{"id":10207,"date":"2020-06-22T11:23:41","date_gmt":"2020-06-22T11:23:41","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=10207"},"modified":"2020-07-14T11:42:50","modified_gmt":"2020-07-14T11:42:50","slug":"analises-apontam-relacao-entre-mortalidade-por-covid-19-e-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/06\/22\/analises-apontam-relacao-entre-mortalidade-por-covid-19-e-pobreza\/","title":{"rendered":"An\u00e1lises apontam rela\u00e7\u00e3o entre mortalidade por Covid-19 e pobreza"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>O c\u00f3digo postal pode ser mais importante para a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade de uma pessoa do que o seu c\u00f3digo gen\u00e9tico. Com base nessa ideia, um novo \u00edndice para medir o impacto de caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas na sa\u00fade das pessoas foi criado por pesquisadores da USP e do Hospital Israelita Albert Einstein.<\/p>\n<p>Feito em parceria com o Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS), o \u00edndice recebeu o nome de GeoSES e um estudo sobre ele foi recentemente publicado na revista cient\u00edfica Plos One.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 resumida por Edson Amaro, respons\u00e1vel pela \u00e1rea de Big Data do Einstein, em parte de uma letra da m\u00fasica \u201cCrumbs From Your Table\u201d, do U2: \u201cWhere you live should not decide\/Whether you live or whether you die [onde voc\u00ea vive n\u00e3o deveria indicar se voc\u00ea vai viver ou morrer, em tradu\u00e7\u00e3o livre]\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores j\u00e1 puderam observar parcialmente, por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o da\u00a0Covid-19 no Brasil\u00a0com as\u00a0condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, ou seja, a fragilidade frente a doen\u00e7a de pessoas em maior\u00a0situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>\u201cDas sete dimens\u00f5es analisadas pelo GeoSES, a pobreza estava com uma rela\u00e7\u00e3o inversa \u00e0 da Covid-19. Quanto maior o percentual de pobreza do munic\u00edpio, maior o risco relativo de mortalidade pela Covid-19\u201d, afirma Ligia Vizeu Barrozo, pesquisadora do departamento de geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP e coordenadora do grupo de estudos espa\u00e7o urbano e sa\u00fade do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados tamb\u00e9m da USP.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, a rela\u00e7\u00e3o entre o local em que cada um mora e a sua suscetibilidade \u00e9 mais vis\u00edvel, por exemplo, em casos de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, mais prevalentes conforme menores s\u00e3o os indicadores socioecon\u00f4micos.<\/p>\n<p>\u201cNa cidade de SP, 75% da varia\u00e7\u00e3o da mortalidade de doen\u00e7a cardiovascular, causa n\u00famero um de mortes, s\u00e3o explicados por fatores que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com sa\u00fade\u201d, diz Amaro.<\/p>\n<p>Segundo ele, fatores como\u00a0educa\u00e7\u00e3o\u00a0e o transporte podem ter impacto no caso espec\u00edfico das doen\u00e7as cardiovasculares, com maior ou menor chance de morte pela condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO que faz uma pessoa sobreviver se ela tiver um infarto em casa? Ela tem que chegar r\u00e1pido no hospital\u201d, diz Amaro. \u201cN\u00e3o adianta ter condi\u00e7\u00f5es de atender pessoas no servi\u00e7o p\u00fablico se as pessoas n\u00e3o tem como chegar ao servi\u00e7o p\u00fablico, se elas n\u00e3o t\u00eam rua, transporte ou Samu que chegue.\u201d<\/p>\n<p>O \u00edndice analisa, a partir de dados do censo 2010 \u2014facilmente adapt\u00e1veis para o pr\u00f3ximo\u2014, sete dimens\u00f5es socioecon\u00f4micas: educa\u00e7\u00e3o, pobreza, riqueza, renda, segrega\u00e7\u00e3o, mobilidade e priva\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e recursos (com possibilidade de an\u00e1lises espec\u00edficas para cada tema). Com isso, torna-se poss\u00edvel medir a vulnerabilidade socioecon\u00f4mica.<\/p>\n<p>A nova escala surgiu a partir do trabalho de Barrozo para tentar entender o impacto socioecon\u00f4mico na sa\u00fade em S\u00e3o Paulo, dentro do projeto tem\u00e1tico Modau, que \u00e9 coordenado pelo pesquisador Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP.<\/p>\n<p>O trabalho ent\u00e3o cresceu e passou a ser aplic\u00e1vel a todo o territ\u00f3rio brasileiro com a equipe de dados do Einstein.<\/p>\n<p>Mas se j\u00e1 existe o IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano), que considera exatamente aspectos socioecon\u00f4micos, para que serviria uma nova m\u00e9trica?<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, o IDH j\u00e1 leva em conta longevidade, ou seja, considera a sa\u00fade em seu c\u00e1lculo, o que dificulta quando voc\u00ea quer analisar unicamente aspectos sociais para an\u00e1lises de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cMatematicamente, quando vamos tentar explicar riscos por doen\u00e7a, o componente de sa\u00fade do IDH acaba criando uma correla\u00e7\u00e3o que polui o que \u00e9 social e n\u00e3o \u00e9\u201d, diz Barrozo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o do \u00edndice para pesquisas na \u00e1rea da sa\u00fade, os pesquisadores afirmam que gestores p\u00fablicos podem us\u00e1-la para planejamento.<\/p>\n<p>O \u00edndice pode ser analisado em escalas municipal, estadual e federal.<\/p>\n<p>Os dados j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis para ser baixados no<a href=\"https:\/\/opendatasus.saude.gov.br\/pt_PT\/dataset\/geoses\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0DataSUS<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP O c\u00f3digo postal pode ser mais importante para a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade de uma pessoa do que o seu c\u00f3digo gen\u00e9tico. 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