{"id":2812,"date":"2016-10-03T12:42:05","date_gmt":"2016-10-03T12:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=2812"},"modified":"2016-10-03T17:49:57","modified_gmt":"2016-10-03T17:49:57","slug":"artigo-sem-criterios-desigualdade-em-saude-tende-a-aumentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2016\/10\/03\/artigo-sem-criterios-desigualdade-em-saude-tende-a-aumentar\/","title":{"rendered":"ARTIGO: Sem crit\u00e9rios, desigualdade em sa\u00fade tende a aumentar"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Claudia Colluci<\/p>\n<p>O julgamento no STF sobre o direito a rem\u00e9dios n\u00e3o dispon\u00edveis no SUS \u00e9 s\u00f3 o in\u00edcio de uma discuss\u00e3o muito maior que o Brasil tem evitado fazer: diante da limita\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, o que \u00e9 poss\u00edvel oferecer em sa\u00fade?<\/p>\n<p>Ainda que a sa\u00fade seja um direito constitucional do cidad\u00e3o e um dever do Estado, n\u00e3o h\u00e1 como impor ao SUS a responsabilidade pela oferta ilimitada de terapias.<\/p>\n<p>Uma lei federal de 2011 tentou disciplinar isso (condicionando a oferta de nova droga no SUS \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade), mas o Judici\u00e1rio a ignora em suas decis\u00f5es\u2013que, na maioria dos casos, s\u00e3o favor\u00e1veis aos pacientes.<\/p>\n<p>Os gastos da Uni\u00e3o com a judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade cresceram 797% em cinco anos (de R$ 122,6 milh\u00f5es, em 2010, para R$ 1,1 bilh\u00e3o em em 2015). Se somados os custos de Estados e munic\u00edpios, a soma chega a R$ 7 bilh\u00f5es. Estudos apontam que, al\u00e9m de desestabilizar as pol\u00edticas de sa\u00fade, isso aumenta a iniquidade porque quem recorre \u00e0 Justi\u00e7a, em geral, s\u00e3o pessoas mais favorecidas.<\/p>\n<p>Pa\u00edses desenvolvidos com sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade, como Inglaterra, Alemanha e Canad\u00e1, possuem regras mais claras para definir o que \u00e9 &#8220;justo&#8221; em sa\u00fade. H\u00e1 crit\u00e9rios que avaliam o impacto real de cada novo produto sobre a sa\u00fade do paciente em rela\u00e7\u00e3o ao que j\u00e1 existe. Essa \u00e9 tida como a melhor forma para evitar que os interesses comerciais prevale\u00e7am sobre os interesses p\u00fablicos e do paciente.<\/p>\n<p>Nesses pa\u00edses praticamente n\u00e3o existe judicializa\u00e7\u00e3o. Medicamentos n\u00e3o aprovados pelos \u00f3rg\u00e3os reguladores, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o fornecidos \u2013s\u00f3 se estiverem dentro de protocolos de pesquisa.<\/p>\n<p>J\u00e1 o acesso \u00e0s drogas para doen\u00e7as raras \u00e9 um problema no mundo todo. Segundo Oct\u00e1vio Luiz Motta Ferraz, professor de direito na Universidade de Warwick (Reino Unido), mesmo com incentivos econ\u00f4micos para que as farmac\u00eauticas desenvolvam drogas nessa \u00e1rea, elas s\u00e3o caras e superam o limite m\u00e1ximo estabelecido pelas ag\u00eancias que avaliam a incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias.<\/p>\n<p>Na Inglaterra, o limite fica entre 20 e 30 mil libras (R$ 84.110 e R$ 126.165) por QALY (Quality Adjusted Life Years), que significa quantos anos de vida saud\u00e1vel a tecnologia pode propiciar.<\/p>\n<p>Mas como o pre\u00e7o dos rem\u00e9dios sempre superam esse limite, o governo tem um programa especial e um or\u00e7amento separado para elas.<\/p>\n<p>Isso tudo ocorre longe dos tribunais. Quando raramente o caso vai parar na Justi\u00e7a, o paciente tende a perder porque o juiz n\u00e3o se sente legitimado para interferir na decis\u00e3o da autoridade de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O caso mais famoso, na Inglaterra, \u2013Child B\u2013 envolveu uma doen\u00e7a rara com tratamento experimental caro. O sistema de sa\u00fade ingl\u00eas se negou a oferec\u00ea-lo, e os ju\u00edzes respeitaram a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o decis\u00f5es sempre dif\u00edceis e que precisar estar amparadas por crit\u00e9rios claros, objetivos e consensuais, considerando que \u00e9 dever do Estado alocar os recursos da sa\u00fade de forma equitativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2813\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao.jpg\" alt=\"judicializacao\" width=\"640\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao.jpg 640w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao-300x218.jpg 300w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao-600x435.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2815\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao_21.jpg\" alt=\"judicializacao_2\" width=\"637\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao_21.jpg 637w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao_21-300x234.jpg 300w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/judicializacao_21-600x468.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 637px) 100vw, 637px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Claudia Colluci O julgamento no STF sobre o direito a rem\u00e9dios n\u00e3o dispon\u00edveis no SUS \u00e9 s\u00f3 o in\u00edcio de uma discuss\u00e3o muito maior que o Brasil tem evitado fazer: diante da limita\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, o que \u00e9 poss\u00edvel oferecer em sa\u00fade? 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