{"id":13538,"date":"2022-01-23T10:09:28","date_gmt":"2022-01-23T10:09:28","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=13538"},"modified":"2022-01-27T18:50:18","modified_gmt":"2022-01-27T18:50:18","slug":"artigo-inteligencia-artificial-na-saude-pros-e-contras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2022\/01\/23\/artigo-inteligencia-artificial-na-saude-pros-e-contras\/","title":{"rendered":"ARTIGO: Intelig\u00eancia artificial na sa\u00fade \u2013 pr\u00f3s e contras"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Medscape<\/p>\n<p>por\u00a0Nath\u00e1lia Nunes, fonoaudi\u00f3loga, especialista em inova\u00e7\u00e3o aplicada ao mercado de sa\u00fade, e N\u00e9lio Borrozzino, Clinical Intelligence Scientist Senior na Prontmed<\/p>\n<p>Vivemos em uma sociedade com constantes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e, n\u00e3o diferente das demais, a \u00e1rea da sa\u00fade se beneficia de toda a tecnologia que chega a cada ano. Em hospitais, cl\u00ednicas e onde quer que o m\u00e9dico esteja, conte\u00fados digitalizados e computadores j\u00e1 s\u00e3o uma realidade inevit\u00e1vel para a ci\u00eancia m\u00e9dica. Entre pr\u00f3s e contras de sua utiliza\u00e7\u00e3o, essas tecnologias acabam facilitando servi\u00e7os que antes eram realizados manualmente e exclusivamente por humanos.<\/p>\n<p>Nesse mundo computadorizado, o desenvolvimento constante de\u00a0<em>softwares<\/em>, o avan\u00e7o da linguagem de programa\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o dos algoritmos computacionais contribu\u00edram para que computadores pudessem agir, pensar e aprender nos mesmos moldes (ou de forma muito parecida) com as suas respectivas a\u00e7\u00f5es humanas. Dentro da ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, chamamos o desenvolvimento desses algoritmos, capazes de simular as capacidades humanas, de intelig\u00eancia artificial (IA), e o fato de aprender conforme sua utiliza\u00e7\u00e3o, de\u00a0<em>deep learning<\/em>.<\/p>\n<p>J\u00e1 na \u00e1rea da sa\u00fade, o uso de IA ainda n\u00e3o esgotou (e est\u00e1 longe de esgotar) suas possibilidades pr\u00e1ticas. Dentro do uso m\u00e9dico, h\u00e1 algumas \u00e1reas que j\u00e1 se beneficiam dessa tecnologia, principalmente em an\u00e1lise de imagens m\u00e9dicas, na radiologia e na constru\u00e7\u00e3o de sistemas de\u00a0suporte \u00e0 decis\u00e3o cl\u00ednica. Nesse sentido, Lobo (2017) exemplifica um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbem\/a\/f3kqKJjVQJxB4985fDMVb8b\/?lang=pt\">estudo na \u00e1rea de an\u00e1lise de imagens<\/a>\u00a0no qual um sistema de IA identificou corretamente 72% das imagens com les\u00f5es de pele, enquanto dermatologistas qualificados identificaram apenas 66% das imagens. Os pesquisadores ent\u00e3o aumentaram o n\u00famero de imagens e de m\u00e9dicos envolvidos, e a m\u00e1quina continuou a acertar mais. Mas o que isso demonstra? A medicina ent\u00e3o ser\u00e1, num futuro pr\u00f3ximo, substitu\u00edda por computadores capazes de tomar decis\u00f5es? Mesmo pensando em um cen\u00e1rio cinematogr\u00e1fico, no qual as m\u00e1quinas dominam as decis\u00f5es humanas, acreditamos que a resposta ainda seja \u201cn\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A capacidade de processar milhares de imagens simultaneamente e aprender a identificar aspectos que, aos olhos humanos, demorariam muito mais tempo para serem percebidos \u2013 o que foi demonstrado no estudo citado anteriormente \u2013 n\u00e3o substitui o contato m\u00e9dico-paciente e a capacidade de aliviar ang\u00fastias ou, at\u00e9 mesmo, os dados subjetivos desse encontro. Trata-se, dessa forma, de somar o cuidado humano inerente \u00e0 profiss\u00e3o a tecnologias que otimizem as limita\u00e7\u00f5es do ser humano, como trabalhar com enormes volumes de dados simultaneamente em quest\u00e3o de segundos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, existe a possibilidade de o computador enxergar padr\u00f5es nesses dados (que podemos chamar de\u00a0<em>big data<\/em>\u00a0aqui) e criar correla\u00e7\u00f5es que, dentro das nossas vis\u00f5es, n\u00e3o poderiam ser analisadas ou vistas. Nesse sentido, a IA conseguiria criar modelos preditivos para a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as ou agravos do paciente.<\/p>\n<p>A seguir, conversamos com um especialista no assunto, Dr. Alexandre Vieira,\u00a0<em>Chief Medical Officer\u00a0<\/em>na\u00a0<em>Funcional Health Tech<\/em>, para entender como o uso de IA pode impactar a rotina de m\u00e9dicos e pacientes.<\/p>\n<p><b><em>Data driven care<\/em><\/b><\/p>\n<p>A partir do momento que utilizamos informa\u00e7\u00f5es para a tomada de decis\u00e3o em sa\u00fade, como, por exemplo, em modelos de remunera\u00e7\u00e3o baseados em pr\u00e1ticas assistenciais (a base para medicina baseada em valor), a interpreta\u00e7\u00e3o de dados e a intelig\u00eancia artificial se tornam cada vez mais relevantes.<\/p>\n<p>&#8220;O apoio da IA para compreens\u00e3o do conte\u00fado do\u00a0prontu\u00e1rio eletr\u00f4nico\u00a0\u00e9 fundamental para entendermos padr\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o em sa\u00fade com dados de vida real. A partir deles, podemos entender como se comportam diferentes\u00a0<em>clusters\u00a0<\/em>de pacientes, ou seja, quem s\u00e3o os pacientes que respondem melhor a um tipo espec\u00edfico de tratamento, qual o n\u00edvel aceit\u00e1vel de altera\u00e7\u00e3o de exames laboratoriais para cada doen\u00e7a, quais exames e com que frequ\u00eancia devem ser solicitados e, at\u00e9 mesmo, quando s\u00e3o necess\u00e1rias visitas mais frequentes ao m\u00e9dico. Essas informa\u00e7\u00f5es podem trazer uma nova perspectiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 protocolos cl\u00ednicos e linhas de cuidado, mostrando, de fato, o que agrega valor aos pacientes&#8221;, comentou o Dr. Alexandre.<\/p>\n<p><b>Suporte \u00e0 decis\u00e3o cl\u00ednica<\/b><\/p>\n<p>Quando falamos de suporte \u00e0 decis\u00e3o cl\u00ednica, um uso bastante evidente \u00e9 o diagn\u00f3stico baseado em imagens em uma variedade de especialidades, como a oftalmologia, a dermatologia e a oncologia. A perspectiva, por\u00e9m, \u00e9 de que, cada vez mais, a intelig\u00eancia artificial seja um apoio para o processo de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante dizer que este tipo de tecnologia apoia o m\u00e9dico no processo diagn\u00f3stico. No caso de imagens, a IA enxerga melhor os\u00a0<em>pixels<\/em>\u00a0do que o olhar do m\u00e9dico, mas ainda n\u00e3o tem capacidade de processar de forma conjunta todo o contexto cl\u00ednico e o hist\u00f3rico do paciente, suas queixas, sua\u00a0anamnese\u00a0completa&#8221;, enfatizou o Dr. Alexandre.<\/p>\n<p>O trabalho do m\u00e9dico \u00e9 essencial para contextualizar a informa\u00e7\u00e3o de forma cr\u00edtica, mas o apoio da tecnologia pode otimizar e diminuir o tempo para o diagn\u00f3stico, al\u00e9m de promover triagem populacional em regi\u00f5es com restri\u00e7\u00e3o de acesso a especialistas. Segundo o Dr. Alexandre, \u201cem vez de procurar por uma agulha no palheiro, passamos a procurar a agulha em uma x\u00edcara de ch\u00e1\u201d.<\/p>\n<p><b>Empoderamento do paciente<\/b><\/p>\n<p>Acesso e utiliza\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos preditores de sa\u00fade das pessoas. Os determinantes sociais de sa\u00fade envolvem comportamento, aspectos socioecon\u00f4micos e condi\u00e7\u00f5es de moradia, por exemplo.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es de diferentes fontes e contextos podem mostrar o quanto aspectos sociais e comportamentais t\u00eam impacto na sa\u00fade das pessoas. \u201cA expectativa de vida \u00e9 diferente de acordo com a regi\u00e3o onde se nasceu. O comportamento em redes sociais, os padr\u00f5es de consumo (mensurados a partir de cart\u00e3o de cr\u00e9dito), a realiza\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios f\u00edsicos (mensurados pela internet das coisas), entre outros, s\u00e3o fatores que, com certeza, t\u00eam impacto nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade das pessoas. S\u00f3 conseguiremos entender as rela\u00e7\u00f5es entre esses dados com apoio de intelig\u00eancia artificial&#8221;, enfatizou o especialista.<\/p>\n<p><b>Desfecho cl\u00ednico<\/b><\/p>\n<p>A IA \u00e9 um processo de otimiza\u00e7\u00e3o, que pode apoiar o profissional de sa\u00fade em momentos de incerteza diagn\u00f3stica. Para o Dr. Alexandre, o profissional de sa\u00fade que se apoiar em algoritmos para tomada de decis\u00e3o vai acertar mais do que errar e garantir maior seguran\u00e7a para seus pacientes.<\/p>\n<p><b>Seguran\u00e7a e privacidade de dados<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 importante considerar a<a href=\"https:\/\/www.prontmed.com\/blog\/o-que-e-lgpd\/\">\u00a0Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD<\/a>) e todas as regulamenta\u00e7\u00f5es no processo de implementa\u00e7\u00e3o da medicina baseada em dados. Aspectos relacionados a<a href=\"https:\/\/www.prontmed.com\/blog\/prontuario-do-paciente\/\">\u00a0seguran\u00e7a<\/a>\u00a0e privacidade de dados dos pacientes ser\u00e3o cada vez mais cobrados das institui\u00e7\u00f5es e dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Medscape por\u00a0Nath\u00e1lia Nunes, fonoaudi\u00f3loga, especialista em inova\u00e7\u00e3o aplicada ao mercado de sa\u00fade, e N\u00e9lio Borrozzino, Clinical Intelligence Scientist Senior na Prontmed Vivemos em uma sociedade com constantes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e, n\u00e3o diferente das demais, a \u00e1rea da sa\u00fade se beneficia de toda a tecnologia que chega a cada ano. 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