{"id":16180,"date":"2023-08-28T14:01:51","date_gmt":"2023-08-28T17:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=16180"},"modified":"2023-09-02T07:00:40","modified_gmt":"2023-09-02T10:00:40","slug":"perfil-dra-graca-dias-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2023\/08\/28\/perfil-dra-graca-dias-2\/","title":{"rendered":"Perfil: Dra. Gra\u00e7a Dias"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da Sociedade de Endoscopia Digestiva est\u00e1 vinculada \u00e0 vida da Dra. Gra\u00e7a Dias, S\u00f3cia Fundadora da SOBED Nacional e uma das pioneiras do Cap\u00edtulo Rio de Janeiro. Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria desta grande mulher da especialidade, em mais uma mat\u00e9ria da s\u00e9rie: \u201cPerfil de grandes nomes da Endoscopia\u201d.<\/p>\n<p>Nascida em Bel\u00e9m do Par\u00e1 no seio de uma numerosa fam\u00edlia, Dra. Gra\u00e7a Dias cresceu buscando o conhecimento: \u201cTenho orgulho de ser a quarta filha de um casal valente, digno, am\u00e1vel e de bem com a vida simples. Exemplos de luta, &nbsp;educaram os filhos para buscar o saber e ter &nbsp;responsabilidade\u201d.<\/p>\n<p>Sempre determinada, escolheu a carreira de m\u00e9dica. Quando chegou ao 5\u00ba ano do Curso de Medicina do Centro Biom\u00e9dico da UFPA sentiu o chamado para a Endoscopia:<\/p>\n<p>\u201cPensava em fazer Cl\u00ednica Geral e talvez, depois, Cardiologia. Mas recebi um paciente com hist\u00f3ria de hemat\u00eamese a esclarecer, e o meu orientador o encaminhou para uma Endoscopia Digestiva Alta. O examinador era o Prof. Dr. Henrique Oti, cirurgi\u00e3o\/endoscopista rec\u00e9m-chegado da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Jap\u00e3o. Ele foi o pioneiro da Endoscopia no estado do Par\u00e1. Naquele momento, decidi que era Endoscopia o que eu queria fazer, tal o encantamento que me despertou.\u201d<\/p>\n<p>Dra. Gra\u00e7a sempre teve grande admira\u00e7\u00e3o pela cultura japonesa e estudou japon\u00eas na UFPA. Assim sendo, mantinha contato com o corpo consular do Jap\u00e3o, em Bel\u00e9m, o que facilitou que ela atendesse o conselho de seu orientador para estudar no exterior. Foi aprovada em Concurso para Pesquisa Cient\u00edfica como bolsista do Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o (<em>Mombushoo<\/em>). Muito honrada e agradecida, ela relembra a feliz experi\u00eancia dos anos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cDepois de minha formatura na UFPA, fui aceita no Departamento de Medicina Interna da Universidade de Chiba, Jap\u00e3o cujo chefe era o Prof. Dr. Kunio Okuda. A equipe de Endoscopia e Radiologia Digestiva era chefiada pelo Dr. Mamoru Nishizawa, o <em>sensei<\/em> que se tornou depois um grande amigo. Foi nesse grupo que fui treinada por dois anos. De acordo com o projeto inicial, trabalhei na linha de pesquisa oncol\u00f3gica, com o diagn\u00f3stico precoce do c\u00e2ncer g\u00e1strico. Al\u00e9m do programa do <em>Mombushoo,<\/em> no Hospital Universit\u00e1rio, frequentava simultaneamente o Chiba Cancer Center e o Hospital de Nishi Funabashi com o mesmo grupo. A atividade era intensa, disciplinada e altamente produtiva, uma influ\u00eancia inigual\u00e1vel na minha forma\u00e7\u00e3o. &nbsp;Minha experi\u00eancia de vida foi muito favorecida pelo ambiente saud\u00e1vel, estimulante e pela riqueza de ensinamentos que conseguia absorver da cultura japonesa\u201d.<\/p>\n<p>Dra. Gra\u00e7a teve as primeiras refer\u00eancias sobre a Endoscopia Digestiva brasileira e os projetos de criar uma sociedade de endoscopistas no Brasil, atrav\u00e9s dos saudosos Professores Dr. Glaciomar Machado e Dr. Jos\u00e9 Martins Job, que visitaram o Jap\u00e3o naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Voltou ao Brasil a tempo de estar na funda\u00e7\u00e3o da SOBED, em Curitiba, e \u201ctestemunhar todo o esfor\u00e7o dos pioneiros de realizar um sonho, motivar, criar, organizar, estabelecer estatutos, legalizar para que a nossa sociedade existisse\u201d. Admira com prazer a manuten\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito associativo criado. \u201cA grandeza alcan\u00e7ada pela SOBED hoje em dia, comprova a for\u00e7a do sonho, a efic\u00e1cia do prop\u00f3sito, da intelig\u00eancia e da continuidade do esfor\u00e7o pelos mais jovens\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um breve per\u00edodo trabalhando com Radiologia Digestiva em Bel\u00e9m, com t\u00e9cnica de duplo contraste radiol\u00f3gico, Dra. Gra\u00e7a finalmente estabeleceu-se no Rio de Janeiro onde vive at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Dra. Gra\u00e7a teve a oportunidade de fazer a diferen\u00e7a no Brasil trazendo todo o conhecimento adquirido e buscando ampli\u00e1-lo pelo aprendizado constante com os colegas brasileiros, visitas de reciclagem ao Jap\u00e3o e em eventos internacionais da especialidade.<\/p>\n<p>Obteve o t\u00edtulo de Mestre em Sa\u00fade da Mulher e da Crian\u00e7a, no Instituto Fernandes Figueira- FIOCRUZ .<\/p>\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o profissional<\/strong><\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, come\u00e7ou a trabalhar no Hospital dos Servidores do Estado, INAMPS. Planejou e montou o atendimento de Endoscopia Digestiva da Cl\u00ednica Medica onde trabalhou como endoscopista e monitora de endoscopia dos residentes de gastroenterologia, por 14 anos. Simultaneamente, no INCA, como estagi\u00e1ria, continuou o treinamento em endoscopia oncol\u00f3gica com Dr. Jurandir de Almeida Dias e atuou por dois anos como m\u00e9dica endoscopista colaboradora volunt\u00e1ria. No IASERJ, trabalhou por tr\u00eas anos como m\u00e9dica endoscopista contratada. No Inst. de Pediatria e Puericultura Martag\u00e3o Gesteira, IPPMG, do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da UFRJ, trabalhou como professora colaboradora volunt\u00e1ria por 5 anos, introduzindo o atendimento regular de Endoscopia Digestiva Pedi\u00e1trica no Instituto.<\/p>\n<p>Diante de uma trajet\u00f3ria consistente, sua mais longa contribui\u00e7\u00e3o foi a partir de 1990 quando foi transferida para o Instituto Fernandes Figueira, Fiocruz. &nbsp;Dra. Gra\u00e7a e o saudoso Dr. Guilherme Millward criaram o Servi\u00e7o de Endoscopia Pedi\u00e1trica Digestiva e Respirat\u00f3ria do IFF, subordinado ao Dept. de Cirurgia Pedi\u00e1trica, cujo chefe, Dr. Paulo Roberto Boechat, foi o grande mentor e apoiador do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Trabalhou no Instituto Fernandes Figueira por 18 anos at\u00e9 a aposentadoria do Servi\u00e7o de Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n<p>Em paralelo, Dra. Gra\u00e7a atuou na atividade privada em consult\u00f3rio particular de endoscopia, que manteve por cerca de 35 anos. Tamb\u00e9m trabalhou na Cl\u00ednica AMIU (Assist\u00eancia M\u00e9dica Infantil de Urg\u00eancia), por cerca de 30 anos, atendendo pacientes pedi\u00e1tricos e adolescentes, em endoscopias de emerg\u00eancia e eletivas. Logo ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o do Hospital Pr\u00f3 Crian\u00e7a Jutta Batista, sua equipe iniciou o atendimento regular dos pacientes internados e ambulatoriais, de endoscopia diagn\u00f3stica e terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Falar da carreira profissional da Dra. Gra\u00e7a \u00e9 falar tamb\u00e9m de sua &nbsp;atua\u00e7\u00e3o na SOBED.<\/p>\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o na SOBED<\/strong><br \/>\nS\u00f3cia Fundadora da SOBED NAC (1975); Membro Titular da SOBED ; Especialista em Endoscopia Digestiva pela AMB; Secret\u00e1ria da SOBED RJ (1983), na gest\u00e3o do Dr. Gilberto Mansur; Presidente da Comiss\u00e3o de Divulga\u00e7\u00e3o da SOBED NAC (1983); Presidente do Cap\u00edtulo SOBED RJ (1996-1998); Diretora do Dept. de Endoscopia Pedi\u00e1trica da SOBED RJ (1998-2000); Vice-presidente da SOBED Nacional (2002-<br \/>\n2004), na gest\u00e3o do Dr. Fl\u00e1vio Quilicci; Presidente da Comiss\u00e3o de Reforma administrativa da SOBED NAC (2002); Membro do N\u00facleo de Endoscopia Pedi\u00e1trica da SOBED NAC (2002- 2004)<\/p>\n<p>O Cap\u00edtulo do Rio de Janeiro foi criado poucos anos depois da SOBED Nacional. Durante o per\u00edodo em que Dra. Gra\u00e7a esteve na presid\u00eancia da SOBED-RJ, o Cap\u00edtulo do Rio de Janeiro completou 20 anos de funda\u00e7\u00e3o, como ela fez quest\u00e3o de relembrar:<\/p>\n<p>\u201cCelebramos a data inaugurando a sede pr\u00f3pria no&nbsp; bairro da Lapa. A sede era um antigo desejo a realizar, pela necessidade que t\u00ednhamos de ter um local para reunir, arquivar nossos documentos e mem\u00f3rias, planejar a\u00e7\u00f5es, organizar eventos, aulas e dar apoio aos associados em pesquisas, projetos, planejamento e legaliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Enfim, seria o local de concentra\u00e7\u00e3o da vida administrativa e associativa. A ideia era tamb\u00e9m, se poss\u00edvel, ter um audit\u00f3rio para as reuni\u00f5es mensais com os pr\u00f3prios equipamentos de proje\u00e7\u00e3o e \u00e1udio. A inaugura\u00e7\u00e3o da sede foi um evento especial que reuniu os ex-presidentes e a maioria dos s\u00f3cios titulares e convidados. Foi uma AGO que culminou com a elei\u00e7\u00e3o do Dr. Paulo Pinho para o mandato seguinte\u201d.<\/p>\n<p>Ao ser perguntada como foi poss\u00edvel comprar, reformar e montar as tr\u00eas salas da SOBED-RJ, Dra. Gra\u00e7a ressalta que os recursos foram alcan\u00e7ados com a colabora\u00e7\u00e3o de todos os associados atrav\u00e9s da renda obtida com o sucesso dos Cursos de Endoscopia Diagn\u00f3stica e Terap\u00eautica, promovidos nos dois anos de seu mandato:<\/p>\n<p>\u201cOs cursos eram pagos. Os s\u00f3cios com maior experi\u00eancia ministravam as aulas programadas e todos se inscreviam para assistir e participar. Todos sabiam do objetivo duplo, manter-se atualizado e colaborar para a forma\u00e7\u00e3o de caixa para comprar a sede pr\u00f3pria. A arrecada\u00e7\u00e3o foi suficiente para alcan\u00e7ar o objetivo\u201d.<\/p>\n<p>Dra. Gra\u00e7a recorda que a diretoria contava com uma colaboradora respons\u00e1vel pela sede. E para a compra foi feita pesquisa de mercado e de local adequado, tudo dentro do or\u00e7amento do Cap\u00edtulo. Tudo era discutido, decidido e planejado pela diretoria e seus colaboradores. E desta forma, a sede foi comprada, remodelada, mobiliada e inaugurada com os esfor\u00e7os de todos os s\u00f3cios do Rio de Janeiro. Muito honrada, ela agradece a todos pela confian\u00e7a, apoio, entusiasmo e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades do Cap\u00edtulo da SOBED RJ, durante o seu mandato (1996-1998). Agradece em especial, aos professores que gentilmente se dispunham a dar as aulas e fazer demonstra\u00e7\u00f5es ao vivo.<\/p>\n<p>Segundo ela, nesse per\u00edodo, a comunica\u00e7\u00e3o entre a Diretoria e os s\u00f3cios Titulares e Aspirantes era feita por correio atrav\u00e9s de um Boletim Informativo Mensal, pr\u00e1tica introduzida em 1983, quando Dra. Gra\u00e7a era secret\u00e1ria da SOBED RJ.<\/p>\n<p>\u201cOs chefes de servi\u00e7o dos v\u00e1rios hospitais eram a ponte de contato entre suas equipes e a SOBED RJ, tanto para engajar nos estudos, participar de cursos, quanto para conquistar novos afiliados e estimular a Prova de T\u00edtulo de Especialista, os grandes objetivos da diretoria, na \u00e9poca. A resposta a essas pr\u00e1ticas foi muito boa e estimulante! A SOBED tem um papel agregador e de elevar o n\u00edvel profissional dos s\u00f3cios e, isso, constatei com satisfa\u00e7\u00e3o, naqueles dois anos\u201d.<\/p>\n<p>Dra. Gra\u00e7a recorda que pouco tempo depois, tornou-se vice-presidente da SOBED Nacional na gest\u00e3o do Prof. Dr. Fl\u00e1vio Quilicci. \u201cColaborar como vice-presidente da SOBED, foi uma grande honra. Grande responsabilidade em auxiliar na organiza\u00e7\u00e3o de Semin\u00e1rio e SBAD, lutar pelo reconhecimento da especialidade, rever estatuto e tentar contato com as m\u00faltiplas Comiss\u00f5es e Departamentos da Sociedade, com s\u00f3cios dispersos por todo o territ\u00f3rio nacional. A atua\u00e7\u00e3o na SOBED, cap\u00edtulo e nacional, foi uma experi\u00eancia envolvente e desafiadora, que trouxe muita aprendizagem, amadurecimento e satisfa\u00e7\u00f5es\u201d. Para ela, em especial, uma das mais marcantes conquistas nesse per\u00edodo foi a cria\u00e7\u00e3o do <em>N\u00facleo de Endoscopia Pedi\u00e1trica da SOBED Nacional<\/em>. A partir de ent\u00e3o, todos os eventos da SOBED (semin\u00e1rios e SBAD) reservam tempo e espa\u00e7o para estudo e discuss\u00e3o de temas pedi\u00e1tricos, em atividades programadas pelos representantes do N\u00facleo.<\/p>\n<p><strong>Equipamentos<\/strong><br \/>\nAo longo de sua carreira, Dra. Gra\u00e7a relata que do fibro ao videosc\u00f3pio, assistiu e participou da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos aparelhos. Relatou que a Universidade de Chiba, Jp, onde estudou, recebia os engenheiros industriais do maior fabricante da \u00e9poca, com os prot\u00f3tipos de seus aparelhos para teste de qualidade. Buscavam a excel\u00eancia do modelo na leveza, flexibilidade, melhor qualidade de imagem e facilidade para o uso de acess\u00f3rios, al\u00e9m de um menor calibre. &nbsp;\u201cConheci o prot\u00f3tipo do modelo pedi\u00e1trico que comprei logo depois de lan\u00e7ado no mercado\u201d. Chegou enfim, a era do videosc\u00f3pio e tudo ficou mais elegante e simples. Ela observou que a exposi\u00e7\u00e3o ao vivo das imagens no monitor, para toda a equipe presente, permite a opini\u00e3o dos assistentes o que torna o diagn\u00f3stico mais robusto e tamb\u00e9m facilita o ensino. A documenta\u00e7\u00e3o visual ficou excelente, enriquecendo o material de pesquisa e de apresenta\u00e7\u00f5es. Enquanto isso, cl\u00ednicos e cirurgi\u00f5es passaram a ver imagens endosc\u00f3picas e n\u00e3o apenas as descri\u00e7\u00f5es dos laudos.<\/p>\n<p><strong>Endoscopia Pedi\u00e1trica<\/strong><\/p>\n<p>Para a Dra. Gra\u00e7a a Endoscopia Pedi\u00e1trica foi a culmina\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o profissional. Como j\u00e1 foi mencionado, sua forma\u00e7\u00e3o endosc\u00f3pica b\u00e1sica foi em adultos e a linha de pesquisa, oncol\u00f3gica. O Hospital dos Servidores do Estado, (HSE) INAMPS, onde iniciou sua carreira profissional, no entanto, era um hospital geral de grande porte, com v\u00e1rios Servi\u00e7os que contavam com o apoio da endoscopia, inclusive uma Gastropediatria e Cirurgia Pedi\u00e1trica muito atuantes e refer\u00eancias no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cFoi essa necessidade l\u00f3gica, o gatilho que me deu o privil\u00e9gio de me aproximar, entrar e atuar no mundo pedi\u00e1trico. Reconhe\u00e7o humildemente no in\u00edcio, a inseguran\u00e7a e timidez que sentia por desconhecer as patologias pr\u00f3prias das crian\u00e7as. Disso estava consciente. Duas inesquec\u00edveis figuras humanas do HSE ajudaram e deram todo o apoio e incentivo que eu precisava, a Dra. Creuza Canabrava Mesquita, chefe da Gastropediatria, e Dr. Oct\u00e1vio Freitas Vaz, precursor da Cirurgia Pedi\u00e1trica no Brasil, ambos falecidos. &nbsp;Traziam seus casos, oferecendo com generosidade valiosos ensinamentos de sua longa e bem-sucedida carreira.&nbsp; A meu pedido, acompanhavam pessoalmente os exames (especialmente os procedimentos terap\u00eauticos), orientando e confiando no meu trabalho. A mem\u00f3ria que guardo deles \u00e9 repleta de carinho e reconhecimento.<\/p>\n<p>No final dos anos 80 n\u00e3o havia muitas publica\u00e7\u00f5es sobre Endoscopia Pedi\u00e1trica e, segundo ela, poucos servi\u00e7os pedi\u00e1tricos brasileiros podiam contar com endoscopia.<\/p>\n<p>Foi em 1990 no Instituto Fernandes Figueira, FIOCRUZ, a convite do Dr. Paulo Boechat, diretor e chefe do servi\u00e7o de Cirurgia Pedi\u00e1trica que finalmente Dra. Gra\u00e7a e Dr. Guilherme Milward criaram e come\u00e7aram a atuar no primeiro centro especializado em Endoscopia Pedi\u00e1trica do Rio. A atividade era assistencial, de ensino e pesquisa, com muito est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de trabalhos observacionais nas linhas de endoscopia diagn\u00f3stica e principalmente terap\u00eautica, aplicada \u00e0 patologia pedi\u00e1trica<strong>. <\/strong>Tornou-se logo servi\u00e7o de refer\u00eancia no Rio e com atendimento de casos tamb\u00e9m de outros estados.<\/p>\n<p>Diz a Dra. Gra\u00e7a que o trabalho lado a lado com os colegas de Gastropediatria e Cirurgia Pedi\u00e1trica do Rio, de outros estados e do Exterior, garantia, pelo di\u00e1logo, uma constante e rica aprendizagem. Acima de tudo, esses colegas eram o term\u00f4metro para o controle de qualidade e valida\u00e7\u00e3o dos procedimentos nas crian\u00e7as. Assim como tinha acontecido com os adultos, a endoscopia digestiva pedi\u00e1trica foi logo reconhecida como um impacto positivo nos protocolos de atendimento cl\u00ednico e cir\u00fargico das crian\u00e7as em todos os centros.<\/p>\n<p>Ela destaca que as interven\u00e7\u00f5es endosc\u00f3picas na hemorragia digestiva por ruptura de varizes de es\u00f4fago das crian\u00e7as, por exemplo, provocou um impacto t\u00e3o grande ou maior do que o que se tinha observado nos pacientes adultos. \u201cA etiologia era outra e, doen\u00e7as cong\u00eanitas como atresia de vias biliares, que acometem gravemente crian\u00e7as, exigiam um grupo multidisciplinar habilitado para mant\u00ea-las bem at\u00e9 o transplante hep\u00e1tico. EVE e as LEV contribu\u00edram muito para isso influenciando na sobrevida dos pacientes\u201d. Patologias pr\u00f3prias da popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica, como as estenoses de es\u00f4fago cong\u00eanitas e as adquiridas em acidentes ou em corre\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas, eram indica\u00e7\u00e3o habitual no servi\u00e7o. Da mesma forma, acidentes com ingest\u00e3o de corpos estranhos e as les\u00f5es causadas por ingest\u00e3o de subst\u00e2ncias c\u00e1usticas eram situa\u00e7\u00f5es que tornam \u00fanico o perfil de trabalho do endoscopista pedi\u00e1trico. As doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais e as poliposes com manifesta\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia come\u00e7aram a ter avalia\u00e7\u00e3o e acompanhamento a m\u00e9dio e longo prazo, com Colonoscopia e Polipectomias. Todo esse leque de observa\u00e7\u00f5es transfomaram-se em frequentes apresenta\u00e7\u00f5es em eventos cient\u00edficos da SOBED, da Soc. De Pediatria e do CIPE.<\/p>\n<p>\u201cResultaram ainda em <strong>cap\u00edtulos de livros de Endoscopia e Pediatria<\/strong> que tive muita honra de escrever s\u00f3 e com colaboradores: &nbsp;<em>Endoscopia Digestiva<\/em> <em>(SOBED,<\/em> Editora Medsi,1994); <em>Endoscopia Digestiva (SOBED,<\/em> Revinter, 2000); <em>Afec\u00e7\u00f5es gastrointestinais da crian\u00e7a e do adolescente<\/em> (Ed. Revinter, 2003); <em>Gastroenterologia e Hepatologia em Pediatria <\/em>(Ed. Medsi, 2003); <em>Endoscopia Pedi\u00e1trica<\/em> (Ed. Medsi, 2004); <em>Endoscopia Digestiva (SOBED,<\/em> Revinter, 2005); <em>Tratado de Pediatria<\/em> (Ed. Manole e Sociedade Brasileira de Pediatria, 2007); <em>Gastroenterologia e Nutri\u00e7\u00e3o em Pediatria<\/em> (Ed. Manole, 2012).<\/p>\n<p>O trabalho, estudo e a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica local e o mais importante, a busca ativa de v\u00ednculos com outros centros pedi\u00e1tricos do Brasil para fortalecimento e expans\u00e3o da Endoscopia Pedi\u00e1trica, levou \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do <strong>I ENDOPED<\/strong>. O encontro, com tem\u00e1rio de endoscopia respirat\u00f3ria e digestiva, foi realizado em 1999, no Rio de Janeiro e patrocinado pela SOBED RJ e o Instituto Fernandes Figueira, FIORUZ. Foi uma novidade nas falas e imagens, expondo pela primeira vez \u00e0 comunidade um outro olhar sobre o alcance da endoscopia, agora voltada para o paciente pedi\u00e1trico. Contou com a participa\u00e7\u00e3o de colegas de v\u00e1rios estados e desse encontro que se tornou marcante, resultou uma valiosa carta para a Diretoria da SOBED Nacional solicitando a cria\u00e7\u00e3o, na sua grade organizacional, de um N\u00facleo de Endoscopia Pedi\u00e1trica, o que foi finalmente atendido em 2002, na gest\u00e3o do Dr. Fl\u00e1vio Quilicci.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 citado acima, em 2004, foi publicado o livro\/atlas \u201cEndoscopia Pedi\u00e1trica\u201d pela editora Medsi, com a colabora\u00e7\u00e3o de profissionais da \u00e1rea respirat\u00f3ria e digestiva, brasileiros e com alguns convidados internacionais. Os editores foram Dr. Guilherme Milward e Dra. Gra\u00e7a Dias.<\/p>\n<p><strong>Fotografia e Arte<\/strong><\/p>\n<p>Dra. Gra\u00e7a se diz muito agradecida e satisfeita com as oportunidades que a vida profissional e social lhe fez experimentar. \u201cMuito aprendi com admir\u00e1veis mentores, especialistas e entusiasmados colegas de profiss\u00e3o, alguns grandes amigos. Tinha o \u00f4nus do pioneirismo mas, gentilmente confiaram, ofereceram apoio e colaboraram muito para a realiza\u00e7\u00e3o dos projetos. Isso n\u00e3o tem pre\u00e7o. A meta sempre foi fazer o melhor poss\u00edvel com os meios que t\u00ednhamos naquele momento. Tudo valeu a pena pois foi feito com muito amor pelos pacientes, pelo&nbsp; avan\u00e7o da especialidade e pela SOBED\u201d.<\/p>\n<p>Com a aposentadoria, Dra. Gra\u00e7a conquistou mais tempo para desenvolver outras habilidades e atender melhor seu interesse especial por fotografia, arte, natureza e viagens. \u201cA endoscopia, como arte, me ofereceu, entre outras vantagens, a oportunidade de aperfei\u00e7oar o olhar, uma das exig\u00eancias b\u00e1sicas da arte fotogr\u00e1fica, minha atual paix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Dra. Gra\u00e7a j\u00e1 ficou conhecida pelo seu talento fotogr\u00e1fico, inclusive participou de duas exposi\u00e7\u00f5es coletivas no CREMERJ e da Exposi\u00e7\u00e3o Metamorfoses, que ficou em cartaz, em fevereiro desse ano, no Espa\u00e7o Oscar Niemeyer, em Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n<p>A SOBED RJ agradece e parabeniza pelos anos dedicados e deseja muito sucesso e realiza\u00e7\u00e3o pessoal!<\/p>\n<p><strong>GALERIA DE FOTOS<\/strong><\/p>\nngg_shortcode_0_placeholder\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da Sociedade de Endoscopia Digestiva est\u00e1 vinculada \u00e0 vida da Dra. Gra\u00e7a Dias, S\u00f3cia Fundadora da SOBED Nacional e uma das pioneiras do Cap\u00edtulo Rio de Janeiro. Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria desta grande mulher da especialidade, em mais uma mat\u00e9ria da s\u00e9rie: \u201cPerfil de grandes nomes da Endoscopia\u201d. 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