{"id":1364,"date":"2015-10-14T10:09:57","date_gmt":"2015-10-14T10:09:57","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1364"},"modified":"2015-10-14T10:09:57","modified_gmt":"2015-10-14T10:09:57","slug":"elefantes-podem-ajudar-a-criar-novas-drogas-contra-o-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/10\/14\/elefantes-podem-ajudar-a-criar-novas-drogas-contra-o-cancer\/","title":{"rendered":"Elefantes podem ajudar a criar novas drogas contra o c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1365\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/elefante-300x209.jpeg\" alt=\"elefante\" width=\"300\" height=\"209\" \/>fonte: The NY Times<\/p>\n<p>Em 1977, o estat\u00edstico da Universidade de Oxford Richard Peto apontou um fato simples por\u00e9m intrigante da biologia: n\u00f3s humanos dever\u00edamos ter c\u00e2ncer com muito mais frequ\u00eancia que os camundongos, mas n\u00e3o temos.<\/p>\n<p>O seu argumento era simples. Toda vez que uma c\u00e9lula se divide, h\u00e1 uma pequena chance de ela ganhar uma muta\u00e7\u00e3o. C\u00e9lulas que acumulam essas muta\u00e7\u00f5es podem se tornar cancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>Quanto maior um animal, mais c\u00e9lulas ele tem. Quanto mais ele vive, mais essas c\u00e9lulas se dividem. N\u00f3s humanos passamos por cerca de 10 mil vezes mais divis\u00f5es celulares do que os camundongos -dever\u00edamos ter mais c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Mas humanos e camundongos t\u00eam mais ou menos a mesma chance de ter c\u00e2ncer ao longo da vida, algo que se tornou conhecido como o paradoxo de Peto.<\/p>\n<p>Cientistas especulam que animais grandes e que vivem bastante devem ter desenvolvido um arsenal extra contra o c\u00e2ncer. Caso contr\u00e1rio, essas esp\u00e9cies teriam sido extintas.<\/p>\n<p>&#8220;Todo beb\u00ea elefante deveria cair morto com c\u00e2ncer de c\u00f3lon aos tr\u00eas anos&#8221;, diz Joshua Schiffman, um oncologista pedi\u00e1trico da Universidade de Utah.<\/p>\n<p>Em artigo para o Jama, revista cient\u00edfica da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Americana, Schiffman e colegas mostram que os elefantes parecem ser excepcionais na luta contra o c\u00e2ncer, usando prote\u00ednas especiais para matar as c\u00e9lulas danificadas por ele.<\/p>\n<p>De modo independente, a equipe de Vicent Lynch, bi\u00f3logo evolucionista na Universidade de Chicago, chegou \u00e0 mesma conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Schiffman e companhia mostraram que, de 664 mortes da elefantes em zool\u00f3gicos analisadas, apenas 5% tinham morrido de c\u00e2ncer. (Em contraste, 15,6% dos brasileiros morrem de c\u00e2ncer -e o valor n\u00e3o para de crescer-, mesmo com os elefantes pesando muito mais.)<\/p>\n<p>O gene que parece defender os elefantes se chama p53. A prote\u00edna codificada por esse gene monitora danos no DNA das c\u00e9lulas e, em alguns casos, desencadeia a sua repara\u00e7\u00e3o. Em outros, o p53 faz com que a c\u00e9lula pare de se dividir mais. Por fim, em um terceiro tipo de casos, ela faz as c\u00e9lulas cometerem suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Um sinal de qu\u00e3o importante p53 \u00e9 para combater o c\u00e2ncer \u00e9 o que acontece com as pessoas que nascem com uma c\u00f3pia defeituosa do gene. Essa condi\u00e7\u00e3o, conhecida como s\u00edndrome de Li-Fraumeni, cria um risco de mais de 90% de que a pessoa tenha c\u00e2ncer ao longo da vida. Muitas pessoas desenvolvem v\u00e1rios tipos independentes de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Schiffman descobriu que, enquanto os humanos t\u00eam apenas um par de genes p53, os elefantes t\u00eam 20.<\/p>\n<p>Lynch tamb\u00e9m encontrou esses genes extra. Para tra\u00e7ar a sua hist\u00f3ria evolutiva, os pesquisadores fizeram uma compara\u00e7\u00e3o de larga escala entre os elefantes e outras esp\u00e9cies de mam\u00edferos -inclusive parentes extintos como os mastodontes, cujo DNA est\u00e1 presente nos seus f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Os ancestrais pequenos dos elefantes tinham poucos pares de p53. Conforme foram crescendo, o n\u00famero de c\u00f3pias foi aumentando.<\/p>\n<p>&#8220;O que \u00e9 que esteja acontecendo \u00e9 espec\u00edfico da linhagem dos elefantes&#8221;, diz Lynch.<\/p>\n<p><b>EXPERIMENTOS<\/b><\/p>\n<p>Mas ambos os grupos foram al\u00e9m disso nas pesquisas. Eles fizeram experimentos. Schiffman bombardeou as c\u00e9lulas de elefante com radia\u00e7\u00e3o e subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que danificam o DNA. Lynch usou tamb\u00e9m subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e raios ultravioleta.<\/p>\n<p>Nos dois casos, as c\u00e9lulas responderam cometendo suic\u00eddio. Schiffman v\u00ea isso como jeito \u00fanico -e muito eficiente- de bloquear o c\u00e2ncer. &#8220;\u00c9 como se os elefantes estivessem dizendo que tudo bem, eles t\u00eam muitas outras c\u00e9lulas [saud\u00e1veis] para colocar no lugar&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>A oncologista Patricia Muller, da Universidade de Leicester, que n\u00e3o estava envolvida nos estudos, afirma que os resultados s\u00e3o estimulantes, mas que \u00e9 preciso mais estudos para entender exatamente como o p53 atua.<\/p>\n<p>Por isso, diz, ainda \u00e9 prematuro tentar imitar a estrat\u00e9gia dos elefantes na cria\u00e7\u00e3o de medicamentos para humanos.<\/p>\n<p>Em camundongos, por exemplo, experimentos que inserem p53 extras no DNA acabaram acelerando o envelhecimento dos animais.<\/p>\n<p>Schiffman diz que outros bichos grandes ou que vivem bastante tamb\u00e9m devem ter desenvolvido mecanismos contra o c\u00e2ncer -e j\u00e1 se sabe que alguns deles s\u00e3o muito diferentes da estrat\u00e9gia dos elefantes, aparentemente os \u00fanicos que optaram por mais genes p53.<\/p>\n<p>Entre os bichos, podem estar os papagaios, tartarugas e baleias, aponta o cientista, que j\u00e1 est\u00e1 iniciando pesquisas com outros animais.<\/p>\n<p>&#8220;A guerra contra o c\u00e2ncer j\u00e1 existe desde muito antes da exist\u00eancia dos humanos&#8221;, afirma o pesquisador americano. &#8220;Ent\u00e3o vamos olhar as estrat\u00e9gias que a natureza criou.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: The NY Times Em 1977, o estat\u00edstico da Universidade de Oxford Richard Peto apontou um fato simples por\u00e9m intrigante da biologia: n\u00f3s humanos dever\u00edamos ter c\u00e2ncer com muito mais frequ\u00eancia que os camundongos, mas n\u00e3o temos. 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