{"id":1847,"date":"2016-03-01T11:52:44","date_gmt":"2016-03-01T11:52:44","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1847"},"modified":"2016-03-01T13:05:18","modified_gmt":"2016-03-01T13:05:18","slug":"baixo-investimento-em-saude-tem-impacto-em-indicadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2016\/03\/01\/baixo-investimento-em-saude-tem-impacto-em-indicadores\/","title":{"rendered":"Baixo investimento em sa\u00fade tem impacto em indicadores"},"content":{"rendered":"<p>fonte: CFM<\/p>\n<p>No estudo do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre as despesas em sa\u00fade tamb\u00e9m foram cruzados com dados oficiais, como oferta de leitos para cada grupo de 800 habitantes e cobertura populacional de Agentes Comunit\u00e1rios de Sa\u00fade (ACS) e Equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF) e indicadores epidemiol\u00f3gicos (taxas de incid\u00eancia de tuberculose e dengue).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi apurado o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) \u2013 que mede esta dimens\u00e3o a partir de dimens\u00f5es como o acesso \u00e0 sa\u00fade de qualidade. Os n\u00fameros apontam para uma forte tend\u00eancia de que os que destinam menos recursos per capita para a sa\u00fade apresentem, sobretudo, baixo desempenho no IDH.<\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/images\/PDF\/percapita2014cfm.pdf\" target=\"_blank\">CLIQUE AQUI PARA ACESSAR OS GASTOS E INDICADORES EM PDF<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, do Par\u00e1 \u2013 um dos piores colocados no quesito de aplica\u00e7\u00e3o per capita (R$ 0,74 ao dia), seguido do Maranh\u00e3o (R$ 0,77). Ambos tamb\u00e9m est\u00e3o entre as piores posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao IDH (25\u00ba e 26\u00ba lugar entre os Estados brasileiros, respectivamente). Muitas vezes, o desembolso financeiro se reflete em v\u00e1rios outros \u00edndices, como o n\u00famero de leitos e de incid\u00eancia de doen\u00e7as. Nos casos citados, ambos tamb\u00e9m est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia nacional \u2013 de 1,73 leitos por 800 mil habitantes. Eles s\u00e3o os 18\u00ba e 20\u00ba piores colocados entre os 27 Estados.<\/p>\n<p>As capitais e munic\u00edpios de maior e menor porte tamb\u00e9m tendem a apresentar essa correla\u00e7\u00e3o. Salvador (BA), Macap\u00e1 (AP) e Rio Branco (AC) s\u00e3o as capitais que menos aplicam recursos em sa\u00fade. Todas est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia nacional em indicadores como leitos e IDH. Enquanto o melhor IDH \u00e9 o de Florian\u00f3polis (1,555) e a m\u00e9dia entre as capitais \u00e9 de 0,777, Rio Branco (AC) registra IDH de 0,727, Macap\u00e1 (AP) aparece com 0,733, e Salvador com 0,759. O pior IDH \u2013 de 0,649 \u2013 \u00e9 verificado em Boa Vista (RR). Em conson\u00e2ncia com a percep\u00e7\u00e3o de que o gasto em sa\u00fade tem forte impacto no bem-estar de uma popula\u00e7\u00e3o, a capital roraimense \u00e9 uma das piores colocadas (22\u00ba lugar) quando o assunto \u00e9 o gasto per capita em sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Longe dos princ\u00edpios do SUS<\/strong> \u2013 Na avalia\u00e7\u00e3o do coordenador da Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-SUS do CFM e conselheiro federal pelo estado do Paran\u00e1, Donizetti Giamberardino, h\u00e1 uma desigualdade muito grande entre os indicadores de sa\u00fade e tamb\u00e9m no gasto em sa\u00fade, seja nos estados ou nas capitais. \u201cTemos um sistema p\u00fablico de sa\u00fade que deveria observar princ\u00edpios fundamentais como universalidade, equidade e integralidade, mas que est\u00e1 sujeito a tantos fatores \u2013 e o investimento talvez seja um dos mais importantes deles \u2013 que acaba sendo desigual e at\u00e9 injusto em alguns lugares\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Giamberardino faz refer\u00eancia ao indicador de leitos hospitalares, por exemplo, que revela uma oferta proporcionalmente menor nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. \u201cEsse fen\u00f4meno da queda do n\u00famero de leitos j\u00e1 foi constatado pelo CFM em levantamentos anteriores e, havendo redu\u00e7\u00e3o de recursos no setor e aumento da popula\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e9 que a essas propor\u00e7\u00f5es caiam ainda mais\u201d, disse.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel verificar impacto, em alguns casos, em indicadores como cobertura de Equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia e Agentes Comunit\u00e1rios de Sa\u00fade. Por exemplo, entre as 14 capitais abaixo da m\u00e9dia de cobertura de ESF, oito (57,14%) tamb\u00e9m est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia de gasto per capita. O mesmo se verifica entre as 16 capitais abaixo da m\u00e9dia de cobertura populacional de ACS \u2013 dez delas (62,5%) tamb\u00e9m est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia de gasto.<\/p>\n<p>\u201cInteressante observar que nos estados ou capitais onde a cobertura de ESF e ACS \u00e9 relativamente melhor, o gasto per capita n\u00e3o aparece entre os de melhor desempenho. Isso nos leva a crer que os gestores est\u00e3o priorizando a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. O problema \u00e9 que, se a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o for resolutiva, voc\u00ea ter\u00e1 um cidad\u00e3o que n\u00e3o encontrar\u00e1 nos n\u00edveis secund\u00e1rios ou terci\u00e1rios estrutura para resolver o seu problema\u201d, alertou o coordenador da Pr\u00f3-SUS.<\/p>\n<p>Entre os Estados, a mesma verifica\u00e7\u00e3o: dos 17 que est\u00e3o abaixo do IDH nacional (de 0,727), dez (58,8%) tamb\u00e9m apresentam os piores \u00edndices de gasto per capita (abaixo da m\u00e9dia entre os Estados). Esta correla\u00e7\u00e3o permanece entre os piores em cobertura populacional de agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade. Sessenta por cento deles tamb\u00e9m apresentam desempenho abaixo da m\u00e9dia quando se verifica o gasto em sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Modelo assistencial<\/strong> \u2013 A an\u00e1lise dos dados deve ponderar n\u00e3o s\u00f3 quanto se gasta, mas tamb\u00e9m como se gasta, o chamado gasto em sa\u00fade associado ao modelo assistencial. A opini\u00e3o \u00e9 de Eli Iola Gurgel Andrade, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) e professora do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>Eli explica que o modelo assistencial que o Brasil luta para estruturar \u00e9 aquele com a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica organizada com base na ESF, tendo em vista a experi\u00eancia de outros sistemas no mundo, sobretudo o sistema ingl\u00eas, que \u00e9 o mais antigo e que serviu de matriz para a organiza\u00e7\u00e3o dos sistemas na Europa. \u201cEsta base \u00e9 inclusive uma forma de se racionalizar gastos, pois assim que se entra pela porta de um hospital, j\u00e1 se entra em uma unidade de alta complexidade e, portanto, de alto custo\u201d, diz.<\/p>\n<p>A especialista explica ainda que, segundo a literatura, 85% das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade s\u00e3o pass\u00edveis de resolu\u00e7\u00e3o na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Para isso, no entanto, ela precisa ser de qualidade. \u201cA sa\u00fade no Distrito Federal, por exemplo, \u00e9 nacionalmente reconhecida como uma das mais prec\u00e1rias. O que acontece \u00e9 que se tem uma rede p\u00fablica prec\u00e1ria e se compra servi\u00e7os do setor privado. Esses menos de 30% de cobertura de ACS e ESF significa que a popula\u00e7\u00e3o tem que procurar outros recursos, provavelmente a porta de entrada de um hospital, conveniado ou contratado \u2013 o que \u00e9 caro\u201d.<\/p>\n<div class=\"tableauPlaceholder\" style=\"width: 786px; height: 751px;\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM No estudo do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre as despesas em sa\u00fade tamb\u00e9m foram cruzados com dados oficiais, como oferta de leitos para cada grupo de 800 habitantes e cobertura populacional de Agentes Comunit\u00e1rios de Sa\u00fade (ACS) e Equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF) e indicadores epidemiol\u00f3gicos (taxas de incid\u00eancia de tuberculose [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1848,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1847"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1847\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1849,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1847\/revisions\/1849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}