{"id":11094,"date":"2020-10-11T11:12:41","date_gmt":"2020-10-11T11:12:41","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=11094"},"modified":"2020-10-14T00:15:12","modified_gmt":"2020-10-14T00:15:12","slug":"artigo-o-sus-que-ninguem-ve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/10\/11\/artigo-o-sus-que-ninguem-ve\/","title":{"rendered":"ARTIGO: O SUS que ningu\u00e9m v\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>por\u00a0Francisco Balestrin, presidente do Sindicato dos Hospitais, Cl\u00ednicas e Laborat\u00f3rios do Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Um economista franc\u00eas do s\u00e9culo XIX chamado Fr\u00e9d\u00e9ric Bastiat escreveu sobre uma fal\u00e1cia muito comum: aquilo que se v\u00ea e aquilo que n\u00e3o se v\u00ea. Bastiat usou o exemplo de um menino que quebra a janela da padaria. Se formos olhar somente pelo que se v\u00ea, vamos achar que o menino fez um bem \u00e0 sociedade. Afinal, o padeiro tem que contratar um vidraceiro para reparar a janela, e o vidraceiro, por sua vez, compra vidros de uma vidra\u00e7aria, que tamb\u00e9m tem seus fornecedores de mat\u00e9ria-prima e empregados. Assim, o vandalismo do menino parece ajudar a sustentar toda uma cadeia produtiva.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 aquilo que n\u00e3o se v\u00ea. O que teria acontecido se a janela n\u00e3o tivesse sido quebrada? O padeiro certamente teria usado os seus recursos para algo diferente \u2014 um novo forno, uma expans\u00e3o da padaria, al\u00e9m de manter a janela intacta. Assim, se focarmos na janela quebrada, perdemos um universo de possibilidades que est\u00e3o \u00e0 nossa frente.<\/p>\n<p>Com o SUS, frequentemente, ca\u00edmos nessa fal\u00e1cia. Ele parece uma janela quebrada. O que se v\u00ea, \u00e0s vezes, \u00e9 bastante perturbador. Todos j\u00e1 vimos e experimentamos descaso, filas, desperd\u00edcios, corrup\u00e7\u00e3o e os mais variados absurdos acontecendo cotidianamente. \u00c9 mais dif\u00edcil, entretanto, perceber aquilo que n\u00e3o se v\u00ea: como seria o nosso pa\u00eds se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos o SUS?<\/p>\n<p>Nesses 30 anos, a sa\u00fade brasileira deu um salto exponencial. Avan\u00e7amos e muito mais r\u00e1pido do que o resto do mundo. Nesses 30 anos, ganhamos mais de 10 de expectativa de vida. Nossos \u00edndices de mortalidade infantil reduziram-se em mais de 75%. O Brasil elevou os seus n\u00edveis de vacina\u00e7\u00e3o, combateu com efici\u00eancia a epidemia de HIV\/Aids, expandiu a cobertura de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e reduziu a menos da metade os \u00edndices de tabagismo.<\/p>\n<p>Num tempo com tantos desafios, a pandemia evidenciou o papel relevante do Sistema \u00danico de Sa\u00fade, que salvou a vida de milhares de brasileiros que n\u00e3o dispunham de planos de sa\u00fade. \u00c9 preciso sempre lutar para fortalecer um sistema de sa\u00fade p\u00fablico e cada vez mais inclusivo.<\/p>\n<p>Sem o SUS, a pandemia teria instalado o caos social, e o Estado contabilizaria um enorme preju\u00edzo, com muito mais vidas perdidas.<\/p>\n<p>O SUS tem muitos problemas. Mas, neste momento em que celebramos seus 30 anos, talvez seja a hora de nos lembrarmos daquilo que n\u00e3o vemos que ele fez por n\u00f3s. Das milh\u00f5es de crian\u00e7as que deixaram de morrer prematuramente, ou que poderiam ter contra\u00eddo p\u00f3lio ou sarampo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, que continuemos lutando por um SUS cada vez melhor. Precisamos de um SUS preparado para a era digital, um SUS que seja integrado com a sociedade e com o setor privado e que tenha foco fundamental em a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Isso n\u00e3o acontecer\u00e1 da noite para o dia \u2014levou 30 anos para chegarmos at\u00e9 aqui. Outros tantos ser\u00e3o necess\u00e1rios para transformarmos o SUS num sistema que nos encha de orgulho, tanto naquilo que se v\u00ea quanto naquilo que n\u00e3o se v\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo por\u00a0Francisco Balestrin, presidente do Sindicato dos Hospitais, Cl\u00ednicas e Laborat\u00f3rios do Estado de S\u00e3o Paulo Um economista franc\u00eas do s\u00e9culo XIX chamado Fr\u00e9d\u00e9ric Bastiat escreveu sobre uma fal\u00e1cia muito comum: aquilo que se v\u00ea e aquilo que n\u00e3o se v\u00ea. 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