{"id":1788,"date":"2016-02-22T20:31:57","date_gmt":"2016-02-22T20:31:57","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1788"},"modified":"2016-02-22T20:32:50","modified_gmt":"2016-02-22T20:32:50","slug":"microcefalia-sem-ligacao-com-zika-tera-a-mesma-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2016\/02\/22\/microcefalia-sem-ligacao-com-zika-tera-a-mesma-atencao\/","title":{"rendered":"Microcefalia sem liga\u00e7\u00e3o com zika ter\u00e1 a mesma aten\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1705\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/claudia_colucci.jpeg\" alt=\"claudia_colucci\" width=\"100\" height=\"130\" \/>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Claudia Collucci<\/p>\n<p>\u00c9 praticamente certo, segundo a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), que o v\u00edrus da zika tenha rela\u00e7\u00e3o com os casos de microcefalia, mas nem de longe ainda \u00e9 poss\u00edvel afirmar que ele esteja causando uma &#8220;epidemia&#8221; de m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas, como j\u00e1 alardearam alguns.<\/p>\n<p>Sabem por que? Porque o pa\u00eds n\u00e3o faz ideia de quantos casos de microcefalia registrava de fato at\u00e9 2014. Conforme revelou a <b>Folha<\/b> nesta segunda (15),<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2016\/02\/1739610-estudos-apontam-maior-taxa-de-microcefalia-em-era-pre-zika.shtml\">estudos brasileiros publicados pela OMS<\/a> estimam que, antes da &#8220;era zika&#8221;, haviam 6.000 casos de microcefalia por ano. Mas o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade s\u00f3 computou 150.<\/p>\n<p>Vejam o que dizem alguns geneticistas mais respeitados do pa\u00eds sobre o assunto:<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Monteiro de Pina Neto, professor da USP de Ribeir\u00e3o Preto: &#8220;Temos uma subnotifica\u00e7\u00e3o muito grande. At\u00e9 uns tempos atr\u00e1s, nos ber\u00e7\u00e1rios s\u00f3 era registrado o peso do rec\u00e9m-nascido. Agora, com as cartilhas, s\u00e3o registradas as quatro medidas essenciais, mas o registro de defeitos cong\u00eanitos \u00e9 muito pobre e incompleto, levando a um grande subregistro de anomalias cong\u00eanitas&#8221;.<\/p>\n<p>Ana Beatriz P\u00e9rez e Mirlene Cernach, professoras na Unifesp: &#8220;Existe um subregistro das anomalias cong\u00eanitas, entre elas a microcefalia. A frequ\u00eancia mundial de anomalias cong\u00eanitas em rec\u00e9m nascidos \u00e9 por volta de 3%. Na maioria das cidades brasileiras n\u00e3o ultrapassa 1%.<\/p>\n<p>A subnotifica\u00e7\u00e3o ocorre por v\u00e1rios motivos: falta de preparo dos profissionais respons\u00e1veis, falta de orienta\u00e7\u00e3o adequada, a n\u00e3o obrigatoriedade do registro, dificuldade no diagn\u00f3stico, entre outros&#8221;.<\/p>\n<p>D\u00e9cio Brunoni, professor na Universidade Mackenzie: &#8220;A subnotifica\u00e7\u00e3o de anomalias cong\u00eanitas na declara\u00e7\u00e3o de nascidos vivos ocorre em praticamente todos os Estados. O que estamos enfrentando agora com a seria mais f\u00e1cil de entender se as notifica\u00e7\u00f5es das anomalias cong\u00eanitas fossem realizadas adequadamente&#8221;.<\/p>\n<p>Salmo Raskin, professor na PUC-PR: &#8220;A epidemia de zika fez saltar aos olhos uma hist\u00f3rica epidemia oculta de anomalias cong\u00eanitas no Brasil, tornando evidente e vergonhoso o total descaso hist\u00f3rico das autoridades brasileiras no que se refere aos cuidados com quem tem esses problemas, que h\u00e1 20 anos \u00e9 a segunda maior causa de mortalidade infantil no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo que apare\u00e7a um novo elemento nessa hist\u00f3ria (os c\u00e9ticos continuam chamando aten\u00e7\u00e3o para a falta de estudos mostrando a rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito do v\u00edrus com a microcefalia), o zika j\u00e1 cumpriu um papel importante: desnudar a total desaten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s anomalias cong\u00eanitas.<\/p>\n<p>O Sinasc (sistema de informa\u00e7\u00f5es sobre nascidos vivos) est\u00e1 implantado desde 1990 e at\u00e9 hoje n\u00e3o consegue fazer com que Estados e munic\u00edpios preencham corretamente os dados sobre defeitos cong\u00eanitos.<\/p>\n<p>H\u00e1 12 anos, repousa nas gavetas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade uma pol\u00edtica nacional cujo eixo principal s\u00e3o as anomalia cong\u00eanitas. Se de fato estivesse implantada, talvez ter\u00edamos pelo menos uma estrutura j\u00e1 preparada para receber essas crian\u00e7as com microcefalia, com consultas, exames e terapias.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, a dona de casa Maria Vit\u00f3ria Ata\u00eddes ainda lutava por tratamento adequado no SUS para o filho, Luiz Guilherme, de 4 meses, que foi diagnosticado com microcefalia. O caso do garoto foi o primeiro a ser investigado em Goi\u00e1s por suspeita de liga\u00e7\u00e3o com a zika.<\/p>\n<p>Ela precisava se deslocar de Rio Verde, no sudoeste goiano, para a capital em busca de neuropediatra (porque na sua cidade n\u00e3o tinha nenhum) e pagava R$ 400 por uma consulta particular. O dinheiro vinha de rifas e de campanhas nas redes sociais que a fam\u00edlia fazia para custear as despesas. A Secretaria da Sa\u00fade prometeu que o caso teria prioridade.<\/p>\n<p>Sim, os beb\u00eas com microcefalia merecem prioridade. No \u00faltimo boletim, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que s\u00e3o 462 casos confirmados de microcefalia\/altera\u00e7\u00f5es do sistema nervoso central associados a causas infecciosas (41 ligados ao zika) outros 765 casos foram descartados porque os exames deram normais ou porque a microcefalia e outras altera\u00e7\u00f5es do sistema nervoso eram de causas n\u00e3o infecciosas.<\/p>\n<p>A pergunta que n\u00e3o quer se calar: a microcefalia e outras m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o associadas ao zika v\u00e3o receber a mesma aten\u00e7\u00e3o, a mesma prioridade, ou as m\u00e3es desses beb\u00eas v\u00e3o ter que come\u00e7ar a inventar sintomas para conseguir alguma aten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Claudia Collucci \u00c9 praticamente certo, segundo a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), que o v\u00edrus da zika tenha rela\u00e7\u00e3o com os casos de microcefalia, mas nem de longe ainda \u00e9 poss\u00edvel afirmar que ele esteja causando uma &#8220;epidemia&#8221; de m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas, como j\u00e1 alardearam alguns. 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