{"id":12536,"date":"2021-06-07T10:53:19","date_gmt":"2021-06-07T10:53:19","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=12536"},"modified":"2021-06-07T22:05:45","modified_gmt":"2021-06-07T22:05:45","slug":"uso-indiscriminado-de-antibiotico-em-pacientes-de-covid-19-acelera-surgimento-de-superbacterias-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2021\/06\/07\/uso-indiscriminado-de-antibiotico-em-pacientes-de-covid-19-acelera-surgimento-de-superbacterias-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Uso indiscriminado de antibi\u00f3tico em pacientes de Covid-19 acelera surgimento de superbact\u00e9rias, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus vai agravar o problema das chamadas &#8220;superbact\u00e9rias&#8221;, sugere um novo estudo, porque o uso indiscriminado de antibi\u00f3ticos em pacientes de Covid-19 impulsiona o surgimento de variantes bacterianas resistentes a tratamento. Isto ocorre porque as bact\u00e9rias que sobrevivem ao rem\u00e9dio se multiplicam passando para frente os genes que as fizeram resistir.<\/p>\n<p>Segundo o trabalho, criou-se no meio m\u00e9dico uma cultura de receitar essa classe de drogas (que combate bact\u00e9rias, n\u00e3o v\u00edrus) em grande parte dos casos da Covid-19, porque se acreditava que ocorriam infec\u00e7\u00f5es bacterianas paralelas, que agravariam muitos casos. Essas circunst\u00e2ncias existiram, afirmam os cientistas, mas em uma propor\u00e7\u00e3o muito menor do que se acreditava.<\/p>\n<p>Segundo a infectologista Ana Cristina Gales, coordenadora do comit\u00ea de resist\u00eancia bacteriana da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), no come\u00e7o da pandemia muitos m\u00e9dicos usaram seu conhecimento pr\u00e9vio sobre gripe \u2014 na qual os \u00edndices de coinfec\u00e7\u00e3o s\u00e3o altos \u2014 para tratar os pacientes com coronav\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>Trabalho analisou 48 mil pacientes<\/strong><\/p>\n<p>No novo estudo, conduzido por um pool de universidades brit\u00e2nicas, verificou-se que cerca de 13% dos pacientes de Covid-19 t\u00eam de fato coinfec\u00e7\u00e3o com alguma bact\u00e9ria, mas antibi\u00f3ticos estavam sendo receitados para um propor\u00e7\u00e3o muito maior. Uma parcela de 37% daqueles avaliados tomaram alguma droga dessa classe para tratamento de casos leves, e entre os hospitalizados a taxa foi de 85%.\u00a0O uso antibi\u00f3tico foi maior durante mar\u00e7o e abril de 2020, mas caiu durante maio.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o descrita no estudo, publicado na revista m\u00e9dica The Lancet Microbe, partiu de um trabalho com mais de 48 mil pacientes, apenas no Reino Unido, mas tem implica\u00e7\u00f5es globais, dizem os autores.<\/p>\n<p>Em outubro de 2015, a OMS lan\u00e7ou o Sistema Global de Vigil\u00e2ncia Antimicrobiana (GLASS) para monitorar a resist\u00eancia bacteriana a antibi\u00f3ticos. No \u00faltimo relat\u00f3rio, publicado em 2018, com informa\u00e7\u00f5es de 22 pa\u00edses, mostrou que a propor\u00e7\u00e3o\u00a0de bact\u00e9rias resistentes a pelo menos um dos antibi\u00f3ticos mais usados apresentou uma enorme varia\u00e7\u00e3o entre os diferentes pa\u00edses, indo de zero a 82%. A resist\u00eancia \u00e0 penicilina, rem\u00e9dio usado\u00a0h\u00e1 d\u00e9cadas para tratar a pneumonia, chegou a ter 51%.<\/p>\n<p>Antonia Ho, infectologista da Universidade de Glasgow que liderou o trabalho, afirma que \u00e9 preciso criar diretrizes internacionais para o tratamento de Covid-19 e vincular a prescri\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos e antimicrobianos de amplo espectro (que combatem uma gama variada de bact\u00e9rias) \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o da coinfec\u00e7\u00e3o nos pacientes. Na opini\u00e3o da m\u00e9dica, por\u00e9m, isso precisa ser feito sem um \u00edmpeto punitivo em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9dicos que vinham fazendo uso generalizado dos antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>&#8220;Em qualquer avalia\u00e7\u00e3o sobre o uso destes antimicrobianos no tratamento de pacientes com Covid-19, \u00e9 essencial reconhecer que cl\u00ednicos no Reino Unido e no mundo est\u00e3o lutando contra uma emerg\u00eancia m\u00e9dica global&#8221;, escreveu a m\u00e9dica, em comunicado \u00e0 imprensa. &#8220;Dados os desafios sem precedentes apresentados pela pandemia, n\u00e3o era surpresa que os m\u00e9dicos iriam prescrever antibi\u00f3ticos, particularmente nos primeiros meses da pandemia, quando pacientes eram internados muito doentes, os tratamentos eficazes eram limitados, e o poss\u00edvel papel de coinfec\u00e7\u00f5es era desconhecido.&#8221;<\/p>\n<p>Com base em seus resultados, os autores recomendam\u00a0restringir a prescri\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos sem um diagn\u00f3stico confirmado de coinfec\u00e7\u00e3o, assim como\u00a0escolher o medicamento mais espec\u00edfico, quando necess\u00e1rio, para pat\u00f3genos prov\u00e1veis e padr\u00f5es de resist\u00eancia locais, al\u00e9m de encorajar os m\u00e9dicos a interromper o rem\u00e9dio se a co-infec\u00e7\u00e3o for considerada improv\u00e1vel e os testes confirmarem que os pacientes n\u00e3o t\u00eam uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana. A indica\u00e7\u00e3o de uso deve ser apenas quando for confirmada a coinfec\u00e7\u00e3o ou a infec\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, aquela que ocorre dentro do hospital em decorr\u00eancia dos procedimentos m\u00e9dicos para tratar a s\u00edndrome respirat\u00f3ria grave.<\/p>\n<p>\u2014 Se o m\u00e9dico mant\u00e9m o antibi\u00f3tico desde que o paciente \u00e9 diagnosticado com Covid-19, ocorre uma sele\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias resistentes. E, na hora de tratar a infec\u00e7\u00e3o que pode ocorrer na interna\u00e7\u00e3o, ela tem chance de ser causada por uma bact\u00e9ria resistente. A\u00ed, ser\u00e1 necess\u00e1rio o uso de antibi\u00f3tico de espectro ampliado. E vira uma bola de neve, porque quanto mais se amplia, mais a bact\u00e9ria vai se adaptando e ficando mais resistente \u2014 alerta Gales.<\/p>\n<p>Um dos antibi\u00f3ticos para os quais os pesquisadores alertam abuso no estudo \u00e9 a azitromicina. No caso do Brasil, o uso indiscriminado dessa droga pode vir a se mostrar particularmente preocupante, porque ela fazia parte do &#8220;kit de tratamento precoce&#8221; para a Covid-19\u00a0que o governo federal patrocinou at\u00e9 recentemente.<\/p>\n<p>\u2014 Quando temos infec\u00e7\u00f5es do trato respirat\u00f3rio comunit\u00e1rias (que acontecem fora dos hospitais), como pneumonias, otite m\u00e9dia, amigdalite, usamos o macrol\u00eddeo (grupo do qual a azitromicina faz parte) como op\u00e7\u00e3o de tratamento. Diferentemente dos Estados Unidos, no qual a taxa de resist\u00eancia a este tipo de rem\u00e9dio \u00e9 alta e ele n\u00e3o \u00e9 mais usado para estas doen\u00e7as, no Brasil nossa \u00e9 baixa. Minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9: ser\u00e1 que ap\u00f3s a pandemia, ainda poderemos utilizar a azitromicina para tratar estes tipos de doen\u00e7a no nosso pa\u00eds como utiliz\u00e1vamos antes? Muito provavelmente, n\u00e3o. Teremos um impacto (no sentido de gerar resist\u00eancia) n\u00e3o apenas nas bact\u00e9rias que est\u00e3o dentro do hospital, mas provavelmente tamb\u00e9m na comunidade \u2014 afirma Gales.<\/p>\n<p>A especialista explica que existem trabalhos experimentais que mostram que azitromicina inibe, in vitro, a replica\u00e7\u00e3o de v\u00edrus. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outros estudos que mostram que antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos conseguem regular a resposta imunol\u00f3gica do corpo humano.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Ent\u00e3o, muitas vezes, quem quis prescrever a azitromicina para a Covid era contando\u00a0que,\u00a0teoricamente, (o rem\u00e9dio) criaria uma imunomodula\u00e7\u00e3o, iria regular a resposta imune do paciente \u00e0 presen\u00e7a do v\u00edrus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo A pandemia do novo coronav\u00edrus vai agravar o problema das chamadas &#8220;superbact\u00e9rias&#8221;, sugere um novo estudo, porque o uso indiscriminado de antibi\u00f3ticos em pacientes de Covid-19 impulsiona o surgimento de variantes bacterianas resistentes a tratamento. 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