Perfil: Dr. José Augusto Messias

Clínico Geral e Especialista em Gastroenterologia, Dr. José Augusto Messias também é reconhecido pela significativa atuação junto à Endoscopia Digestiva. Na década de 70, em que a endoscopia estava germinando e crescendo, ele já participava da rotina do setor de Endoscopia, mesmo sendo residente de Clínica Médica do então Hospital de Clinicas do Pedro Ernesto.

“Me honra muito ter sido um dos fundadores da SOBED-RJ e ter feito endoscopia durante 25 anos ou mais, desde que me formei pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado da Guanabara, atual UERJ. Comecei a fazer endoscopia com o Dr. Edson Jurado, em 1973, no meu internato, junto também com o Dr. Alexandre Abrão, hoje chefe do Setor de Gastroenterologia e Endoscopia do Pedro Ernesto. Os fibroscópios ainda eram uma miragem para nós em 1974. Conseguimos um certo apoio da direção do hospital para atualizar o equipamento e nós (Edson Jurado, Alexandre Abrão e eu) montamos um time para dar cobertura às endoscopias de urgência dentro do Pedro Ernesto. Funcionava 24 horas, 7 dias na semana. Com isso, a direção do hospital comprou equipamentos mais modernos, como: colonoscópio, fibroscópio e endoscópio alto. Ao fim da minha residência, tanto eu como o Dr. Alexandre nos tornamos professores da Faculdade de Ciências Médicas e continuamos desenvolvendo o trabalho no Hospital Universitário. Eu trabalhava em dois turnos fazendo endoscopia de rotina dos serviços. E isso permaneceu durante décadas”, disse.

Aliás, Dr. Messias e Dr. Alexandre já eram amigos de longa data. Estudaram juntos desde o 1º ano do Ginásio (que correspondia aos últimos quatro anos do atual Ensino Fundamental). Depois, fizeram faculdade juntos, trabalharam no mesmo hospital, se formaram na mesma turma e atuaram no mesmo consultório. Uma amizade de 60 anos, desde 1959.

“Quando começamos a fazer endoscopia com o Dr. Jurado, o aparelho disponível para ver o esôfago era um tubo rígido que se chamava: Chevalier Jackson. E o aparelho para ver o estômago era uma gastrocâmera, que foi o 1º desenvolvido a partir da escola japonesa. Você simplesmente fotografava a partir de um determinado protocolo e depois examinava as fotos para poder fazer a impressão diagnóstica, você não conseguia nem biopsiar. Em 1976, quando nós três montamos aquele grupo que dava suporte às emergências do Pedro Ernesto é que incorporaram os primeiros fibroscópios, como um fibroendoscópico que conseguia chegar no duodeno, e um colonoscópico que nos permitiu realizar colonoscopias. Era uma época que eu chamaria de pré-histórica. Então, a gente fazia não só a endoscopia do esôfago com esse tubo rígido, como fazia também uma broncoscopia com broncoscópio rígido pra examinar a traqueia. Depois, começaram a surgir as escleroses, a escleroterapia, até que eu cheguei junto com a incorporação da chamada ligadura elástica para varizes e esôfago. Nesse período, em 2000 em diante, a endoscopia havia se tornado bastante tecnológica, o que fugiu um pouco do meu escopo profissional”, afirma.

A prática endoscópica tem lugar especial na carreira do Dr. Messias e apesar dele ter se desligado do setor nos últimos 15 anos, mantém forte relação com o grupo de endoscopistas da SOBED-RJ.

“Hoje a minha ligação com esse grupo se dá pela minha pratica clínica, já que trato muitos casos de gastroenterologia, como pacientes com câncer de esôfago em que que foram retiradas por endoscopia a famosa mucosectomia por via endoscópica. E eu me lembro da época em que a gente trabalhava no Pedro Ernesto e a cirurgia de câncer de esôfago era uma das cirurgias que mais dava frio na barriga, devido a quantidade de complicações, e a cirurgia quase sempre implicava em retirar o esôfago. Hoje, com a evolução da tecnologia, o cenário mudou”, relembra.

Dr. Messias revela que sempre frequentou congressos para se atualizar e teve muitos trabalhos publicados, principalmente aqueles focados na questão do adolescente.

“Na década de 80 e 90, a gente demonstrou que a realização de endoscopia diagnóstica em adolescentes era possível. Utilizamos um protocolo e conseguimos fazer a maior parte das endoscopias como fazíamos em adultos. Dava um pouco mais de trabalho de conversa e de convencimento, mas não havia nenhuma diferença médica para não fazer a famosa anestesia na garganta e uma pequena sedação endovenosa, como era o protocolo da época. Como consequência disso, eu me tornei professor Titular de Clínica Médica da UERJ e uma das minhas teses ao longo da vida foi justamente sobre câncer gástrico. Aproveitei todo material da área da gastroenterologia, com 317 doentes, numa época em que infelizmente a gente ainda tinha muito menos recurso de fazer um diagnóstico mais precoce e de fazer uma proposta terapêutica mais efetiva pra esses doentes. O câncer gástrico ainda é um desafio mas com a história do H. Pylori e com esses equipamentos endoscópicos o que temos é uma visão muito mais detalhada”.

Dr. Messias também é diretor do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente, uma área pioneira dentro da UERJ. O NESA possuiu uma enfermaria, um ambulatório grande, e um grupo que lida com atenção primária. Trata-se de um serviço referencial não só no Brasil, como no exterior.

Sobre fazer parte da história da SOBED-RJ, Dr. Messias guarda com muito orgulho de sua participação no Congresso em Curitiba, em 1974, quando ainda era residente.

“Eu estava naquele congresso e houve uma reunião dos gastroenterologistas e dos profissionais que também tinham já a prática da endoscopia. Fizemos a reunião, na presença do Dr. Glaciomar, Dr. Jorge, Dr. Luis Leite Luna, e de vários outros da 1ª geração de endoscopistas, e fundou-se a Sociedade. Quem assinou essa ata recebeu o título de sócio-fundador. Eu sou um deles, assim como o Dr. Alexandre Abrão. É uma história que guardo com muito orgulho!”, relata Dr. Messias.