{"id":3925,"date":"2017-07-25T12:11:31","date_gmt":"2017-07-25T12:11:31","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=3925"},"modified":"2017-07-25T12:11:31","modified_gmt":"2017-07-25T12:11:31","slug":"trafico-limita-acesso-a-upas-e-poe-atendimentos-na-linha-de-tiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2017\/07\/25\/trafico-limita-acesso-a-upas-e-poe-atendimentos-na-linha-de-tiro\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1fico limita acesso a UPAs e p\u00f5e atendimentos na linha de tiro"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>J\u00e1 com o motor e a sirene ligados, uma ambul\u00e2ncia est\u00e1 pronta para sair em socorro de um baleado grave. O clique da fechadura do ve\u00edculo, do lado de fora, desperta a aten\u00e7\u00e3o dos ocupantes. \u00c9 o sinal de que algo est\u00e1 prestes a sair da rotina. O objetivo seria partir \u00e0s pressas da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros at\u00e9 um hospital de emerg\u00eancia. A v\u00edtima, atingida por tr\u00eas tiros, corre risco de morrer. A porta da ambul\u00e2ncia \u00e9 aberta. Dois jovens, de bermudas, sem camisas, ostentando cord\u00f5es e pulseiras de ouro, metem seu armamento pesado para dentro do carro. Um deles berra, se dirigindo ao paciente: \u201cTu \u00e9 alem\u00e3o, tu \u00e9 alem\u00e3o! Vou te picar todo!\u201d. Entre o ferido e os traficantes, uma experiente enfermeira tem um fuzil apontado para o peito. De imediato, ela entende a mensagem: o baleado morava numa favela rival a dos traficantes e a senten\u00e7a dele \u00e9 a morte.<\/p>\n<p>As fronteiras criadas pelo tr\u00e1fico em \u00e1reas de exclus\u00e3o social do Rio fazem com que servidores da sa\u00fade, que trabalham em algumas UPAs 24 horas, se \u201cadaptem\u201d. A express\u00e3o \u00e9 usada pelos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios. Na UPA de Costa Barros, situada no meio de territ\u00f3rios dominados por fac\u00e7\u00f5es rivais, m\u00e9dicos e enfermeiros s\u00f3 podem atender pacientes de um dos grupos, o que controla a unidade. Os demais s\u00e3o obrigados a se deslocar at\u00e9 a UPA de Ricardo de Alburquerque. Na UPA da Mar\u00e9, o acesso de moradores de parte das comunidades \u00e9 vetado por traficantes da fac\u00e7\u00e3o que domina a Vila do Jo\u00e3o, \u00e1rea em que est\u00e1 a UPA. Situadas em \u00e1reas de risco, as UPAs da Vila Kennedy e Manguinhos s\u00e3o alvo dos tiroteios, enquanto as do Alem\u00e3o e da Cidade de Deus tiveram que mudar protocolos para, sem estrutura hospitalar, atender baleados em confrontos.<\/p>\n<p>Alguns funcion\u00e1rios n\u00e3o conseguem se adaptar a essa realidade e pedem para sair. Na UPA de Costa Barros, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edstica oficial, mas calcula-se que cerca de meia centena de profissionais j\u00e1 foi transferida do local. Tudo isso porque as regras do poder paralelo n\u00e3o se restringem aos moradores de suas favelas e se estendem \u00e0s unidades de atendimento, do munic\u00edpio ou do estado.<\/p>\n<p>Encravada num campo de futebol, no meio de um brejo, a UPA de Costa Barros \u00e9 a \u00fanica presen\u00e7a do Estado no bairro. Ela fica no meio do fogo cruzado entre os Complexos da Pedreira e do Chapad\u00e3o, em uma verdadeira zona de guerra. Isso se reflete em suas paredes, onde h\u00e1 dezenas de marcas de tiros, que as atravessam como se fossem de papel. Na regi\u00e3o, os bandidos dividiram as unidades de acordo com a proximidade de seus territ\u00f3rios. Na unidade de Costa Barros, municipal, s\u00f3 \u00e9 atendido quem vive no conjunto de favelas da Pedreira. O restante \u00e9 considerado inimigo ou \u201calem\u00e3o\u201d. Traficantes do Chapad\u00e3o, da fac\u00e7\u00e3o rival, d\u00e3o o troco. A UPA estadual de Ricardo de Albuquerque \u00e9 a deles. Munidos de radinhos, \u201colheiros\u201d do tr\u00e1fico fazem o controle de quem entra e sai. N\u00e3o h\u00e1 como fugir \u00e0 regra. Eles chegam r\u00e1pido, de moto.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m, por azar, cai na UPA \u201cerrada\u201d, traficantes ca\u00e7am o suposto invasor, como ocorreu no epis\u00f3dio da ambul\u00e2ncia, h\u00e1 cerca de dois meses. Era fim de uma tarde de sexta-feira, dia do baile do morro. Estava frio, mas os traficantes estavam sem camisa &#8211; precisam mostrar o poderio b\u00e9lico no punho e na cintura. A enfermeira X., que ficou sob a mira de um fuzil, conta que evitou uma carnificina na ambul\u00e2ncia usando como arma a frase certa:<\/p>\n<p>\u2014 Se o tiro fosse disparado, pegava em mim, no paciente e no m\u00e9dico. E ainda tinha a namorada da v\u00edtima, uma adolescente, conosco na ambul\u00e2ncia. Ia matar todo mundo! \u2014 lembra a profissional, h\u00e1 mais de 20 anos na \u00e1rea de sa\u00fade \u2014 Falei: \u201co paciente est\u00e1 grave. N\u00e3o precisa voc\u00eas matarem ele\u201d. Percebi que, do lado de fora, havia mais gente. S\u00f3 ouvi o cano de uma arma batendo na ambul\u00e2ncia. Um deles gritou: \u201cSe est\u00e1 grave mesmo, tia, ent\u00e3o voc\u00eas podem levar. Sa\u00edmos em disparada.<\/p>\n<p>A enfermeira estava certa. O paciente n\u00e3o chegou vivo nem ao centro cir\u00fargico do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, a 12 quil\u00f4metros da UPA de onde partiram.<\/p>\n<p>\u2014 Na hora a gente vira uma leoa. Mas, quando baixou a adrenalina, percebi que tinha feito xixi nas cal\u00e7as \u2014 relembra X.<\/p>\n<p><strong>PACIENTES N\u00c3O PODEM ATRAVESSAR \u00c1REA DE RIVAIS<\/strong><\/p>\n<p>Por causa da guerra entre fac\u00e7\u00f5es na Mar\u00e9, ocorre processo semelhante ao da UPA de Costa Barros. A unidade fica na Vila do Jo\u00e3o, dominada por uma das fac\u00e7\u00f5es que disputam a regi\u00e3o. Quem mora do outro lado da Linha Amarela, em comunidades como Nova Holanda e Parque Uni\u00e3o, dominadas pela maior fac\u00e7\u00e3o criminosa do Rio, n\u00e3o podem atravessar o territ\u00f3rio dos rivais e chegar \u00e0 unidade. Apesar de n\u00e3o haver nenhuma ordem expressa para que os m\u00e9dicos da UPA n\u00e3o atendam pacientes dessas \u00e1reas de rivais, segundo funcion\u00e1rios, eles simplesmente n\u00e3o aparecem mais.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 raro (aparecer algu\u00e9m). Eles n\u00e3o v\u00eam porque se entrar pela Avenida Brasil, at\u00e9 chegam na UPA. Mas se entrarem pela comunidade, s\u00e3o embarreirados. Cada um sabe seu espa\u00e7o. Acabam indo para o Get\u00falio Vargas, para a UPA da Penha \u2014 explicou um funcion\u00e1rio da unidade.<\/p>\n<p>O que outrora foi um s\u00edmbolo da a\u00e7\u00e3o do Estado em um territ\u00f3rio conflagrado, a UPA, a primeira a ser inaugurada no Rio, em 2007, tem restringido atendimentos quando um tiroteio se aproxima da unidade. Apesar de ser raro, recentemente, ela parou as atividades por algumas horas depois de uma amea\u00e7a do tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>\u2014 Outro dia teve atendimento restrito porque um traficante entrou aqui dizendo que ia fazer e acontecer. Pronto, fechamos \u2014 contou um profissional da UPA.<\/p>\n<p>Como outras UPAs de \u00e1reas conflagradas, a unidade da Mar\u00e9 se acostumou a receber baleados. L\u00e1, os m\u00e9dicos tentam estabilizar o paciente e transferi-lo o quanto antes para um hospital. S\u00f3 neste ano, deram entrada no local oito baleados. Dois deles morreram na pr\u00f3pria unidade.<\/p>\n<p>Em Costa Barros, n\u00e3o foram poucas as situa\u00e7\u00f5es de risco vividas pelas equipes da UPA. Em outro epis\u00f3dio, mais uma vez, a experi\u00eancia da enfermeira X. salvou a vida de outro incauto que foi parar por l\u00e1. Depois de sofrer uma queda de uma moto, um rapaz chegou \u00e0 unidade e, apesar do bom atendimento, jurou o m\u00e9dico de morte, caso ficasse com sequelas. Algu\u00e9m, n\u00e3o se sabe quem, ouviu a amea\u00e7a do \u201cabusado\u201d e contou para um dos chefes do tr\u00e1fico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Entra um homem todo alinhado, cord\u00e3o de ouro e arma na m\u00e3o. Pergunta para as pessoas da sala de espera se algu\u00e9m tinha visto o tal paciente que amea\u00e7ou o m\u00e9dico. O pessoal diz que n\u00e3o sabe. A\u00ed, ele fala em bom tom: \u201cQuero que respeitem todos aqui: do faxineiro ao m\u00e9dico\u201d. Do lado de fora, havia outros garotos armados \u2014 relembra funcion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas o paciente que amea\u00e7ou o m\u00e9dico retornou \u00e0 UPA. Tinha ido buscar sua moto. Chegou a fazer um cavalo de pau na frente da unidade. Mais uma vez, a enfermeira entrou em campo. Foi at\u00e9 a entrada e implorou que n\u00e3o o matassem, pelo menos ali, um lugar para salvar vidas.<\/p>\n<p>\u2014 Ele levou uma surra danada. Mandaram ele sumir. Disseram que ele nunca mais deveria p\u00f4r os p\u00e9s na nossa UPA. Quando acabou tudo, desmaiei. O m\u00e9dico se trancou no banheiro, e o auxiliar de portaria, ficou petrificado na recep\u00e7\u00e3o \u2014 contou a franzina enfermeira, que defende o local com unhas e dentes \u2014 Se sairmos daqui, como fica esse povo? A briga \u00e9 entre eles. A gente est\u00e1 aqui para ajudar.<\/p>\n<p>Mas nem sempre algu\u00e9m aparece para \u201cproteger\u201d o corpo de funcion\u00e1rios da unidade. Certa vez, um m\u00e9dico perguntou a um bandido que pediu \u201cprioridade\u201d no atendimento, se ele iria lembrar dele quando estivesse do lado de fora. A resposta foi imediata:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 ruim, hein? A rua \u00e9 a rua. N\u00e3o tem essa n\u00e3o. Pode ser o senhor ou qualquer um. Se tiver que atropelar, atropelo.<\/p>\n<p>Em um total desrespeito \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o de Genebra, que prev\u00ea prote\u00e7\u00e3o especial contra ataques em hospitais e ambul\u00e2ncias em situa\u00e7\u00f5es de guerra, no Rio, h\u00e1 casos em que os traficantes entram armados nas UPAs, inclusive portando granadas. Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o poucas as vezes em que criminosos querem entrar nos ve\u00edculos de resgate para acompanhar seus comparsas. Uma maneira de intimidar a equipe m\u00e9dica pela for\u00e7a do fuzil. A unidade de Costa Barros criou at\u00e9 uma passagem exclusiva para baleados. Al\u00e9m de priorizar os atendimentos graves, evita o desfile de armamentos pesados em suas instala\u00e7\u00f5es. Tudo para evitar que equipes de atendimento e pacientes se desestabilizem emocionalmente.<\/p>\n<p>\u2014 At\u00e9 que, quando a gente pede, os meninos (traficantes) deixam depois as armas do lado de fora. Mas quando chega o baleado, entram com tudo \u2014 conta uma funcion\u00e1ria da UPA de Costa Barros, lembrando que l\u00e1 \u00e9 uma unidade de portas abertas \u2014 S\u00f3 para se as balas entrarem aqui dentro \u2014 remenda.<\/p>\n<p>Costa Barros \u00e9 um dos maiores bols\u00f5es de mis\u00e9ria da Zona Norte, quase Zona Oeste. L\u00e1, o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano \u2014 classifica\u00e7\u00e3o criada para saber o grau de crescimento econ\u00f4mico e a qualidade de vida oferecida aos moradores de uma regi\u00e3o \u2014 \u00e9 de 0,713, ocupando a 125\u00aa posi\u00e7\u00e3o. O \u00edndice varia de zero at\u00e9 1. A avalia\u00e7\u00e3o do bairro \u00e9 considerada de gradua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia. No entanto, quem visita Costa Barros v\u00ea o retrato da degrada\u00e7\u00e3o. Esgoto \u00e0 c\u00e9u aberto, carros roubados abandonados ao longo das ruas, lixo amontoado em v\u00e1rios cantos. Os acessos \u00e0s favelas com barricadas dignas de cenas de filmes de conflitos na S\u00edria. Em alguns casos, o asfalto \u00e9 arrebentado, formando valas laterais, permitindo a passagem para apenas um ve\u00edculo de pequeno porte. Em outras, trilhos de trem e m\u00f3veis impedem o tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Mas a UPA de Costa Barros resiste ao tempo. Trata-se de uma unidade de atendimento secund\u00e1rio, em apoio \u00e0s cl\u00ednicas da fam\u00edlia. O prop\u00f3sito seria dar um diagn\u00f3stico sobre as doen\u00e7as mais comuns na regi\u00e3o, ficando pouco tempo no local, como acontece com os hospitais de campanha utilizados em guerras ou durante epidemias. Por isso a instala\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres. Com o calor do Rio, elas s\u00e3o revestidas com isolante t\u00e9rmico e ac\u00fastico. O isopor \u00e9 o material perfeito. Isso faz com que elas ganhem tamb\u00e9m o apelido de &#8220;UPAs de isopor&#8221;.<\/p>\n<p>\u2014 A estrutura f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 o problema. Elas n\u00e3o deveriam ter sido instaladas em locais de linha de tiro. N\u00e3o eram para ficar l\u00e1 por muito tempo. Ficam vulner\u00e1veis. Estamos regredindo \u00e0 Idade M\u00e9dia. Descendo aos limites da barb\u00e1rie, onde nem o pessoal da \u00e1rea de sa\u00fade \u00e9 respeitado, apesar de ser a \u00fanica presen\u00e7a do estado e estar ali para salvar vidas \u2014 diz um ex-gestor do alto escal\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>Por estarem na linha de tiro, qualquer momento \u00e9 hora de se esconder de uma bala perdida. Na unidade de Costa Barros, uma paciente foi baleada quando usava o banheiro. Dependendo da trajet\u00f3ria e da pot\u00eancia da bala, ela chega a atravessar at\u00e9 seis c\u00f4modos. Foi o que aconteceu com as duas que entraram pelo refeit\u00f3rio da UPA, um dos locais mais vulner\u00e1veis. N\u00e3o adiantou nem uma delas amortecer na lumin\u00e1ria e num arm\u00e1rio de ferro.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o d\u00e1 para ficar tranquilo aqui dentro. D\u00e1 um pavor na hora dos tiroteios. \u00c9 um corre-corre danado. J\u00e1 teve colega que se escondeu dentro da lixeira. Uma enfermeira, gr\u00e1vida, tentou se esconder debaixo da cama. Mas a barriga tava grande e ela n\u00e3o conseguir entrar. Os pacientes ainda s\u00e3o mais apavorados do que a gente \u2014 afirma uma funcion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Enquanto na UPA de Costa Barros os furos provocados pelos tiros est\u00e3o expostos, na unidade de Vila Kennedy, em Bangu, os buracos de balas s\u00e3o tapados at\u00e9 com esparadrapos. Serve de tudo para escond\u00ea-los: avisos de papel colados na parede e quadros. Um funcion\u00e1rio conta que \u00e9 uma tentativa de privar a equipe e os pacientes de uma constata\u00e7\u00e3o que vem, inevitavelmente, com o som das rajadas: de que aquele \u00e9 um local perigoso. \u00c9 a m\u00e1xima de que &#8220;o que os olhos n\u00e3o veem, o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o sente&#8221;.<\/p>\n<p>\u2014 Todo mundo tem medo, mas o clima da equipe \u00e9 t\u00e3o bom que ningu\u00e9m quer sair \u2014 diz um profissional que j\u00e1 trabalhou na unidade, poucos minutos depois de mais um tiro ser ouvido do lado de fora.<\/p>\n<p>Na borda da Avenida Brasil, a UPA fica ao lado de uma movimentada pra\u00e7a da comunidade, o que n\u00e3o significa que ali seja um local seguro. Foi constru\u00edda \u00e0s pressas, da\u00ed a vantagem de ser um cont\u00eainer. Havia uma feira de drogas no local antes de a UPA ser erguida.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, uma bala atingiu as costas de uma funcion\u00e1ria da pr\u00f3pria unidade, enquanto trabalhava na sala amarela, destinada \u00e0 pacientes que precisam de atendimento com urg\u00eancia. Quando os tiroteios se intensificam do lado de fora, a UPA para. Funcion\u00e1rios deixam de atender para abrigar pacientes \u2014 e a si mesmos \u2014 no local mais seguro poss\u00edvel, o que varia de acordo com a dire\u00e7\u00e3o dos tiros. H\u00e1, ao todo, 18 marcas de bala nos cont\u00eaineres da UPA.<\/p>\n<p>Minutos antes de a reportagem do GLOBO chegar ao local, na \u00faltima quinta-feira, esse protocolo do medo, que costuma se repetir pelo menos uma vez por semana, foi acionado. A UPA, que costuma ser procurada at\u00e9 por quem mora em Campo Grande, por causa da qualidade do atendimento, estava com a sala de espera vazia. Um carro de pol\u00edcia fica posicionado a poucos metros da UPA, na pra\u00e7a principal.<\/p>\n<p>\u2014 Mas isso n\u00e3o nos deixa mais seguros \u2014 disse um dos funcion\u00e1rios, explicando que os confrontos acontecem quando policiais avistam traficantes.<\/p>\n<p>A enfermeira baleada na sala amarela, por sua vez, se recuperou e quis continuar trabalhando na UPA.<\/p>\n<p><strong>INVAS\u00c3O E TIROS<\/strong><\/p>\n<p>A rotina de tiroteios tamb\u00e9m influencia o atendimento na Unidade de Manguinhos. Em uma madrugada de maio, supostamente um dos momentos mais calmos na sala de espera, de repente, s\u00e3o ouvidos muitos tiros. Aos gritos, funcion\u00e1rios orientam pacientes a fugir dos disparos.<\/p>\n<p>\u2014 Pra c\u00e1, pra c\u00e1! \u2014 grita um homem.<\/p>\n<p>Um grupo de pacientes se p\u00f5e a correr. Uma delas est\u00e1 desmaiada \u2014 se assustou com o tiroteio.<\/p>\n<p>Naquele momento de p\u00e2nico, registrado em v\u00eddeos que se espalharam pelas redes sociais, a UPA foi atacada a tiros. Traficantes dispararam quando avistaram um grupo de PMs chegando \u00e0 unidade, levando um outro suspeito baleado. M\u00e9dicos, enfermeiros e pessoas doentes foram obrigadas a se refugir, abaixadas, nos fundos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a UPA do Alem\u00e3o, que n\u00e3o fica na linha de tiro, foi alvo de v\u00e2ndalos em 2014. A unidade foi praticamente destru\u00edda ap\u00f3s um confronto entre traficantes e policiais no morro. Na \u00e9poca, uma senhora que faz parte de um grupo engajado por melhorias na comunidade, deixou escapar que o local foi atacado por engano. O plano dos bandidos era atacar a UPP, em vez das UPA. Uma confus\u00e3o gerada pela coincid\u00eancia de letras comuns.<\/p>\n<p>Na Cidade de Deus, frequentemente os tiroteios impedem que m\u00e9dicos, sem conseguir deixar a comunidade, troquem o plant\u00e3o. Por causa dos confrontos constantes na comunidade, a UPA j\u00e1 atendeu, s\u00f3 de janeiro a julho, 49 baleados. No mesmo per\u00edodo do ano passado, foram 25.<\/p>\n<p>\u2014 Como estamos em uma \u00e1rea de conflraga\u00e7\u00e3o e vemos um perfil de baleados que est\u00e1 mudando com essa guerra da Cidade de Deus, \u00e9 importante a gente preparar nossos funcion\u00e1rios para essa nova situa\u00e7\u00e3o. Eles s\u00e3o treinados no nosso programa de humaniza\u00e7\u00e3o, em como lidar com situa\u00e7\u00f5es de extremo estresse dos pacientes e acompanhantes \u2014 afirma Ronald Munk, presidente da Empresa P\u00fablica de Sa\u00fade do Rio de Janeiro (RioSa\u00fade), empresa municipal que administra a UPA da Cidade de Deus. Segundo ele, aumentou o n\u00famero de pacientes baleados idosos e do sexo feminino \u2014 perfil que fica de fora dos confrontos e geralmente \u00e9 alvo de balas perdidas.<\/p>\n<p>As ambul\u00e2ncias pararam de chegar h\u00e1 quase uma hora, o sereno cai do lado de fora e uma das noites mais frias do ano parece ser tamb\u00e9m o in\u00edcio de um plant\u00e3o calmo no Hospital Get\u00falio Vargas \u2014 algo um tanto raro na unidade de sa\u00fade. De repente, um carro preto sobe a rampa das ambul\u00e2ncias. O motorista se apressa em deixar seu posto e interrompe o sil\u00eancio que reinava por ali:<\/p>\n<p>\u2014 Ajuda aqui gente, \u00e9 baleado! Na barriga e na perna! \u2014 grita, abrindo a porta de tr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u00c9 a senha para a emerg\u00eancia se transformar. Uma maca chega em segundos, assim como uma equipe m\u00e9dica que parece ter simplesmente surgido. Levam o homem correndo para a sala de trauma. Consciente, ele diz seu nome, conta para Taciana Medeiros, a cirurgi\u00e3 que comanda aquele atendimento, que estava andando de moto quando foi atingido por dois tiros. Logo se descobre que \u00e9 um s\u00f3 \u2014 o da perna n\u00e3o existia. Um enfermeiro afunda seu dedo no buraco da bala \u2014 \u00e9 preciso saber o que foi atingido. J\u00e1 sem roupas, o baleado diz que est\u00e1 sentindo frio. Uma, duas, tr\u00eas vezes. Na quarta, pergunta se isso quer dizer que ele est\u00e1 morrendo.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o t\u00e1 morrendo n\u00e3o, s\u00f3 t\u00e1 com frio \u2014 responde, com uma do\u00e7ura enf\u00e1tica, o enfermeiro Eduardo Paulino. Ele mesmo, afinal, tamb\u00e9m tem frio, e usa um jaleco emprestado de um m\u00e9dico chamado Alexandre. Enquanto isso, ao menos cinco enfermeiros se enfileiraram em frente a um arm\u00e1rio para buscar todos os rem\u00e9dios e materiais necess\u00e1rios para &#8220;a hora de ouro&#8221;, no jarg\u00e3o m\u00e9dico, o momento de estabilizar e aliviar a dor do paciente. Um outro grupo preenche fichas. Ao final de tudo, quase a caminho da tomografia, o homem agradece a Eduardo:<\/p>\n<p>\u2014 Muito obrigado, viu, doutor.<\/p>\n<p>\u2014 Obrigado n\u00e3o, a gente est\u00e1 fazendo nosso trabalho \u2014 retruca o enfermeiro.<\/p>\n<p><strong>N\u00daMEROS DE GUERRA<\/strong><\/p>\n<p>Cenas dignas de filmes de guerra s\u00e3o presenciados diariamente em emerg\u00eancias da rede p\u00fablica do Rio. S\u00f3 em 2017, 3.386 baleados foram atendidos por equipes de hospitais federais, estaduais e municipais do Rio, de Nil\u00f3polis e Duque de Caxias. H\u00e1 cada vez menos tiros de rev\u00f3lver e cada vez mais de fuzil. Se todos esses feridos chegassem ao mesmo tempo em unidades da rede estadual, lotariam todos os 2.893 leitos dispon\u00edveis e ainda faltariam 493 camas para acomod\u00e1-los. O n\u00famero \u00e9 t\u00e3o grande que \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de uma cidade. Todos os baleados, juntos, perfazem 62% da de Macuco, o menor munic\u00edpio do estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3926\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/legenda.jpg\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"47\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/legenda.jpg 577w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/legenda-300x24.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/embed?mid=14hE_Adg6E74h_N8CwsjVjcMvo4A\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u2014 \u00c0s vezes chegam dois, tr\u00eas balados por dia. Como m\u00e9dica de emerg\u00eancia, tenho medo em todo lugar vou no Rio. Porque eu sei da realidade, vejo isso todos os dias. Esse \u00e9 meu dia a dia. \u00c9 medicina de guerra que a gente faz \u2014 define Taciana, ou \u201cTaci\u201d, como a equipe do Get\u00falio Vargas gosta de cham\u00e1-la.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos no hospital, j\u00e1 n\u00e3o se pega abalada com o socorro a baleados, como o flagrado pelo GLOBO na \u00faltima quarta-feira. Diz que o hospital &#8220;mora no seu cora\u00e7\u00e3o&#8221;, mesmo com os atendimentos, por vezes escabrosos, que realiza. J\u00e1 viu pacientes chegarem com membros amputados por balas de fuzil. Outra imagem que ainda guarda na cabe\u00e7a \u00e9 de um baleado que chegou em dezembro. O impacto do tiro lhe rompeu o t\u00f3rax e o paciente deu entrada com o pulm\u00e3o do lado de fora do corpo.<\/p>\n<p>\u2014 M\u00e9dico n\u00e3o dorme direito. N\u00e3o desliga depois de um plant\u00e3o que voc\u00ea recebe baleado, esfaqueado. Voc\u00ea n\u00e3o consegue deitar e falar: &#8220;Ah, agora eu vou dormir&#8221;.<\/p>\n<p>Bernardo Andrada, de 33 anos, neurocirurgi\u00e3o do Hospital Salgado Filho, j\u00e1 precisou recorrer a calmantes para conseguir dormir. As balas que atingem a cabe\u00e7a, foco do seu trabalho, costumam ser as mais tr\u00e1gicas. Quando permitem que o baleado sobreviva, muitas vezes, deixam sequelas graves.<\/p>\n<p>\u2014 Nunca chorei no plant\u00e3o, mas j\u00e1 cheguei a ter um desespero interior. Uma ang\u00fastia. A gente lida com muito sofrimento, mortes \u2014 relata. \u2014 Na minha opini\u00e3o, o clima que a gente vive aqui no Rio \u00e9 de guerra civil.<\/p>\n<p>Bernardo tem essa impress\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 pelos ferimentos com que se depara. Certa vez, o m\u00e9dico, que tamb\u00e9m trabalha no Hospital Get\u00falio Vargas, teve de se refugiar em uma cantina da unidade, porque tiros atingiam a parede do Hospital. Um enfermeiro lembra que PMs j\u00e1 usaram a guarita dos seguran\u00e7as para disparar contra traficantes do Morro da F\u00e9, na Penha.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 comum que hospitais acostumados em receber baleados socorram os dois lados do confronto ao mesmo tempo: policiais e traficantes. No Salgado Filho, certa vez, um PM e um criminoso feridos chegaram a brigar no corredor. A equipe m\u00e9dica teve que dar um jeito de acalmar os \u00e2nimos. No Hospital da Posse, em Nova Igua\u00e7u, o CTI j\u00e1 abrigou, ao mesmo tempo, um caminhoneiro baleado com gravidade e o homem que o assaltou. A bala acabou matando a v\u00edtima; O assaltante se recuperou.<\/p>\n<p>O Hospital Alberto Torres, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, por outro lado, virou um p\u00f3lo de policiais baleados, que chegam at\u00e9 de helic\u00f3ptero para o socorro. Tudo porque o hospital, com aspecto de cl\u00ednica de primeiro mundo, \u00e9 centro de refer\u00eancia de traumas no estado. No s\u00e1bado retrasado, entretanto, quem recebeu atendimento de ponta foi um jovem de S\u00e3o Gon\u00e7alo, baleado na m\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>EM BUSCA DE BALEADOS<\/strong><\/p>\n<p>De fala mansa, o tamb\u00e9m neurologista Bruno Pereira, de 34 anos, desistiu de dar aulas de viol\u00e3o e ser m\u00fasico para encarar a sala de cirurgia. Quando ainda era estagi\u00e1rio do Hospital Carlos Chagas, em 2009, teve a companhia de uma m\u00e9dica polonesa em um dos plant\u00f5es. Ela veio ao Rio para ver, \u201cao vivo&#8221;, como era uma les\u00e3o por armas de fogo.<\/p>\n<p>\u2014 Eu disse: &#8220;at\u00e9 o fim do plant\u00e3o voc\u00ea vai ver bastante&#8221;. E ela viu dois ou tr\u00eas naquela noite \u2014 diz o m\u00e9dico, que hoje \u00e9 plantonista do Hospital da Posse.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia dos atendimentos, entretanto, exerce um estranho fasc\u00ednio nos m\u00e9dicos. O Hospital da Posse, em Nova Igua\u00e7u, tinha atendido, at\u00e9 quinta-feira, 398 baleados. L\u00e1, a cirurgia de emerg\u00eancia fica a cargo, nas segundas-feiras, da m\u00e9dica Paula Ara\u00fajo, de apenas 29 anos. Filha de um aviador e de uma funcion\u00e1ria p\u00fablica, passou a inf\u00e2ncia vendo a s\u00e9rie Plant\u00e3o M\u00e9dico. Mais tarde, j\u00e1 como estudante da Uerj, tomou gosto pelas aulas de anatomia e por &#8220;abrir cad\u00e1ver&#8221;. Quando chegou na porta da sala de trauma, no primeiro dia da resid\u00eancia no hospital, uma m\u00e9dica mais velha lhe apresentou ao novo local de trabalho:<\/p>\n<p>\u2014 Ali \u00e9 a emerg\u00eancia. Bem-vinda ao inferno \u2014 anunciou.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil ver a sala de trauma vazia. Na \u00faltima segunda-feira, havia dez pacientes. O som dos monitores apitando ao mesmo tempo dava a impress\u00e3o de que uma trilha de video game tocava ao fundo. A sala, apertada, j\u00e1 chegou a abrigar 20 m\u00e9dicos de uma vez quando, no come\u00e7o do ano, seis jovens baleados deram entrada na unidade ao mesmo tempo. Naquele dia, faltou sala no centro cir\u00fargico. S\u00e3o seis no total.<\/p>\n<p>\u2014 Quando voc\u00ea abre as seis salas, chega uma hora que voc\u00ea n\u00e3o tem mais o que fazer. N\u00e3o tem centro cir\u00fargico. A gente fica exposto \u2014 conta o enfermeiro Edemilson Garcia, de 33 anos e 11 s\u00f3 no Hospital da Posse.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas meses, os plantonistas da segunda-feira, como Paula e Edemilson, se depararam com um plant\u00e3o que nada deve a uma guerra civil. Dezenove pacientes, entre esfaqueados e baleados, chegaram ao hospital em 24 horas. Naquele dia, os kits cir\u00fargicos acabaram e cirurgias tiveram que ser feitas com materiais improvisados, destinados a procedimentos em \u00f3rg\u00e3os diferentes dos operados.<\/p>\n<p>\u2014 A gente se acostuma. Infelizmente a palavra \u00e9 essa \u2014 conta Paula.<\/p>\n<p>Depois de casar, em outubro, ela quer se voluntariar para a ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras e atender feridos em algum pa\u00eds em guerra. Ao menos, em guerra declarada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3927\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/andrucha.jpg\" alt=\"\" width=\"699\" height=\"420\" \/><\/p>\n<p>Diretor da s\u00e9rie \u2018Sob press\u00e3o\u2019, Andrucha Waddington se inspirou em rotina de hospitais do Rio para levar \u00e0s telas hist\u00f3rias do livro hom\u00f4nimo, de M\u00e1rcio Maranh\u00e3o. Na TV, havera hist\u00f3rias de baleados e esfaqueados, assim como nas emerg\u00eancias da vida real.<\/p>\n<p><strong>O que um m\u00e9dico de emerg\u00eancia tem de especial?<\/strong><\/p>\n<p>Ele vive sob press\u00e3o o tempo todo. \u00c9 solicitado a tomar decis\u00f5es r\u00e1pidas e eficazes que definem o destino de seus pacientes. S\u00e3o profissionais que vivem numa rotina fren\u00e9tica, lidando com pessoas entre a vida e a morte.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 o estado psicol\u00f3gico dessas pessoas?<\/strong><\/p>\n<p>Em conversas que tivemos com m\u00e9dicos para a s\u00e9rie, muitos falaram sobre a dificuldade de manter o distanciamento de pacientes que chegam com um drama muito grande, al\u00e9m da doen\u00e7a. \u00c9 dif\u00edcil para eles manterem a frieza diante de uma falta de estrutura, tanto da parte t\u00e9cnica do hospital quanto do lado emocional do paciente.<\/p>\n<p><strong>A s\u00e9rie \u00e9 ambientada em um hospital do Rio. \u00c9 uma emerg\u00eancia mais tensa que a m\u00e9dia, pelo componente da viol\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Acho que \u00e9 t\u00e3o tensa como em qualquer grande centro que tenha um alto \u00edndice de viol\u00eancia. E o Rio desenvolveu uma excel\u00eancia em medicina de guerra, que \u00e9 reconhecida no mundo inteiro.<\/p>\n<p><strong>Esse componente da viol\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 presente na s\u00e9rie?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a s\u00e9rie vai mostrar isso por meio de personagens que chegam ao hospital com casos de bala perdida, viol\u00eancia dom\u00e9stica, v\u00edtimas do tr\u00e1fico. Todos os casos inspirados em fatos reais.<\/p>\n<p><strong>Como funcionou o laborat\u00f3rio com m\u00e9dicos da rede p\u00fablica?<\/strong><\/p>\n<p>Fomos a hospitais p\u00fablicos, conversamos com as equipes m\u00e9dicas e, al\u00e9m disso, tivemos a consultoria do m\u00e9dico Marcio Maranh\u00e3o, que durante anos atuou em emerg\u00eancias p\u00fablicas. Ele \u00e9 o autor do livro que inspirou o filme e a s\u00e9rie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo J\u00e1 com o motor e a sirene ligados, uma ambul\u00e2ncia est\u00e1 pronta para sair em socorro de um baleado grave. O clique da fechadura do ve\u00edculo, do lado de fora, desperta a aten\u00e7\u00e3o dos ocupantes. \u00c9 o sinal de que algo est\u00e1 prestes a sair da rotina. 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