{"id":1660,"date":"2016-01-11T12:50:41","date_gmt":"2016-01-11T12:50:41","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1660"},"modified":"2016-01-18T12:08:33","modified_gmt":"2016-01-18T12:08:33","slug":"nova-tecnica-faz-celulas-de-tumor-brilharem-para-facilitar-remocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2016\/01\/11\/nova-tecnica-faz-celulas-de-tumor-brilharem-para-facilitar-remocao\/","title":{"rendered":"Nova t\u00e9cnica faz c\u00e9lulas de tumor \u2018brilharem\u2019 para facilitar remo\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Uma das grandes dificuldades de m\u00e9dicos em cirurgias para remo\u00e7\u00e3o de tumores \u00e9 identificar todas as c\u00e9lulas doentes. N\u00e3o raro, um resto de tecido cancer\u00edgeno na borda do tumor permanece no paciente, o que aumenta o risco de a doen\u00e7a voltar. A solu\u00e7\u00e3o para esse problema, no entanto, pode estar pr\u00f3xima. Cientistas da Universidade Duke, nos EUA, acabam de testar uma subst\u00e2ncia injet\u00e1vel que faz com que as c\u00e9lulas de c\u00e2ncer se tornem fluorescentes. Assim, a identifica\u00e7\u00e3o fica mais precisa e r\u00e1pida, facilitando a remo\u00e7\u00e3o de todo o tumor na primeira tentativa.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo foi desenvolvido em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em ingl\u00eas) e a Lumicell Inc, empresa especializada na detec\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer criada pelo MIT.<\/p>\n<p>Publicado ontem na revista \u201cScience Translational Medicine&#8221;, o estudo feito com 15 pacientes submetidos \u00e0 retirada de sarcoma e c\u00e2ncer de mama evidencia que o agente, um l\u00edquido azul chamado LUM015 injetado no paciente no in\u00edcio da cirurgia, facilitou a identifica\u00e7\u00e3o de tecidos cancerosos sem efeitos adversos. Principal autor da pesquisa, o especialista David Kirsch ressaltou que este \u00e9 o primeiro agente de imagem para c\u00e2ncer ativado por enzimas que teve sua seguran\u00e7a comprovada em humanos.<\/p>\n<p>\u2014 O objetivo \u00e9 dar aos cirurgi\u00f5es uma tecnologia pr\u00e1tica e r\u00e1pida, que lhes permita fazer uma varredura do tumor durante a cirurgia em busca de qualquer fluoresc\u00eancia residual \u2014 destaca Kirsch, que \u00e9 professor de radia\u00e7\u00e3o oncol\u00f3gica, farmacologia e biologia do c\u00e2ncer na Universidade Duke.<\/p>\n<p>A fluoresc\u00eancia criada por essa subst\u00e2ncia torna o tecido tumoral, em m\u00e9dia, cinco vezes mais brilhante do que o tecido normal. No entanto, o resultado n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel a olho nu. S\u00f3 pode ser detectado por um dispositivo port\u00e1til com uma c\u00e2mara sens\u00edvel, que tamb\u00e9m foi desenvolvido pela Lumicell.<\/p>\n<p><strong>TECNOLOGIA ATUAL \u00c9 FALHA<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, segundo autores do estudo, oncologistas contam com tecnologias de imagem transversal, como resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e tomografia computadorizada, para indicar a localiza\u00e7\u00e3o do tumor. Mas, em alguns casos, tecidos doentes nas margens do tumor n\u00e3o s\u00e3o detectados, o que, em geral, exige uma nova cirurgia e, possivelmente, radioterapia.<\/p>\n<p>\u2014 Um patologista pode examinar o tecido em busca de c\u00e9lulas cancerosas na borda do tumor com um microsc\u00f3pio, mas, devido ao tamanho do c\u00e2ncer, \u00e9 imposs\u00edvel rever toda a superf\u00edcie na opera\u00e7\u00e3o \u2014 explica Kirsch.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Cl\u00ednica (Sboc), Gustavo Fernandes, a nova tecnologia \u00e9 bem-vinda.<\/p>\n<p>\u2014 Se o cirurgi\u00e3o tira menos tecido do que o necess\u00e1rio, depois precisar\u00e1 informar o paciente de que ele ainda tem res\u00edduos de c\u00e2ncer e ter\u00e1 que voltar \u00e0 mesa. Se tira demais, pode prejudicar um nervo do paciente, deixando sequelas como perda de movimento de um bra\u00e7o, por exemplo. A precis\u00e3o \u00e9 determinante para a qualidade de vida do paciente \u2014 afirmou Fernandes.<\/p>\n<p>O oncologista considera que a t\u00e9cnica \u00e9 particularmente interessante para a retirada de tumores no c\u00e9rebro. Nesses casos, mesmo uma pequena interfer\u00eancia nas c\u00e9lulas saud\u00e1veis pode causar um grande dano.<\/p>\n<p>Toda opera\u00e7\u00e3o tem o objetivo de remover 100% do tumor, al\u00e9m de uma margem de tecido normal em torno das bordas, explica outro autor dos testes com a subst\u00e2ncia injet\u00e1vel, Brian Brigman, chefe de Oncologia Ortop\u00e9dica da Universidade Duke. O procedimento atual exige que, em seguida, patologistas analisem as margens do tumor por v\u00e1rios dias at\u00e9 poderem determinar se elas est\u00e3o saud\u00e1veis. Por isso, a falta de precis\u00e3o pode ser grande.<\/p>\n<p>\u2014 Esta t\u00e9cnica patol\u00f3gica para determinar se o tumor permanece no paciente \u00e9 o melhor sistema que temos atualmente, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o preciso quanto gostar\u00edamos \u2014 pondera Brigman.<\/p>\n<p>No momento, pesquisadores avaliam a seguran\u00e7a e a efic\u00e1cia do LUM015 e do dispositivo de imagem. Eles est\u00e3o fazendo um estudo prospectivo com 50 mulheres com c\u00e2ncer de mama. Depois disso, segundo Davd Kirsch, v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es devem avaliar se a tecnologia pode de fato diminuir o n\u00famero de pacientes que necessitam de mais de uma cirurgia ap\u00f3s a primeira remo\u00e7\u00e3o do tumor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Uma das grandes dificuldades de m\u00e9dicos em cirurgias para remo\u00e7\u00e3o de tumores \u00e9 identificar todas as c\u00e9lulas doentes. 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