Perfil: Dr. Celso Ribeiro Ferreira

A SOBED-RJ dá continuidade a série de matérias especiais abordando perfis de grandes nomes da Endoscopia Digestiva do Rio de Janeiro. Hoje é a vez do Dr. Celso Ribeiro Ferreira, do Norte Fluminense.

Em 1978, o jovem Celso Ribeiro se formava pela Faculdade de Medicina de Campos (FMC), localizada no município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Mas logo retornou à sua terra natal, a cidade de Itaperuna, no noroeste fluminense, para prestar residência médica no Hospital São José do Avaí até 1979.

“Nesta época, não havia residência de gastroenterologia e endoscopia como hoje, onde temos muitas qualificadas. A grande maioria dos meus colegas contemporâneos fazia a sua formação (em Endoscopia Digestiva) com amigos e mestres da nossa geração. Não fugindo à regra, fui um deles. Tenho o maior orgulho de registrar que tive a honra e a felicidade de acompanhar alguns desses mestres. Hoje, tudo que faço de bom e correto na especialidade dedico a eles: Dr. Renan Tinoco e Edno Carpi (Itaperuna), Dr. Luís Carlos Monteiro e Dra. Eliane Bordalo (Niterói) e Dr. Roberto Bogliolo, Dr. Cleber Vargas e Dr. Marcos Tulio Hadad, do Centro de Estudos da UFRJ. Passei seis meses nesse centro da UFRJ, onde o Dr. José Flavio Coelho fazia CPRE com material próprio!”, ressalta Dr. Celso Ribeiro.

Ele também recorda, com orgulho, do início da sua trajetória profissional como médico endoscopista.

“Inicialmente, os exames eram realizados com anestesia tópica e Diazepam Ev. Na grande maioria dos casos usávamos equipamentos de fibra da Machida e, posteriormente, Olympus. A colonoscopia ainda não era difundida, porém, já realizávamos laparoscopia diagnóstica com equipamentos Olympus e Storz. No serviço do Prof. Renan Tinoco, no Hospital São José do Avaí, já se utilizava coledoscópio Machida durante o ato operatório de vias biliares, quando necessário (cirurgia aberta)”, recorda.

A vasta experiência no serviço público também é uma marca em sua carreira:

“Como me formei e voltei à minha terra (interior), o nosso serviço era público, pois nesta época o SUS era o plano de saúde mais utilizado pela população, não havia medicina suplementar. Portanto, nossa formação foi baseada em serviço público”, conta.

Com a evolução da endoscopia, Dr. Celso lembra quando a fibra foi substituída pelo vídeo, o que forneceu maior comodidade para a realização de procedimentos, garantindo melhor qualidade de imagem, com sistemas de cromoscopia, entre outros.

“Também destaco os acessórios, tanto em endoscopia quanto em laparoscopia terapêutica. E com o advento da cápsula e da enteroscopia mais diagnósticos do intestino delgado foram realizados. A ultrassonografia endoscópica também foi um grande avanço, onde acontece uma simbiose de endoscopia com ultrassom, sendo muito importante nas biópsias transmural e no estadiamento de doenças oncológicas”, diz.

Membro titular da SOBED-RJ há mais de 30 anos, Dr. Celso se atualizava da seguinte forma:

“Atualização no início de nossa jornada era mais física e presencial, pois a internet ainda engatinhava. Portanto, fazíamos através de participação em cursos e congressos, onde trocávamos experiências e ouvíamos grandes mestres, fazendo amizades duradouras”, declara.

O aprendizado, para ele, veio também do convívio com outros amigos de profissão, os quais ele possui uma enorme gratidão.

“Aprendi muito não só endoscopia, como comportamento humano, com o meu dileto amigo Dr. Geraldo Alves Menezes, no Hospital Cardoso Fontes. Também fui muito bem recebido para assistir CPRE, no Hospital de Ipanema, pelo colega Dr. Evandro Sá. Digo o mesmo do Prof. Glaciomar Machado, sempre solícito, amigo, com a sua simplicidade de sempre e com grandes ensinamentos. Agradeço também ao grupo de ensino do Hospital Sírio-Libanês (SP), comandado pelo grande mestre Prof. Hashiba e sua equipe maravilhosa, onde muitas vezes deslocava de minha região, de ônibus, para passar um final de semana participando dos excelentes cursos teóricos e práticos realizados por eles. Foram muitos anos, muitos outros que me falham a memória, mas só tenho a agradecer a todos que contribuíram com a minha trajetória profissional”.

Atualmente, Dr. Celso trabalha como médico gastroenterologista e endoscopista no Hospital São Vicente de Paulo e na Clínica Gastroclin, ambos em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), e no Hospital da Unimed, em Itaperuna (RJ).

Casado, pai de três filhos, e avô em dose dupla, ele não esconde o amor pela família, que sempre esteve ao seu lado.

“Falar sobre família é muito difícil e fácil ao mesmo tempo! Pois fui brindado pela vida, por receber uma grande mulher, amiga, companheira, guerreira e, sobretudo, essencial em minha vida. Tivemos três filhos. Um deles seguiu a minha especialidade, o Dr. Guilherme Falcão, que faz parte da atual diretoria da SOBED-RJ, e só me dá alegria e orgulho na profissão e como ser humano!! Os outros dois, o Gustavo (advogado) e a Laura (médica radiologista) não são diferentes, o mesmo estilo como profissionais e seres humanos. Tenho netas lindas e com saúde!! O que poderia sonhar?! Os meus foram concretizados e agradeço a tudo e a todos, elevando o meu pensamento e gratidão à força maior do universo!”, conclui.