. Quando estava muito cansada, meu professor ia lá em casa fazer uma sessão mais leve de ioga ou reiki. E nos dias críticos, não fazia nada — lembra Luciana, diagnosticada com um linfoma não-Hodgkin, que resume. — Passei muito bem todo o tratamento.

A prática da atividade física, associada à alimentação saudável, visando o controle do peso corporal, são certezas na prevenção de tumores há anos. Mas artigos como o entregue a Luciana vêm se multiplicando e mudando a cara do tratamento do câncer. Novos estudos trazem dados mostrando que até os resultados do tratamento são melhores quando atrelado ao exercício, respeitando-se, claro, os limites de cada paciente. E mais: as chances de retorno do câncer são menores.

OBESIDADE SERÁ PRINCIPAL FATOR DE CÂNCER

Na outra ponta, o impacto da obesidade na ocorrência da doença está ganhando proporções enormes. A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) identificou o combate ao excesso de peso como uma iniciativa-chave para não que não se percam as décadas de progresso na prevenção do câncer. A obesidade está rapidamente superando o tabaco, e estima-se que ela se tornará a principal causa de câncer prevenível no mundo, um alerta que ganhou a atenção de médicos no último congresso da Asco este ano.

— A obesidade causa uma síndrome metabólica, desequilibrando, por exemplo, o metabolismo da insulina, que não está ligada apenas ao açúcar, como costumamos pensar, mas a outras ações, como a divisão celular. Não se sabe exatamente o mecanismo, mas acredita-se que este desequilíbrio aumenta o risco de alterações que provocam o câncer — explica o oncologista Benedito Rossi, do Hospital Sírio Libanês, que completa: — O alerta da Asco, colocando o combate à obesidade como uma diretriz institucional, é importantíssimo.

Luciana fez quimioterapia por quatro meses até seus exames mostrarem que a doença tinha desaparecido. Estava tão condicionada à época, que, para comemorar, dois meses depois do término das sessões participou de um corrida de cinco quilômetros. Pouco depois, o linfoma se manifestou novamente. Continuou a atividade física até a doença ser novamente controlada. Hoje está bem. Apenas vigilante com os exames, não só pelo que passou nos últimos cinco anos:

— Tenho uma vida extremamente normal. Pouca coisa mudou no sentido físico. Mudou mais porque completarei 40 anos em agosto, pelo avanço da idade, do que pela sequela da doença — conta.

Médico de Luciana, o oncologista Daniel Tabak, diretor médico do Centro de Tratamento Oncológico, lembra que os benefícios do exercício durante o tratamento não têm relação com a intensidade do treinamento.

— O cansaço associado à quimioterapia pode desestimular a atividade, mas mesmo em níveis leves e moderados nota-se melhora — explica Tabak. — E existem vários estudos refletindo sobre atividade tanto na prevenção como mostrando o aumento na tolerância à quimioterapia e a redução do risco de recidiva em vários tipos de câncer.

Segundo Tabak, não há restrições à atividade, apenas recomenda-se que ela seja intensificada de forma gradual e seguindo os limites de cada um, de acordo com a rotina de exercício antes do diagnóstico. Por sinal, os cuidados são redobrados se o paciente era sedentário.

A empresária Rachel Jordan conta também ter enfrentando o câncer de mama e, depois, de sacro, com atividade física e, ainda, uma alimentação muito controlada.

— Além da disposição, a atividade física me ajudou a manter a autoestima, que é algo muito importante nesta fase, porque você perde o cabelo e pode não se reconhecer no espelho — lembra.

Um artigo publicado durante o congresso da Asco pelo pesquisador Lee Jones, do Centro de Câncer Memorial Sloan, ressalta que apenas recentemente se passou a investigar se fatores modificáveis, como peso corporal, dieta e atividade física, teriam alguma influência no indivíduo após o diagnóstico do câncer. Segundo ele, os novos estudos sugerem que, geralmente, exercícios regulares estão associados com uma redução de 10% a 50% do risco de recorrência do tumor. Um deles, da pesquisadora Jennifer Ligibel, do Instituto de Câncer Dana-Farber, mostrou essa eficácia para tumores de mama e gastrointestinais:

“A maioria dos trabalhos analisou o câncer de mama em estágio inicial, mas novas evidências também existem para os de colorretal, próstata e ovário. Juntos, estes dados têm levado a um consenso crescente de que exercício após o diagnóstico de câncer pode alterar os resultados, reforçando a necessidade de mais trabalhos com humanos”, afirmou no documento, lembrando que um amplo estudo com foco em câncer colorretal já está em curso. “Esses resultados são ansiosamente aguardados e trarão novas perspectivas da eficácia do exercício para alterar o curso de progressão da doença”, completou.

Além disso, dieta e manutenção do peso também trazem resultados positivos. Em seu trabalho, Jennifer Ligibel lembra que nos próximos 20 anos são estimados 500 mil novos casos de câncer devido à obesidade. Mas, se cada americano perdesse em média um quilo, poderiam ser evitados cem mil novos casos.

— Do ponto de vista de alguém que já tem um câncer, independentemente de este ter sido predisposto parcialmente pela obesidade, a presença dela dificulta diversos procedimentos cirúrgicos — reforça o oncologista Rafael Kaliks, diretor científico do Instituto Oncoguia, lembrando que a condição aumenta as complicações da operação e reduz a resposta ao tratamento, entre outros fatores.

Convênios: assembleia rejeita propostas enviadas por planos

CREMERJfonte: CREMERJ

A Assembleia Geral de Convênios recusou as propostas enviadas pela Intermédica/Notredame, Life Saúde e Salutar por serem insuficientes e por não estarem em acordo com a Lei 13.003/2014 que determina o reajuste anual para os honorários médicos. O movimento decidiu manter a suspensão do atendimento por guias e incluir a Salutar e Life Saúde na lista. A deliberação de seguir pela cobrança direta às operadoras citadas foi votada em assembleia, nessa quarta-feira, 29, na sede do CREMERJ, e aprovada por unanimidade. Além do Conselho, o encontro foi organizado pela Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj), pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ) e pelas sociedades de especialidade.

Os médicos também decidiram intensificar a luta pela equiparação dos honorários nos procedimentos do plano de enfermaria ao de quarto, além de buscar com as operadoras, que já negociaram com a categoria, informações mais precisas em relação à data dos reajustes nos contratos.

A coordenadora da Comissão de Saúde Suplementar (Comssu) do CREMERJ, conselheira Márcia Rosa de Araujo, explicou que, mais uma vez, algumas operadoras têm descumprido a Lei 13.003/2014.

Estamos pedindo propostas que estejam em concordância com a lei desde o início do ano, mas nem todas nos apresentaram. Outras, como foi o caso da Salutar, só informou esta semana que paga R$ 48,00 por consulta. Já a Life Saúde nem o valor enviou ainda. A Intermédica/Notredame enviou uma proposta inaceitável, com um reajuste equivalente a 3,965%, enquanto a lei garante, no mínimo, o valor do IPCA. Consideramos um descaso e vamos comunicar todo esse processo à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), afirmou Márcia Rosa.

Médicos consideram movimento vitorioso

No encontro, os médicos consideraram o movimento vitorioso. Para o presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez, a maioria das operadoras negociou com a categoria, aceitando o que o movimento tem reivindicado com base na lei. O conselheiro do CREMERJ Ricardo Bastos também destacou essas conquistas.

Foram várias reuniões. Negociamos com 24 operadoras e o que é mais importante é que a maioria entrou em um acordo com a categoria, com exceção ainda dessas três. Então, considero que tivemos uma série de vitórias, disse.

Cade cancela multa aplicada a entidades médicas

Na assembleia, Márcia Rosa compartilhou com os médicos que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anulou a multa, que havia sido aplicada em outubro do ano passado, ao Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) por suposta prática de tabelamento de preços de consultas.

Movimento terá nova assembleia

De acordo com a coordenadora da Comssu, a Intermédica/Notredame, Salutar e Life Saúde receberão um comunicado sobre a decisão da assembleia e serão novamente chamadas para se reunir com o movimento de convênios.

No encerramento, Márcia Rosa informou ainda que a categoria dará prosseguimento às negociações e que nos próximos dias uma nova assembleia deverá ser agendada. Enquanto isso, nesta sexta-feira, 31, haverá uma reunião da Comissão Estadual de Honorários Médicos, na sede do Conselho, para debater os rumos do movimento.