{"id":17076,"date":"2024-11-22T06:41:12","date_gmt":"2024-11-22T09:41:12","guid":{"rendered":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=17076"},"modified":"2024-11-26T05:37:31","modified_gmt":"2024-11-26T08:37:31","slug":"na-mira-do-governo-imigracao-na-area-da-saude-e-motivada-por-condicoes-de-trabalho-e-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2024\/11\/22\/na-mira-do-governo-imigracao-na-area-da-saude-e-motivada-por-condicoes-de-trabalho-e-seguranca\/","title":{"rendered":"Na mira do governo, imigra\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 motivada por condi\u00e7\u00f5es de trabalho e seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/11\/na-mira-do-governo-imigracao-na-area-da-saude-e-motivada-por-condicoes-de-trabalho-e-seguranca.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de SP<\/a><\/p>\n<p>Raul Lacerda, 38, se mudou para a Alemanha em 2022. Mariana Fonseca, 33, mora na&nbsp;Inglaterra&nbsp;desde o come\u00e7o de 2020. Eles fazem parte de um grupo de imigrantes brasileiros que recentemente se tornou&nbsp;preocupa\u00e7\u00e3o do governo: os profissionais de&nbsp;sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na semana passada, a&nbsp;<b>Folha<\/b>&nbsp;mostrou que o&nbsp;Minist\u00e9rio da Sa\u00fade&nbsp;articula uma declara\u00e7\u00e3o para que pa\u00edses membros do&nbsp;G20&nbsp;se&nbsp;comprometam com os c\u00f3digos de conduta estabelecidos&nbsp;pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) em rela\u00e7\u00e3o ao recrutamento \u00e9tico de profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 se contrapor ao que membros da gest\u00e3o Lula consideram um recrutamento predat\u00f3rio por pa\u00edses europeus que dependem de m\u00e3o de obra qualificada imigrante para sustentar seus pr\u00f3prios sistemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Morador de Cottbus, cidade a cem quil\u00f4metros de Berlim, Raul Lacerda \u00e9 enfermeiro. No Brasil, conta que tinha dois empregos e demorava duas horas para ir e para voltar para casa. &#8220;Aqui eu consigo deixar a minha filha na escola e buscar meu filho na creche, porque moro a dez minutos do trabalho&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele diz que decidiu pela Alemanha ap\u00f3s conversar com uma colega que havia feito o percurso. Encontrou um programa ligado ao&nbsp;Minist\u00e9rio do Trabalho alem\u00e3o, e passou em um processo seletivo. &#8220;Na minha turma tinha mais ou menos uns outros 15 brasileiros&#8221;, conta. Eles tiveram suporte para aulas de alem\u00e3o, processo de visto e at\u00e9 passagens de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>O programa \u00e9 justamente o principal foco de descontentamento do Brasil. Auxiliares do presidente chegaram a se queixar do trabalho da Ag\u00eancia Federal de Emprego alem\u00e3. Em 2022, o governo alem\u00e3o assinou um&nbsp;acordo de coopera\u00e7\u00e3o com o Cofen (Conselho Nacional de Enfermagem).<\/p>\n<p>A professora Rosana Baeninger, do Nepo (N\u00facleo de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o) da Unicamp, explica que a transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica europeia, com alto envelhecimento populacional, motiva programas de migra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra qualificada. &#8220;Principalmente na \u00e1rea da sa\u00fade, onde esse profissional \u00e9 necess\u00e1rio para cuidar de uma popula\u00e7\u00e3o que teve uma alta na longevidade&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo dados publicados no atlas do Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o Brasileira, ligado \u00e0 Unicamp, o n\u00famero de imigrantes brasileiros na Alemanha saltou de 11 mil em 1990 para quase 71 mil em 2020.<\/p>\n<p>Outro pa\u00eds foco de preocupa\u00e7\u00e3o do governo Lula \u00e9 a Inglaterra. A m\u00e9dica Mariana Fonseca \u00e9 uma das 766 profissionais de sa\u00fade brasileiras registradas no sistema p\u00fablico de sa\u00fade local, o NHS, segundo dados do pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o. O n\u00famero pode ser maior, pois h\u00e1 brasileiros que trabalham no pa\u00eds com dupla cidadania europeia.<\/p>\n<p>No caso de Mariana, a vontade de morar fora vinha desde a faculdade. Ela revalidou o diploma de&nbsp;medicina&nbsp;ainda no Brasil, e aplicou para empregos no&nbsp;Reino Unido.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro que eu consegui foi justamente em um programa de recrutamento de profissionais para \u00e1reas que eles precisavam&#8221;, conta. Assim, ela se mudou para o distrito de Lincolnshire, no interior da Inglaterra, onde viveu antes de se estabelecer em Londres.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica, que acabou de terminar uma resid\u00eancia em medicina da fam\u00edlia, afirma, por\u00e9m, que n\u00e3o v\u00ea uma grande facilidade de inser\u00e7\u00e3o do profissional estrangeiro. &#8220;Eu tinha uma resid\u00eancia no Brasil, por exemplo, e tive que fazer tudo de novo porque eles n\u00e3o reconhecem automaticamente a especialidade&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Baeninger, da Unicamp, afirma que o processo de precariza\u00e7\u00e3o de trabalho nos mercados globais estimula a migra\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o apenas do Brasil&#8221;, afirma. &#8220;O emprego que os imigrantes encontram nos pa\u00edses de destino pode ser precarizado tamb\u00e9m, mas quando a pessoa se muda, h\u00e1 outros fatores que fazem ela ressignificar essa sa\u00edda&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No caso de Mariana e Raul, a viol\u00eancia foi um deles. &#8220;Desde que a minha filha nasceu, eu pensava em sair do Rio&#8221;, diz o enfermeiro. J\u00e1 a m\u00e9dica afirma que j\u00e1 passou por tiroteios em localidades pr\u00f3ximas \u00e0s unidades de sa\u00fade onde trabalhava.<\/p>\n<p>Apesar disso, eles tamb\u00e9m citam melhoras nas condi\u00e7\u00f5es de emprego. Mariana, por exemplo, diz que ficava meses sem receber trabalhando na assist\u00eancia b\u00e1sica de sa\u00fade na rede municipal carioca. &#8220;Aqui na Inglaterra, a gente faz greve por aumento de sal\u00e1rio, n\u00e3o para receber sal\u00e1rio, \u00e9 muito diferente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil precisa criar pol\u00edticas de valoriza\u00e7\u00e3o para essas categorias, porque os pa\u00edses do norte global v\u00e3o precisar dessa m\u00e3o de obra e sabem que n\u00f3s temos uma excelente e qualificada&#8221;, diz Baeninger. &#8220;Se n\u00e3o h\u00e1 manuten\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas desses profissionais, com vantagens comparativas, eles v\u00e3o tentar ir para outro lugar.&#8221;<\/p>\n<p>A m\u00e9dica carioca v\u00ea com preocupa\u00e7\u00e3o o discurso de restri\u00e7\u00e3o imigrat\u00f3ria para profissionais de sa\u00fade, que diz encontrar com alguma frequ\u00eancia partindo de m\u00e9dicos locais. &#8220;Aqui, acaba sendo uma xenofobia disfar\u00e7ada&#8221;, fala.<\/p>\n<p>Ela afirma que considera leg\u00edtima uma preocupa\u00e7\u00e3o do Brasil com a evas\u00e3o de m\u00e3o de obra. &#8220;Mas \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o que o profissional de sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 um produto, s\u00e3o pessoas que t\u00eam poder de decis\u00e3o sobre as suas vidas.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Raul Lacerda, 38, se mudou para a Alemanha em 2022. Mariana Fonseca, 33, mora na&nbsp;Inglaterra&nbsp;desde o come\u00e7o de 2020. Eles fazem parte de um grupo de imigrantes brasileiros que recentemente se tornou&nbsp;preocupa\u00e7\u00e3o do governo: os profissionais de&nbsp;sa\u00fade. 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