{"id":576,"date":"2015-04-13T12:37:32","date_gmt":"2015-04-13T12:37:32","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=576"},"modified":"2015-04-13T12:37:32","modified_gmt":"2015-04-13T12:37:32","slug":"artigo-menos-medicos-e-menos-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/04\/13\/artigo-menos-medicos-e-menos-saude\/","title":{"rendered":"ARTIGO: Menos m\u00e9dicos e menos sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<div>A popula\u00e7\u00e3o carente \u00e9 dependente do\u00a0SUS\u00a0(Sistema \u00danico de Sa\u00fade), que n\u00e3o possui financiamento compat\u00edvel nem compet\u00eancia administrativa, \u00e9 desprovido de controle, de avalia\u00e7\u00e3o e de planejamento adequados, submetido ao descaso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os projetos governamentais na \u00e1rea da sa\u00fade s\u00e3o elaborados com aprior\u00edstica aten\u00e7\u00e3o ao &#8220;tempo pol\u00edtico&#8221;, imprescind\u00edvel ao \u00eaxito eleitoral. N\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticas de Estado, apenas fragmentadas pol\u00edticas de governo, sem continuidade nem rever\u00eancia a princ\u00edpios fundamentais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O resultado da auditoria do TCU (Tribunal de Contas da Uni\u00e3o) sobre o\u00a0programa Mais M\u00e9dicos, apresentado no in\u00edcio de mar\u00e7o, n\u00e3o surpreendeu o\u00a0CFM\u00a0(Conselho Federal de Medicina). A primeira cr\u00edtica dos auditores do TCU foi \u00e0 fragilidade do sistema de supervis\u00e3o e de tutoria do programa. Apesar da resist\u00eancia do governo em fornecer os dados, concluiu-se que dos 13.790 inscritos, 4.375 (31,7%) n\u00e3o possu\u00edam supervisores indicados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Observe-se que, em limites acima dos par\u00e2metros legais, 10% desses supervisores acompanhavam mais de dez participantes e outros 10% tinham carga de atividades acima de 81 horas semanais, em alguns casos com decorrente encaminhamento dos relat\u00f3rios de supervis\u00e3o de forma intempestiva e sem amplitude de aspectos cl\u00ednicos, mais voltados a quest\u00f5es administrativas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As refer\u00eancias de maior gravidade surgiram quando 17,7% dos &#8220;supervisionados&#8221; admitiram que a falta de conhecimento dos protocolos cl\u00ednicos conturbou diagn\u00f3sticos e terap\u00eauticas ao entrarem em contato com seus supervisores para dirimir d\u00favidas sobre o atendimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por outro lado, 34,3% dos &#8220;supervisores&#8221; afirmaram que os m\u00e9dicos formados no exterior enfrentaram obst\u00e1culos devido ao desconhecimento desses protocolos, inclusive com relatos de dificuldades para defini\u00e7\u00e3o dos nomes de medicamentos e de suas dosagens corretas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O TCU apontou tamb\u00e9m problemas nos m\u00f3dulos de acolhimento destinados aos intercambistas do programa, com a inclus\u00e3o de 95 pessoas que deveriam ter sido reprovadas por n\u00e3o atingirem os crit\u00e9rios m\u00ednimos exigidos nos eixos de l\u00edngua portuguesa e de sa\u00fade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No \u00e2mbito do acesso \u00e0 assist\u00eancia e do combate \u00e0s desigualdades regionais, o relato tamb\u00e9m aponta que oMais M\u00e9dicos\u00a0ficou longe das suas metas. A auditoria mostra que em 49% dos primeiros locais atendidos pelo programa, ao receberem os bolsistas, ocorreu a dispensa de m\u00e9dicos contratados anteriormente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em agosto de 2013, nesses munic\u00edpios com redu\u00e7\u00e3o da oferta de servi\u00e7os m\u00e9dicos havia 2.630 m\u00e9dicos, que, somados aos 262 profissionais que chegaram pelo\u00a0Mais M\u00e9dicos, totalizavam 2.892 m\u00e9dicos. Em abril de 2014, por\u00e9m, contabilizou-se apenas 2.288 m\u00e9dicos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os paradoxos foram superpostos, posto que houve uma diminui\u00e7\u00e3o das consultas m\u00e9dicas em 25% dos munic\u00edpios cadastrados e uma distribui\u00e7\u00e3o sem prioridade \u00e0s \u00e1reas de pouca ou nenhuma assist\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As solu\u00e7\u00f5es para os dilemas da sa\u00fade no Brasil n\u00e3o ser\u00e3o encontradas na importa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos com diplomas obtidos no exterior e sem revalida\u00e7\u00e3o ou com a forma\u00e7\u00e3o em massa de m\u00e9dicos em escolas sem doc\u00eancia e sem dec\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As respostas a esses desafios t\u00eam consist\u00eancia em uma carreira de Estado e em boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os profissionais da \u00e1rea, financiamento pela Uni\u00e3o e por demais entes federativos de pelo menos 70% das despesas sanit\u00e1rias, bem como planejamento, gerenciamento, controle e avalia\u00e7\u00e3o eficazes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enquanto esses requisitos n\u00e3o forem consolidados, a maioria dos dependentes do SUS continuar\u00e1 morrendo de causas evit\u00e1veis.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As conclus\u00f5es do TCU refor\u00e7aram o posicionamento cr\u00edtico do\u00a0CFM\u00a0em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0Mais M\u00e9dicos. Exp\u00f5em a necessidade de revis\u00e3o do programa para que haja a extin\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos aos cofres p\u00fablicos, a promo\u00e7\u00e3o do bom exerc\u00edcio da medicina e, mormente, a preserva\u00e7\u00e3o da vida e da sa\u00fade dos brasileiros que se encontram na camada social mais vulner\u00e1vel e desfavorecida, agora com menos m\u00e9dicos e menos sa\u00fade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>CARLOS VITAL TAVARES CORR\u00caA LIMA, 64, cl\u00ednico geral, \u00e9 presidente do\u00a0Conselho Federal de Medicina<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP A popula\u00e7\u00e3o carente \u00e9 dependente do\u00a0SUS\u00a0(Sistema \u00danico de Sa\u00fade), que n\u00e3o possui financiamento compat\u00edvel nem compet\u00eancia administrativa, \u00e9 desprovido de controle, de avalia\u00e7\u00e3o e de planejamento adequados, submetido ao descaso. 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