{"id":3752,"date":"2017-06-19T16:53:04","date_gmt":"2017-06-19T16:53:04","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=3752"},"modified":"2017-06-20T12:56:29","modified_gmt":"2017-06-20T12:56:29","slug":"falta-de-apoio-psicologico-a-pacientes-oncologicos-preocupa-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2017\/06\/19\/falta-de-apoio-psicologico-a-pacientes-oncologicos-preocupa-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Falta de apoio psicol\u00f3gico a pacientes oncol\u00f3gicos preocupa pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Correio Braziliense<\/p>\n<p>T\u00e3o importante quanto a busca de novos medicamentos e tecnologias de enfrentamento ao c\u00e2ncer \u00e9 encontrar maneiras de ajudar o paciente a lidar com um diagn\u00f3stico devastador. Ainda que grande parte dos tumores malignos tenha bons progn\u00f3sticos, essa \u00e9 uma doen\u00e7a com impacto significativo sobre a qualidade de vida do paciente e dos familiares. No maior congresso oncol\u00f3gico mundial, organizado pela Associa\u00e7\u00e3o Norte-Americana de Oncologia Cl\u00ednica (Asco), os aspectos psicol\u00f3gicos foram tratados por estudos que apontaram estrat\u00e9gias eficazes no manejo do estresse provocado pela enfermidade.<\/p>\n<p>Jane Beith, oncologista cl\u00ednica da Universidade de Sydney, apresentou o resultado da fase II de uma interven\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, chamada Conquer Fear (Conquistando o medo), voltada a pacientes que j\u00e1 passaram pelo tratamento, mas temem a recorr\u00eancia do c\u00e2ncer. \u201cPor enquanto, faltam interven\u00e7\u00f5es para aliviar esse sentimento\u201d, diz.<\/p>\n<p>O estudo coordenado por Beith incluiu 222 sobreviventes de c\u00e2ncer de mama nos est\u00e1gios 1,2 e 3; c\u00e2ncer colorretal e melanoma, que afirmavam temer a recorr\u00eancia do tumor. Eles foram divididos, aleatoriamente, para participar do Conquer Fear ou em um treinamento de relaxamento, que serviu como grupo de controle. Todos haviam terminado o tratamento entre dois meses a cinco anos antes de entrar na pesquisa, e estavam livres da doen\u00e7a. Os participantes do segundo grupo receberam sess\u00f5es individuais de 60 minutos, \u00a0ao longo de 10 semanas. Os demais entraram no grupo do Conquer Fear.<\/p>\n<p>Trata-se de uma interven\u00e7\u00e3o baseada em uma abordagem te\u00f3rica desenvolvida pelos autores, que ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta para uso cl\u00ednico. Terapeutas treinados conduziram as sess\u00f5es individuais, que duravam de 60 a 90 minutos, tamb\u00e9m por 10 semanas. O foco \u00a0era a aceita\u00e7\u00e3o da incerteza sobre a recorr\u00eancia do c\u00e2ncer, o ensino de estrat\u00e9gias de controle da preocupa\u00e7\u00e3o, e a ajuda a se concentrar nos objetivos de vida, entre outros.<\/p>\n<p>No fim, os pesquisadores avaliaram as respostas de um question\u00e1rio de 42 itens sobre o medo da volta do c\u00e2ncer, que foi preenchido por ambos os grupos. A pontua\u00e7\u00e3o ia de 0 a 168, em ordem crescente de temor. O inqu\u00e9rito foi realizado logo ap\u00f3s as interven\u00e7\u00f5es, e tr\u00eas e seis meses depois. De acordo com Jane Beith, a redu\u00e7\u00e3o do medo de recorr\u00eancia foi significativamente maior entre aqueles que participaram do Conquer Fear (em m\u00e9dia, 18,1 pontos a menos em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro question\u00e1rio), comparado aos que fizeram as sess\u00f5es de relaxamento (7,6 pontos a menos).<\/p>\n<p>Tecnologia<\/p>\n<p>J\u00e1 Viviane Hess, oncologista cl\u00ednica do Hospital Universit\u00e1rio de Basel, na Su\u00ed\u00e7a, investigou um m\u00e9todo de controle do estresse de pacientes que acabaram de receber o diagn\u00f3stico. \u201cA maior parte das pessoas exibe n\u00edveis significativos de estresse quando s\u00e3o diagnosticadas, o que afeta n\u00e3o apenas a qualidade de vida, mas tamb\u00e9m pode impactar negativamente o curso da doen\u00e7a e a habilidade de o paciente tolerar o tratamento. Ainda assim, poucos recebem suporte psicol\u00f3gico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Hess conduziu uma interven\u00e7\u00e3o, a Stream, de oito semanas, realizada pela internet, e desenvolvida por oncologistas e psic\u00f3logos. Ela \u00e9 baseada em abordagens j\u00e1 conhecidas da terapia cognitiva, aplicadas pessoalmente, e cobre oito t\u00f3picos, como intera\u00e7\u00e3o social, sentimentos, redu\u00e7\u00e3o cognitiva do estresse e rea\u00e7\u00e3o corporal ao esgotamento mental. Para cada ponto, os participantes receberam informa\u00e7\u00f5es escritas e em \u00e1udio e, depois, completaram exerc\u00edcios e question\u00e1rios.<\/p>\n<p>No estudo, 129 pacientes de c\u00e2ncer de mama, pulm\u00e3o, ov\u00e1rio, gastrointestinal, melanoma e linfoma que haviam iniciado o tratamento m\u00e9dico em at\u00e9 12 semanas, foram divididos em dois grupos. Parte recebeu a interven\u00e7\u00e3o Stream e o restante n\u00e3o teve apoio psicol\u00f3gico. Depois de dois meses, os que participaram do programa haviam alcan\u00e7ado uma melhora significativa na qualidade de vida, avaliada em question\u00e1rios sobre estresse e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores usaram uma escala de 0 a 10, em ordem decrescente de satisfa\u00e7\u00e3o (de 0 a 4 n\u00edvel baixo de estresse, e de 5 a 10, n\u00edvel alto). No fim, a pontua\u00e7\u00e3o daqueles que participaram do Stream caiu de 6 para 4, e continuou a mesma (6) no grupo de controle. \u201cAs novas tecnologias abrem oportunidades\u201d, acredita Hess. \u201cCom essas interven\u00e7\u00f5es, podemos dar o t\u00e3o importante suporte psicol\u00f3gico para os pacientes no conforto de suas salas de estar ou em outros locais com acesso \u00e0 internet. E, mesmo o contato sendo on-line, parece que os la\u00e7os terap\u00eauticos entre pacientes e psic\u00f3logos s\u00e3o mantidos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Palavra de especialista &#8211; Cuidado global<\/p>\n<p>\u201cEssas pesquisas v\u00eam para confirmar ainda mais a import\u00e2ncia do suporte psicol\u00f3gico e dos bons resultados que se obt\u00e9m com as t\u00e9cnicas de interven\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas aplicadas. Quando atuamos em oncologia, sabemos que \u00e9 imprescind\u00edvel cuidar do paciente de forma global. Tudo que interfere na qualidade de vida do paciente oncol\u00f3gico est\u00e1 cada vez mais sendo estudado e valorizado. Tratar da doen\u00e7a, cuidar dos aspectos nutricionais, preocupa\u00e7\u00f5es com a reabilita\u00e7\u00e3o p\u00f3s-tratamento s\u00e3o alguns dos aspectos fundamentais para o paciente. Da mesma forma, \u00e9 importante cuidar do emocional e do mundo interno do paciente. \u00c9 maravilhoso constatar que cresce a cada ano, a cada evento da Asco, que \u00e9 o maior congresso mundial de oncologia, o reconhecimento dos aspectos psicol\u00f3gicos e a import\u00e2ncia dos estudos sobre as interven\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas que possam beneficiar ainda mais o paciente. \u00c9 vis\u00edvel o crescimento da Psico-Oncologia e, acredito que as contribui\u00e7\u00f5es dessa especialidade s\u00f3 tendem a crescer e se fortalecer ainda mais. Gra\u00e7as aos profissionais da \u00e1rea e dos estudos realizados, a Psico-Oncologia tem obtido a valoriza\u00e7\u00e3o e reconhecimento t\u00e3o necess\u00e1rios dentro da oncologia.\u201d<\/p>\n<p>Gl\u00e1ucia Flores, psic\u00f3loga oncol\u00f3gica do Instituto Alian\u00e7a de Oncologia e membro da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia<\/p>\n<p>Tr\u00eas perguntas<\/p>\n<p>O que h\u00e1 de mais eficaz para ajudar o paciente de c\u00e2ncer a lidar com o diagn\u00f3stico?<\/p>\n<p>O momento do diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a como o c\u00e2ncer \u00e9 caracterizado normalmente por sentimentos que podem ocasionar grande desequil\u00edbrio emocional e familiar, pois \u00e9 um momento de grande impacto. As pessoas lidam com o c\u00e2ncer como lidam com muitos outros problemas na vida \u2014 cada uma \u00e0 sua maneira. Contudo, se \u00e9 poss\u00edvel sugerir uma forma eficaz de ajudar o paciente a enfrentar esse momento, seria buscar apoio, tanto da fam\u00edlia, dos amigos, bem como ajuda profissional, e, nesse aspecto, o suporte psicol\u00f3gico pode contribuir significativamente. Obter informa\u00e7\u00f5es corretas junto a equipe profissional, estar a par do que poder\u00e1 acontecer pode aliviar a ansiedade, pois a pessoa ter\u00e1 maior sensa\u00e7\u00e3o de controle. Em resumo: expressar e compartilhar as emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, cuidar de si pr\u00f3prio; se poss\u00edvel e autorizado pelo m\u00e9dico, fazer alguma atividade f\u00edsica e tamb\u00e9m buscar alguma outra atividade que proporcione prazer e bem-estar s\u00e3o algumas dicas para enfrentar esse momento dif\u00edcil. E lembrar que h\u00e1 vida al\u00e9m da doen\u00e7a e tratamento, e que \u00e9 poss\u00edvel viver e realizar muitas das suas atividades cotidianas apesar de estar passando por um tratamento oncol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A gravidade da doen\u00e7a influencia no n\u00edvel de estresse?<\/p>\n<p>Quando o paciente tem consci\u00eancia da gravidade da doen\u00e7a, os sentimentos de ang\u00fastia, medo e inseguran\u00e7a se intensificam, o que, consequentemente, acaba aumentando o n\u00edvel de estresse. Por isso, a import\u00e2ncia de tamb\u00e9m cuidar dos aspectos emocionais e psicol\u00f3gicos, pois eles tamb\u00e9m interferem na resposta e na ader\u00eancia do paciente ao tratamento.<\/p>\n<p>Mulheres e homens lidam de forma parecida?<\/p>\n<p>Os sentimentos e ang\u00fastias despertados frente ao adoecimento s\u00e3o, de certa forma, comuns as mulheres e homens. Por\u00e9m, a forma de lidar e enfrentar a situa\u00e7\u00e3o difere, devido, principalmente \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es sociais que ainda existem na nossa cultura. Vivemos numa sociedade que ainda associa o cuidado com a sa\u00fade, consigo e o cuidado com o outro ao \u00e2mbito feminino, tanto que os servi\u00e7os de sa\u00fade s\u00e3o pouco frequentados pelos homens. Dessa forma, os homens t\u00eam maior dificuldade de reconhecer e expressar seus sentimentos, o que acarreta maior dificuldade de se apropriar do suporte familiar, social ou mesmo psicol\u00f3gico. J\u00e1 as mulheres expressam melhor suas emo\u00e7\u00f5es, porque, socialmente, \u00e9 \u201cpermitido\u201d e \u201caceit\u00e1vel\u201d que a mulher demonstre mais suas fragilidades e exponha seus sentimentos. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que merece aten\u00e7\u00e3o, pois, independentemente do g\u00eanero, h\u00e1 sofrimento, h\u00e1 ang\u00fastias que precisam ser expressas, ouvidas, acolhidas e cuidadas. \u00c9 preciso e necess\u00e1rio que o paciente, homem ou mulher, possa obter o adequado suporte para atravessar esse momento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Correio Braziliense T\u00e3o importante quanto a busca de novos medicamentos e tecnologias de enfrentamento ao c\u00e2ncer \u00e9 encontrar maneiras de ajudar o paciente a lidar com um diagn\u00f3stico devastador. 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