{"id":16124,"date":"2023-09-27T08:01:01","date_gmt":"2023-09-27T11:01:01","guid":{"rendered":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=16124"},"modified":"2023-10-03T09:34:59","modified_gmt":"2023-10-03T12:34:59","slug":"qual-o-futuro-da-remuneracao-medica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2023\/09\/27\/qual-o-futuro-da-remuneracao-medica\/","title":{"rendered":"Qual o futuro da remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica?"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6509748?ecd=WNL_ptmdpls_230623_mscpedit_gen_etid5561429&amp;uac=432468CR&amp;impID=5561429\">MedScape<\/a><\/p>\n<p>Os novos modelos de remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, assim como o impacto deles na qualidade do atendimento e nos resultados alcan\u00e7ados, est\u00e3o entre os pontos mais problem\u00e1ticos e relevantes da atualidade para os profissionais vinculados a conv\u00eanios m\u00e9dicos e seguradoras. \u201cO sistema de sa\u00fade enfrenta n\u00e3o apenas uma crise relacionada a custos, mas principalmente uma crise relacionada ao valor. Essa nova disrup\u00e7\u00e3o traz consigo uma agenda que tem sido discutida desde 2006 e que tem nos levado a repensar a nossa pr\u00e1tica\u201d, observou o cardiologista Dr. Jo\u00e3o Fernando Monteiro Ferreira na abertura de uma sess\u00e3o dedicada ao tema no 43\u00ba Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de S\u00e3o Paulo (SOCESP).<\/p>\n<p>Os atuais modelos de remunera\u00e7\u00e3o baseados em valor prevalecem no ecossistema da sa\u00fade e s\u00e3o criticados por n\u00e3o estarem alinhados com o valor entregue aos pacientes. \u201cAs fontes pagadoras precisam adotar modelos de remunera\u00e7\u00e3o baseados em valor, em vez de se concentrar apenas nos custos envolvidos nos tratamentos. \u2018Valor\u2019, nesse contexto, \u00e9 quando conseguimos otimizar os resultados para os pacientes, levando em conta os custos financeiros envolvidos\u201d, explicou o Dr. Jo\u00e3o Fernando, que \u00e9 ex-presidente da SOCESP. Para ele, o foco atual dos m\u00e9dicos deve ser em obter os melhores desfechos e reduzir os gastos, levando em considera\u00e7\u00e3o a perspectiva do paciente, a do m\u00e9dico e os custos.<\/p>\n<p>Dentre as formas de remunera\u00e7\u00e3o por valor praticadas no mercado atualmente h\u00e1 diversas modalidades, como os pagamentos por desfecho, por pacote e por vida. De acordo com o m\u00e9dico, cada uma dessas op\u00e7\u00f5es \u00e9 mais adequada em cen\u00e1rios espec\u00edficos, mas isso ainda precisa ser mensurado e avaliado. Outro modelo que vem se disseminando no pa\u00eds \u00e9 a remunera\u00e7\u00e3o por epis\u00f3dio de cuidado, em que todos os profissionais envolvidos na assist\u00eancia a um paciente compartilham o risco financeiro do atendimento \u2014 o que os levaria a buscar o melhor custo-benef\u00edcio poss\u00edvel. Mais um formato \u00e9 o de responsabilidade compartilhada, no qual um prestador ou uma lista de prestadores \u00e9 respons\u00e1vel por todo o cuidado do paciente. \u201cNo entanto, o momento \u00e9 de muitas cr\u00edticas \u00e0 forma como os modelos de pagamento t\u00eam sido implementados, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da assist\u00eancia e aos indicadores de sa\u00fade\u201d, destacou o Dr. Jo\u00e3o Fernando.<\/p>\n<p>Um dos pontos enfatizados pelos debatedores da sess\u00e3o foi a necessidade de colabora\u00e7\u00e3o e alinhamento de interesses para garantir um atendimento com bons n\u00edveis de qualidade e custos adequados. \u201cIsso inclui prestadores de servi\u00e7os, fontes pagadoras, ind\u00fastrias de insumos e farmac\u00eauticas, ag\u00eancias reguladoras e pacientes\u201d, disse ao\u00a0<em>Medscape<\/em>\u00a0o Dr. Jo\u00e3o Fernando.<\/p>\n<p>Contudo, sem dados para informar decis\u00f5es, pouco se pode avan\u00e7ar na escolha e na implementa\u00e7\u00e3o de qualquer modelo. \u201cA tecnologia desempenha um papel crucial nessa transforma\u00e7\u00e3o, permitindo a coleta de dados sobre os desfechos dos pacientes e a mensura\u00e7\u00e3o dos resultados. O uso de ferramentas digitais e sistemas de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 essencial para o monitoramento cont\u00ednuo dos resultados e o aprimoramento da pr\u00e1tica m\u00e9dica\u201d, disse o palestrante Jo\u00e3o Gabriel Pagliuso, m\u00e9dico da economia da sa\u00fade no Hospital Israelita Albert Einstein. Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, ele compartilhou o\u00a0<em>link<\/em>\u00a0do \u201c<em>Dossi\u00ea de valor 2023<\/em>\u201d do hospital,\u00a0<sup>[<a>1<\/a>]<\/sup>\u00a0publica\u00e7\u00e3o que discute o papel de indicadores confi\u00e1veis e do acompanhamento institucional de cada etapa do relacionamento entre paciente e corpo cl\u00ednico. O documento deve servir de inspira\u00e7\u00e3o para que a divulga\u00e7\u00e3o de indicadores de valor se torne comum para os profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O Dr. Renato Azevedo, que foi vice-presidente da Socesp no auge da pandemia, disse em sua apresenta\u00e7\u00e3o sobre o tema que o atual sistema de financiamento p\u00fablico de sa\u00fade \u00e9 insustent\u00e1vel e que \u00e9 preciso buscar alternativas. O m\u00e9dico citou como par\u00e2metro um documento da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) que traz orienta\u00e7\u00f5es sobre a implementa\u00e7\u00e3o de um novo modelo de remunera\u00e7\u00e3o baseado em valor.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos nos familiarizar com esse conceito que pode trazer benef\u00edcios significativos para a comunidade\u201d, disse o m\u00e9dico, que abordou tamb\u00e9m os desafios enfrentados por planos de sa\u00fade e seguradoras, ressaltando a import\u00e2ncia de uma gest\u00e3o financeira adequada. Ele recomendou a leitura do \u201c<em>Guia para implementa\u00e7\u00e3o de modelos de remunera\u00e7\u00e3o baseados em valor<\/em>\u201d, da ANS, publicado em 2019.\u00a0<sup>[<a>2<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>O debate teve tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o do diretor da ANS, o Dr. Alexandre Fioranelli, que falou sobre os desafios dos sistemas de sa\u00fade relacionados ao aumento dos custos e \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. \u201cEm 2030, estima-se que o n\u00famero de idosos no Brasil ser\u00e1 maior do que o de jovens. Isso resultar\u00e1 em uma maior demanda por cuidados de sa\u00fade\u201d, disse o Dr. Alexandre. Segundo ele, as operadoras de sa\u00fade enfrentam alta sinistralidade \u2014 o que as preocupa cada vez mais \u2014 e existe um desconhecimento do perfil populacional por parte dessas empresas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos debatido com as operadoras sobre a necessidade de gerenciarem n\u00e3o apenas o acesso ao atendimento, mas tamb\u00e9m o cuidado com os pacientes. Existe uma falta de coordena\u00e7\u00e3o em todo o circuito iniciado com a entrada do paciente nos servi\u00e7os de assist\u00eancia, e h\u00e1 pouco investimento em preven\u00e7\u00e3o\u201d, disse o Dr. Alexandre. O gestor revelou ainda que uma pesquisa a ser publicada em breve pela ANS mostra que ao menos 33% dos munic\u00edpios brasileiros n\u00e3o disp\u00f5em de nenhum tipo de rede de sa\u00fade local.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao surgimento de novas tecnologias, o Dr. Alexandre destacou as mudan\u00e7as na incorpora\u00e7\u00e3o dessas ferramentas \u00e0 rede suplementar. \u201cH\u00e1 dois anos, o rol de procedimentos e eventos em sa\u00fade era revisado a cada dois anos. Agora, fazemos isso de modo cont\u00ednuo. \u201cAl\u00e9m das evid\u00eancias cient\u00edficas, a avalia\u00e7\u00e3o considera os custos das novas tecnologias para entender se s\u00e3o coerentes ou n\u00e3o com os benef\u00edcios adicionais\u201d, detalhou, lembrando que as reuni\u00f5es da ANS podem ser acompanhas pelo\u00a0<em>YouTube<\/em> e que qualquer pessoa pode pedir a incorpora\u00e7\u00e3o de uma nova tecnologia. \u201cQueremos que os profissionais e as sociedades m\u00e9dicas cada vez mais participem ativamente desse processo.\u201d<\/p>\n<p><b>Ponto de vista dos m\u00e9dicos<\/b><\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), Dr. C\u00e9sar Eduardo Fernandes, apresentou a perspectiva dos m\u00e9dicos sobre os principais problemas enfrentados na remunera\u00e7\u00e3o do trabalho. Em um breve panorama, explicou que a forma de pagamento dos profissionais depende do v\u00ednculo formal mantido com as operadoras, seja no sistema privado, em que o paciente paga diretamente, ou como m\u00e9dico credenciado ou preferenciado por um plano de sa\u00fade. H\u00e1 tamb\u00e9m m\u00e9dicos cooperados, vinculados a hospitais, cl\u00ednicas e laborat\u00f3rios, al\u00e9m dos que atuam como funcion\u00e1rios p\u00fablicos concursados.<\/p>\n<p>De acordo com o Dr. C\u00e9sar, \u00e9 fundamental saber se a categoria est\u00e1 satisfeita com os seus honor\u00e1rios e se os considera justos. \u201cTemos tido reajustes peri\u00f3dicos necess\u00e1rios ao longo do tempo? Como m\u00e9dicos, nosso trabalho impacta fortemente a sa\u00fade das pessoas, e a baixa remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 definida por n\u00f3s, mas sim pelos outros. N\u00e3o h\u00e1 valores m\u00e1ximos preconizados. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma falta de diferencia\u00e7\u00e3o na remunera\u00e7\u00e3o de acordo com a qualifica\u00e7\u00e3o profissional. Jovens m\u00e9dicos ou aqueles com alta experi\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o valorizados como deveriam, mesmo com previs\u00e3o normativa para isso. Na pr\u00e1tica privada [com operadoras de sa\u00fade], a fonte pagadora muitas vezes decide arbitrariamente os repasses aos m\u00e9dicos, algumas vezes chegando a apenas 30% do valor a ser pago\u201d, disse o presidente da AMB.<\/p>\n<p>Quanto aos modelos de remunera\u00e7\u00e3o propostos, n\u00e3o faltam pontos problem\u00e1ticos que podem prejudicar os m\u00e9dicos e precisam ser discutidos amplamente. \u201cDependendo do modelo, existe o risco de o neg\u00f3cio ser compartilhado com os m\u00e9dicos, por isso o pagamento pode se tornar vari\u00e1vel. Isso pode resultar em situa\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis que n\u00e3o est\u00e3o diretamente relacionadas ao trabalho m\u00e9dico, e h\u00e1 a possibilidade de n\u00e3o remunera\u00e7\u00e3o do profissional pela realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos, mesmo que haja previs\u00e3o normativa para isso\u201d, observou o Dr. C\u00e9sar.<\/p>\n<p>O especialista mencionou aspectos mais problem\u00e1ticos, como a remunera\u00e7\u00e3o por tempo dedicado ao paciente, que n\u00e3o leva em conta a complexidade do trabalho realizado e a forma\u00e7\u00e3o do profissional. \u201cNo sistema de sa\u00fade suplementar, a qualidade das consultas e a autonomia do m\u00e9dico podem ser prejudicadas por metas de quantidade de atendimentos e por protocolos que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o as evid\u00eancias cient\u00edficas. J\u00e1 no sistema de sa\u00fade p\u00fablica, n\u00e3o houve avan\u00e7o na proposta de carreira para m\u00e9dicos, algo defendido pelo movimento associativo da classe m\u00e9dica brasileira. \u00c9 essencial refletir sobre essas quest\u00f5es problem\u00e1ticas e buscar solu\u00e7\u00f5es que valorizem adequadamente o trabalho m\u00e9dico e garantam uma remunera\u00e7\u00e3o justa e condizente com a complexidade e a import\u00e2ncia da nossa profiss\u00e3o\u201d, disse o Dr. C\u00e9sar em entrevista ao\u00a0<em>Medscape<\/em>.<\/p>\n<p>Sobre a atua\u00e7\u00e3o da ANS em favor dessas reivindica\u00e7\u00f5es, o Dr. C\u00e9sar disse que a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o nova e vem sendo tratada pela ag\u00eancia h\u00e1 cerca de sete anos. \u201cA regula\u00e7\u00e3o e a fiscaliza\u00e7\u00e3o das operadoras por parte da ANS t\u00eam sido insuficientes, mas recentemente tem havido uma maior preocupa\u00e7\u00e3o nesse sentido\u201d, disse ele. Para o Dr. C\u00e9sar, \u00e9 essencial que a categoria m\u00e9dica participe desse debate o quanto antes para fortalecer a defesa dos seus interesses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape Os novos modelos de remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, assim como o impacto deles na qualidade do atendimento e nos resultados alcan\u00e7ados, est\u00e3o entre os pontos mais problem\u00e1ticos e relevantes da atualidade para os profissionais vinculados a conv\u00eanios m\u00e9dicos e seguradoras. \u201cO sistema de sa\u00fade enfrenta n\u00e3o apenas uma crise relacionada a custos, mas principalmente uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16126,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-16124","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16124","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16124"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16124\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16127,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16124\/revisions\/16127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}