{"id":10249,"date":"2020-06-24T09:47:54","date_gmt":"2020-06-24T09:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=10249"},"modified":"2020-06-29T17:58:26","modified_gmt":"2020-06-29T17:58:26","slug":"transplantes-de-orgaos-caem-mais-de-40-durante-a-pandemia-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/06\/24\/transplantes-de-orgaos-caem-mais-de-40-durante-a-pandemia-da-covid-19\/","title":{"rendered":"Transplantes de \u00f3rg\u00e3os caem mais de 40% durante a pandemia da Covid-19"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>O n\u00famero de transplantes de \u00f3rg\u00e3os no Brasil caiu em mais de 40% desde o in\u00edcio da pandemia da Covid-19, e o de doadores recuou em 34%, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os (ABTO). Segundo Gustavo Ferreira, vice presidente da institui\u00e7\u00e3o, a queda se acentuou a partir da segunda quinzena de maio, quando houve um recuo de 49%. Nas duas primeiras semanas de junho, a redu\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava em 45%.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o de transplantes come\u00e7ou a acontecer desde o primeiro \u00f3bito pela Covid-19 identificado no pa\u00eds, em 17 de mar\u00e7o. At\u00e9 o \u00faltimo dia 14, segundo a Coordena\u00e7\u00e3o Geral Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT), a queda no n\u00famero de transplantes de rim, f\u00edgado, p\u00e2ncreas, cora\u00e7\u00e3o e pulm\u00f5es foi de 43%, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>De acordo com Gustavo Ferreira, a alta ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a redu\u00e7\u00e3o dos voos \u2014 dificultando o transporte dos \u00f3rg\u00e3os pelo pa\u00eds \u2014 e o medo de que doadores e pacientes, estes j\u00e1 debilitados, sejam contaminados pelo coronav\u00edrus\u00a0nos hospitais s\u00e3o alguns dos motivos que explicam a realidade atual. Ferreira afirma que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 preocupante, j\u00e1 que muitos dependem do \u00f3rg\u00e3o para sobreviv\u00eancia, e n\u00e3o h\u00e1 perspectivas em curto prazo de uma normaliza\u00e7\u00e3o deste cen\u00e1rio:<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil enfrenta momentos da pandemia muito diferentes regionalmente. \u00c9 muito dif\u00edcil prever quando teremos um cen\u00e1rio melhor. S\u00f3 podemos pensar em voltar ao n\u00famero pr\u00e9-crise quando soubermos melhor o futuro da pandemia.<\/p>\n<p>Segundo Gabriel Teixeira, diretor-geral do Programa Estadual de Transplante (PET) do estado do RJ, o receio tamb\u00e9m parte dos m\u00e9dicos:<\/p>\n<p>\u2014 Tivemos centros de transplante aqui do Rio que no come\u00e7o da pandemia, quando t\u00ednhamos poucas informa\u00e7\u00f5es sobre a Covid-19, contraindicaram a cirurgia para todos os seus pacientes.<\/p>\n<p>Ele afirma que o estado teve o seu melhor 1\u00ba trimestre de todos os tempos, e que se n\u00e3o fosse a pandemia, o Rio viveria seu melhor ano para transplantes.<\/p>\n<p>\u2014 Apesar de o n\u00famero ter ca\u00eddo, n\u00e3o interrompemos os nossos servi\u00e7os por nenhum momento. Alguns pacientes que podem esperar pelo transplante optaram por n\u00e3o realizarem as cirurgias. O receio tamb\u00e9m parte dos m\u00e9dicos \u2014 disse Teixeira, que informo que, desde mar\u00e7o, o estado do Rio testa poss\u00edveis doares de \u00f3rg\u00e3os para a Covid-19.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o especialista, um dos motivos que pode ter contribu\u00eddo para a redu\u00e7\u00e3o de n\u00famero de transplantes \u00e9 a menor notifica\u00e7\u00e3o de potenciais doares, assim como a poss\u00edvel redu\u00e7\u00e3o de mortes encef\u00e1licas \u2014 o que possibilita a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os \u2014, provocadas por acidentes, viol\u00eancia e doen\u00e7a cerebrovascular, como o AVC.<\/p>\n<p>\u2014 Nossa taxa de aceita\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia para a doa\u00e7\u00e3o permanece em 75%, ent\u00e3o o que realmente ca\u00edram foram as notifica\u00e7\u00f5es de poss\u00edveis doadores.<\/p>\n<h2>Sobrecarga do sistema de hemodi\u00e1lise<\/h2>\n<p>O Brasil realiza cerca de 30 mil procedimentos anualmente e \u00e9 o maior sistema de transplante p\u00fablico do mundo. At\u00e9 mar\u00e7o, 26.816 pessoas aguardavam \u00f3rg\u00e3os no pa\u00eds, de acordo com a ABTO.<\/p>\n<p>Dessas, 24.879 s\u00e3o demandas por rim. Em maio de 2020, foram feitos 294 transplantes renais. Ano passado, foram cerca de 500 no mesmo m\u00eas, quase 30% a mais:<\/p>\n<p>\u2014 S\u00e3o pessoas que v\u00e3o ter que continuar fazendo hemodi\u00e1lise, o que sobrecarrega ainda mais o sistema, j\u00e1 que, recebendo o \u00f3rg\u00e3o, elas liberariam vagas de di\u00e1lise pra outras pessoas. O Brasil tamb\u00e9m vive, h\u00e1 anos, no limite de ambulat\u00f3rios para hemodi\u00e1lise, com pessoas aguardando \u00e0s vezes meses para conseguir uma vaga.<\/p>\n<h2>Receio de receber rim durante a pademia<\/h2>\n<p>Para Everaldo Teodoro, de 54 anos, h\u00e1 20 deles enfrentando sess\u00f5es semanais de hemodi\u00e1lise, a possibilidade de ser chamado para realizar um transplante no meio da pandemia da Covid-19 tem assustado. O aposentado, que j\u00e1 recebeu um rim em 2005, mas viu seu corpo rejeit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ele afirma que, se um novo \u00f3rg\u00e3o for disponibilizado enquanto a crise no coronav\u00edrus n\u00e3o estiver controlada, ele n\u00e3o pensa em fazer a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 O que eu mais sonho \u00e9 ver o telefone tocar me chamando para transplantar, mas s\u00f3 que, na atual circunst\u00e2ncia, depois de tantos anos lutando para conseguir um \u00f3rg\u00e3o, eu tenho receio de ir para o hospital e ser contaminado. Quando fazemos um transplante, ficamos imunossuprimidos. Ent\u00e3o, estou com um certo medo, sim. Se me chamarem hoje, eu n\u00e3o gostaria de transplantar. Prefiro deixar esse momento passar. E este n\u00e3o \u00e9 um sentimento s\u00f3 meu, mas de outros amigos que est\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o \u2014 explica.<\/p>\n<p>Everaldo, que tem insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica e \u00e9 hipertenso, entrou novamente na fila do transplante novamente h\u00e1 dois anos. Enquanto n\u00e3o recebe um novo rim, ele faz di\u00e1lise tr\u00eas vezes por semana Cada sess\u00e3o dura quatro horas. Al\u00e9m do medo de contrair o novo coronav\u00edrus na opera\u00e7\u00e3o, ele tamb\u00e9m tem receio de se infectar quando sai de casa para se tratar. Morador do M\u00e9ier, na Zona Norte do Rio, ele pega um \u00f4nibus e o metr\u00f4 para chegar na cl\u00ednica onde faz di\u00e1lise em Botafogo, na Zona Sul da cidade.<\/p>\n<h2>Poss\u00edveis doadores n\u00e3o est\u00e3o sendo testados<\/h2>\n<p>As demais 1.937 pessoas que aguardam transplante de \u00f3rg\u00e3os essenciais \u00e0s suas sobreviv\u00eancias tamb\u00e9m vivem momento dram\u00e1tico. Outras 390 crian\u00e7as tamb\u00e9m est\u00e3o na fila.<\/p>\n<p>A pandemia e a baixa testagem nacional t\u00eam afetado o n\u00famero de doadores n\u00e3o vivos. Como quem teve Covid-19 n\u00e3o pode doar, agora \u00e9 necess\u00e1rio testar todas as pessoas que morrem no pa\u00eds. O problema, refor\u00e7a ele, \u00e9 que o pa\u00eds n\u00e3o tem testes o suficiente, deixando para tr\u00e1s poss\u00edveis doadores:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito preocupante porque estamos perdendo potenciais doadores, o que deixa o cen\u00e1rio de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o para o futuro. Teremos que fazer uma a\u00e7\u00e3o muito efetiva nacionalmente no segundo semestre e no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<h2>PCR passar\u00e1 a fazer parte do protocolo para transplantes<\/h2>\n<p>Para a entidade, o quadro pode aumentar a mortalidade de pessoas que est\u00e3o na fila \u00e0 espera de um \u00f3rg\u00e3o. O presidente da ABTO, o cirurgi\u00e3o Jos\u00e9 Huygens Garcia, tamb\u00e9m professor da Universidade Federal do Cear\u00e1, disse que, diante da nova realidade provocada pelo coronav\u00edrus, a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 reformulando o seus protocolos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos exames que j\u00e1 eram realizados nos doadores para detectar doen\u00e7as, incluindo o teste de HIV, o procedimento incluir\u00e1, na rotina, o exame RT-PCR (do ingl\u00eas<em>\u00a0reverse-transcriptase polymerase chain reaction<\/em>) para diagn\u00f3stico da Covid-19.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o se pode mais fazer retirada de \u00f3rg\u00e3os sem a testagem.A nossa esperan\u00e7a \u00e9 na redu\u00e7\u00e3o cada vez maior do tempo para detectar a presen\u00e7a do coronav\u00edrus e um n\u00famero maior de testes \u2014 explicou Huygens.<\/p>\n<p>Ele acredita que a situa\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar a melhorar a partir de agosto. O principal fator para que esse cen\u00e1rio se torne positivo \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o de leitos de UTI, essencial para o p\u00f3s-operat\u00f3rio de transplantados:<\/p>\n<p>\u2014 A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente em regi\u00f5es do pa\u00eds. No Sul, h\u00e1 o aumento do n\u00famero de casos de Covid. Enquanto isso, em locais como o Cear\u00e1, por exemplo, h\u00e1 a libera\u00e7\u00e3o desses leitos, o que pode possibilitar o retorno das cirurgias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo O n\u00famero de transplantes de \u00f3rg\u00e3os no Brasil caiu em mais de 40% desde o in\u00edcio da pandemia da Covid-19, e o de doadores recuou em 34%, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os (ABTO). 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