{"id":11899,"date":"2021-03-08T11:13:48","date_gmt":"2021-03-08T11:13:48","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=11899"},"modified":"2021-03-08T23:01:31","modified_gmt":"2021-03-08T23:01:31","slug":"88-das-mortes-por-covid-19-acontecem-em-paises-com-altos-indices-de-obesidade-aponta-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2021\/03\/08\/88-das-mortes-por-covid-19-acontecem-em-paises-com-altos-indices-de-obesidade-aponta-relatorio\/","title":{"rendered":"88% das mortes por Covid-19 acontecem em pa\u00edses com altos \u00edndices de obesidade, aponta relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio lan\u00e7ado nesta quinta (4), Dia Mundial da Obesidade, mostra que 2,2 milh\u00f5es das mortes por\u00a0Covid-19\u00a0em todo o mundo, de um total de 2,5 milh\u00f5es, aconteceram em pa\u00edses com altos \u00edndices de\u00a0obesidade.<\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m revela que a taxa de mortalidade \u00e9 multiplicada por dez em pa\u00edses em que mais de 50% da\u00a0popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 acima do peso. Nenhum pa\u00eds com baixo \u00edndice de sobrepeso (at\u00e9 40%) tem alto \u00edndice de mortalidade \u2014ou seja, maior que 10 a cada 100 mil pessoas.<\/p>\n<p>Segundo dados coletados pelos pesquisadores em 1\u00ba de janeiro de 2021, o Brasil tinha 93 mortes por 100 mil pessoas e 56,5% da popula\u00e7\u00e3o com sobrepeso e 22,1% com obesidade. EUA, M\u00e9xico e It\u00e1lia, por exemplo, t\u00eam \u00edndices semelhantes. Nesta quinta (4), segundo dados do cons\u00f3rcio de ve\u00edculos de imprensa, a mortalidade est\u00e1 em 122 por 100 mil no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA taxa de obesidade no Brasil n\u00e3o est\u00e1 alta somente agora, mas tende a aumentar. Projetamos que em 2025 mais de 25% dos homens v\u00e3o ter obesidade, assim como 32% das mulheres. Precisamos agir imediatamente para tentar prevenir que crian\u00e7as comecem a desenvolver a doen\u00e7a e tratar os adultos que j\u00e1 t\u00eam obesidade no momento\u201d, diz Ol\u00edvia Cavalcanti, diretora cient\u00edfica e de programas da Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Obesidade, entidade que elaborou o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Para ela \u00e9 surpreendente que o Brasil tenha, mesmo com uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o acima de 65 anos (9,6%), tantas mortes por Covid-19. O \u00edndice \u00e9 pr\u00f3ximo da marca do Reino Unido, com 111 mortes por 100 mil habitantes, e que tem quase o dobro de idosos, 18,7%. As taxas de mortalidade foram obtidas a partir de dados da Universidade Johns Hopkins e as de sobrepeso e obesidade s\u00e3o da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Municial da Sa\u00fade).<\/p>\n<p>Pa\u00edses considerados bem-sucedidos no combate \u00e0 pandemia e proporcionalmente com poucos casos graves, como Jap\u00e3o (27,2%), Coreia do Sul (30%), Vietn\u00e3 (18%) e Singapura (32%) teriam se beneficiado do baixo \u00edndice de sobrepeso (valor entre par\u00eanteses), al\u00e9m de medidas como rastreamento de contatos e distanciamento social.<\/p>\n<p>\u201cA gente j\u00e1 sabia que existia uma associa\u00e7\u00e3o entre obesidade e risco de doen\u00e7a grave e morte, mas n\u00e3o estava claro que existia essa esp\u00e9cie de ponto de corte, a partir do qual esse risco aumenta tanto\u201d, afirma a endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente do departamento de obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).<\/p>\n<p>No Brasil, segundo o relat\u00f3rio, apesar de a elevada taxa de mortalidade por Covid-19 ser associada a falhas no controle sanit\u00e1rio e ao atraso da resposta do governo federal, a obesidade tamb\u00e9m pode estar desempenhando um papel importante.<\/p>\n<p>A dieta do brasileiro, que\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2020\/11\/isolamento-social-modificou-comportamento-alimentar-das-mulheres-brasileiras-revela-estudo.shtml\">piorou na pandemia<\/a>, com a maior participa\u00e7\u00e3o dos chamados alimentos ultraprocessados e de outros excessivamente cal\u00f3ricos e o baixo \u00edndice de atividade f\u00edsica regular, de apenas 15%, agrava esse quadro.<\/p>\n<p>Mesmo que o principal fator de risco para casos graves e mortes por Covid-19 seja a idade avan\u00e7ada, as\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2020\/11\/estudo-mostra-que-60-dos-brasileiros-deixaram-de-controlar-diabetes-na-pandemia.shtml\">doen\u00e7as cr\u00f4nicas<\/a>\u00a0tamb\u00e9m devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o nos planos nacionais de sa\u00fade, e inclusive nos de imuniza\u00e7\u00e3o, afirma Melo.<\/p>\n<p>No Brasil, apenas os obesos com IMC (\u00edndice de massa corp\u00f3rea, calculado com o peso dividido pelo quadrado da altura, expresso em kg\/m\u00b2) acima de 40 est\u00e3o entre aqueles a serem vacinados, junto com os que t\u00eam outras doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Melo argumenta que esse valor-limite idealmente deveria ser de 30, como adotado nos estados americanos de Nova York e do Texas.<\/p>\n<p>\u201cMas isso acarretaria um n\u00famero muito maior de vacinas, para imunizar cerca de 30 milh\u00f5es de brasileiros\u201d, pondera Melo. \u201cNuma hora dessas n\u00e3o h\u00e1 uma receita de bolo perfeita. O plano tem que ser aquele que \u00e9 mais vi\u00e1vel.\u201d Ela tamb\u00e9m alerta que pacientes obesos com Covid-19 em sua maior parte s\u00e3o jovens.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica para a liga\u00e7\u00e3o entre Covid-19 e obesidade est\u00e1 na inflama\u00e7\u00e3o. Por estar permanentemente em um estado inflamat\u00f3rio, o organismo da pessoa obesa tem seu funcionamento alterado. O sistema imunol\u00f3gico passa a despriorizar algumas linhas de defesa como a ativa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas NK, importantes no combate a infec\u00e7\u00f5es virais, explica Melo. Isso abre caminho para a\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2020\/10\/como-a-infeccao-do-coronavirus-progride-nos-desenhamos-para-voce.shtml\">doen\u00e7a se agravar.<\/a><\/p>\n<p>Para quem j\u00e1 est\u00e1 com obesidade, algumas dicas da endocrinologista: \u201c\u00c9 importante olhar o que se tem na dispensa e deixar ali apenas alimentos que v\u00e3o ajudar a manter a sa\u00fade. Aqueles que d\u00e3o mais prazer, deixar para o final de semana ou para um dia de festa. Idealmente \u00e9 melhor nem t\u00ea-los em casa. Tamb\u00e9m \u00e9 importante planejar as refei\u00e7\u00f5es. Com todo esse estresse, \u00e9 dif\u00edcil racionalizar para escolher os alimentos mais saud\u00e1veis. E tem que fazer atividade f\u00edsica, mesmo entre quatro paredes. A\u00ed vale usar a tecnologia a seu favor.\u201d<\/p>\n<p>Entre as frentes para se trabalhar no \u00e2mbito das pol\u00edticas p\u00fablicas, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Obesidade, al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o do acesso a tratamentos para a doen\u00e7a, est\u00e1 o investimento em a\u00e7\u00f5es para estimular o uso de transporte ativo (como bicicletas), a redu\u00e7\u00e3o da pobreza, a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o de qualidade e o consumo de alimentos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Claro, isso requer de dinheiro, mas vale a pena investir: segundo c\u00e1lculo do FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional), a pandemia pode causar uma perda de US$ 22 trilh\u00f5es (R$ 124 trilh\u00f5es) na economia global, por conta das mortes e do preju\u00edzo nas atividades at\u00e9 2025. Mais de um quarto desse total (US$ 6 trilh\u00f5es) estaria ligado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9-existentes, como sedentarismo e obesidade.<\/p>\n<p>Ou seja, o custo de n\u00e3o fazer nada \u00e9 alto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Um relat\u00f3rio lan\u00e7ado nesta quinta (4), Dia Mundial da Obesidade, mostra que 2,2 milh\u00f5es das mortes por\u00a0Covid-19\u00a0em todo o mundo, de um total de 2,5 milh\u00f5es, aconteceram em pa\u00edses com altos \u00edndices de\u00a0obesidade. 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