{"id":3612,"date":"2017-05-22T11:39:46","date_gmt":"2017-05-22T11:39:46","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=3612"},"modified":"2017-05-22T21:20:25","modified_gmt":"2017-05-22T21:20:25","slug":"brasil-fica-em-89o-lugar-em-pesquisa-sobre-qualidade-e-acesso-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2017\/05\/22\/brasil-fica-em-89o-lugar-em-pesquisa-sobre-qualidade-e-acesso-a-saude\/","title":{"rendered":"Brasil fica em 89\u00ba lugar em pesquisa sobre qualidade e acesso \u00e0 sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Doen\u00e7as como sarampo, epilepsia e apendicite j\u00e1 t\u00eam m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o e tratamento amplamente conhecidos mas, ainda assim, levam a milhares de mortes a cada ano no mundo. Em um levantamento publicado ontem no peri\u00f3dico m\u00e9dico internacional \u201cThe Lancet\u201d, pesquisadores fizeram pela primeira vez um diagn\u00f3stico desta mortalidade \u201cevit\u00e1vel\u201d em todo o mundo. Em um \u00edndice que vai de 0 a 100 \u2014 em que 100 representa os melhores resultados \u2014 e se baseia no tratamento de 32 causas de morte evit\u00e1veis, o Brasil teve, em 2015, pontua\u00e7\u00e3o 64,9. \u00c9 um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9trica de 1990, de 50,1 pontos, mas o pa\u00eds fica atr\u00e1s de vizinhos da Am\u00e9rica Latina como Chile, Uruguai e Argentina e apenas uma coloca\u00e7\u00e3o \u00e0 frente da Venezuela. No mundo, Andorra lidera com o melhor \u00edndice (94,6), e na lanterna, figura a Rep\u00fablica Centro-Africana (28,6).<\/p>\n<p>O Brasil tem bons \u00edndices em doen\u00e7as que podem ser prevenidas com vacina\u00e7\u00e3o, como a difteria (na qual o pa\u00eds tem o melhor \u00edndice, de 100) e o sarampo (99). Os pontos mais fr\u00e1geis, por\u00e9m, s\u00e3o os dist\u00farbios neonatais (41), infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias no trato inferior (43) e doen\u00e7as biliares e da ves\u00edcula (44).<\/p>\n<p>\u2014 O que constatamos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade e ao acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e9 perturbador \u2014 afirma Christopher Murray, autor principal do estudo e diretor do Instituto de M\u00e9tricas e Avalia\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade (IHME) da Universidade de Washington. \u2014 Uma economia robusta e a abund\u00e2ncia de tecnologia m\u00e9dica n\u00e3o garantem bons servi\u00e7os de sa\u00fade. Sabemos disso porque as pessoas n\u00e3o est\u00e3o recebendo os cuidados que seriam esperados para doen\u00e7as com tratamentos estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3614\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pesquisa2.jpg\" alt=\"\" width=\"706\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pesquisa2.jpg 706w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pesquisa2-300x164.jpg 300w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/pesquisa2-600x329.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 100vw, 706px\" \/><\/p>\n<p><strong>PA\u00cdS PODERIA TER 9,8 PONTOS A MAIS<\/strong><\/p>\n<p>O estudo estima tamb\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o a esta m\u00e9trica principal \u2014 denominada \u00edndice de Qualidade e Acesso a Servi\u00e7os de Sa\u00fade (QASS) \u2014, o potencial de melhoria em um pa\u00eds com base em seus recursos e desenvolvimento pr\u00f3prios. De acordo com os pesquisadores, o Brasil poderia ter mais 9,8 pontos que os 64,9 em 2015 caso o pa\u00eds otimizasse seus recursos na \u00e1rea de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Apesar de reconhecer uma melhora do acesso \u00e0 sa\u00fade no Brasil e no mundo entre 1990 e 2015, a diretora m\u00e9dica da Iniciativa Medicamentos para Doen\u00e7as Negligenciadas (DNDi, na sigla em ingl\u00eas), Carolina Batista, destaca que h\u00e1 ainda desigualdades e mortes evit\u00e1veis que o pa\u00eds precisa combater.<\/p>\n<p>\u2014 Apesar de, por um lado, haver uma parte do estudo a ser celebrada, outro mostra que, se n\u00e3o houver melhoras, as pessoas v\u00e3o continuar morrendo. Temos que fazer um melhor uso de estruturas de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, de medicina da fam\u00edlia \u2014 destaca Carolina.<\/p>\n<p>Para a m\u00e9dica, as causas de morte com \u00edndices mais preocupantes no Brasil \u2014 os dist\u00farbios neonatais e as infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias no trato inferior \u2014 exp\u00f5em a dificuldade de acesso, sobretudo entre comunidades perif\u00e9ricas e remotas, a estruturas, profissionais e tratamentos de sa\u00fade eficazes.<\/p>\n<p>\u2014 Dist\u00farbios neonatais s\u00e3o complica\u00e7\u00f5es que surgem no primeiro m\u00eas de vida do beb\u00ea e podem se agravar, por exemplo, quando n\u00e3o h\u00e1 acompanhamento m\u00e9dico neste per\u00edodo. J\u00e1 as infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias s\u00e3o um espelho de um acesso ruim \u00e0 sa\u00fade: uma crian\u00e7a com gripe acaba n\u00e3o se tratando e desenvolve uma pneumonia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nos pa\u00edses desenvolvidos, os n\u00fameros resumem realidades intrigantes. Noruega e Austr\u00e1lia, por exemplo, ficaram na faixa dos 90 pontos, mas no que diz respeito ao tratamento do c\u00e2ncer testicular, o pa\u00eds n\u00f3rdico pontuou 65 e a Austr\u00e1lia obteve apenas 52 pontos no trato ao c\u00e2ncer de pele n\u00e3o melanoma.<\/p>\n<p>\u2014 Na maioria dos casos, ambos os tipos de c\u00e2ncer podem ser tratados com efici\u00eancia \u2014 destaca Murray. \u2014 N\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o seriamente preocupante que pessoas estejam morrendo desses tumores em pa\u00edses que t\u00eam recursos para trat\u00e1-los?<\/p>\n<p><strong>DADOS COLETADOS DESDE 2000<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores que assinam a publica\u00e7\u00e3o no \u201cLancet\u201d afirmam que esta \u00e9 a primeira iniciativa a avaliar a qualidade e o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade em 195 pa\u00edses. Para isso, os professores Martin McKee e Ellen Noltre v\u00eam levantando dados na \u00e1rea desde 2000. As pontua\u00e7\u00f5es para o \u00edndice QASS se baseiam em estimativas do Estudo Global Anual do Peso de Doen\u00e7as, Les\u00f5es e Fatores de Risco (GBD), uma iniciativa que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre doen\u00e7as e fatores de risco com a colabora\u00e7\u00e3o de 2.300 pessoas em 133 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nos 25 anos cobertos pela pesquisa, a m\u00e9dia global do \u00edndice apresentou melhora: passou de 40,7 pontos em 1990 para 53,7 em 2015. Mesmo assim, pa\u00edses de parte da \u00c1frica Subsaariana, da \u00c1sia e do Pac\u00edfico continuam apresentando os quadros mais dr\u00e1sticos. Agora, os autores do estudo pretendem fazer do \u00edndice uma m\u00e9trica a ser atualizada anualmente.<\/p>\n<p>Para Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), a pesquisa pode ser um importante guia para pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade no direcionamento de esfor\u00e7os \u2014 algo que precisa ser feito no Brasil, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tuberculose, que tem pontua\u00e7\u00e3o 65.<\/p>\n<p>\u2014 Podemos erradicar a tuberculose se tivermos planejamento e a incorpora\u00e7\u00e3o de medicamentos eficientes contra formas resistentes da doen\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Doen\u00e7as como sarampo, epilepsia e apendicite j\u00e1 t\u00eam m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o e tratamento amplamente conhecidos mas, ainda assim, levam a milhares de mortes a cada ano no mundo. 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