Perfil: Dr. Carmelo Francisco de Souza Stanziola

Carioca, formado pela Faculdade de Ciências Médicas da UERJ, em 1975, Dr. Carmelo Francisco de Souza Stanziola teve o prazer de fazer a residência em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva, na mesma faculdade, por dois anos (1976/1977), no serviço do Professor Edson Jurado, pessoa que ele admira e o inspira até hoje.

Depois, trocou a orla carioca pela Costa Verde do Rio de Janeiro, ao fixar residência em Angra dos Reis, em janeiro de 1978, aceitando o convite do Dr. Nelson Valverde, da UERJ, para trabalhar no Hospital da Usina Nuclear de Angra.

Cheio de orgulho por ter acompanhado o avanço da Endoscopia Digestiva, ele é um apaixonado pela profissão, além de muito atencioso com os pacientes.

“Os primeiros exames endoscópicos eram realizados com fibroscópicos. Na UERJ, nós tínhamos aparelhos da empresa americana ACMI, que logo parou de fabricar e ficaram só os aparelhos japoneses. Fazíamos endoscopia digestiva alta e baixa, colonoscopia e também laparoscopia, que estava começando. Na época, existiam poucos serviços de Endoscopia Digestiva em hospitais públicos do Rio de Janeiro. Até hoje me sinto muito bem fazendo um procedimento diagnóstico bem feito e procuro fazer da melhor maneira possível. Faço endoscopia com muita calma e não tenho a menor pressa de terminar o exame. Brinco com a minha equipe que eu trabalho igual ao Chacrinha, que dizia que “o programa só acaba quando termina”. Eu digo que “o exame só acaba quando termina”. Ou seja, muitas vezes na endoscopia, é na saída que a gente encontra a lesão. Sempre digo para a minha filha endoscopista sobre a importância de ver lesões pequenas, lesões precoces”, afirma.

Desde o início da carreira, Dr. Carmelo sempre prezou pela qualidade do atendimento, pela atualização profissional e pelo carinho com os pacientes. Não é à toa que foi agraciado com o título de Cidadão Angrense, na década de 1990, e com uma menção honrosa da Prefeitura de Paraty pelo atendimento à população.

Dr. Carmelo recorda com orgulho dos 23 anos dedicados ao Hospital da Usina Nuclear de Angra (Hospital de Praia Brava), que na época era administrado por Furnas Centrais Elétricas. Trabalhou tanto na parte assistencial, quanto no Serviço de Endoscopia, iniciado em 1981, com a compra do 1º equipamento.

“Quando ingressei em 78, Angra 2 estava fazendo as fundações. Chegavam muitos trabalhadores do Nordeste. Fazíamos de tudo pois era um hospital pequeno que atendia os funcionários e a população do entorno. A gente era clínico geral, gastroenterologista e endoscopista. Em novembro de 81, compramos o 1º fibroscópico, que tinha quase 16 milímetros de diâmetro. Hoje, o aparelho da nossa clínica tem 9 milímetros, quase a metade. Na época, falei com o Dr. Edson Jurado e o Dr. Alexandre Abraão e fiquei uma semana na UERJ para testar e aprimorar o uso do aparelho. Fazia principalmente as endoscopias digestivas altas e as retossigmoidoscopias. Eu era o único médico de Angra que fazia endoscopia e assim foi por mais de dez anos. Depois, nós compramos um Pentax FG 28 C para fazer os exames de rotina e as emergências. Nossas grandes emergências eram corpos estranhos, como espinhas de peixe, afinal, estávamos à beira mar. Também fazíamos hemorragia digestiva. A quantidade de pessoas com esquistossomose era muito grande e o número de hemorragias digestivas, também. Quando começou a surgir a técnica da esclerose de varizes eu falei novamente com o Dr. Alexandre, pessoa que admiro muito, e fiquei uma semana me atualizando no Hospital Pedro Ernesto. Fiz muita esclerose de varizes, vi muita hemorragia digestiva por varizes de esôfago. Se tem algo de que eu possa me orgulhar é que nesse período todo trabalhando sozinho eu acredito que tenha feito um bom trabalho. Graças a Deus não me lembro de ter perdido nenhum doente de hemorragia digestiva. Acabei tendo um bom nome entre a população.”

Por muitos anos, Dr. Carmelo também teve a honra ser o responsável pelo Centro de Medicina das Radiações Ionizantes (CMRI), do Hospital da Usina Nuclear de Angra. E teve um papel fundamental no atendimento aos pacientes radioacidentados com o césio-137, no grave acidente de Goiânia, em 1987.

“Fui sendo preparado para o atendimento de acidentados com radiação. Na ocasião do acidente de Goiânia, colaboramos ativamente no atendimento às vítimas, que ficaram sob os nossos cuidados no Hospital Naval Marcílio Dias (RJ). Toda a parte de descontaminação foi feita por nossa equipe de Furnas, sob a minha responsabilidade. Eu e mais sete técnicos de enfermagem nos revezávamos. Atuamos por 2 meses na descontaminação.”

Em 1987, Dr. Carmelo decidiu montar o consultório próprio. Passou a atender duas vezes na semana, no período da tarde, conciliando com o trabalho no Hospital da Usina Nuclear.

Ao se aposentar, em 2000, o especialista continuou os estudos e iniciou uma Pós-Graduação em Clínica Médica (CAMI/UFRJ), em 2001. Ele recorda que, na época, o Hospital de Praia Brava passou a ser gerido pela Fundação Eletronuclear de Assistência Médica, que em 2003, criou um Centro de Estudos que recebeu o seu nome como homenagem.

Após a aposentadoria, Dr. Carmelo também se mudou da Vila Residencial de Furnas para uma casa mais próxima da cidade de Angra, onde encontrou no cultivo de vegetais a sua realização pessoal.

“Depois que me aposentei, eu e minha esposa construímos uma casa que tem um quintal ótimo. Fomos plantando árvores e os passarinhos foram chegando. Hoje, temos várias árvores em nosso quintal. Desde criança, por influência da minha mãe, sempre gostei de plantar e de animais, só não tinha muito tempo. Meus sogros que moravam conosco também sempre gostaram de mexer com a terra e nós adquirimos esse hábito.”

Dr. Carmelo também decidiu fazer uma horta orgânica no terreno da sua Clínica de Endoscopia, próximo à sua residência. Em 2020, com o isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, ele aumentou ainda mais a plantação.

“Na pandemia, fiquei 40 dias sem trabalhar. Minha mulher falou que daqui a pouco eu iria plantar até dentro de casa. É algo que realmente me distrai bastante. Na entrada da clínica, temos um mamoeiro. Ao lado, duas azaleias grandes e lírios da paz para garantir o bom astral. Na parte de trás, criamos uma horta orgânica variada com temperos, folhas e legumes. A gente não usa agrotóxico. Aqui, a gente vai distraindo a cabeça, afinal, todos precisam de uma válvula de escape. Tenho pacientes graves que trazem muita angústia. Acredito que cada um deve buscar algo que traga alegria. Tem gente que gosta de ver filme, ir à praia, e eu gosto desse cultivo. Também tenho prazer em compartilhar com os colegas da SOBED esse meu prazer em cultivar a terra.”

Casado, pai de duas filhas, Isabel e Silvia, e avô do Arthur (6 anos) e da Cecília (1 ano), Dr. Carmelo completa 45 anos de formado com a mesma alegria dos tempos de faculdade. A filha mais velha também se tornou gastroenterologista e realiza endoscopias no interior de São Paulo. Já a outra filha, designer gráfica, reside no Canadá.

Além da companhia adorável de sua esposa Graça, Dr. Carmelo tem como fiel escudeiro o cachorro Pingo. A equipe que atua em sua clínica também é considerada por ele uma grande família, pelos muitos anos de dedicação ao trabalho. E todos também se deliciam com o cultivo de vegetais.

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