{"id":10581,"date":"2020-08-05T10:24:22","date_gmt":"2020-08-05T10:24:22","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=10581"},"modified":"2020-08-10T22:12:52","modified_gmt":"2020-08-10T22:12:52","slug":"sus-sob-pressao-em-abril-e-maio-mais-de-280-mil-pessoas-deixaram-planos-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/08\/05\/sus-sob-pressao-em-abril-e-maio-mais-de-280-mil-pessoas-deixaram-planos-de-saude\/","title":{"rendered":"SUS sob press\u00e3o: em abril e maio, mais de 280 mil pessoas deixaram planos de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Em abril, dois meses depois do in\u00edcio da epidemia de Covid-19 no Brasil, 67.460 pessoas deixaram a sa\u00fade suplementar no pa\u00eds. Em maio, outros 216.217 brasileiros interromperam seus planos de sa\u00fade. S\u00e3o, em sua maioria, pessoas que perderam seus empregos ou sofreram quedas bruscas nos rendimentos. Agora, contam apenas com o Sistema \u00danico de Sa\u00fade para seu atendimento m\u00e9dico e hospitalar. Mantida a tend\u00eancia de fuga dos planos, o SUS pode ficar sobrecarregado, apontam especialistas.<\/p>\n<div class=\"block__advertising block__advertising-in-text\">\n<div id=\"pub-in-text-1\" class=\"advertising advertising--teads outstream advertising--loaded\" data-oglobo-advertising-format=\"in-text\" data-oglobo-advertising-index=\"1\" data-google-query-id=\"CNvwyLTsg-sCFRUyuQYdTz0FKQ\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Caso os dados de junho sigam os de maio e mais 200 mil usu\u00e1rios fiquem sem plano, esse ter\u00e1 sido o pior trimestre da Hist\u00f3ria do pa\u00eds, de acordo com Jos\u00e9 Cechin, superintendente executivo do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS).<\/p>\n<p>\u2014 De fato, estamos numa crise. Isso vem acontecendo de forma importante desde abril e acelerou em maio: 216 mil a menos em um m\u00eas s\u00f3 \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o importante. Ainda n\u00e3o temos os dados de junho, mas tamb\u00e9m deve haver perda de benefici\u00e1rios, porque n\u00e3o houve retomada \u2014 afirma Cechin.<\/p>\n<p>Em maio, 37,8 milh\u00f5es de usu\u00e1rios (80,7% do total) tinham plano coletivo, dos quais 83% eram coletivos empresariais e 16,4%, coletivos por ades\u00e3o, formados por sindicatos e entidades de classe, por exemplo. O restante s\u00e3o planos individuais.<\/p>\n<p>O superintendente do IESS explica que a migra\u00e7\u00e3o para o SUS pode n\u00e3o ser total, porque uma parcela, tentando agilizar o tratamento, vai procurar cl\u00ednicas populares ou consultas particulares. No entanto, isso n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para atendimentos de emerg\u00eancia, cirurgias ou exames mais complexos: \u201cCom a sa\u00edda em massa dos planos, a maioria vai mesmo ter que ir para a fila do SUS e buscar atendimento em UPA\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 O SUS j\u00e1 atende 160 milh\u00f5es de pessoas e pode aumentar. Vamos ter uma enxurrada de pessoas que estavam na sa\u00fade complementar e v\u00e3o para o SUS. Essa migra\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo por conta da crise econ\u00f4mica \u2014 afirma o m\u00e9dico e deputado Hiran Gol\u00e7alves (PP-RR). \u2014 Por isso precisamos, no minist\u00e9rio, de pessoas que conhe\u00e7am o SUS e entendam de gest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>O professor do Departamento de Pol\u00edtica, Gest\u00e3o e Sa\u00fade da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP Gonzalo Vecina Neto considera que, a depender do cen\u00e1rio econ\u00f4mico e da reposta das operadoras, esse n\u00famero pode continuar crescendo para at\u00e9 4 ou 5 milh\u00f5es de pessoas, especialmente nas regi\u00f5es Sul e Sudeste, onde se concentram empresas com estrutura de recursos humanos.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o tenho d\u00favidas de que teremos um impacto grande. Mas n\u00e3o tem o que fazer, vai ser assim. As pessoas est\u00e3o saindo porque n\u00e3o conseguem pagar, a crise pegou todo mundo. Temos que melhorar o SUS, investir. \u00c9 mais um fator num sistema que est\u00e1 estressado pela epidemia, pelas filas que pararam e n\u00e3o foram atendidas. Vai implicar em mais fila e exigir reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o especialista, o primeiro passo seria reestruturar o sistema de agendamentos e consultas. Isso teria que ser encabe\u00e7ado por estados e munic\u00edpios, ao juntar as filas municipais e estaduais e gerenciar o agendamento para reduzir as faltas. As taxas de absten\u00e7\u00e3o a consultas, exames e interna\u00e7\u00f5es, de acordo com Vecina, chegam a 40%. A confirma\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a no dia anterior ao atendimento, via SMS ou WhatsApp, poderia ser uma grande ajuda.<\/p>\n<p>Para L\u00edgia Bahia, especialista em sa\u00fade p\u00fablica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por enquanto o SUS \u00e9 capaz de absorver os novos usu\u00e1rios. Caso a tend\u00eancia de migra\u00e7\u00e3o continue, por\u00e9m, o sistema todo sentiria o impacto:<\/p>\n<p>\u2014 O SUS tem que se preparar. Caso essa tend\u00eancia se confirme, isso passa a ser um problema porque o sistema n\u00e3o se expandiu durante a pandemia para atender a essas pessoas, n\u00e3o houve esse planejamento \u2014 diz ela, que critica a posi\u00e7\u00e3o das operadoras de planos. \u2014 Por que as empresas n\u00e3o diminu\u00edram mensalidades? N\u00f3s, pesquisadores em sa\u00fade, fizemos um documento propondo que n\u00e3o suspendessem plano de quem ficasse inadimplente na pandemia e que reduzissem as mensalidades, como v\u00e1rias outras atividades fizeram, perdoando pagamento em atraso.<\/p>\n<h2 align=\"left\">\u2018Todos t\u00eam acesso\u2019<\/h2>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) afirma, em nota, que \u201ctem discutido e implementado medidas para viabilizar o equil\u00edbrio do setor de forma que todos os atores (benefici\u00e1rios, prestadores e operadoras) permane\u00e7am no sistema durante a crise causada pela Covid-19. Num momento totalmente at\u00edpico como o que estamos vivendo, \u00e9 essencial o engajamento de todos os segmentos para a mitiga\u00e7\u00e3o das graves consequ\u00eancias da pandemia, e a reguladora tem envidado todos os esfor\u00e7os nesse sentido\u201d.<\/p>\n<p>Em nota, a diretora executiva da FenaSa\u00fade (entidade que representa as maiores operadoras do setor), Vera Valente, afirma que foi apresentada proposta para ampliar as modalidades de planos, para maior acesso. Com a chegada da pandemia, \u201cvoluntariamente, as operadoras suspenderam por tr\u00eas meses todos os reajustes de contratos de planos individuais, coletivos por ades\u00e3o e empresariais at\u00e9 29 vidas. Al\u00e9m disso, as operadoras buscam, caso a caso, negociar com os contratantes em situa\u00e7\u00e3o de adversidade\u201d. Valente diz, no entanto, que \u201co setor n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de suportar propostas que passem pela anistia \u00e0 inadimpl\u00eancia\u201d, pois s\u00e3o \u201crespons\u00e1veis por cerca de 90% do faturamento dos hospitais privados e 80% das receitas de laborat\u00f3rio de medicina diagn\u00f3stica\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade declarou, em nota, que o \u201cSUS \u00e9 um dos maiores sistemas de sa\u00fade p\u00fablica do mundo\u201d, com 160 milh\u00f5es de brasileiros usando exclusivamente o SUS para ter acesso aos servi\u00e7os. \u201cTodos t\u00eam direito de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, independente de possuir planos\u201d, diz a nota, \u201cAqueles que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 rede privada poder\u00e3o recorrer, assim, \u00e0 rede p\u00fablica.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Em abril, dois meses depois do in\u00edcio da epidemia de Covid-19 no Brasil, 67.460 pessoas deixaram a sa\u00fade suplementar no pa\u00eds. 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