{"id":1704,"date":"2016-01-25T12:24:08","date_gmt":"2016-01-25T12:24:08","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1704"},"modified":"2016-01-25T12:24:08","modified_gmt":"2016-01-25T12:24:08","slug":"carteirinha-de-plano-nao-e-cheque-em-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2016\/01\/25\/carteirinha-de-plano-nao-e-cheque-em-branco\/","title":{"rendered":"Carteirinha de plano n\u00e3o \u00e9 cheque em branco"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Claudia Colucci<\/p>\n<p>A filha de um amigo meu passou tr\u00eas dias internada em um hospital privado de S\u00e3o Paulo. Desde o primeiro dia, os pais disseram aos funcion\u00e1rios que n\u00e3o era preciso abastecer o frigobar com bebidas ado\u00e7adas porque a menina n\u00e3o as consumiria. Ainda assim, diariamente o frigobar foi reabastecido, mesmo com os produtos intocados. Quando recebeu alta, o frigobar estava lotado de caixinhas de suco e achocolatados. Quem pagou por isso? Certamente o plano de sa\u00fade e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, os usu\u00e1rios daquele plano.<\/p>\n<p>Uma amiga torceu o tornozelo e procurou a emerg\u00eancia de um hospital. O m\u00e9dico plantonista examinou, disse que n\u00e3o havia sinal de fratura, mas mesmo assim pediu um raio X &#8220;por garantia&#8221;. Nada foi encontrado. Outra chegou com uma quadro cl\u00e1ssico de sinusite e bimba: ganhou uma tomografia dos seios da face. Quem pagou por isso? O plano de sa\u00fade, e, claro, o consumidor.<\/p>\n<p>S\u00e3o pequenos exemplos de desperd\u00edcio na sa\u00fade que todos que j\u00e1 vivenciaram dentro de um hospital privado. O desperd\u00edcio, que chega a comer at\u00e9 20% dos recursos em sa\u00fade, somado ao crescente custo dos cuidados (com novas tecnologias, envelhecimento e crescente onda de judicializa\u00e7\u00e3o), torna essa conta cada vez mais dif\u00edcil de ser fechada.<\/p>\n<p>Mas parece que o tema n\u00e3o preocupa muito os principais atores dessa cadeia, ou seja, n\u00f3s, usu\u00e1rios de planos de sa\u00fade. Quem tem um plano pensa que a carteirinha \u00e9 um cheque em branco. Vai ao m\u00e9dico, assina e pronto. Vai ao laborat\u00f3rio, assina e pronto. Vai ao hospital, assina e pronto. Acham que quanto mais pedidos de exames e mais medicamentos prescritos, melhor \u00e9 o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>As pessoas esquecem que, no fim das contas, s\u00e3o elas que pagar\u00e3o a conta, no sentido literal (com seu dinheiro) e figurado (com sua sa\u00fade, j\u00e1 que h\u00e1 riscos em exames e medicamentos desnecess\u00e1rios), do desperd\u00edcio e da inefici\u00eancia que imperam nos sistemas de sa\u00fade. Tamb\u00e9m s\u00e3o elas que pagar\u00e3o pela crescente judicializa\u00e7\u00e3o do setor, j\u00e1 que os conv\u00eanios v\u00e3o repassar os custos no valor da mensalidade.<\/p>\n<p><b>LADAINHA<\/b><\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, mesmo que se interessasse pelos custos da sa\u00fade que est\u00e1 pagando, o usu\u00e1rio dificilmente teria acesso aos pormenores dessa conta. Faltam crit\u00e9rios e transpar\u00eancia no valor dos servi\u00e7os de sa\u00fade no Brasil, como bem demonstrou minha colega Cristiane Segatto (Revista \u00c9poca) em 2014, na \u00f3tima reportagem &#8220;O lado oculto nas contas dos hospitais&#8221;.<\/p>\n<p>Especialistas em gest\u00e3o em sa\u00fade costumam repetir: os hospitais prestam servi\u00e7os sem saber quanto ele custa e as operadoras pagam sem saber quanto eles valem. A ladainha j\u00e1 \u00e9 antiga: planos de sa\u00fade reclamam que os hospitais cobram muito pelos produtos\/servi\u00e7os usados no tratamento dos seus benefici\u00e1rios. J\u00e1 os hospitais argumentam que s\u00e3o obrigados a fazer isso porque os planos se negam a reajustar as tabelas de servi\u00e7os ou n\u00e3o pagam atendimentos j\u00e1 prestados.<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos cinco anos planos e hospitais brasileiros discutem um novo modelo de remunera\u00e7\u00e3o. Um dos mais falados \u00e9 o DRG (Diagnosis Related Groups) ou, em portugu\u00eas, Grupos de Diagn\u00f3sticos Relacionados. Foi originalmente desenvolvido nos EUA para classificar e agrupar pacientes de acordo com o diagn\u00f3stico, quatro cl\u00ednico e consumo de bens e servi\u00e7os. O modelo passou a ser utilizado como base para a remunera\u00e7\u00e3o dos hospitais americanos, substituindo os mais tradicional, o pagamento por servi\u00e7o (fee for service), que vigora no Brasil.<\/p>\n<p>No Brasil, o DRG ainda n\u00e3o decolou porque, no frigir dos ovos, nem planos e nem hospitais querem abrir m\u00e3o das margens de lucro. Por\u00e9m, diante de um cen\u00e1rio de crise, que afeta operadoras de sa\u00fade (est\u00e3o perdendo clientes por conta das altas taxas de desemprego no pa\u00eds), e hospitais (j\u00e1 t\u00eam leitos ociosos por falta de clientes dos planos), n\u00e3o d\u00e1 mais para ficar reproduzindo aquela f\u00e1bula dos dois burrinhos que, amarrados um ao outro com a mesma corda, tentavam alcan\u00e7ar distintos feixes de capim. Como a dist\u00e2ncia entre os feixes era maior que a corda, eles ficavam for\u00e7ando cada um para um lado. At\u00e9 que, cansados, resolveram comer juntos um dos feixes e depois, tamb\u00e9m juntos, o outro. #ficaadica<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Claudia Colucci A filha de um amigo meu passou tr\u00eas dias internada em um hospital privado de S\u00e3o Paulo. 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