{"id":3515,"date":"2017-04-24T13:48:12","date_gmt":"2017-04-24T13:48:12","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=3515"},"modified":"2017-04-25T12:44:04","modified_gmt":"2017-04-25T12:44:04","slug":"especialistas-debatem-a-importancia-dos-cuidados-paliativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2017\/04\/24\/especialistas-debatem-a-importancia-dos-cuidados-paliativos\/","title":{"rendered":"Especialistas debatem a import\u00e2ncia dos cuidados paliativos"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Ramiro Ven\u00e2ncio descobriu o c\u00e2ncer por acaso, em exames realizados para uma cirurgia, no in\u00edcio do ano passado. Nesse processo, ele precisou ser internado \u00e0s pressas para realizar pela primeira vez uma quimioterapia, perdeu pouco mais de 15 quilos em algumas semanas e trocou a cama pelo sof\u00e1 \u2014 se estivesse deitado, diz, \u201cpensaria besteiras\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 Eu achava que ia morrer, que n\u00e3o saberia como deixar minha fam\u00edlia \u2014 lembra. \u2014 N\u00f3s ouvimos falar sobre como \u00e9 uma doen\u00e7a dif\u00edcil, e eu vi todos os sintomas acontecendo comigo. Parecia que estava trilhando um caminho sem volta e conversei muito com minha fam\u00edlia sobre isso.<\/p>\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o estar curado, o empres\u00e1rio diz n\u00e3o sentir nada. O linfoma regrediu tanto que o m\u00e9dico permitiu que ele viajasse por um m\u00eas pela Europa \u2014 antes, estava proibido de passar um fim de semana no interior do estado.<\/p>\n<p>\u2014 Esta experi\u00eancia impactou meu comportamento. N\u00e3o esquento muito com as coisas, tudo parece mais brando \u2014 descreve.<\/p>\n<p>O sentimento de proximidade com a morte e o papel da medicina diante destes casos foram temas da edi\u00e7\u00e3o deste m\u00eas do \u201cEncontros O GLOBO Sa\u00fade e Bem-Estar\u201d, realizada na \u00faltima ter\u00e7a-feira na Casa do Saber. O debate contou com a presen\u00e7a da psic\u00f3loga e especialista em gerontologia Ligia Py, da geriatra e especialista em cuidados paliativos Claudia Burl\u00e1 e media\u00e7\u00e3o da jornalista do GLOBO Josy Fischberg.<\/p>\n<p>Coordenador do evento, o cardiologista Claudio Dom\u00eanico destaca a import\u00e2ncia da fam\u00edlia e do comportamento do m\u00e9dico na etapa final da vida de um paciente.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o importa se temos 30 ou 56 anos de idade, nunca vamos saber quando vamos morrer. A dist\u00e2ncia \u00e9 a mesma para todo mundo \u2014 comenta. \u2014 H\u00e1 diversos suportes para o fim da vida: a religi\u00e3o, a filosofia, os la\u00e7os afetivos. E tamb\u00e9m precisamos de um m\u00e9dico carinhoso, que saiba escutar. N\u00e3o adianta ter um profissional com conhecimento t\u00e9cnico se lhe falta calor humano.<\/p>\n<p><strong>REFLEX\u00c3O SOBRE AS \u00daLTIMAS RECOMENDA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>Dom\u00eanico contou que recebe em seu consult\u00f3rio pacientes dispostos a fazer a diretiva antecipada de vontade \u2014 documento em que enumeram procedimentos que devem ou n\u00e3o ser realizados caso n\u00e3o haja possibilidade para reverter seu quadro de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c0s vezes as pessoas n\u00e3o falam sobre isso porque sentem vergonha, mas \u00e9 importante que deixem claro: eu n\u00e3o quero isso ou aquilo \u2014 ressalta. \u2014 Apenas 10% das mortes s\u00e3o s\u00fabitas. Na grande maioria dos casos, como no c\u00e2ncer e na dem\u00eancia, o paciente tem a chance de refletir, dizer adeus e fazer suas \u00faltimas vontades.<\/p>\n<p>A expectativa de vida cresceu significativamente no s\u00e9culo passado e os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos na \u00e1rea m\u00e9dica s\u00e3o incontest\u00e1veis, mas as doen\u00e7as cr\u00f4nicas provocam limita\u00e7\u00f5es que devem ser acompanhadas at\u00e9 o fim da vida, para reduzir ao m\u00e1ximo a agonia do paciente.<\/p>\n<p>Diante desta necessidade, a medicina paliativa ganha cada vez mais terreno. Trata-se de uma \u00e1rea interdisciplinar que foca do indiv\u00edduo, e n\u00e3o na doen\u00e7a que o aflige. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), 40 milh\u00f5es de pessoas necessitam desta assist\u00eancia, mas apenas 14% recebem o atendimento necess\u00e1rio. Em 2014, a entidade divulgou uma resolu\u00e7\u00e3o global, apelando para que os Estados-membros da ONU investissem no acesso aos cuidados paliativos em seus sistemas de sa\u00fade. No ano seguinte, cerca de metade j\u00e1 havia atendido a recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>EFICI\u00caNCIA MAIOR NO IN\u00cdCIO DA DOEN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>A OMS alerta que a necessidade global de cuidados paliativos crescer\u00e1 nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, seguindo o avan\u00e7o de diversas doen\u00e7as, principalmente cr\u00f4nicas, cardiovasculares e c\u00e2ncer, al\u00e9m do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este modo de assist\u00eancia, no entanto, esbarra em diversas barreiras, como no\u00e7\u00f5es culturais sobre o que \u00e9 a morte e como ela deve ocorrer, al\u00e9m da falta de informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas \u2014 muitas pessoas acreditam que estes cuidados s\u00f3 devem ser oferecidos para pacientes em suas \u00faltimas semanas de vida. Na verdade, a efici\u00eancia dos cuidados paliativos \u00e9 maior se estiverem dispon\u00edveis desde o in\u00edcio da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Outra resist\u00eancia \u00e9 encontrada dentro da comunidade m\u00e9dica, cuja forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica \u00e9 direcionada para a cura. Diversos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina ainda n\u00e3o t\u00eam disciplinas voltadas para este tema.<\/p>\n<p>\u2014 Precisamos que os profissionais tenham a vis\u00e3o de que n\u00e3o s\u00e3o superpot\u00eancias, e que aplicar\u00e3o todos os cuidados para mitigar seu sofrimento at\u00e9 o fim da vida. Devem ser companheiros e oferecer sensibilidade \u2014 recomenda Ligia Py. \u2014 Devemos entender nossas pr\u00f3prias inquieta\u00e7\u00f5es e inseguran\u00e7as.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga reivindica uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos cuidados paliativos\u201d, proporcionando uma nova assist\u00eancia a casos em que a busca por unidades de tratamento intensivo n\u00e3o faz mais sentido.<\/p>\n<p>\u2014 A morte \u00e9, foi e continuar\u00e1 sendo uma quest\u00e3o existencial. O papel da medicina \u00e9 emprestar o seu aparato e arsenal terap\u00eautico para vivermos melhor os nossos \u00faltimos momentos \u2014 ressalta. \u2014 \u00c9 preciso nos reeducarmos para oferecer um contraponto ao pessimismo. Podemos trabalhar no processo de morrer, para que o ser humano seja a prioridade de nossos atos.<\/p>\n<p>Para Claudia Burl\u00e1, \u00e9 \u201cinaceit\u00e1vel\u201d uma pessoa padecer de dor, j\u00e1 que h\u00e1 medicamentos para combat\u00ea-la e indica\u00e7\u00f5es adequadas.<\/p>\n<p>\u2014 O conhecimento cient\u00edfico j\u00e1 nos ensinou como controlar tanto um medicamento quanto o aux\u00edlio de profissionais de \u00e1reas como reabilita\u00e7\u00e3o e fisioterapia \u2014 sublinha. \u2014 Quantos segredos s\u00e3o revelados no leito de morte, quantas pend\u00eancias s\u00e3o resolvidas, quantas palavras n\u00e3o foram ditas na vida inteira? Cabe a n\u00f3s estarmos nesta cena e sermos um facilitador para a pessoa que est\u00e1 se despedindo da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Ramiro Ven\u00e2ncio descobriu o c\u00e2ncer por acaso, em exames realizados para uma cirurgia, no in\u00edcio do ano passado. 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