{"id":10843,"date":"2020-08-24T11:55:15","date_gmt":"2020-08-24T11:55:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=10843"},"modified":"2020-08-31T21:37:52","modified_gmt":"2020-08-31T21:37:52","slug":"artigo-a-mulher-e-a-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/08\/24\/artigo-a-mulher-e-a-medicina\/","title":{"rendered":"ARTIGO: A mulher e a Medicina"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina<\/p>\n<p>por\u00a0<em><strong>Luciana Rodrigues Silva<\/strong>,\u00a0presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)<\/em><\/p>\n<p>Nunca o Brasil teve tantas mulheres preparadas para o exerc\u00edcio da Medicina. O aumento significativo da participa\u00e7\u00e3o feminina na profiss\u00e3o evidencia que elas, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, v\u00eam assumindo cada vez mais espa\u00e7o no universo da gradua\u00e7\u00e3o e no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O volume de mulheres que se gradua em Medicina, no Pa\u00eds, tem sido progressivamente superior ao de homens. O fen\u00f4meno se replica anualmente, desde 2009. \u00c9 o que alguns estudiosos do tema chamam de \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, as m\u00e9dicas j\u00e1 s\u00e3o cerca de 40% dos profissionais da Medicina que atendem a popula\u00e7\u00e3o brasileira. No ritmo acelerado registrado, em oito anos devem representar a mesma propor\u00e7\u00e3o dos homens nas estat\u00edsticas. Hoje, sem qualquer esfor\u00e7o extra, j\u00e1 respondem pela maioria entre os m\u00e9dicos com menos de 29 anos de idade e em 13 das 52 especialidades.<\/p>\n<p>Algumas dessas especialidades s\u00e3o as que concentram mais profissionais em termos absolutos. \u00c9 o caso da Pediatria, na qual cerca de 70% dos 43 mil pediatras s\u00e3o mulheres. Percentuais importantes de participa\u00e7\u00e3o feminina tamb\u00e9m s\u00e3o percebidos na Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade (54,2%), Cl\u00ednica M\u00e9dica (54%) e Ginecologia e Obstetr\u00edcia (51,5%).<\/p>\n<p>Esse movimento de \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d da Medicina n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio brasileiro. Levantamento realizado pela Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) revela que as mulheres passaram a ter maior representatividade na profiss\u00e3o em 30 pa\u00edses que integram esse bloco. Passaram de 28%, em 1990, para 38%, em 2005, do total de m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Contudo, essa pujan\u00e7a num\u00e9rica ainda n\u00e3o encontrou reflexo na mesma propor\u00e7\u00e3o em outros campos da atividade m\u00e9dica. Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em estudo publicado em 2019, mostram que um homem tem quatro vezes mais chances de estar no grupo dos profissionais melhor remunerados do que uma mulher.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, relata o mesmo estudo, as mulheres sofrem duplamente: primeiro pela dificuldade de estar entre aqueles que ocupam o alto do ranking salarial; depois por estarem comprimidas, sobretudo, no grupo de profissionais que possuem as menores faixas salariais. A an\u00e1lise realizada conclui que em torno de 80% das m\u00e9dicas est\u00e3o em categorias de renda de at\u00e9 R$ 12 mil ao m\u00eas.<\/p>\n<p>Mas as distor\u00e7\u00f5es de renda n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas que afetam as mulheres na Medicina. Elas tamb\u00e9m ocupam poucos cargos de gest\u00e3o nos servi\u00e7os p\u00fablicos e privados e na esfera de representa\u00e7\u00e3o de classe \u2013 conselhos, associa\u00e7\u00f5es e sociedades de especialidade \u2013 e ainda possuem, na sua maioria, um espa\u00e7o discreto, se levado em considera\u00e7\u00e3o seu peso demogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>As mulheres m\u00e9dicas ocupam, em m\u00e9dia, pouco espa\u00e7o em postos de comando de hospitais, cl\u00ednicas e outros estabelecimentos de sa\u00fade e, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, est\u00e3o nas presid\u00eancias e diretorias das principais entidades que comp\u00f5em o movimento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Entendo que \u00e9 hora de mudar esse cen\u00e1rio e ver cada vez mais mulheres dando sua importante contribui\u00e7\u00e3o para a defesa dos interesses da Medicina, dos m\u00e9dicos, dos pacientes e da popula\u00e7\u00e3o. Assim, poder\u00e3o influenciar com sua vis\u00e3o de mundo, forjada na experi\u00eancia, na solidariedade e no compromisso com o pr\u00f3ximo, debates e tomadas de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste momento, eu, Luciana Rodrigues Silva, e um grupo de outras mulheres nos apresentamos para ocupar essa lacuna com responsabilidade, paix\u00e3o e vontade de fazer a diferen\u00e7a, trazendo o olhar feminino como um diferencial.<\/p>\n<p>Por isso, pedimos a voc\u00ea, m\u00e9dica, e a voc\u00ea, m\u00e9dico, apoio na forma de um voto de confian\u00e7a na esperan\u00e7a de um tempo melhor para todos n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina por\u00a0Luciana Rodrigues Silva,\u00a0presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Nunca o Brasil teve tantas mulheres preparadas para o exerc\u00edcio da Medicina. 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