{"id":14749,"date":"2022-07-10T07:58:12","date_gmt":"2022-07-10T10:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=14749"},"modified":"2022-07-11T13:26:04","modified_gmt":"2022-07-11T16:26:04","slug":"covid-19-no-brasil-o-custo-dos-erros-e-das-desigualdades-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2022\/07\/10\/covid-19-no-brasil-o-custo-dos-erros-e-das-desigualdades-sociais\/","title":{"rendered":"Covid-19 no Brasil: o custo dos erros e das desigualdades sociais"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6508083\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MedScape<\/a><\/p>\n<p>Um novo estudo feito a partir de dados oficiais enfatiza o impacto da pandemia de covid-19 entre pessoas de 40 a 59 anos e indica que, no auge da dissemina\u00e7\u00e3o, o Brasil chegou a quase 4 mil mortes por dia, superando a m\u00e9dia di\u00e1ria de mortes por todas as causas de 2019. Os resultados tamb\u00e9m mostram que a taxa de mortalidade no pa\u00eds foi tr\u00eas vezes maior na popula\u00e7\u00e3o analfabeta do que entre pessoas com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os autores conclu\u00edram que a taxa de letalidade da covid-19 no Brasil foi o dobro da taxa global e que a metade das mortes realmente poderia ter sido evitada.<sup>\u00a0[1]<\/sup><\/p>\n<p>Outra pesquisa tamb\u00e9m chegou \u00e0 mesma conclus\u00e3o, de forma muito mais aprofundada e detalhada. Esse trabalho estudou a marcada varia\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e temporal, desde o in\u00edcio da pandemia, nas taxas de letalidade da covid-19 entre pacientes internados, atribuindo a disparidades regionais \u2013 aus\u00eancia ou limita\u00e7\u00e3o de recursos \u2013 cerca de 29,8% do excesso de \u00f3bitos (intervalo de confian\u00e7a, IC, de 95%, de 28,7 a 30,9%). Mas, se todas as 14 capitais estudadas tivessem experimentado ao longo da pandemia a letalidade hospitalar observada em Belo Horizonte, os \u00f3bitos hospitalares poderiam ter sido reduzidos em cerca de 57,1% (IC 95% de 54,3 a 59,9%).\u00a0<sup>[<a>2<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o pesquisas importantes. A segunda \u00e9 muito mais refinada do ponto de vista metodol\u00f3gico; consegue ter um detalhamento maior, traz dados mais aprofundados e faz estimativas precisas. Mas a grande conclus\u00e3o dos dois artigos \u00e9 que\u00a0<em>com certeza houve muitas mortes evit\u00e1veis<\/em>, em fun\u00e7\u00e3o das disparidades entre os servi\u00e7os de sa\u00fade. Os dois estudos colocam tamb\u00e9m o foco na defici\u00eancia do manejo da pandemia por parte do governo federal e nas medidas de combate. E certamente a comunica\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o e os exemplos tamb\u00e9m t\u00eam impacto. Mas \u00e9 dif\u00edcil de medir\u201d, disse ao\u00a0<em>Medscape<\/em>\u00a0o Dr. Andr\u00e9 Giglio Bueno, m\u00e9dico infectologista da Faculdade de Medicina da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Campinas, que n\u00e3o participou de nenhuma das duas pesquisas.<\/p>\n<p><b>Vis\u00e3o geral da mortalidade da covid-19<\/b><\/p>\n<p>O primeiro estudo oferece uma vis\u00e3o geral das vidas perdidas por covid-19 no Brasil, a partir de dados sobre os \u00f3bitos notificados ao Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM) em 2020 e 2021 (preliminares) e divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em abril de 2022. Foram definidos como \u00f3bitos por covid-19 os casos cujo atestado m\u00e9dico continha o c\u00f3digo B342 acompanhado do c\u00f3digo U071 (covid-19 confirmada por exames laboratoriais) ou do U072 (covid-19 diagnosticada clinicamente ou epidemiol\u00f3gicamente \u2013 caso o exame laboratorial fosse inconclusivo ou n\u00e3o estivesse dispon\u00edvel). Neste estudo, foram analisados 631.697 \u00f3bitos (206.460 em 2020 e 425.237 em 2021).<\/p>\n<p>As mortes por covid-19 em 2020 e 2021 representaram 19,1% de todas as mortes. A taxa global de mortalidade da covid-19 foi de 14,8\/10 mil.<\/p>\n<p>As maiores propor\u00e7\u00f5es de \u00f3bitos por covid-19 foram encontradas nas faixas et\u00e1rias intermedi\u00e1rias. No grupo et\u00e1rio de 80 anos ou mais, as mortes por covid-19 representaram 14,4% de todas as mortes (homens e mulheres); na faixa de 40 a 49 anos, a covid-19 representou 23,0% de todas as mortes (homens: 26,3% e mulheres: 24,2%); e na faixa de 50 a 59 anos, 23,7% (homens: 26,7% e mulheres: 24,9%). Os autores calcularam que 19 anos foi a m\u00e9dia de anos perdidos devido \u00e0 covid-19.<\/p>\n<p>\u201cFiquei surpresa com os resultados; eu esperava que tivessem ocorrido mais \u00f3bitos entre os idosos, mas quando analisamos a propor\u00e7\u00e3o de \u00f3bitos nas faixas intermedi\u00e1rias, vimos que a popula\u00e7\u00e3o de 40 a 59 anos foi a que mais sofreu. Foi um resultado inesperado\u201d, comentou a primeira autora do trabalho, Dra. Celia Landmann Szwarcwald, Ph.D., lembrando que esta \u201cfoi a popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o teve vacina at\u00e9 maio de 2021.\u201d<\/p>\n<p>\u201cSab\u00edamos que existiam consequ\u00eancias tr\u00e1gicas, e conseguimos quantific\u00e1-las a partir dos dados oficiais de mortalidade. Mas nos perguntamos: ser\u00e1 que essas mortes poderiam ter sido evitadas fazendo as coisas certas? Trabalhamos com os dados oficiais tentando considerar como hip\u00f3teses explicativas e consideramos que sim, mas n\u00e3o podemos falar com certeza. S\u00f3 temos as mortes e n\u00e3o se sabe exatamente o que aconteceu\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>A Dra. Celia \u00e9 graduada em matem\u00e1tica, mestre em Estat\u00edstica e Matem\u00e1tica pela Universidade de Rochester e doutora em Sa\u00fade P\u00fablica pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ela coordenou a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) de 2013 e \u00e9 pesquisadora titular do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (ICICT) da Fiocruz, onde trabalha na gera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e no monitoramento da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o brasileira e do sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Os dados, analisados pelos pesquisadores da Fiocruz RJ e da Universidade Federal de Minas Gerais, mostram tamb\u00e9m que a mortalidade masculina foi 31% maior do que a mortalidade feminina, e que o pa\u00eds atingiu quase 4 mil mortes\/dia no final de mar\u00e7o de 2021. Outro dado importante foi que a taxa global de mortalidade da covid-19 foi de 14,8 (\/10 mil) no Brasil, mas foi tr\u00eas vezes maior entre a popula\u00e7\u00e3o analfabeta (38,8\/10 mil) do que entre aqueles com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O estudo evidenciou uma sobre-mortalidade por covid-19 de 37% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mortalidade materna por outras causas. A raz\u00e3o de mortalidade materna (RMM), que j\u00e1 era alta, atingiu um valor pr\u00f3ximo a 1 a cada 1 mil nascidos vivos ap\u00f3s a adi\u00e7\u00e3o de \u00f3bitos maternos por covid-19.<\/p>\n<p>Outro aspecto interessante da pesquisa \u00e9 ter avaliado, al\u00e9m das mortes, o c\u00e1lculo da taxa de \u00f3rf\u00e3os da covid-19. O n\u00famero estimado de menores de 18 anos que perderam a m\u00e3e para a covid-19 foi de 40.830, o que equivale a 7,5 a cada 10 mil crian\u00e7as\/adolescentes de zero a 17 anos. O resultado \u00e9 semelhante ao encontrado em um outro estudo, que comparou as estimativas de \u00f3rf\u00e3os da covid-19 em v\u00e1rios pa\u00edses, cuja estimativa de \u00f3rf\u00e3os (um ou ambos os pais) foi de 170 mil.\u00a0<sup>[<a>3<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>\u201cNaquela pesquisa, a taxa de \u00f3rf\u00e3os no Brasil foi a 6\u00aa maior entre os pa\u00edses considerados no estudo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade dos dados, a Dra. Celia disse acreditar que todos os \u00f3bitos por covid-19 tenham sido informados ao sistema. \u201cA qualidade dos dados de \u00f3bitos \u00e9 muito boa. Temos uma cobertura de \u00f3bitos no pa\u00eds de 95% a 96%. Hoje s\u00f3 n\u00e3o temos a cobertura total dos \u00f3bitos infantis, mas isso vem melhorando. E de algumas \u00e1reas ind\u00edgenas ou rurais muito pobres.\u201d<\/p>\n<p>Para calcular que a taxa de letalidade da covid-19 no Brasil foi de 2,2%, os pesquisadores utilizaram o n\u00famero de infectados do MonitoraCovid.\u00a0<sup>[<a>4<\/a>]<\/sup>\u00a0E, de acordo com a Dra. Celia, foi assumido que a subnotifica\u00e7\u00e3o, por exemplo de casos assintom\u00e1ticos, ocorre globalmente.<\/p>\n<p>O estudo, que conclui que o pa\u00eds teve o dobro da letalidade global, a nega\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a influenciou no desempenho do sistema nacional de sa\u00fade para a mitiga\u00e7\u00e3o do impacto da pandemia e que a demora at\u00e9 a ado\u00e7\u00e3o das medidas de sa\u00fade p\u00fablica necess\u00e1rias agravou a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, resultando em muitas mortes evit\u00e1veis, foi divulgado semana passada como pr\u00e9-impress\u00e3o e, portanto, ainda n\u00e3o recebeu avalia\u00e7\u00e3o por pares.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>Medscape<\/em>\u00a0pediu a avalia\u00e7\u00e3o do Dr. Maicon Falavigna, m\u00e9dico, mestre e doutor em epidemiologia, pesquisador do Instituto de Avalia\u00e7\u00e3o de Tecnologias em Sa\u00fade (IATS-UFRGS) e professor adjunto do Departamento de Epidemiologia Cl\u00ednica e Bioestat\u00edstica da Universidade McMaster, Canad\u00e1. Ele \u00e9 membro do GRADE working group (metodologia que define a confian\u00e7a na informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica) e do grupo PERSyst (<em>Prevalence Estimates Reviews &#8211; Systematic Review Methodology<\/em>), al\u00e9m de ser respons\u00e1vel por projetos de avalia\u00e7\u00e3o de tecnologias em sa\u00fade, revis\u00f5es sistem\u00e1ticas, farmacoeconomia e estudos de vida real na HTAnalyze, da qual \u00e9 s\u00f3cio-diretor<\/p>\n<p>\u201cDentro das limita\u00e7\u00f5es de um estudo com uso de registros, \u00e9 um estudo adequado. Apresenta uma an\u00e1lise descritiva com alguns dados j\u00e1 esperados, como aumento importante da mortalidade de acordo com a faixa et\u00e1ria, e acrescenta alguns dados interessantes, como potenciais inequidades, na qual foi observada maior mortalidade em pessoas com menor escolaridade, o que pode ser considerado um indicativo de vulnerabilidade social e menor acesso \u00e0 sa\u00fade. A principal mensagem nova trazida por esse estudo \u00e9 das potenciais inequidades em nosso sistema, com a mortalidade sendo superior naqueles potencialmente em maior vulnerabilidade.\u201d<\/p>\n<p>\u201cComo\u00a0<em>peer reviewer<\/em>, minha postura frente a esse artigo\u00a0<em>preprint<\/em>\u00a0seria de aceite, com modifica\u00e7\u00f5es maiores e um ponto importante \u00e9 a \u00eanfase dada no t\u00edtulo, conclus\u00e3o, resumo e in\u00edcio da discuss\u00e3o \u00e9 que houve um grande n\u00famero de mortes evit\u00e1veis no Brasil, devido ao atraso na ado\u00e7\u00e3o de medidas necess\u00e1rias para controlar a epidemia. N\u00e3o h\u00e1 nos m\u00e9todos e nos resultados nenhuma informa\u00e7\u00e3o que subsidie essa afirma\u00e7\u00e3o, nem defini\u00e7\u00e3o do que seriam mortes evit\u00e1veis. O dado que os autores utilizam para suportar essa tese \u00e9 um dado externo ao avaliado pelo estudo.\u201d<\/p>\n<p>O Dr. Maicon reconheceu, no entanto, que a defini\u00e7\u00e3o de mortes evit\u00e1veis na covid-19 \u00e9 bastante complexa, envolvendo desde pol\u00edticas de isolamento social at\u00e9 caracter\u00edsticas populacionais e cepas circulantes. A prop\u00f3sito das cr\u00edticas \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, disse: \u201cN\u00e3o estou invalidando a opini\u00e3o dos autores frente a esse contexto, mas salientando que consiste em opini\u00e3o. Seria mais pass\u00edvel de um editorial ou\u00a0<em>opinion paper<\/em>, do que de um\u00a0<em>research paper.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><b>Letalidade hospitalar sob a lupa<\/b><\/p>\n<p>A pesquisa avaliou a letalidade nos hospitais brasileiros a partir dos registros individuais de pacientes ap\u00f3s a interna\u00e7\u00e3o em 14 capitais brasileiras, selecionando as que continham dados gen\u00f4micos dispon\u00edveis publicamente, para o controle da gravidade potencialmente elevada da variante gama. Os autores investigaram a mortalidade em pacientes hospitalizados com infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 suspeita ou confirmada por teste molecular (PCR-RT)<\/p>\n<p>Nestas 14 cidades, 641.618 pacientes internados em hospitais foram reportados por s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave ao Sistema de Informa\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da Gripe (SIV-Gripe) entre o 20 de janeiro de 2020 e o 26 de julho de 2021.<\/p>\n<p>Os dados mostram que a letalidade hospitalar oscilou muito, tanto geogr\u00e1fica quanto temporalmente, desde o in\u00edcio da pandemia. Os aumentos marcados na taxa de letalidade da covid-19 podem ser explicados, segundo os autores, por um aumento substancial da demanda por recursos limitados de sa\u00fade que seguem as ondas de infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2. As flutua\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e temporais nas taxas de letalidade hospitalar da covid-19 no Brasil foram associadas principalmente a iniquidades geogr\u00e1ficas e escassez de capacidade de sa\u00fade.<\/p>\n<p>No geral, as taxas de letalidade hospitalar tenderam a ser mais altas nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e alguns exemplos de desigualdade foram gritantes. Em Belo Horizonte, nenhuma faixa et\u00e1ria teve taxas de letalidade hospitalar covid-19 acima de 50% por mais de quatro semanas consecutivas, j\u00e1 em Macap\u00e1, todas as faixas et\u00e1rias de 40 anos ou mais sofreram tais aumentos marcados.<\/p>\n<p>Como exemplo de inequidade dos recursos, os autores destacam que, em mar\u00e7o de 2020, o n\u00famero de ventiladores dispon\u00edveis por 100 mil habitantes variou de 21,7 (Macap\u00e1) a 102 (Porto Alegre). E o n\u00famero de m\u00e9dicos variou de 124\/100 mil habitantes (Macap\u00e1) a 631\/100 mil habitantes (Belo Horizonte).<\/p>\n<p>Os pesquisadores constru\u00edram \u00edndices de press\u00e3o sobre os servi\u00e7os de sa\u00fade que captam altera\u00e7\u00f5es na demanda hospitalar por recurso dispon\u00edvel. Um exemplo seria a soma m\u00f3vel de interna\u00e7\u00f5es em unidades de terapia intensiva (UTI) ao longo de tr\u00eas semanas por leito de UTI. Eles verificaram que todos os \u00edndices de press\u00e3o da sa\u00fade estavam fortemente correlacionados com as taxas de letalidade hospitalar padronizadas por idade e semana na maioria das cidades.<\/p>\n<p>A pesquisa tem limita\u00e7\u00f5es ocasionadas pela escassa disponibilidade de dados sobre fatores de comorbidade dos pacientes e dados incompletos sobre os desfechos. As an\u00e1lises come\u00e7am do in\u00edcio da interna\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o, porque as taxas de letalidade hospitalar tamb\u00e9m dependem das circunst\u00e2ncias nas quais os pacientes graves s\u00e3o admitidos em hospitais.<\/p>\n<p>O estudo, que estima que a metade das mortes pela covid-19 nos hospitais das 14 cidades estudadas poderia ter sido evitada, foi assinada por pesquisadores da Europa, Estados Unidos e diversas institui\u00e7\u00f5es do Brasil e publicada na revista\u00a0<em>Nature Medicine<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cNossos resultados sugerem que investimentos em recursos de sa\u00fade, otimiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e prepara\u00e7\u00e3o pand\u00eamica s\u00e3o fundamentais para minimizar a mortalidade e a morbidade em toda a popula\u00e7\u00e3o, causadas por pat\u00f3genos altamente transmiss\u00edveis e mortais, como o SARS-CoV-2, especialmente em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda\u201d, conclu\u00edram os autores.<\/p>\n<p>\u201cSem investimentos sustentados em recursos de sa\u00fade, otimiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e prepara\u00e7\u00e3o para pandemia, a fim de minimizar a mortalidade e a morbidade em toda a popula\u00e7\u00e3o, os pa\u00edses continuar\u00e3o a vivenciar altas taxas de letalidade causadas por variantes SARS-CoV-2 de fuga imunol\u00f3gica e outros v\u00edrus altamente transmiss\u00edveis\u201d, alertaram.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos varia\u00e7\u00f5es extensas nas taxas de letalidade da covid-19 entre os hospitais estudados no Brasil, e fortes associa\u00e7\u00f5es entre press\u00e3o sobre o sistema de sa\u00fade, por exemplo, m\u00e9dicos por paciente de UTI, e taxas de letalidade em hospitais. Esses efeitos foram mais fortes do que aqueles associados \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do v\u00edrus, especificamente, variantes gama\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0n\u00e3o gama\u201d, ressaltou em entrevista por\u00a0<em>e-mail<\/em>\u00a0o est\u00edstico Oliver Ratmann, PhD., autor correspondente do artigo e pesquisador do\u00a0<em>Imperial College London<\/em>, na Inglaterra<em>.<\/em><\/p>\n<p>Quando perguntado sobre o porqu\u00ea da escolha do Brasil para este estudo o Dr. Oliver disse que o objetivo principal era investigar as associa\u00e7\u00f5es entre iniquidades em aten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e press\u00f5es pand\u00eamicas no cuidado da sa\u00fade, sobre a mortalidade por covid-19. A hip\u00f3tese era de que, em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda, limita\u00e7\u00f5es em disponibilidade de leitos e ventiladores e, mais importante, em equipes m\u00e9dicas bem treinadas poderiam desempenhar um grande papel nos desfechos.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil foi o lugar \u00f3bvio para o nosso estudo, devido \u00e0 sua enorme varia\u00e7\u00e3o no desenvolvimento econ\u00f4mico e nos cuidados da sa\u00fade, aliada \u00e0 grande e muitas vezes descontrolada dissemina\u00e7\u00e3o da covid-19. Tamb\u00e9m tivemos a sorte de o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e outras institui\u00e7\u00f5es disponibilizarem dados abrangentes sobre a pandemia de covid-19, de forma aberta. Sem esses dados, o estudo n\u00e3o teria sido poss\u00edvel\u201d, disse o pesquisador ao\u00a0<em>Medscape<\/em>.<\/p>\n<p>De acordo com o Dr. Oliver, as desigualdades nas m\u00e9tricas de sa\u00fade em todas as capitais investigadas foram muito grandes, associadas a desfechos de sa\u00fade tr\u00e1gicos e lament\u00e1veis. Ele salientou que seriam necess\u00e1rios \u201cinvestimentos substanciais de longo prazo para proporcionar assist\u00eancia de alta qualidade em todo o Brasil e no maior sistema p\u00fablico de sa\u00fade do mundo, do qual todo brasileiro deveria se orgulhar\u201d.<\/p>\n<p>O pesquisador do\u00a0<em>Imperial College London<\/em>\u00a0comentou sobre o estudo da Dra. Celia: \u201cchegamos a conclus\u00f5es semelhantes\u201d, fazendo quest\u00e3o de se solidarizar \u201ccom todos aqueles que perderam um amigo ou membro da fam\u00edlia ao saberem, em retrospectiva, que muitas dessas mortes por covid-19 em hospitais provavelmente poderiam ter sido evitadas se o sistema p\u00fablico de sa\u00fade tivesse sido financiado mais adequadamente na \u00faltima d\u00e9cada.\u201d<\/p>\n<p>Para a Dra. Celia, a reflex\u00e3o final \u00e9 de que o mundo n\u00e3o est\u00e1 preparado para uma nova pandemia. \u201cFicamos muito tempo pensando s\u00f3 nas doen\u00e7as cr\u00f4nicas, chegou a covid-19 e tivemos que dar conta disso tudo.\u201d Ela lembra que houve muitos desacertos no Brasil. \u201cN\u00e3o tivemos uma coordena\u00e7\u00e3o central do que precisava ser feito. Fora o despreparo das unidades de sa\u00fade e a falta de controle. Quando vimos, estava faltando oxig\u00eanio! As doen\u00e7as infeciosas \u00e0s vezes provocam mais estragos do que as cr\u00f4nicas, porque a propaga\u00e7\u00e3o \u00e9 muito r\u00e1pida e elas causam sequelas. Temos de nos preparar para elas convenientemente.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape Um novo estudo feito a partir de dados oficiais enfatiza o impacto da pandemia de covid-19 entre pessoas de 40 a 59 anos e indica que, no auge da dissemina\u00e7\u00e3o, o Brasil chegou a quase 4 mil mortes por dia, superando a m\u00e9dia di\u00e1ria de mortes por todas as causas de 2019. 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