{"id":554,"date":"2015-04-10T10:30:39","date_gmt":"2015-04-10T10:30:39","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=554"},"modified":"2015-04-10T10:30:39","modified_gmt":"2015-04-10T10:30:39","slug":"construido-para-oferecer-2-mil-leitos-hospital-do-fundao-possui-hoje-apenas-230","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/04\/10\/construido-para-oferecer-2-mil-leitos-hospital-do-fundao-possui-hoje-apenas-230\/","title":{"rendered":"Constru\u00eddo para oferecer 2 mil leitos, Hospital do Fund\u00e3o possui hoje apenas 230"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-555\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/2015-806237621-2015040818802.jpg_20150408-179x300.jpg\" alt=\"2015-806237621-2015040818802.jpg_20150408\" width=\"179\" height=\"300\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Quando a porta da velha enfermaria se abre, em vez de pacientes, o que se pode ver s\u00e3o escombros e, a alguns passos, um precip\u00edcio de nove andares. J\u00e1 faz mais de quatro anos que a ala sul do Hospital Universit\u00e1rio Clementino Fraga Filho, conhecida como \u201cperna seca\u201d, no Fund\u00e3o, foi implodida. Mas, at\u00e9 hoje, a \u00e1rea que fazia a liga\u00e7\u00e3o da parte do pr\u00e9dio que ficou de p\u00e9 com a outra posta abaixo n\u00e3o foi recuperada. Assim, os corredores continuam terminando no abismo. Todos os setores pr\u00f3ximos a essa \u00e1rea foram desativados. Com isso, a unidade perdeu 25% de sua capacidade. Situa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 aumentou a pen\u00faria de um hospital refer\u00eancia no tratamento de doen\u00e7as de alta complexidade e de excel\u00eancia no ensino de 12 cursos de gradua\u00e7\u00e3o da UFRJ, al\u00e9m de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es e resid\u00eancia m\u00e9dica. Desde que foi inaugurado, em 1978, o hospital sofre com a falta de investimentos, que o levou a ter hoje apenas 230 leitos ativos num gigante de 15 andares e 110 mil metros quadrados, criado para oferecer dois mil leitos. A meta hoje seria ter pelo menos 800 pessoas internadas. Mas falta quase tudo e sobram problemas para todos os lados.<\/p>\n<p>A prec\u00e1ria infraestrutura pode ser constatada logo na entrada para os ambulat\u00f3rios, no t\u00e9rreo, onde h\u00e1 uma \u00e1rea interditada porque o reboco do teto est\u00e1 caindo. A rede hidr\u00e1ulica velha causa transtornos quase di\u00e1rios, a ponto de, semana passada, leitos do CTI terem sido fechados devido a um vazamento. A rede el\u00e9trica tamb\u00e9m \u00e9 defasada. Escadas rolantes para o subsolo est\u00e3o paradas h\u00e1 anos. E, desde que o hospital foi aberto, todo o sexto andar e partes do s\u00e9timo e do oitavo permanecem desocupadas. O sexto andar virou um cemit\u00e9rio de sucatas hospitalares.<\/p>\n<p><strong>DIRE\u00c7\u00c3O PEDE SOCORRO<\/strong><\/p>\n<p>Diretor da unidade, o professor Eduardo C\u00f4rtes calcula que, para deixar o hospital em pleno funcionamento, seriam necess\u00e1rios investimentos de R$ 160 milh\u00f5es, sendo R$ 6 milh\u00f5es para recuperar a \u00e1rea junto ao pr\u00e9dio implodido. Ele lembra que, quando constru\u00eddo, o hospital deveria comportar quase dois mil leitos (incluindo a \u201cperna seca\u201d). Mas o Hospital do Fund\u00e3o nunca operou com toda sua capacidade. No passado, chegou a ter 500 leitos. Hoje, se atendesse a todas as normas t\u00e9cnicas em vigor, teria condi\u00e7\u00f5es de internar 800 pacientes. Ou seja, mais de tr\u00eas vezes os leitos atualmente dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>S\u00f3 com a implos\u00e3o, em dezembro de 2010, foram fechados 17 leitos de CTI e 140 em enfermarias, 35 apenas na 9D, que tinha sido reformada no in\u00edcio dos anos 2000 e onde, agora, a porta no fundo do corredor se abre para o precip\u00edcio.<\/p>\n<p>\u2014 Nunca poderiam ter implodido uma ala do pr\u00e9dio e largado assim. Isso impossibilitou os setores \u201cD\u201d de todos os andares. D\u00e1 vontade de chorar ao ver essas enfermarias vazias. Isso no Rio, com uma fila de centenas de pessoas aguardando atendimento e cirurgias, e na UFRJ, a maior universidade federal do pa\u00eds. Esse hospital, da maneira como est\u00e1, se tornou uma d\u00edvida social, cient\u00edfica e intelectual do governo federal com a cidade \u2014 afirma o professor.<\/p>\n<p>C\u00f4rtes ressalta que o auge da crise ocorreu ap\u00f3s a implos\u00e3o. Mas ele ressalta que, at\u00e9 chegar a essa situa\u00e7\u00e3o, a agonia do hospital se prolongou por anos, com recursos de aproximadamente R$ 4 milh\u00f5es por m\u00eas que o diretor diz n\u00e3o serem suficientes para a manuten\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u2014 Nos anos 1980, o hospital passou a receber verbas apenas dos servi\u00e7os prestados pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), sem um or\u00e7amento pr\u00f3prio. Assim, a unidade atingiu uma situa\u00e7\u00e3o de absoluta inefici\u00eancia predial e de pessoal \u2014 diz o professor, lembrando que o Hospital do Fund\u00e3o, como uma institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, \u00e9 vinculado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ads.globo.com\/RealMedia\/ads\/adstream_lx.ads\/ogcoglobo8\/rio\/materia\/L22\/2140912301\/x21\/ocg\/4290-1_shoppingtijuca_150408_chefe_OGlobo_Rio_Retangulo_Todos_wm\/tag_OGlobo-Retangulo-FeiraoEletro-Rio-223551.html\/7359355a365655554377554144464b2b?_RM_EMPTY_&amp;topico=Siria&amp;entidade=Jeanne%20Michel-Rehuf-ministerio%20da%20saude-Siria-Faculdade%20de%20Medicina-XX-mec-Jairo%20Villas%20Boas-Comissao%20de%20Saude%20da%20Camara-UFRJ-Ebserh-psol-Hospital%20Universitario%20Clementino%20Fraga%20Filho-Oriente%20Medio-Hospital%20do%20Fundao-rio-CTI-uniao-Eduardo%20Cortes-Damasco-Sistema%20Unico%20de%20Saude-Fundao-Empresa%20Brasileira%20de%20Servicos%20Hospitalares-Ministerio%20da%20educacao-Paulo%20Pinheiro-SUS&amp;idArtigo=15830249&amp;gender=1&amp;age=2&amp;education=2&amp;interest=95&amp;interest=31&amp;interest=15&amp;interest=146&amp;interest=3&amp;interest=24&amp;interest=96&amp;interest=27&amp;interest=2&amp;product=142&amp;product=19&amp;income=2&amp;marital=1&amp;cluster=43\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\" \/><\/p>\n<p>As consequ\u00eancias desse abandono j\u00e1 se refletem no ensino. A Faculdade de Medicina, que nos anos 1990 costumava ficar no topo do ranking do MEC, na primeira ou na segunda posi\u00e7\u00e3o, despencou para o 14\u00ba lugar. O que, segundo a dire\u00e7\u00e3o do hospital, sofre influ\u00eancia direta da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de leitos. Os 230 atuais s\u00e3o considerados abaixo do recomendado para os cerca de 200 alunos que ingressam anualmente na universidade. \u00c9 pouco mais de um leito por aluno, enquanto as boas escolas de medicina do mundo oferecem quatro leitos hospitalares para cada estudante que inicia a gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caos teria piorado com o contingenciamento dos recursos da Uni\u00e3o. Ano passado, aponta C\u00f4rtes, foram enviados ao hospital R$ 7,5 milh\u00f5es pelo Programa Nacional de Reestrutura\u00e7\u00e3o dos Hospitais Universit\u00e1rios Federais (Rehuf). Chegaram a ser licitadas obras como a reforma do telhado, as amplia\u00e7\u00f5es do CTI e do setor de fisioterapia e melhorias nos banheiros dos ambulat\u00f3rios. A verba, no entanto, teria sido cancelada pela Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas interven\u00e7\u00f5es emergenciais, diz ele, ocorrem com os recursos da pr\u00f3pria unidade e da UFRJ. No 10\u00ba andar, a enfermaria 10B, com 28 leitos, est\u00e1 em reforma, com um investimento de R$ 1 milh\u00e3o. No 11\u00ba andar, as obras de outra enfermaria est\u00e3o quase prontas. O teto sobre o setor de medicina nuclear est\u00e1 sendo impermeabilizado. E quatro novos leitos de CTI ser\u00e3o abertos em breve.<\/p>\n<p>\u2014 Essas \u00e1reas s\u00e3o exemplos do que poderia ser a unidade, bem diferente do hospital que mais parece estar em Damasco em v\u00e1rios de seus setores \u2014 diz o professor, em refer\u00eancia \u00e0 capital da S\u00edria, pa\u00eds em guerra no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Apesar desse estado, o diretor de engenharia da unidade, Jairo Villas Boas, afirma que o pr\u00e9dio continua \u201caltamente vi\u00e1vel\u201d como uma unidade hospitalar. Ele lembra que a constru\u00e7\u00e3o, concebida ainda na d\u00e9cada de 1940, tem corredores largos e bem iluminados, numa concep\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica inspirada nos hospitais americanos da primeira metade do s\u00e9culo XX. E, por isso, uma reforma ainda seria uma solu\u00e7\u00e3o melhor do que a constru\u00e7\u00e3o de um novo pr\u00e9dio, como j\u00e1 chegou a ser defendido em gest\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-556\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/2015-806237531-2015040818795.jpg_20150408.jpg\" alt=\"2015-806237531-2015040818795.jpg_20150408\" width=\"699\" height=\"420\" \/><\/p>\n<p><strong>GEST\u00c3O POL\u00caMICA<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 o MEC afirma que s\u00e3o, sim, repassados recursos para a manuten\u00e7\u00e3o e obras na unidade. Por se tratar de um hospital universit\u00e1rio federal, diz o minist\u00e9rio, recebe recursos do Rehuf. Em 2014, teriam sido empenhadas despesas no valor de R$ 11,6 milh\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e de R$ 10, 5 milh\u00f5es do MEC para o hospital. Este \u00faltimo valor, por\u00e9m, n\u00e3o teria sido executado, considerando que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria solicitado limite para empenho (autoriza\u00e7\u00e3o de gasto) dentro do prazo estabelecido pelo MEC.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio atribui parte da situa\u00e7\u00e3o ao fato de a UFRJ n\u00e3o ter aderido \u00e0 Empresa Brasileira de Servi\u00e7os Hospitalares (Ebserh), criada em 2010 para gerir os hospitais universit\u00e1rios. A dire\u00e7\u00e3o do hospital argumenta que, se aderisse \u00e0 Ebserh, a unidade poderia perder sua autonomia de ensino. O que \u00e9 contestado pela presidente em exerc\u00edcio da empresa, Jeanne Michel. Segundo ela, dos 50 hospitais universit\u00e1rios federais do pa\u00eds, 30 est\u00e3o sob a gest\u00e3o da Ebserh e outros dez est\u00e3o em processo de ades\u00e3o. Dos dez que restam, oito pertencem \u00e0 UFRJ, entre eles o Hospital do Fund\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o interferimos no ensino e na linha de pesquisa da universidade. A empresa p\u00fablica foi criada como uma ferramenta do MEC para oferecer um mecanismo de melhoria da gest\u00e3o dos hospitais, com pessoal qualificado e trabalhando com controle de escalas e ponto, por exemplo. J\u00e1 temos bons resultados em outras unidades. Fizemos concurso, com dez mil contratados em toda a rede \u2014 diz ela.<\/p>\n<div class=\"arroba publicidade clearfix\">\n<div class=\"publicidade-container robots-nocontent robots-noindex\">\n<p>Mas para o vereador Paulo Pinheiro (PSOL), m\u00e9dico e membro da Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara, o hospital vem sendo castigado pelo MEC porque n\u00e3o aceitou entregar a sua gest\u00e3o \u00e0 empresa p\u00fablica:<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u2014 O problema \u00e9 que o MEC n\u00e3o repassa recursos suficientes. Com isso, o minist\u00e9rio prejudica a popula\u00e7\u00e3o e o ensino.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pela implos\u00e3o da \u201cperna seca&#8221;, em 2010, ocorreu devido a um abalo na constru\u00e7\u00e3o, depois que quatro colunas cederam. Na \u00e9poca, t\u00e9cnicos conclu\u00edram que uma reforma custaria mais do que a derrubada do pr\u00e9dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Quando a porta da velha enfermaria se abre, em vez de pacientes, o que se pode ver s\u00e3o escombros e, a alguns passos, um precip\u00edcio de nove andares. J\u00e1 faz mais de quatro anos que a ala sul do Hospital Universit\u00e1rio Clementino Fraga Filho, conhecida como \u201cperna seca\u201d, no Fund\u00e3o, foi implodida. 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