{"id":1359,"date":"2015-10-14T09:43:09","date_gmt":"2015-10-14T09:43:09","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1359"},"modified":"2015-10-19T13:26:55","modified_gmt":"2015-10-19T13:26:55","slug":"pesquisa-diz-que-54-dos-brasileiros-reprovam-o-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/10\/14\/pesquisa-diz-que-54-dos-brasileiros-reprovam-o-sus\/","title":{"rendered":"Pesquisa diz que 54% dos brasileiros reprovam o SUS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1360\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/fila-hospital-servidores-1024x445.jpg\" alt=\"fila-hospital-servidores\" width=\"640\" height=\"278\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Uma pesquisa do Datafolha mostra que 93% dos entrevistados est\u00e3o insatisfeitos com a sa\u00fade no Brasil. E que 54% classificam como p\u00e9ssimo ou ruim o servi\u00e7o prestado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Para 18%, o SUS merece nota zero. Encomendado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o levantamento indica que a Sa\u00fade deve ser a prioridade n\u00famero 1 do governo, segundo 43% das pessoas ouvidas. Em segundo lugar aparece a Educa\u00e7\u00e3o, apontada por 27% dos entrevistados, seguida do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, na opini\u00e3o de 10% dos participantes.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 12 de agosto, com pessoas com mais de 16 anos de todas as classes econ\u00f4micas. A amostra \u00e9 representativa da popula\u00e7\u00e3o, com 2.069 entrevistados em 135 munic\u00edpios nas 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o. Desse total, 83% s\u00e3o usu\u00e1rios do SUS \u2014 ou seja, procuraram o servi\u00e7o nos \u00faltimos dois anos para obter atendimento ou medicamento pelo menos uma vez.<\/p>\n<p>Entre os usu\u00e1rios do SUS, 54% deram nota de 0 a 6 e 46%, de 7 a 10. No primeiro grupo, 36% apontaram o tempo de espera como o maior problema, seguido da pouca quantidade de m\u00e9dicos dispon\u00edveis (19%) e da falta de estrutura dos locais de atendimento (15%).<\/p>\n<p>Do total de entrevistados, 29% relataram que est\u00e3o aguardando a marca\u00e7\u00e3o ou a realiza\u00e7\u00e3o de consulta, exame, procedimento ou cirurgia. A demora chega a at\u00e9 seis meses para 58% das pessoas que est\u00e3o na fila de espera. E passa de um ano para 25% dessa popula\u00e7\u00e3o. A lentid\u00e3o aumentou em rela\u00e7\u00e3o a 2014, quando o tempo na fila ultrapassava um ano em 16% dos casos.<\/p>\n<p>\u2014 O problema maior \u00e9 o tempo de espera: 80% dos que aguardam atendimento est\u00e3o na fila h\u00e1 mais de um m\u00eas, o que significa, em muitos casos, a piora da condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade ou a morte \u2014 afirma M\u00e1rio Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>ESPERA POR DIAGN\u00d3STICO<\/p>\n<p>O ajudante de caminh\u00e3o Andr\u00e9 Luiz de Souza, de 32 anos, est\u00e1 h\u00e1 cerca de tr\u00eas meses \u00e0 espera de um diagn\u00f3stico. Sem aguentar as dores, ele pagou pelos exames, mas h\u00e1 quatro dias, quando voltou a ter crises na lombar e na virilha, teve de voltar ao hospital.<\/p>\n<p>\u2014 Estava me tratando como se tivesse pedras nos rins, mas desde sexta-feira estou sem saber o que tenho. Varei a noite de sexta para s\u00e1bado esperando um urologista, porque n\u00e3o havia nenhum de plant\u00e3o no hospital. E tive de trazer comigo minha esposa e meu filho de seis meses \u2014 contou Andr\u00e9.<\/p>\n<p>O presidente do CFM, Carlos Vital, atribui a demora no atendimento \u00e0 falta de profissionais:<\/p>\n<p>\u2014 As condi\u00e7\u00f5es de trabalho geram atendimento mais lento e, consequentemente, a maior espera do paciente.<\/p>\n<p>Quanto mais sofisticado o procedimento requerido, maior a espera. A demora aumenta em cirurgias e tratamentos espec\u00edficos, que exigem aparelhos caros \u2014 como hemodi\u00e1lise, quimioterapia e radioterapia. Entre os que aguardam algum atendimento h\u00e1 mais de um ano, 44% precisam de cirurgia.<\/p>\n<p>Para a doutora em sa\u00fade p\u00fablica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), L\u00edgia Bahia, o levantamento confirma uma tend\u00eancia:<\/p>\n<p>\u2014 Outras pesquisas j\u00e1 vinham mostrando que a popula\u00e7\u00e3o aprova programas de distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos, por exemplo, mas avalia negativamente os procedimentos mais complexos.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da especialista, o momento atual da Sa\u00fade, com a dificuldade or\u00e7ament\u00e1ria e as negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sugere que a insatisfa\u00e7\u00e3o pode se agravar.<\/p>\n<p>\u2014 Os resultados mostram que os problemas n\u00e3o foram resolvidos. E, de certa forma, est\u00e3o at\u00e9 mais agravados, com a dificuldade de financiamento e o cen\u00e1rio pol\u00edtico, de barganha do minist\u00e9rio pela falta de um plano nacional de sa\u00fade \u2014 afirma L\u00edgia.<\/p>\n<p>PROFISSIONAIS BEM AVALIADOS<\/p>\n<p>O presidente do CFM afirmou que nos \u00faltimos 12 anos o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade deixou de utilizar R$ 171 bilh\u00f5es do or\u00e7amento, que j\u00e1 estavam autorizados e dispon\u00edveis. E criticou a justificativa usada pela pasta, de que estados e munic\u00edpios n\u00e3o apresentam projetos:<\/p>\n<p>\u2014 A capacita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cabe \u00e0 Uni\u00e3o fazer. Se h\u00e1 dificuldade na elabora\u00e7\u00e3o do projeto, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar junto, fazer uma capacita\u00e7\u00e3o dos agentes p\u00fablicos, para que os projetos apare\u00e7am e o dinheiro seja utilizado.<\/p>\n<p>Os profissionais de sa\u00fade do SUS foram relativamente bem avaliados. Entre os entrevistados, 61% confiam nos m\u00e9dicos que atendem pelo sistema, 93% dizem que os m\u00e9dicos precisam de estrutura de trabalho para oferecer atendimento e 86% afirmam que os m\u00e9dicos do SUS merecem ser valorizados, com sal\u00e1rio e est\u00edmulos de carreira.<\/p>\n<p>Embora a Sa\u00fade ainda seja considerada a prioridade para a maior parte dos entrevistados, o percentual de quem faz essa avalia\u00e7\u00e3o caiu de 57%, em pesquisa de 2014, para 43%. Por outro lado, aumentou a preocupa\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o e a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou, por meio de nota, que n\u00e3o teve acesso \u00e0 pesquisa, mas destacou que tem investido em toda a rede, principalmente na Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. O investimento na \u00e1rea, segundo a pasta, passou de R$ 9,7 bilh\u00f5es em 2010 para R$ 20 bilh\u00f5es em 2014. Na rede, s\u00e3o 40.749 Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) \u2014 \u201cestruturas capazes de resolver em at\u00e9 80% os problemas de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, ajudando a desafogar os hospitais gerais\u201d.<\/p>\n<p>A pasta tamb\u00e9m destacou investimentos em 412 Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) e 39.227 equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, al\u00e9m de programas como \u201cFarm\u00e1cia Popular do Brasil\u201d e \u201cAqui Tem Farm\u00e1cia Popular\u201d, al\u00e9m dos sistemas de m\u00e9dia e alta complexidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Uma pesquisa do Datafolha mostra que 93% dos entrevistados est\u00e3o insatisfeitos com a sa\u00fade no Brasil. E que 54% classificam como p\u00e9ssimo ou ruim o servi\u00e7o prestado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Para 18%, o SUS merece nota zero. 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