{"id":1935,"date":"2016-03-21T09:55:22","date_gmt":"2016-03-21T09:55:22","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=1935"},"modified":"2016-03-21T09:55:22","modified_gmt":"2016-03-21T09:55:22","slug":"atitudes-positivas-influenciam-tratamento-de-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2016\/03\/21\/atitudes-positivas-influenciam-tratamento-de-doencas\/","title":{"rendered":"Atitudes positivas influenciam tratamento de doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1936\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/atitude_positiva-300x180.jpg\" alt=\"atitude_positiva\" width=\"300\" height=\"180\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Aos 14 anos Andr\u00e9 Sant&#8217;anna percebeu um caro\u00e7o no pesco\u00e7o. Primeiro foi levado a um ortopedista, tomou alguns rem\u00e9dios, mas nenhum surtiu efeito. Meses depois, em um exame no Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), ele confirmou que estava no est\u00e1gio mais avan\u00e7ado do linfoma de Hodgkin, um tipo espec\u00edfico de c\u00e2ncer que compromete os linf\u00f3citos, importantes agentes do sistema imunol\u00f3gico. A quimioterapia, que deveria durar seis meses, se arrastou por mais de dois anos. O primeiro transplante de medula foi mal sucedido, e a fam\u00edlia precisou recorrer \u00e0 Justi\u00e7a para conseguir um medicamento cuja comercializa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o era permitida no Brasil. Aconselhado pelos m\u00e9dicos, Andr\u00e9 chegou a se despedir dos amigos. Mas o jovem \u2014 agora curado, aos 19 anos, ap\u00f3s um segundo transplante \u2014 sabia que esta medida n\u00e3o seria necess\u00e1ria. Nos cinco anos em que conviveu com a doen\u00e7a, encarou tranquilamente o tratamento, e, durante a maior parte do tempo, at\u00e9 frequentou festas. Entre todas as queixas poss\u00edveis, a \u00fanica que ele realmente fazia era quando tinha que raspar o cabelo. Andr\u00e9 \u00e9 um exemplo de como a felicidade e o afeto s\u00e3o importantes para o sucesso de terapias.<\/p>\n<p>\u2014 Lidei com a doen\u00e7a como se n\u00e3o tivesse problema de sa\u00fade \u2014 lembra o jovem. \u2014 O jeito era enfrentar, n\u00e3o adiantava baixar a cabe\u00e7a, e tive ajuda da fam\u00edlia e dos amigos de escola. Mesmo quando me deram como caso perdido, eu tinha certeza de que n\u00e3o era a minha vez. Precisei deixar o col\u00e9gio, fiz um curso intensivo e aos poucos estou voltando a pegar o ritmo.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia da felicidade e do humor na sa\u00fade foi o tema do primeiro debate do ano nos Encontros O GLOBO Sa\u00fade e Bem-Estar, na \u00faltima quarta-feira. O evento entra em seu quinto ano sob a coordena\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico Cl\u00e1udio Dom\u00eanico e contou com a presen\u00e7a do oncologista Carlos Jos\u00e9 de Andrade e do escritor Zuenir Ventura, al\u00e9m da media\u00e7\u00e3o do jornalista William Helal Filho, editor de Sociedade do GLOBO.<\/p>\n<p>Dom\u00eanico lembrou que a felicidade tem um componente gen\u00e9tico, mas pode ser influenciada pelo meio ambiente, fortalecendo a nossa capacidade de enfrentar as adversidades. A vincula\u00e7\u00e3o entre este estado de esp\u00edrito e a sa\u00fade \u00e9 tema de um estudo que vem dendo realizado h\u00e1 75 anos na Universidade Harvard.<\/p>\n<p>\u2014 Os 724 jovens recrutados no in\u00edcio da pesquisa precisavam responder o que era mais importante para ser feliz. Uns disseram que era ter dinheiro; outros, reconhecimento \u2014 lembra. \u2014 Agora, 75 anos depois, s\u00e3o estudados dois mil filhos desses primeiros pesquisados, al\u00e9m dos 60 volunt\u00e1rios que ainda est\u00e3o vivos. Diante da mesma pergunta, muitos mudaram de opini\u00e3o. As pessoas que mant\u00eam contato social vivem mais. A conclus\u00e3o \u00e9 que a solid\u00e3o \u00e9 t\u00f3xica e o isolamento mata.<\/p>\n<p>A personalidade, segundo Dom\u00eanico, repercute no tratamento de cada paciente, de diferentes formas:<\/p>\n<p>\u2014 Alguns t\u00eam uma hipertens\u00e3o pequenininha e chegam ao consult\u00f3rio sentindo um monte de coisa. Outros j\u00e1 foram operados, t\u00eam diabetes, hipertens\u00e3o arterial. Pergunto por que est\u00e3o ali e dizem que n\u00e3o sabem, que foi a chata da mulher que mandou \u2014 brinca. \u2014 Estas pessoas t\u00eam macrodoen\u00e7a e microssintomas.<\/p>\n<p>Oncologista cl\u00ednico do Inca e do Grupo COI, Carlos Jos\u00e9 de Andrade destaca a dificuldade sentida pela medicina em responder o que vem primeiro: somos felizes porque temos sa\u00fade ou temos sa\u00fade porque somos felizes?<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 foram realizados estudos em v\u00e1rios ambientes tentando estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar das pessoas e a incid\u00eancia de doen\u00e7as cardiol\u00f3gicas \u2014 conta. \u2014 Os pesquisadores viram que as pessoas mais felizes t\u00eam um comportamento restaurativo e, assim, se recuperam melhor.<\/p>\n<p>Outras pesquisas tamb\u00e9m mostram, segundo Andrade, como os sentimentos positivos s\u00e3o \u201ccultiv\u00e1veis\u201d. Cientistas conclu\u00edram que 50% das chances de sermos pessoas felizes s\u00e3o determinadas geneticamente. Outros 10% viriam das circunst\u00e2ncias. E 40% s\u00e3o um \u201cespa\u00e7o de manobra\u201d, aquele institu\u00eddo por cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Andrade e Dom\u00eanico, no entanto, alertam que a atual crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica do pa\u00eds est\u00e1 elevando os n\u00edveis de estresse. Nos \u00faltimos dois anos, rankings elaborados por organiza\u00e7\u00f5es internacionais sobre o \u00edndice de bem-estar da popula\u00e7\u00e3o mostram o Brasil nas primeiras coloca\u00e7\u00f5es. Este cen\u00e1rio, no entanto, pode ser alterado nos pr\u00f3ximos levantamentos.<\/p>\n<p>\u2014 A Gr\u00e9cia, por exemplo, foi o pa\u00eds com maior queda na sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar, devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da renda per capita e \u00e0 crescente percep\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o \u2014 lembra Andrade. \u2014 N\u00e3o quero ser apocal\u00edptico, mas podemos estar passando por uma situa\u00e7\u00e3o semelhante.<\/p>\n<p><strong>ENVOLVIMENTO E SUPERA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O oncologista Daniel Tabak pondera que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias concretas de que adotar uma perspectiva positiva para combater o c\u00e2ncer pode auxiliar seu tratamento. No entanto, ele tamb\u00e9m considera que o estresse pode interferir negativamente nas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas das c\u00e9lulas tumorais e em sua circula\u00e7\u00e3o no sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Tabak, no entanto, reivindica que os m\u00e9dicos se envolvam mais no tratamento dos pacientes, dando-lhes inspira\u00e7\u00e3o para superar as limita\u00e7\u00f5es impostas pela doen\u00e7a. Para ele, a humanidade deve ser considerada como a ess\u00eancia da medicina.<\/p>\n<p>\u2014 O m\u00e9dico, em vez de ser restrito a uma pessoa que cura doen\u00e7as, tamb\u00e9m devem atuar como aliados \u2014 recomenda Tabak, que dirige o Centro de Tratamento Oncol\u00f3gico (Centron). \u2014 O paciente n\u00e3o deve ser visto s\u00f3 como um \u00f3rg\u00e3o a ser tratado. Precisamos entender o que \u00e9 \u201cpensar positivo\u201d, ter esperan\u00e7a no futuro. N\u00e3o h\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o maior do que recuperar um paciente e de cumprir o nosso papel de cuidador. Quando ele percebe isso, como deve ter ocorrido com o Andr\u00e9, ent\u00e3o nosso trabalho foi coroado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Aos 14 anos Andr\u00e9 Sant&#8217;anna percebeu um caro\u00e7o no pesco\u00e7o. Primeiro foi levado a um ortopedista, tomou alguns rem\u00e9dios, mas nenhum surtiu efeito. Meses depois, em um exame no Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), ele confirmou que estava no est\u00e1gio mais avan\u00e7ado do linfoma de Hodgkin, um tipo espec\u00edfico de c\u00e2ncer que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1935","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1935"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1937,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1935\/revisions\/1937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}