{"id":15985,"date":"2023-05-14T09:06:31","date_gmt":"2023-05-14T12:06:31","guid":{"rendered":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=15985"},"modified":"2023-05-15T10:59:57","modified_gmt":"2023-05-15T13:59:57","slug":"a-espera-do-stf-cursos-de-medicina-proliferam-com-pressao-por-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2023\/05\/14\/a-espera-do-stf-cursos-de-medicina-proliferam-com-pressao-por-qualidade\/","title":{"rendered":"\u00c0 espera do STF, cursos de medicina proliferam com press\u00e3o por qualidade"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/04\/a-espera-do-stf-cursos-de-medicina-proliferam-com-pressao-por-qualidade.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de SP<\/a><\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es de ensino superior aguardam uma decis\u00e3o do ministro Gilmar Mendes, do\u00a0STF\u00a0(Supremo Tribunal Federal), sobre o futuro dos cursos de medicina no pa\u00eds. Foram apresentadas \u00e0 corte duas a\u00e7\u00f5es opostas, e a senten\u00e7a definir\u00e1 quais crit\u00e9rios devem ser seguidos na abertura de novas gradua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es foram ajuizadas em junho de 2022,\u00a0enquanto ainda estava em vigor a morat\u00f3ria de cinco anos imposta pelo governo de Michel Temer (MDB)\u00a0como uma forma de frear a cria\u00e7\u00e3o de turmas. O resultado, por\u00e9m, foi outro.<\/p>\n<p>Segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina), as institui\u00e7\u00f5es de ensino abriram 75 cursos de medicina durante o bloqueio \u2014cinco p\u00fablicos (tr\u00eas estaduais e dois federais) e 70 particulares, totalizando mais de 6.000 vagas. Parte das novas turmas j\u00e1 estava prevista no\u00a0\u00faltimo edital publicado antes da morat\u00f3ria, que autorizava 26 aberturas, e as demais foram autorizadas por liminares.<\/p>\n<p>O congelamento oficial acabou no in\u00edcio deste m\u00eas, e <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/portaria-n-650-de-5-de-abril-de-2023-475760025\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">o MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) publicou uma nova portaria<\/a>. O documento indica a necessidade de &#8220;equipamentos p\u00fablicos adequados, suficientes e de qualidade&#8221; ou o estabelecimento de parcerias com hospitais para viabilizar a parte pr\u00e1tica do curso. Tamb\u00e9m prev\u00ea novos chamamentos p\u00fablicos em at\u00e9 tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>Mas as faculdades entendem que a norma n\u00e3o ter\u00e1 efeito pr\u00e1tico enquanto o assunto n\u00e3o for avaliado no tribunal.<\/p>\n<p>A primeira a\u00e7\u00e3o no STF foi apresentada pela Anup (Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Universidades Particulares). A entidade pede que seja declarada constitucional a exig\u00eancia de um chamamento p\u00fablico para abertura de novos cursos particulares de medicina.<\/p>\n<p>Dias depois, o Crub (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras), que congrega 130 institui\u00e7\u00f5es de ensino p\u00fablicas, particulares e comunit\u00e1rias, tamb\u00e9m recorreu ao Supremo, por\u00e9m para solicitar a suspens\u00e3o da necessidade de chamamento. Para a organiza\u00e7\u00e3o, as autoriza\u00e7\u00f5es de novos cursos de medicina devem seguir o mesmo tr\u00e2mite das demais gradua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar dos pedidos antag\u00f4nicos, h\u00e1 um ponto em comum no posicionamento das entidades de classe. Todos citam a mercantiliza\u00e7\u00e3o dos cursos de medicina \u2013que desde 2010 quase dobraram, passando de 208 para 389\u2013 e afirmam estar\u00a0preocupados com a forma\u00e7\u00e3o dos futuros m\u00e9dicos. Atualmente, o pa\u00eds forma por ano aproximadamente 40,3 mil profissionais, segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina).<\/p>\n<h3 id=\"o-que-diz-a-lei\" class=\"c-news__subtitle\">O QUE DIZ A LEI?<\/h3>\n<p>O chamamento p\u00fablico obrigat\u00f3rio est\u00e1 estipulado na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2011-2014\/2013\/Lei\/L12871.htm\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Lei 12.871\/2013<\/a>, que instituiu o\u00a0programa Mais M\u00e9dicos. Pela norma, compete ao MEC indicar quais munic\u00edpios podem receber novos cursos de medicina e escolher entre as institui\u00e7\u00f5es de ensino interessadas.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o governo federal justificou que o processo seria uma forma de melhorar a distribui\u00e7\u00e3o de profissionais no pa\u00eds, mas\u00a0h\u00e1 d\u00favidas de que isso tenha sido alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/demografia.cfm.org.br\/dashboard\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">De acordo com o CFM, o pa\u00eds possui 564.385 m\u00e9dicos<\/a>, o que corresponde a uma taxa nacional de 2,65 profissionais por mil habitantes. No estado de S\u00e3o Paulo, essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, de 3,70 e no Rio de Janeiro chega a 4,07. J\u00e1 no Maranh\u00e3o a taxa \u00e9 de 1,27 e, no Amazonas, 1,44.<\/p>\n<div>\n<div id=\"infographic-1\" class=\"widget-infographic js-widget-infographic rs_skip\" data-url=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/graficos\/bubNH\/\" data-infographic-id=\"infographic-1\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/graficos\/bubNH\/?initialWidth=630&amp;childId=infographic-1&amp;parentTitle=Cursos%20de%20medicina%20proliferam%20%C3%A0%20espera%20do%20STF%20-%2029%2F04%2F2023%20-%20Equil%C3%ADbrio%20e%20Sa%C3%BAde%20-%20Folha&amp;parentUrl=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fequilibrioesaude%2F2023%2F04%2Fa-espera-do-stf-cursos-de-medicina-proliferam-com-pressao-por-qualidade.shtml\" width=\"100%\" height=\"787px\" frameborder=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>O Crub questiona tamb\u00e9m a legalidade da exig\u00eancia. Segundo o advogado da entidade, Dyogo Patriota, a regra fere a autonomia universit\u00e1ria e a livre concorr\u00eancia e beneficia os gigantes da educa\u00e7\u00e3o. &#8220;O que o MEC fez, na realidade, foi mercantilizar os cursos, e os grandes grupos souberam aproveitar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro edital [do Mais M\u00e9dicos] foi voltado \u00e0 regi\u00e3o mais rica e com mais m\u00e9dicos no Brasil, com preponder\u00e2ncia de cidades no Sudeste e no Sul e com muitas cidades da regi\u00e3o metropolitana de grandes capitais ou polos econ\u00f4micos, o que \u00e9 contr\u00e1rio aos objetivos de distribui\u00e7\u00e3o equitativa de m\u00e9dicos pelo pa\u00eds. O segundo, embora tenha finalmente focado nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, foi amplamente vencido pelos grandes grupos empresariais educacionais&#8221;, alega o Crub na peti\u00e7\u00e3o apresentada ao STF.<\/p>\n<p>Por outro lado, a presidente da Anup, Elizabeth Guedes, afirma que o chamamento \u00e9 uma forma de garantir a qualidade dos novos cursos de medicina, uma vez que estipula crit\u00e9rios al\u00e9m dos estabelecidos no Sinaes (Sistema Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior).<\/p>\n<p>A lei prev\u00ea, por exemplo, infraestrutura adequada, incluindo bibliotecas, laborat\u00f3rios e ambulat\u00f3rios; acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, cl\u00ednicas ou hospitais com as especialidades b\u00e1sicas; e corpo docente e t\u00e9cnico com capacidade para desenvolver pesquisa.<\/p>\n<p>O chamamento p\u00fablico considera ainda, na avalia\u00e7\u00e3o das entidades, aspectos econ\u00f4micos que favorecem empresas de capital aberto, como as gigantes representadas pela Anup, em detrimento do patrim\u00f4nio l\u00edquido, como defendem as institui\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio e pequeno porte do Crub.<\/p>\n<p>Para Guedes, h\u00e1 uma corrida pela abertura de turmas de medicina porque s\u00e3o mais rent\u00e1veis \u2014as mensalidades ultrapassam R$ 9.000\u2014 e t\u00eam menores taxas de desist\u00eancia e inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;As liminares geraram um mercado secund\u00e1rio&#8221;, critica. Ela coloca que os requisitos por liminar ou edital s\u00e3o desiguais e v\u00ea como natural o chamamento p\u00fablico beneficiar as empresas com mais recursos financeiros.<\/p>\n<h3 id=\"qual-a-opiniao-dos-medicos-e-dos-estudantes\" class=\"c-news__subtitle\">QUAL A OPINI\u00c3O DOS M\u00c9DICOS E DOS ESTUDANTES?<\/h3>\n<p>A AMB (Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira) e o CFM entendem n\u00e3o ser necess\u00e1rio abrir mais nenhum curso de medicina no pa\u00eds. Para as entidades, o Brasil tem m\u00e9dicos em quantidade suficiente e\u00a0\u00e9 ilus\u00f3rio crer que a abertura de vagas, por si, vai melhorar a distribui\u00e7\u00e3o dos profissionais.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso problema hoje n\u00e3o diz respeito ao n\u00famero, mas sim \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o\u00a0e \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma C\u00e9sar Fernandes, presidente da AMB. Ele ressalta que \u00e9 fundamental estudantes de medicina terem contato com pacientes tanto em unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade quanto em hospitais de m\u00e9dia e alta complexidade, mas isso n\u00e3o vem sendo observado.<\/p>\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os defendem como par\u00e2metros ideais a oferta de cinco leitos p\u00fablicos de interna\u00e7\u00e3o hospitalar para cada aluno no munic\u00edpio sede do curso; acompanhamento de cada equipe de Sa\u00fade da Fam\u00edlia por no m\u00e1ximo tr\u00eas alunos de gradua\u00e7\u00e3o e a exist\u00eancia de um hospital de ensino.<\/p>\n<div>\n<div id=\"infographic-2\" class=\"widget-infographic js-widget-infographic rs_skip\" data-url=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/graficos\/bubNH\/\" data-infographic-id=\"infographic-2\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/graficos\/bubNH\/?initialWidth=630&amp;childId=infographic-2&amp;parentTitle=Cursos%20de%20medicina%20proliferam%20%C3%A0%20espera%20do%20STF%20-%2029%2F04%2F2023%20-%20Equil%C3%ADbrio%20e%20Sa%C3%BAde%20-%20Folha&amp;parentUrl=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fequilibrioesaude%2F2023%2F04%2Fa-espera-do-stf-cursos-de-medicina-proliferam-com-pressao-por-qualidade.shtml\" width=\"100%\" height=\"787px\" frameborder=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Por\u00e9m 70% dos munic\u00edpios com cursos de medicina n\u00e3o t\u00eam hospital de ensino; 51% n\u00e3o t\u00eam leitos suficientes no SUS e 28% n\u00e3o t\u00eam um n\u00famero satisfat\u00f3rio de equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, segundo o CFM.<\/p>\n<p>A falta de estrutura para os cursos em funcionamento e a n\u00e3o exig\u00eancia desses crit\u00e9rios de forma expl\u00edcita na regulamenta\u00e7\u00e3o atual preocupam tamb\u00e9m os estudantes de medicina.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o somos contr\u00e1rios \u00e0 abertura de escolas. Somos contr\u00e1rios \u00e0 abertura indiscriminada, em locais sem leitos, sem hospital para que os alunos possam atender pacientes&#8221;, diz Rafael Lobo, presidente da Aemed-BR (Associa\u00e7\u00e3o dos Estudantes de Medicina do Brasil).<\/p>\n<h3 id=\"qual-o-posicionamento-do-governo-federal\" class=\"c-news__subtitle\">QUAL O POSICIONAMENTO DO GOVERNO FEDERAL?<\/h3>\n<p>A secret\u00e1ria de Gest\u00e3o do Trabalho e da Educa\u00e7\u00e3o na Sa\u00fade, Isabela Pinto, afirma que tanto o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade quanto o MEC t\u00eam mantido o di\u00e1logo com as entidades m\u00e9dicas e que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 reunir esfor\u00e7os para avaliar a quest\u00e3o com cuidado. Recentemente, o ministro Camilo Santana e o vice-presidente Geraldo Alckmin tiveram reuni\u00f5es com os presidentes do CFM e da AMB.<\/p>\n<p>Segundo a secret\u00e1ria, o governo est\u00e1 preocupado tanto com a melhor distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos quanto com a forma\u00e7\u00e3o de qualidade dos estudantes, e pretende adequar a for\u00e7a de trabalho ao perfil demogr\u00e1fico e fortalecer as pol\u00edticas de regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Questionada se os novos chamamentos trar\u00e3o os tr\u00eas crit\u00e9rios defendidos por m\u00e9dicos e estudantes, Isabela Pinto diz que as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para a parte pr\u00e1tica da gradua\u00e7\u00e3o ainda est\u00e3o em estudo. &#8220;Estamos checando os n\u00fameros a partir dos estudos, das evid\u00eancias, para ent\u00e3o explicitar todos esses crit\u00e9rios para abertura dos cursos.&#8221;<\/p>\n<p>O MEC tamb\u00e9m defende que a retomada dos chamamentos visa a diminuir a car\u00eancia de m\u00e9dicos em algumas regi\u00f5es. &#8220;Essa reordena\u00e7\u00e3o da oferta de vagas de gradua\u00e7\u00e3o em Medicina, por meio de medidas indutoras implementadas por parte do Estado, \u00e9 uma pol\u00edtica que pretende alterar a realidade brasileira a m\u00e9dio e longo prazo&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio pontua ainda que, embora o objetivo da morat\u00f3ria fosse promover maior controle sobre a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a medida acabou gerando judicializa\u00e7\u00e3o dos processos, e a Portaria n\u00ba 650 vem restabelecer as diretrizes.<\/p>\n<p>&#8220;Os crit\u00e9rios para os chamamentos p\u00fablicos est\u00e3o sendo elaborados no \u00e2mbito da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/decreto\/D11440.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%2011.440%2C%20DE%2020,que%20lhe%20confere%20o%20art.\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Comiss\u00e3o Interministerial de Gest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o na Sa\u00fade<\/a>\u00a0e ser\u00e3o publicados em at\u00e9 120 dias a partir da publica\u00e7\u00e3o da Portaria n\u00ba 650, ou seja, no in\u00edcio de agosto. Os primeiros editais de chamamento selecionar\u00e3o munic\u00edpios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Institui\u00e7\u00f5es de ensino superior aguardam uma decis\u00e3o do ministro Gilmar Mendes, do\u00a0STF\u00a0(Supremo Tribunal Federal), sobre o futuro dos cursos de medicina no pa\u00eds. Foram apresentadas \u00e0 corte duas a\u00e7\u00f5es opostas, e a senten\u00e7a definir\u00e1 quais crit\u00e9rios devem ser seguidos na abertura de novas gradua\u00e7\u00f5es. 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