{"id":3305,"date":"2017-03-06T16:49:36","date_gmt":"2017-03-06T16:49:36","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=3305"},"modified":"2017-03-07T10:17:29","modified_gmt":"2017-03-07T10:17:29","slug":"incidencia-de-cancer-colorretal-aumenta-entre-os-mais-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2017\/03\/06\/incidencia-de-cancer-colorretal-aumenta-entre-os-mais-jovens\/","title":{"rendered":"Incid\u00eancia de c\u00e2ncer colorretal aumenta entre os mais jovens"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Um estudo divulgado ontem pela Sociedade Americana de C\u00e2ncer revela que o n\u00famero de casos de tumor colorretal (de intestino grosso e reto) est\u00e1 aumentando entre adultos jovens e de meia-idade, principalmente o cancro no reto \u2014 antes mais comum entre idosos. De cada dez pacientes diagnosticados com essa doen\u00e7a, tr\u00eas t\u00eam menos de 55 anos. Entre os motivos, est\u00e3o a obesidade e o estilo de vida sedent\u00e1rio, que fazem com que especialistas sugiram a antecipa\u00e7\u00e3o da recomenda\u00e7\u00e3o para exames de detec\u00e7\u00e3o dos tumores.<\/p>\n<p>\u2014 A tend\u00eancia entre os jovens serve de term\u00f4metro para o fardo futuro da doen\u00e7a \u2014 disse Rebecca Siegel, pesquisadora da Sociedade Americana de C\u00e2ncer e l\u00edder do estudo publicado ontem no peri\u00f3dico \u201cJournal of the National Cancer Institute\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram 490.305 casos diagnosticados em pacientes com mais de 20 anos nos Estados Unidos, entre 1974 e 2013. Em geral, a incid\u00eancia est\u00e1 em decl\u00ednio desde a metade da d\u00e9cada de 1980, gra\u00e7as a novas t\u00e9cnicas de detec\u00e7\u00e3o, mas entre adultos de 20 a 39 anos, a taxa de incid\u00eancia de c\u00e2ncer de intestino vem crescendo entre 1% e 2,4% anualmente desde a d\u00e9cada de 1980. E na faixa et\u00e1ria dos 40 aos 54 anos, a varia\u00e7\u00e3o anual tem sido entre 0,5% e 1,3% desde meados da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>O aumento nas taxas de incid\u00eancia de c\u00e2ncer no reto \u00e9 ainda mais evidente, com varia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual de 3,2% entre 1974 e 2013 para adultos na faixa et\u00e1ria entre 20 e 29 anos. Entre 40 e 54 anos, o crescimento foi de 2% ao ano desde a d\u00e9cada de 1990. Em 2013, 29% dos casos diagnosticados da doen\u00e7a foram em pacientes com menos de 55 anos, contra percentual de 15% registrado em 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3306\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/cancercoloretal.jpg\" alt=\"\" width=\"718\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/cancercoloretal.jpg 718w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/cancercoloretal-300x183.jpg 300w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/cancercoloretal-600x366.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px\" \/><\/p>\n<p><strong>MILLENNIALS T\u00caM N\u00cdVEL DE RISCO DO S\u00c9CULO XVIII<\/strong><\/p>\n<p>Esses n\u00fameros fazem com que pessoas nascidas em 1990 tenham o dobro do risco de desenvolver c\u00e2ncer no intestino e quatro vezes mais probabilidade de ter c\u00e2ncer no reto do que algu\u00e9m nascido na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>\u2014 Nossa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que o risco de c\u00e2ncer colorretal para os millennials retornou para o n\u00edvel daqueles nascidos no fim do s\u00e9culo XVIII \u2014 lamentou Rebecca. \u2014 S\u00e3o necess\u00e1rias campanhas educacionais para alertar m\u00e9dicos e o p\u00fablico em geral sobre esse aumento e, assim, reduzir atrasos no diagn\u00f3stico, que s\u00e3o muito prevalentes entre os jovens, al\u00e9m de incentivar uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e estilos de vida mais ativos para reverter essa tend\u00eancia.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer colorretal est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 obesidade. Um outro estudo, publicado ontem no \u201cBritish Medical Journal\u201d, indica que cada 5kg\/m2 ganhos no \u00edndice de massa corporal representam um aumento de 9% no risco de desenvolver c\u00e2ncer colorretal entre homens. Para Jos\u00e9 Cl\u00e1udio Casali, oncogeneticista da All Clinik e professor da PUC do Paran\u00e1, esta pode ser uma das explica\u00e7\u00f5es para o aumento da incid\u00eancia da doen\u00e7a entre a popula\u00e7\u00e3o mais jovem, uma tend\u00eancia que, segundo ele, tamb\u00e9m acontece no Brasil.<\/p>\n<p>\u2014 A obesidade est\u00e1 relacionada ao desenvolvimento de v\u00e1rios tumores, em particular os c\u00e2nceres do intestino \u2014 disse Casali. \u2014 Mas a obesidade n\u00e3o \u00e9 uma causa em si, ela \u00e9 consequ\u00eancia dos maus h\u00e1bitos alimentares e do estilo de vida sedent\u00e1rio, que se tornou padr\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A obesidade j\u00e1 \u00e9 considerada uma epidemia global. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, em 1995 existiam no mundo cerca de 200 milh\u00f5es de pessoas obesas. Em 2014, eram 1,9 bilh\u00e3o de pessoas com sobrepeso, sendo 600 milh\u00f5es delas obesas.<\/p>\n<p><strong>EXAMES CADA VEZ MAIS CEDO<\/strong><\/p>\n<p>O oncologista Daniel Tabak destaca, por\u00e9m, que o estudo traz um dado novo, que n\u00e3o pode ser explicado apenas pelo aumento da obesidade, pela pr\u00e1tica limitada de atividade f\u00edsica ou pela mudan\u00e7a no padr\u00e3o alimentar observada nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u2014 Talvez um fator esteja relacionado a uma detec\u00e7\u00e3o mais precoce de les\u00f5es precursoras pela realiza\u00e7\u00e3o rotineira de exames em indiv\u00edduos acima dos 50 anos \u2014 opinou Tabak. \u2014 E uma maior incid\u00eancia em indiv\u00edduos que n\u00e3o t\u00eam a rotina dos exames.<\/p>\n<p>Mas os dois m\u00e9dicos concordam que o diagn\u00f3stico precoce facilita o tratamento e aumenta as chances de sobreviv\u00eancia. Normalmente, a doen\u00e7a come\u00e7a com um p\u00f3lipo que, se for retirado, n\u00e3o se desenvolve como c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>\u2014 O retardo na identifica\u00e7\u00e3o precoce determina o diagn\u00f3stico de les\u00f5es em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado e uma maior mortalidade \u2014 disse Tabak.<\/p>\n<p>A colonoscopia \u00e9 o exame padr\u00e3o para a detec\u00e7\u00e3o de p\u00f3lipos e de c\u00e2ncer no intestino. Hoje, a recomenda\u00e7\u00e3o para pessoas com risco m\u00e9dio \u00e9 que ela seja realizada aos 50 anos de idade, e repetida a cada dez anos. Frente \u00e0s evid\u00eancias de que pessoas cada vez mais jovens est\u00e3o desenvolvendo tumores, Casali sugere que cada caso seja avaliado individualmente.<\/p>\n<p>\u2014 Numa pessoa obesa, por exemplo, a gente pode tomar o cuidado de realizar a colonoscopia um pouco antes \u2014 disse o especialista. \u2014 A gente fala muito sobre tratamento personalizado, mas tamb\u00e9m existe a preven\u00e7\u00e3o personalizada, ajustada aos h\u00e1bitos e \u00e0 carga heredit\u00e1ria de cada pessoa.<\/p>\n<p>Os autores do estudo tamb\u00e9m sugerem que a idade recomendada para o in\u00edcio dos exames de detec\u00e7\u00e3o seja reconsiderada. Para isso, destacam que em 2013 foram diagnosticados 10.400 novos casos de c\u00e2ncer colorretal em pacientes entre 40 a 50 anos, al\u00e9m de 12.800 novos casos entre pessoas que acabaram que ingressar na faixa dos 50 anos.<\/p>\n<p>\u2014 Esses n\u00fameros s\u00e3o similares ao total de casos de c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, para o qual s\u00e3o recomendados exames para 95 milh\u00f5es de mulheres entre 21 e 65 anos \u2014 argumentou Rebecca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Um estudo divulgado ontem pela Sociedade Americana de C\u00e2ncer revela que o n\u00famero de casos de tumor colorretal (de intestino grosso e reto) est\u00e1 aumentando entre adultos jovens e de meia-idade, principalmente o cancro no reto \u2014 antes mais comum entre idosos. 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