{"id":1683,"date":"2016-01-18T11:09:32","date_gmt":"2016-01-18T11:09:32","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1683"},"modified":"2016-01-25T13:24:59","modified_gmt":"2016-01-25T13:24:59","slug":"hospitais-criam-rituais-para-marcar-o-fim-de-fases-do-tratamento-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2016\/01\/18\/hospitais-criam-rituais-para-marcar-o-fim-de-fases-do-tratamento-do-cancer\/","title":{"rendered":"Hospitais criam rituais para marcar o fim de fases do tratamento do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Dami\u00e3o da Silva Dias est\u00e1 pintado para a batalha. Enquanto movimenta o bra\u00e7o esquerdo para frente e para tr\u00e1s, mostra nele dois tipos de marcas: as provis\u00f3rias, feitas a tinta, para delimitar onde a radioterapia deveria ser aplicada, e as definitivas, cicatrizes da retirada de um tumor do tamanho de uma bola de t\u00eanis. O balan\u00e7o do bra\u00e7o vem acompanhado por um som met\u00e1lico e um grito.<\/p>\n<p>&#8220;Vit\u00f3ria na guerra!&#8221;, bradava o cozinheiro de 36 anos no subsolo do Icesp (Instituto do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo Octavio Frias de Oliveira), onde enfrentou um p\u00e9riplo de dois anos contra a doen\u00e7a. Os badalos do sino ocorreram na manh\u00e3 de 6 de janeiro, \u00faltima sess\u00e3o planejada de radioterapia de Dias.<\/p>\n<p>O sino foi instalado h\u00e1 cerca de um ano -doa\u00e7\u00e3o de um benfeitor que venceu a doen\u00e7a- e toc\u00e1-lo foi ideia de um m\u00e9dico que encontrou inspira\u00e7\u00e3o em um hospital canadense, onde um ex-paciente marinheiro levara o conceito do barco para a cl\u00ednica.<\/p>\n<p>N\u00e3o costuma haver um dia em que o sino passe em sil\u00eancio. &#8220;\u00c9 bom ver quem termina. A gente pensa que um dia vai terminar tamb\u00e9m&#8221;, diz Dias, que ia sozinho ao tratamento porque &#8220;as pessoas da fam\u00edlia \u00e0s vezes ficam mais preocupadas que o doente&#8221;.<\/p>\n<p>Qualquer um que cumpra essa parcela do tratamento, com radioterapia, \u00e9 convidado a tocar o sino, mesmo que a cura ainda esteja distante ou que n\u00e3o seja nem aventada. &#8220;Como vamos negar isso ao paciente que venceu essa etapa? Por hoje, ele venceu&#8221;, diz a psic\u00f3loga Juliana Ono Tonaki, do Icesp.<\/p>\n<p>Mais da metade dos pacientes aceita participar da cerim\u00f4nia, para a qual \u00e9 permitido levar quantos parentes e amigos se desejar. Quem est\u00e1 \u00e0 espera do tratamento tamb\u00e9m costuma participar: bate palmas, abra\u00e7a, chora.<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s, uma octagen\u00e1ria se levantou da cadeira de rodas para tocar o sino, auxiliada pela neta que a acompanhava nas sess\u00f5es de tratamento. &#8220;O hospital inteiro parou para ver&#8221;, diz Tonaki.<\/p>\n<p><b>FESTA DA PEGA<\/b><\/p>\n<p>Faz pelo menos um ano que Maciel Barbosa Cosme, 15, n\u00e3o mistura Cebolitos com Fanta Uva. O in\u00edcio do jejum das suas porcarias prediletas coincidiu com a descoberta de leucemia.<\/p>\n<p>Na segunda-feira (11), ele estava prestes a quebr\u00e1-lo na sua festa da pega (l\u00ea-se p\u00eaga), que celebra a aceita\u00e7\u00e3o da medula transplantada pelo corpo com a oferta dos quitutes prediletos do pequeno paciente. Milkshake, cupcakes e bolos costumam ser os mais pedidos da celebra\u00e7\u00e3o, institu\u00edda h\u00e1 11 meses.<\/p>\n<p>&#8220;Pode demorar 20 dias, um m\u00eas. \u00c9 quando conseguimos aferir que o paciente come\u00e7ou a reagir&#8221;, diz a oncologista Angela Mandelli, do Itaci (Instituto de Tratamento do C\u00e2ncer Infantil), em S\u00e3o Paulo. No caso de Dami\u00e3o, demorou mais de um m\u00eas entre o excerto do novo tecido e a volta do apetite e a diminui\u00e7\u00e3o das feridas na boca.<\/p>\n<p>Depois de horas sedado, Maciel acorda e, minutos depois, um pequeno batalh\u00e3o de mulheres entra no quarto fazendo fuzu\u00ea. As oncologistas, enfermeiras e a terapeuta ocupacional aparecem ao som do funk tocado pelo alto-falante do celular de uma delas. Carregam na m\u00e3o um cartaz, com a palavra &#8220;pegou!&#8221; escrita v\u00e1rias vezes, votos de felicidade dos funcion\u00e1rios dos tr\u00eas turnos e uma figura antropom\u00f3rfica. O mascote \u00e9 uma hem\u00e1cia, redonda e achatada, com bracinhos e perninhas.<\/p>\n<p>&#8220;Era pra ser um neutr\u00f3filo [um dos gl\u00f3bulos brancos que tem seu n\u00famero alterado pela doen\u00e7a], mas ficou mais bonito com a hem\u00e1cia adaptada&#8221;, diz a terapeuta ocupacional Renata Sloboda.<\/p>\n<p>Como as interna\u00e7\u00f5es no hospital chegam a seis meses, paciente e equipe se conhecem bem. Mas Dami\u00e3o espera estar sozinho para dar cabo do lanche que encomendou, semanas antes. &#8220;Assim que voc\u00eas sa\u00edrem, esse pacote vai esvaziar rapidinho&#8221;, diz sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>H\u00e1 rituais tamb\u00e9m para casos em que os esfor\u00e7os n\u00e3o conseguem a cura da doen\u00e7a. Uma vez por ano, o n\u00facleo de luto do Hospital do C\u00e2ncer de Barretos re\u00fane as fam\u00edlias dos pacientes que n\u00e3o sobreviveram e os funcion\u00e1rios do hospital em uma ch\u00e1cara. Conversam e escrevem mensagens para aqueles que se foram em bal\u00f5es cheios de h\u00e9lio, que s\u00e3o ent\u00e3o liberados para subir ao c\u00e9u.<\/p>\n<p>&#8220;Choramos muito&#8221;, diz a oncologista Erica Boldrini, &#8220;mas rimos um tanto tamb\u00e9m, com as lembran\u00e7as de tudo que passamos juntos.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Dami\u00e3o da Silva Dias est\u00e1 pintado para a batalha. 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