{"id":13681,"date":"2022-01-17T13:13:13","date_gmt":"2022-01-17T13:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=13681"},"modified":"2022-01-25T18:56:37","modified_gmt":"2022-01-25T18:56:37","slug":"deteccao-de-superbacterias-em-hospitais-triplica-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2022\/01\/17\/deteccao-de-superbacterias-em-hospitais-triplica-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Detec\u00e7\u00e3o de superbact\u00e9rias em hospitais triplica na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Ao longo da\u00a0pandemia de\u00a0Covid-19, triplicou a dissemina\u00e7\u00e3o de\u00a0superbact\u00e9rias, microrganismos resistentes a diversos antibi\u00f3ticos, em hospitais brasileiros, mostra an\u00e1lise do LAPIH (Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz), da Fiocruz.<\/p>\n<p>O levantamento foi feito a partir de amostras de bact\u00e9rias isoladas em oito laborat\u00f3rios estaduais de sa\u00fade p\u00fablica e enviadas \u00e0 Fiocruz para uma an\u00e1lise mais detalhada. O grupo pertence a uma rede de monitoramento de\u00a0resist\u00eancia bacteriana\u00a0da Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria). Ainda n\u00e3o h\u00e1 dados consolidados de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 2019, haviam sido isoladas pouco mais de mil bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos. Em 2020, o n\u00famero de amostras positivas foi de quase 2.000. E em 2021, entre janeiro e outubro, foram mais de 3.700 amostras confirmadas.<\/p>\n<p>O problema das\u00a0bact\u00e9rias resistentes at\u00e9 a antibi\u00f3ticos mais modernos, como os carbapen\u00eamicos, \u00e9 anterior \u00e0 pandemia, mas piorou muito durante a crise sanit\u00e1ria. Entre as hip\u00f3teses est\u00e3o o alto volume de pacientes muito graves nos hospitais e o aumento do uso de antibi\u00f3ticos. Na Europa,\u00a0mesmo com a redu\u00e7\u00e3o do uso de antibi\u00f3ticos, a resist\u00eancia bacteriana tamb\u00e9m aumentou entre 2019 e 2020.<\/p>\n<p>Uma estrat\u00e9gia tem sido voltar a usar antibi\u00f3ticos mais antigos, como a polimixina, que, embora mais t\u00f3xicos, mostraram-se eficazes no combate a algumas dessas bact\u00e9rias resistentes. Ocorre que at\u00e9 eles est\u00e3o perdendo o p\u00e1reo.<\/p>\n<p>Em agosto passado, uma nota da Anvisa, com base em dados de um laborat\u00f3rio p\u00fablico do Paran\u00e1, apontava que, al\u00e9m de um aumento de 90% de microorganismos resistentes, 20% das amostras da\u00a0<em>Acinetobacter\u00a0<\/em><em>baumannii<\/em>, uma das bact\u00e9rias causadoras de infec\u00e7\u00f5es hospitalares, j\u00e1 eram resistentes \u00e0 polimixina.<\/p>\n<p>Segundo a microbiologista e pesquisadora Ana Paula Assef, chefe do LAPIH, o fato de os pacientes com quadros graves de Covid ficarem internados muito tempo, intubados e muito debilitados, favorece o desenvolvimento de infec\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias, que precisam ser combatidas com antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Com o aumento no uso desses medicamentos, cresce tamb\u00e9m a press\u00e3o seletiva sobre as bact\u00e9rias. &#8220;\u00c9 um cen\u00e1rio que favorece a dissemina\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia. Neste ano, come\u00e7amos a ver casos de bact\u00e9rias que n\u00e3o tinham tanta resist\u00eancia e que come\u00e7aram a ter&#8221;, explica Assef.<\/p>\n<p>Embora notas t\u00e9cnicas da Anvisa e da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) reforcem que os antibi\u00f3ticos n\u00e3o s\u00e3o indicados no tratamento de rotina da Covid-19, j\u00e1 que a doen\u00e7a \u00e9 causada por v\u00edrus e esses rem\u00e9dios atuam contra bact\u00e9rias, houve prescri\u00e7\u00e3o exagerada desses medicamentos.<\/p>\n<p>Estudos internacionais j\u00e1 atestam isso. Uma pesquisa com 38 hospitais do estado de Michigan (EUA) mostra, por exemplo, que 57% de 1.705 pacientes hospitalizados com Covid receberam antibi\u00f3tico. Mas s\u00f3 3,5% tiveram uma coinfec\u00e7\u00e3o bacteriana confirmada por exames.<\/p>\n<p>&#8220;Tivemos pacientes com quadros respirat\u00f3rios muito graves, ficando na UTI por tr\u00eas semanas ou mais e n\u00e3o se sabia se tinha uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana ali, ent\u00e3o se usou muito antibi\u00f3tico. Fora o antibi\u00f3tico azitromicina que, no in\u00edcio da pandemia, foi usado para praticamente todos os pacientes. Isso pode ter induzido resist\u00eancia para outras classes [de antibi\u00f3ticos]&#8221;, diz a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Em\u00edlio Ribas.<\/p>\n<p>Para ela, a resist\u00eancia bacteriana \u00e9 uma epidemia silenciosa, que piora a cada ano e que a pandemia foi a gota d\u00b4\u00e1gua para agravar ainda mais o cen\u00e1rio. &#8220;N\u00f3s, do controle de infec\u00e7\u00e3o hospitalar, tivemos que desviar nossa aten\u00e7\u00e3o total para a pandemia. Tudo aquilo que faz\u00edamos em termos de\u00a0monitoramento e gerenciamento do uso de antimicrobiano ficou limitado.&#8221;<\/p>\n<div>\n<div class=\"js-gallery-widget rs_skip\">\n<div id=\"gallery-widget-undefined\" class=\"gallery-widget rs_preserve gallery-widget-keydown\" data-channel=\"equilibrioesaude\">\n<div class=\"gallery-widget__content\">\n<div class=\"gallery-widget-carousel\">\n<div class=\"gallery-widget-carousel__container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo a m\u00e9dica intensivista Suzana Lobo, presidente da Amib (Associa\u00e7\u00e3o de Medicina Intensiva Brasileira), o aumento da resist\u00eancia bacteriana foi notado por infectologistas e intensivistas de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do perfil mais grave dos pacientes com Covid, ela diz que as pr\u00e1ticas usuais de preven\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es foram subestimadas e ficaram ausentes pelo excesso de pacientes em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de profissionais atuando nos hospitais.<\/p>\n<p>&#8220;Essa situa\u00e7\u00e3o somada ao uso indiscriminado de antibi\u00f3ticos foi cen\u00e1rio ideal para o aumento dos casos de infec\u00e7\u00e3o por pat\u00f3genos multirresistentes que logo se disseminam nos hospitais.&#8221;<\/p>\n<p>Para Lobo, a satura\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade e unidades respirat\u00f3rias abertas sem os crit\u00e9rios de seguran\u00e7a para serem leitos de UTI tamb\u00e9m tiveram impacto negativo na resist\u00eancia bacteriana. &#8220;Ser\u00e1 um efeito colateral dessa busca por mais leitos que teremos que lidar por um longo tempo e a um alto custo.&#8221;<\/p>\n<p>Rosana Richtmann lembra que muitos profissionais contratados emergencialmente para atuar na linha de frente dos hospitais n\u00e3o tinham treinamento para controle de infec\u00e7\u00e3o. &#8220;Tudo feito na emerg\u00eancia voc\u00ea n\u00e3o faz bem feito.&#8221;<\/p>\n<p>Ana Paula Assef, da Fiocruz, diz que esse aprendizado sobre o uso dos antibi\u00f3ticos precisa ser melhorado entre os profissionais da sa\u00fade. &#8220;Muitas vezes, os m\u00e9dicos se desesperam em ver pacientes extremamente graves e acabam usando antibi\u00f3ticos que n\u00e3o teria necessidade ou que poderia ter usado outro mais adequado.&#8221;<\/p>\n<p>As infec\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias resistentes geralmente s\u00e3o associadas \u00e0 alta mortalidade. A nota t\u00e9cnica da Anvisa de agosto destaca um surto em uma UTI de Maring\u00e1, onde de dez pacientes internados por Covid-19 infectados por bact\u00e9rias\u00a0<em>A. baumanii<\/em>\u00a0resistentes a antibi\u00f3ticos carbapen\u00eamicos, sete morreram.<\/p>\n<p>Uma outra preocupa\u00e7\u00e3o das autoridades sanit\u00e1rias tem sido a combina\u00e7\u00e3o de mecanismos de resist\u00eancia de algumas bact\u00e9rias. Em setembro, a Anvisa divulgou alerta sobre o registro de casos, no Paran\u00e1 e em Santa Catarina, de bact\u00e9rias<em>\u00a0P. aeruginosa<\/em>\u00a0capazes de produzir, simultaneamente, as enzimas carbapenemases KPC e NDM, que destroem antibi\u00f3ticos carbapen\u00eamicos.<\/p>\n<p>Segundo Ana Paula Assef, a presen\u00e7a dessas duas enzimas inviabiliza a utiliza\u00e7\u00e3o desse novo antimicrobiano que tem sido usado nos hospitais brasileiros para o combate das bact\u00e9rias produtoras de KPC.<\/p>\n<p>&#8220;O antibi\u00f3tico serve para uma, mas n\u00e3o serve para a outra. E a bact\u00e9ria tem as duas. \u00c9 mais um dado para a gente levar em conta e ter muito crit\u00e9rio na utiliza\u00e7\u00e3o desses novos antibi\u00f3ticos.&#8221;<\/p>\n<p>Em agosto de 2020, foi detectado o primeiro caso dos genes de KPC e NDM em uma mesma cepa de\u00a0<em>P.\u00a0<\/em><em>aeruginosa<\/em>. Em 2021, j\u00e1 foram identificados 13 pacientes infectados com\u00a0<em>P. aeruginosa\u00a0<\/em>multirresistente.<\/p>\n<p>O uso indiscriminado de antibi\u00f3ticos pela popula\u00e7\u00e3o durante a pandemia tamb\u00e9m pode ter colaborado para o aumento da resist\u00eancia bacteriana, segundo Assef. &#8220;Antibi\u00f3ticos s\u00f3 atuam contra bact\u00e9rias e n\u00e3o t\u00eam efeito contra v\u00edrus ou qualquer outro microrganismo. N\u00e3o se pode tomar antibi\u00f3tico por indica\u00e7\u00e3o de conhecido ou familiar.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisadora idealizou a webs\u00e9rie &#8220;Confiss\u00f5es de uma bact\u00e9ria&#8221; com o intuito de tornar os conceitos da resist\u00eancia bacteriana mais acess\u00edveis \u00e0s crian\u00e7as e ao p\u00fablico leigo em geral. O material est\u00e1 dispon\u00edvel no canal do YouTube do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Ao longo da\u00a0pandemia de\u00a0Covid-19, triplicou a dissemina\u00e7\u00e3o de\u00a0superbact\u00e9rias, microrganismos resistentes a diversos antibi\u00f3ticos, em hospitais brasileiros, mostra an\u00e1lise do LAPIH (Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz), da Fiocruz. 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