{"id":1397,"date":"2015-10-19T11:15:38","date_gmt":"2015-10-19T11:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1397"},"modified":"2015-10-26T12:10:45","modified_gmt":"2015-10-26T12:10:45","slug":"meio-milhao-de-brasileiros-fica-sem-plano-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/10\/19\/meio-milhao-de-brasileiros-fica-sem-plano-de-saude\/","title":{"rendered":"Meio milh\u00e3o de brasileiros fica sem plano de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1400\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/medicina-300x200.jpg\" alt=\"medicina\" width=\"300\" height=\"200\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica afetou a sa\u00fade, e quase meio milh\u00e3o de brasileiros deixou de contar com a prote\u00e7\u00e3o de planos de assist\u00eancia m\u00e9dica nos primeiros sete meses deste ano. Dados da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) mostram que o universo de 50,69 milh\u00f5es de usu\u00e1rios registrado em janeiro foi encolhendo m\u00eas a m\u00eas e chegou em julho a 50,19 milh\u00f5es. A queda inverte a curva de crescimento do setor nos \u00faltimos anos e acompanha o aumento do desemprego, sobretudo no mercado formal. Das 492 mil pessoas que ficaram sem plano ou seguro-sa\u00fade, a grande maioria tinha plano empresarial, aquele pago pelas companhias para seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O movimento \u00e9 percebido pelas operadoras, que consideram, por\u00e9m, se tratar mais de uma desacelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 O mercado de sa\u00fade suplementar tem registrado um avan\u00e7o mais lento da base de benefici\u00e1rios. Claro que uma das raz\u00f5es \u00e9 o menor volume de contrata\u00e7\u00e3o de planos empresariais, resultado da redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. Mas a preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade faz com que as fam\u00edlias mantenham os planos e seguros de sa\u00fade mesmo ap\u00f3s epis\u00f3dios de desemprego ou queda de remunera\u00e7\u00e3o \u2014 pondera Marcio Coriolano, presidente da FenaSa\u00fade, entidade que representa 24 seguradoras de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>FALTAM PLANOS INDIVIDUAIS<\/strong><\/p>\n<p>Mas, mesmo quando um trabalhador que ficou desempregado ou se aposentou faz um esfor\u00e7o para pagar um plano por conta pr\u00f3pria, ele encontra obst\u00e1culo: contratar um plano individual \u00e9 miss\u00e3o quase imposs\u00edvel. Hoje, menos de 20% dos segurados contam com essa modalidade (<a href=\"http:\/\/infograficos.oglobo.globo.com\/economia\/tipos-de-planos-de-saude.html\" rel=\"external\">veja o infogr\u00e1fico com os tipos de plano de sa\u00fade<\/a>).<\/p>\n<p>\u2014 A oferta de planos individuais \u00e9 quase inexistente, e o que existe \u00e9 monopolizado por poucas empresas, que cobram caro pelo servi\u00e7o \u2014 avalia Joana Cruz, advogada especialista em Sa\u00fade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pelo Idec nas 27 capitais, no fim do primeiro semestre deste ano, identificou que em cinco delas (Belo Horizonte, Salvador, Macap\u00e1, S\u00e3o Lu\u00eds e Vit\u00f3ria) o consumidor n\u00e3o tem qualquer op\u00e7\u00e3o de plano individual com cobertura completa (ambulatorial, hospitalar e obstetr\u00edcia). Em outras 11 capitais (Rio Branco, Macei\u00f3, Manaus, Salvador, Goi\u00e2nia, Campo Grande, Cuiab\u00e1, Bel\u00e9m, Boa Vista, Porto Alegre e Florian\u00f3polis), somente uma operadora \u2014 a Unimed \u2014 oferecia o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>\u2014 O agravante \u00e9 que, quando o consumidor encontra essa op\u00e7\u00e3o, pesa demais no bolso. A mensalidade inicial m\u00e9dia de um plano com abrang\u00eancia nacional para um usu\u00e1rio na faixa dos 30 anos compromete 40% de sua renda m\u00e9dia. Diante disso, ou a pessoa opta por pagar, ou usa particular quando precisa ou vai parar no SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) \u2014 complementa Joana.<\/p>\n<p>No Rio, a oferta tamb\u00e9m \u00e9 escassa. Levantamento feito pelo GLOBO na \u00faltima quinta-feira com as dez operadoras com o maior n\u00famero de benefici\u00e1rios da cidade \u2014 70% dos clientes da capital \u2014 mostra que apenas tr\u00eas vendem planos individuais (Unimed-Rio, Assim e Grupo Cemeru). Para uma mulher de 45 anos, as mensalidades variaram entre R$ 454,29 e R$ 721,48. Amil, Bradesco Sa\u00fade, Golden Cross, Sul Am\u00e9rica Seguros, Memorial Sa\u00fade e Central Nacional Unimed n\u00e3o trabalham com a modalidade. As rep\u00f3rteres n\u00e3o conseguiram contato com a Notre Dame Interm\u00e9dica, que est\u00e1 entre as dez maiores.<\/p>\n<p>Foi por causa dessa dificuldade que o microempres\u00e1rio Ricardo Bahouth Kimaid se esfor\u00e7ou para manter o seguro-sa\u00fade da Sul Am\u00e9rica na categoria empresarial, que paga h\u00e1 cerca de dez anos. O contrato cobria tr\u00eas pessoas \u2014 ele, um dependente e uma funcion\u00e1ria. O problema \u00e9 que, ap\u00f3s a aposentadoria da empregada, ele ficou com apenas duas pessoas no plano, n\u00famero insuficiente para caracterizar a modalidade empresarial. Kimaid descobriu, ent\u00e3o, que a operadora n\u00e3o vendia planos individuais.<\/p>\n<p>\u2014 Se, ap\u00f3s pagar por quase dez anos o plano de sa\u00fade como empresa, ela for dilu\u00edda, eu fico descoberto, pois n\u00e3o h\u00e1 plano individual. Essa \u00e9 mais uma das covardias que cometem com o cidad\u00e3o, ref\u00e9m da inoper\u00e2ncia e indiferen\u00e7a de nossos governantes. Isso porque, nos planos individuais, os aumentos giram em torno da infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, j\u00e1 nos coletivos, o reajuste, que \u00e9 livre, tem ficado muito maior, em torno dos 17% \u2014 reclama.<\/p>\n<p>A SulAm\u00e9rica informou que, por estrat\u00e9gia, n\u00e3o vende planos individuais desde 2004.<\/p>\n<p>Segundo a advogada especialista na \u00e1rea de sa\u00fade Renata Vilhena, para as operadoras n\u00e3o \u00e9 vantajoso trabalhar com planos individuais porque, ao contr\u00e1rio do que acontece nas modalidades coletivas, o reajuste \u00e9 regulado pela ANS, que determina o percentual m\u00e1ximo de aumento. Este ano, foi de 13,55%, o maior da \u00faltima d\u00e9cada. Al\u00e9m disso, por ser um produto caro, em geral, quem paga os planos individuais s\u00e3o idosos ou pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, que usam muito os servi\u00e7os, ou seja, custam caro para as operadoras.<\/p>\n<p>\u2014 O mercado suspendeu a venda de planos individuais para driblar a prote\u00e7\u00e3o legal e poder cobrar uma mensalidade maior. Al\u00e9m disso, manter a venda dessa modalidade de plano leva as operadoras a incorporarem em sua carteira grupos de risco, como pessoas idosas, que est\u00e3o amparadas pelo rigor do limite dos reajustes e que usariam mais os servi\u00e7os \u2014 diz a advogada.<\/p>\n<p><strong>OPERADORAS CONTRA TETO<\/strong><\/p>\n<p>O setor de sa\u00fade suplementar n\u00e3o esconde o descontentamento com a regula\u00e7\u00e3o. Para Coriolano, o controle de pre\u00e7os \u00e9 um entrave que desestimula a venda de planos individuais.<\/p>\n<p>\u2014 A pol\u00edtica de reajustes desconsidera a evolu\u00e7\u00e3o dos custos m\u00e9dicos, que crescem a \u00edndices superiores aos aumentos autorizados pelo regulador. A atua\u00e7\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o deveria estimular a livre concorr\u00eancia e o bom funcionamento dos livres mercados \u2014 disse Coriolano, ressaltando que os recursos dos planos de sa\u00fade s\u00e3o finitos e obtidos unicamente por meio do pagamento de mensalidades por cidad\u00e3os e empresas.<\/p>\n<p>Pedro Ramos, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), refor\u00e7a a cr\u00edtica da FenaSa\u00fade e acrescenta que o controle dos reajustes provoca desequil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro insustent\u00e1vel \u00e0s empresas.<\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o da Unimed Paulistana e a crise na Unimed-Rio, empresas fortes no mercado de planos individuais, refor\u00e7am o ponto de vista de Ramos. A cooperativa m\u00e9dica carioca, que est\u00e1 sob dire\u00e7\u00e3o fiscal da ANS, encerrou 2014 com um preju\u00edzo de R$ 198 milh\u00f5es. Uma parte, R$ 108 milh\u00f5es, foi coberta pelo Fundo de Reserva. Os R$ 90 milh\u00f5es restantes devem ser pagos pelos m\u00e9dicos cooperados, mas a decis\u00e3o precisa ser aprovada em assembleia marcada para o pr\u00f3ximo dia 26.<\/p>\n<p>Segundo a cooperativa, os resultados deste ano est\u00e3o dentro da previs\u00e3o e or\u00e7amento tra\u00e7ados, que estimavam um ano ainda de dificuldades. O plano previa v\u00e1rias medidas de redu\u00e7\u00e3o de custos, cujos efeitos demorariam um certo per\u00edodo para aparecer. A Unimed Brasil, que representa as cooperativas do sistema, afirma n\u00e3o haver qualquer evid\u00eancia \u201cde que os desafios enfrentados por operadoras de grande porte estejam relacionados \u00e0 oferta de planos individuais\u201d. Hoje, 40% dos clientes Unimed t\u00eam essa modalidade de plano.<\/p>\n<p><strong>PALAVRA DOS ESPECIALISTAS<\/strong><\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Ligia Bahia, professora do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Coletiva da UFRJ, \u00e9 um esc\u00e2ndalo n\u00e3o ter plano individual:<\/p>\n<p>\u2014 As empresas n\u00e3o fazem sa\u00fade. Dizem que t\u00eam margem de ganho pequeno, de 2%, mas s\u00e3o 2% de R$ 150 bilh\u00f5es. Tanto que elas n\u00e3o querem mudar o sistema, qualquer proposta que a gente faz n\u00e3o \u00e9 aceita. A maioria desses milhares de brasileiros que sa\u00edram dos planos de sa\u00fade este ano \u00e9 terceirizado das empreiteiras. N\u00e3o tinham plano de sa\u00fade, passaram a ter, perderam de novo junto com o emprego e agora n\u00e3o t\u00eam dinheiro para pagar por conta pr\u00f3pria. E mesmo os que t\u00eam dinheiro n\u00e3o encontram planos individuais para comprar. Ter\u00e3o que optar por um plano por ades\u00e3o, que \u00e9 um falso coletivo. S\u00e3o mais caros e t\u00eam menos garantias. Isso \u00e9 um esc\u00e2ndalo. As empresas deveriam ser obrigadas a oferecer planos individuais e a pre\u00e7os razo\u00e1veis. Quanto \u00e0 ANS, tenho cada vez mais clareza de que nossa reguladora \u00e9 muito fraca.<\/p>\n<p>J\u00e1 a advogada Renata Vilhena observa que as fam\u00edlias costumam cortar o plano de sa\u00fade por \u00faltimo de seus or\u00e7amentos:<\/p>\n<p>\u2014 Apesar dos altos \u00edndices de demiss\u00f5es de trabalhadores com carteira assinada, o que indica a perda de benef\u00edcios como o plano de sa\u00fade, eu acredito que, por parte das fam\u00edlias, \u00e9 a \u00faltima despesa a ser cortada no or\u00e7amento familiar. O consumidor pode ser demitido, ter o plano da empresa cortado, mas far\u00e1 o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel para contratar outro plano. A possibilidade de s\u00f3 ter o SUS para ser atendido assusta. Principalmente a classe m\u00e9dia. Mas, justamente para poder cobrar uma mensalidade maior, fugindo da rigidez dos planos individuais, poucas empresas ofertam essa modalidade. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel melhorar o acesso do cidad\u00e3o \u00e0 sa\u00fade suplementar mediante atua\u00e7\u00e3o transparente da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade, que deve ser administrada por pessoas isentas e n\u00e3o que tenham participado da diretoria de operadoras do setor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo A crise econ\u00f4mica afetou a sa\u00fade, e quase meio milh\u00e3o de brasileiros deixou de contar com a prote\u00e7\u00e3o de planos de assist\u00eancia m\u00e9dica nos primeiros sete meses deste ano. 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