{"id":1437,"date":"2015-10-26T11:21:42","date_gmt":"2015-10-26T11:21:42","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1437"},"modified":"2015-11-03T19:14:19","modified_gmt":"2015-11-03T19:14:19","slug":"estudantes-de-medicina-so-ocupam-54-dos-postos-de-residencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/10\/26\/estudantes-de-medicina-so-ocupam-54-dos-postos-de-residencia\/","title":{"rendered":"Estudantes de Medicina s\u00f3 ocupam 54% dos postos de resid\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-323\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/estetoscopio-300x157.jpg\" alt=\"estetoscopio\" width=\"300\" height=\"157\" \/>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero de vagas de resid\u00eancia no Pa\u00eds seja menor do que o n\u00famero de estudantes que se formam em Medicina todos os anos, somente 54% dos novos postos abertos entre 2014 e 2015 no Pa\u00eds foram preenchidos, segundo dados do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo foi feito com base nas taxas de ocupa\u00e7\u00e3o de programas de resid\u00eancia de dez das principais especialidades m\u00e9dicas. Juntas, cirurgia geral, dermatologia, cardiologia, ortopedia, ginecologia e obstetr\u00edcia, urologia, pediatria, medicina da fam\u00edlia e comunidade, cancerologia e radiologia tiveram 24.254 vagas de resid\u00eancia criadas entre o ano passado e este ano, o equivalente a um ter\u00e7o de todos os postos do Pa\u00eds. Desse n\u00famero, apenas 13.194 vagas foram ocupadas.<\/p>\n<p>O MEC n\u00e3o informou a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de todos os programas de resid\u00eancia existentes no Pa\u00eds, mas, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos Residentes (ANMR), mesmo quando consideradas todas as especialidades, a taxa se mant\u00e9m em torno de 55%. \u201cUma s\u00e9rie de fatores contribui para essa alta taxa de ociosidade. Um deles \u00e9 a baixa qualidade de alguns programas de resid\u00eancia, o que afasta os m\u00e9dicos. O governo quis ampliar o n\u00famero de vagas, mas se preocupou mais com quantidade do que com qualidade\u201d, diz Arthur Danila, presidente da ANMR, citando a lei do programa Mais M\u00e9dicos, que prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de 12 mil vagas de resid\u00eancia at\u00e9 2018.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o para a ociosidade \u00e9 a baixa procura dos rec\u00e9m-formados por programas de resid\u00eancia de algumas especialidades. De acordo com Vinicius Ximenes Muricy da Rocha, diretor de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade do MEC, a l\u00f3gica predominante no mercado de trabalho m\u00e9dico \u00e9 a de pagamento por procedimento, o que torna menos atraentes carreiras com base quase que exclusivamente na pr\u00e1tica cl\u00ednica, como pediatria e medicina da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cIsso faz com que tenhamos especialidades com alta procura, como dermatologia, ortopedia e anestesiologia, e outras que, embora tenham alta complexidade cl\u00ednica, n\u00e3o atraem m\u00e9dicos por n\u00e3o realizarem muitos procedimentos.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os dados do MEC, enquanto os programas de resid\u00eancia em dermatologia t\u00eam taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de 66,1%, os de medicina da fam\u00edlia, essenciais para o plano do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para fortalecer a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, t\u00eam apenas 19,9% das vagas preenchidas. O presidente da ANMR afirma que, para tentar minimizar o problema, o governo federal deveria criar uma carreira p\u00fablica para os m\u00e9dicos e demais profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Valores<\/strong><\/p>\n<p>Ele reclama ainda do valor da bolsa paga ao residente, de R$ 2.976, e afirma que a quantia deve ser reajustada para o valor da remunera\u00e7\u00e3o dada pelo governo federal a m\u00e9dicos integrantes do Mais M\u00e9dicos e do Programa de Valoriza\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Provab), que recebem cerca de R$ 10 mil. \u201cA gente costuma trabalhar 60 horas por semana para ganhar um quarto do que esses outros m\u00e9dicos, que trabalham 40 horas, ganham.\u201d<\/p>\n<p>O diretor do MEC admite que, por causa da oferta de empregos e de melhores sal\u00e1rios logo ap\u00f3s a conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, muitos rec\u00e9m-formados escolhem n\u00e3o fazer resid\u00eancia. \u201cExistem muitas op\u00e7\u00f5es de trabalho para m\u00e9dicos hoje em servi\u00e7os de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, em que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio resid\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Ele afirma que o MEC tem adotado estrat\u00e9gias para aumentar o interesse dos estudantes em \u00e1reas com programas de resid\u00eancia com baixa procura, principalmente a medicina da fam\u00edlia e comunidade. \u201cA gente criou uma c\u00e2mara t\u00e9cnica de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a implementa\u00e7\u00e3o de um novo curr\u00edculo para a gradua\u00e7\u00e3o, no qual queremos destacar que \u00e9 uma especialidade importante, que cuida de todos os ciclos de vida do paciente e \u00e9 muito valorizada em outros pa\u00edses\u201d, diz ele.<\/p>\n<p><strong>Distribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os dados do MEC obtidos pela reportagem mostram ainda que, embora a lei do programa Mais M\u00e9dicos tenha determinado a amplia\u00e7\u00e3o das vagas de resid\u00eancia por todo o Pa\u00eds como uma das medidas importantes para a fixa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos em \u00e1reas mais distantes dos grandes centros urbanos, a maior parte das novas vagas autorizadas entre 2014 e 2015 pelo MEC est\u00e1 concentrada nas Regi\u00f5es Sul e Sudeste.<\/p>\n<p>Das 71.873 vagas criadas desde o ano passado, 81% est\u00e3o nessas duas regi\u00f5es. Metade de todos os novos postos foi criada no Estado de S\u00e3o Paulo. Para o diretor do MEC, a divis\u00e3o das vagas tem rela\u00e7\u00e3o com o tamanho da popula\u00e7\u00e3o de cada Estado e com o n\u00famero de servi\u00e7os de sa\u00fade, onde s\u00e3o oferecidos os programas de resid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Falta de est\u00edmulo<\/strong><\/p>\n<p>Na turma de quase cem formandos de 2013 da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Lucas Gaspar Ribeiro era considerado exce\u00e7\u00e3o. Enquanto alguns colegas rec\u00e9m-formados buscavam programas de resid\u00eancia em especialidades financeiramente mais rent\u00e1veis, como a anestesiologia, o m\u00e9dico de 30 anos optou por seguir em medicina da fam\u00edlia e comunidade, especialidade cujos programas de resid\u00eancia no Pa\u00eds t\u00eam a menor taxa de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 ele e outros dois colegas de turma escolheram esse campo. Na faculdade, das 30 vagas existentes na \u00e1rea, s\u00f3 13 est\u00e3o ocupadas. \u201cEu cheguei a ser coagido por professores e colegas para n\u00e3o fazer essa escolha. Diziam que para ser m\u00e9dico de fam\u00edlia eu n\u00e3o precisava fazer resid\u00eancia, o que demonstra total falta de conhecimento sobre a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>O residente diz que passou a se interessar pela \u00e1rea no 5.\u00ba ano, quando teve maior contato com a especialidade no est\u00e1gio. \u201cPercebi que muito do que me atra\u00eda na Medicina estava presente nessa especialidade, como o cuidado mais integral ao paciente, a vis\u00e3o de que temos de tratar a pessoa e n\u00e3o a doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Na parte pr\u00e1tica da resid\u00eancia, o m\u00e9dico j\u00e1 observou as dificuldades de trabalhar com um n\u00famero de profissionais menor do que o necess\u00e1rio. Ele atende pacientes de uma unidade de sa\u00fade que deveria ter quatro m\u00e9dicos, mas s\u00f3 tem dois.<\/p>\n<p>\u201cA gente acaba tendo de absorver todo esse atendimento. Para dar conta de atender todo mundo, abrimos m\u00e3o de algumas atividades, como encontros em grupo, a\u00e7\u00f5es em escolas. Mesmo assim, n\u00e3o tenho d\u00favidas sobre a import\u00e2ncia dessa especialidade e de que \u00e9 nela que quero ficar.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Embora o n\u00famero de vagas de resid\u00eancia no Pa\u00eds seja menor do que o n\u00famero de estudantes que se formam em Medicina todos os anos, somente 54% dos novos postos abertos entre 2014 e 2015 no Pa\u00eds foram preenchidos, segundo dados do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. 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