{"id":10886,"date":"2020-08-31T20:37:08","date_gmt":"2020-08-31T20:37:08","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=10886"},"modified":"2020-09-02T15:07:12","modified_gmt":"2020-09-02T15:07:12","slug":"a-importancia-de-divulgar-e-conscientizar-a-populacao-sobre-a-prevencao-do-cancer-colorretal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/08\/31\/a-importancia-de-divulgar-e-conscientizar-a-populacao-sobre-a-prevencao-do-cancer-colorretal\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia de divulgar e conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer colorretal"},"content":{"rendered":"<p>Desde 2015, a SOBED entrou na luta contra o c\u00e2ncer colorretal com a realiza\u00e7\u00e3o de mutir\u00f5es de exames de colonoscopia pelo Brasil. A iniciativa, inicialmente atrav\u00e9s da Comiss\u00e3o de Mutir\u00f5es e de Preven\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer Colorretal e depois pela Comiss\u00e3o de A\u00e7\u00f5es Sociais da SOBED Nacional, tem como objetivos divulgar e conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer colorretal,\u00a0com identifica\u00e7\u00e3o e tratamento de les\u00f5es pr\u00e9-cancerosas ou o c\u00e2ncer em fase precoce.<\/p>\n<p>Dr. Ronaldo Taam, ex-presidente da SOBED-RJ, participou de diversas edi\u00e7\u00f5es do mutir\u00e3o e diz que\u00a0os dados de incid\u00eancia e mortalidade do c\u00e2ncer de c\u00f3lon e reto (CCR) no Brasil s\u00e3o alarmantes, assim como a falta de divulga\u00e7\u00e3o e de conhecimento da doen\u00e7a, que apresenta mais de 40 mil casos novos por ano em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o 2\u00ba c\u00e2ncer mais frequente, tanto no homem quanto na mulher. As estimativas do INCA para 2020 demonstram um n\u00famero total de 41.010 casos novos, sendo 20.540 em homens (ultrapassando o c\u00e2ncer de traqueia, br\u00f4nquio e pulm\u00e3o) e 20.470 no sexo feminino (atr\u00e1s do c\u00e2ncer de mama), o que representa 9,1% e 9,2% de todas as neoplasias (exceto de pele n\u00e3o melanoma), respectivamente, em cada grupo. Mas, infelizmente, o Brasil n\u00e3o implantou ainda um programa nacional de preven\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer de c\u00f3lon e reto. Por isso, temos que encarar como um desafio: enfrentar as dificuldades, planejar, colocar em pr\u00e1tica as a\u00e7\u00f5es e corrigir as condutas sempre que necess\u00e1rio, fazendo o que \u00e9 poss\u00edvel\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico em fases mais avan\u00e7adas tamb\u00e9m acarreta pior progn\u00f3stico e maiores custos relacionados a procedimentos diagn\u00f3sticos e terap\u00eauticos (cirurgia, quimioterapia, radioterapia), como explica Dr. Ronaldo:<\/p>\n<p>\u201cExiste a preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, na qual orientamos sobre a alimenta\u00e7\u00e3o, o controle do peso corporal e a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica, e a preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, que consiste no rastreamento das les\u00f5es neopl\u00e1sicas.\u00a0Para tal, precisamos formar uma rede de colabora\u00e7\u00e3o ou uma for\u00e7a-tarefa, com a participa\u00e7\u00e3o de diversas especialidades com a endoscopia digestiva, gastroenterologia, coloproctologia, oncologia cl\u00ednica, cirurgias oncol\u00f3gica e abdominal, entre outras. Ao analisarmos a hist\u00f3ria natural do c\u00e2ncer de col\u00f3n, observamos que ele se encaixa perfeitamente nos crit\u00e9rios para que seja feito um rastreamento, o que consiste em identificar pessoas assintom\u00e1ticas dentro de uma popula\u00e7\u00e3o. Com o diagn\u00f3stico e o tratamento (atrav\u00e9s da polipectomia ou outro m\u00e9todo de ressec\u00e7\u00e3o) de uma les\u00e3o pr\u00e9-maligna, voc\u00ea pode mudar a hist\u00f3ria natural da doen\u00e7a. Os objetivos principais desse rastreamento s\u00e3o reduzir a incid\u00eancia e a mortalidade do c\u00e2ncer de c\u00f3lon e reto. Vemos todos os dias, nos hospitais e ambulat\u00f3rios, pacientes sem queixa alguma e que acham desnecess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o do exame. Entretanto, \u00e9 justamente nessa fase o melhor momento de diagnostica e tratar. Na grande maioria dos casos, a doen\u00e7a come\u00e7a como uma les\u00e3o neopl\u00e1sica n\u00e3o maligna, que \u00e9 o p\u00f3lipo adenomatoso ou serrilhado. Depois, quando o paciente passa a apresentar sinais e sintomas, como, por exemplo, sangramento digestivo ou altera\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito intestinal, isso j\u00e1 pode ser sinal de que a les\u00e3o esteja em est\u00e1gio avan\u00e7ado. Por isso, o benef\u00edcio para o paciente e para a sa\u00fade p\u00fablica que essa detec\u00e7\u00e3o seja precoce, com melhor progn\u00f3stico e menor custo do que o tratamento da doen\u00e7a em fase mais avan\u00e7ada.\u201d<\/p>\n<p>Os programas de rastreamento podem ser realizados de 2 modos:<\/p>\n<ul>\n<li>oportunista- quando h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico para um paciente individualmente, sendo oferecido o procedimento de colonoscopia, considerado como padr\u00e3o-ouro e;<\/li>\n<li>organizado- nesse caso a abordagem \u00e9 de uma grande popula\u00e7\u00e3o e h\u00e1 necessidade de uma sele\u00e7\u00e3o de pacientes. A maioria dos programas dessa categoria se baseia na pesquisa do sangue oculto nas fezes e na colonoscopia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Outra quest\u00e3o relevante \u00e9 a necessidade de testes de rastreamento eficazes no pa\u00eds. Hoje, o mais comum \u00e9 o teste da pesquisa do sangue oculto nas fezes, por\u00e9m, o mais recomendado seria a incorpora\u00e7\u00e3o do teste de sangue oculto pelo m\u00e9todo imuno-histoqu\u00edmico (FIT), o que \u00e9 raro no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cSe eu tenho um teste ruim, pode haver um resultado falso positivo e vou indicar uma colonoscopia em uma pessoa que n\u00e3o precisaria fazer, ou seja, ela vai se submeter a um exame invasivo, sem necessidade. Se, no entanto, o teste desse falso negativo, n\u00e3o seria feito o exame e o paciente poderia evoluir para um c\u00e2ncer. Ou seja, se vou selecionar uma popula\u00e7\u00e3o, eu tenho que ter um teste minimamente confi\u00e1vel. Uma vez com um teste positivo, a\u00ed sim partir\u00edamos para uma pr\u00f3xima etapa, que seria a colonoscopia. Diante disso, dependemos do endoscopista para realizar uma colonoscopia de qualidade, desde o preparo de c\u00f3lon at\u00e9 o exame completo, com a identifica\u00e7\u00e3o das les\u00f5es e a retirada precisa das mesmas. Vale lembrar que a colonoscopia \u00e9 um procedimento operador dependente e que novas tecnologias t\u00eam sido incorporadas no aux\u00edlio da detec\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o das les\u00f5es. Esse \u00e9 um programa organizado que depende muito do apoio do nosso sistema de sa\u00fade, o SUS, da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. N\u00f3s precisamos equipar os hospitais; qualificar, treinar e remunerar adequadamente os m\u00e9dicos, enfermeiros e todos os profissionais de sa\u00fade; garantir todo suporte cir\u00fargico e oncol\u00f3gico para os casos mais avan\u00e7ados e realizar esse acompanhamento de modo cont\u00ednuo\u201d, declara.<\/p>\n<p>No Brasil, \u00e9\u00a0recomendado\u00a0o rastreamento a partir dos 50\u00a0anos de idade. No entanto, Dr. Ronaldo relata que nos Estados Unidos come\u00e7aram a ser diagnosticados casos em faixas et\u00e1rias mais baixas e discute-se iniciar a partir de 45 anos. Essa atitude gerou bastante preocupa\u00e7\u00e3o e\u00a0aponta tamb\u00e9m para a import\u00e2ncia da avalia\u00e7\u00e3o de custo-efetividade, o que recentemente foi mostrado em um estudo da Universidade de Stanford. Estas an\u00e1lises s\u00e3o a chave para a obten\u00e7\u00e3o de melhores resultados com menores custos, ressalta:<\/p>\n<p>\u201cEssa an\u00e1lise \u00e9 usada para comparar estrat\u00e9gias de custos por ganho de ano de vida com qualidade. M\u00faltiplas an\u00e1lises de programas de rastreamento de CCR realizadas ao redor do mundo sugerem que diversas modalidades apresentaram-se com excelente rela\u00e7\u00e3o de custo-efetividade. Os limites s\u00e3o calculados pelo PIB per capita e dependem dos cen\u00e1rios e dos recursos dispon\u00edveis. Nos EUA, os limites seriam entre US$ 100,000-150,000 por ano de vida com qualidade ajustada e os estudos de programas de preven\u00e7\u00e3o mostram valores bem abaixo dos US$ 100,000. Esse mesmo estudo revelou um limite de US$ 25,000-50,000 para o Brasil, no mesmo grupo de pa\u00edses como o Reino Unido, Portugal, Rep\u00fablica Tcheca, Hungria e Cor\u00e9ia do Sul. Cada pa\u00eds deve fazer a sua an\u00e1lise e estabelecer os seus limites. No nosso continente, Uruguai, Chile, Paraguai est\u00e3o com seus programas organizados de redu\u00e7\u00e3o da mortalidade pelo c\u00e2ncer colorretal j\u00e1 em curso\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Uma proposta inicial para implanta\u00e7\u00e3o de um Programa Nacional de Preven\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer de C\u00f3lon e Reto j\u00e1 foi realizada pela C\u00e2mara T\u00e9cnica de Endoscopia Digestiva do CREMERJ, da qual Dr. Ronaldo faz parte. Foi encaminhado documento para a Secretaria de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a proposta enviada:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/PROPOSTA-INICIAL-PARA-IMPLANTAC\u0327A\u0303O-DE-UM-PROGRAMA-DE-PREVENC\u0327A\u0303O-DO-CA\u0302NCER-DE-CO\u0301LON-E-RETO-VIA-CT-ENDOSCOPIA-CREMERJ.doc\">PROPOSTA INICIAL PARA IMPLANTAC\u0327A\u0303O DE UM PROGRAMA DE PREVENC\u0327A\u0303O DO CA\u0302NCER DE CO\u0301LON E RETO VIA CT ENDOSCOPIA CREMERJ<\/a><\/p>\n<p>Dr. Ronaldo Taam \u00e9\u00a0fellow\u00a0da\u00a0Sociedade Americana\u00a0de Endoscopia Gastrointestinal (ASGE) e do Col\u00e9gio Americano de Gastroenterologia (ACG); membro titular da SOBED e FBG; ex-presidente da SOBED-RJ; e faz parte do staff do Servi\u00e7o de Endoscopia do Hospital Universit\u00e1rio Gaffr\u00e9e e Guinle (HUGG\/Unirio), onde tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela Resid\u00eancia M\u00e9dica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2015, a SOBED entrou na luta contra o c\u00e2ncer colorretal com a realiza\u00e7\u00e3o de mutir\u00f5es de exames de colonoscopia pelo Brasil. 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