{"id":5991,"date":"2018-10-04T12:07:07","date_gmt":"2018-10-04T12:07:07","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=5991"},"modified":"2018-10-09T17:03:37","modified_gmt":"2018-10-09T17:03:37","slug":"aos-30-anos-sus-precisa-de-mais-eficiencia-e-renovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2018\/10\/04\/aos-30-anos-sus-precisa-de-mais-eficiencia-e-renovacao\/","title":{"rendered":"Aos 30 anos, SUS precisa de mais efici\u00eancia e renova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u00a0<\/strong>(\u00a0<strong>SUS<\/strong>\u00a0) chega aos 30 anos como um dos maiores legados da Constitui\u00e7\u00e3o, que assegurou o direito \u00e0 sa\u00fade gratuito e universal aos brasileiros. O SUS promoveu avan\u00e7os que s\u00e3o refer\u00eancias mundiais, como os programas de Aids, transplantes e combate do tabagismo; expandiu a rede de sa\u00fade a todo o pa\u00eds; reduziu taxas de mortalidade e de doen\u00e7as card\u00edacas. Mas tamb\u00e9m enfrenta cr\u00edticas por falhas e retrocessos. Suporta ainda o peso do aumento das cargas trazidas pelo envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, da viol\u00eancia e da expans\u00e3o de doen\u00e7as infeciosas como a zika.<\/p>\n<p>Um estudo do Coppead\/UFRJ indica que, al\u00e9m do subfinanciamento cr\u00f4nico do sistema, h\u00e1 desperd\u00edcio provocado por m\u00e1 gest\u00e3o, que consome 46% dos recursos do SUS no estado do Rio de Janeiro, por exemplo. An\u00e1lise do Banco Mundial com a mesma metodologia chega \u00e0 conclus\u00e3o semelhante para o Brasil, afirma a coordenadora do estudo, Cl\u00e1udia Ara\u00fajo. Ela explica que ambos os estudos consideram a quantidade de recursos alocados e n\u00e3o valores, como a folha salarial. \u201cPara o Brasil, os dados estimam inefici\u00eancia de 45% na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e de 70% em secund\u00e1ria e terci\u00e1ria, como cirurgias. A m\u00e9dia nacional de inefici\u00eancia \u00e9 de 50%\u201d, diz.<\/p>\n<p>S\u00e3o recursos desperdi\u00e7ados por m\u00e1 gest\u00e3o, seja ela corrup\u00e7\u00e3o, como a revelada pela Opera\u00e7\u00e3o Sanguessugas, incompet\u00eancia ou neglig\u00eancia, diz Ara\u00fajo. O trabalho do Centro de Estudos em Gest\u00e3o de Sa\u00fade do Coppead analisou quantidade de recursos humanos, f\u00edsicos e materiais, como n\u00famero de m\u00e9dicos, leitos, hospitais e atendimentos. \u201cH\u00e1, por exemplo, excesso de exames desnecess\u00e1rios nos hospitais privados que atendem ao SUS. E a rede que deveria organizar o atendimento n\u00e3o funciona\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>PRIORIDADE DA POPULA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Para especialistas, na origem da m\u00e1 gest\u00e3o est\u00e1 a falta de relev\u00e2ncia pol\u00edtica do sistema do qual dependem exclusivamente 162 milh\u00f5es dos quase 209 milh\u00f5es de brasileiros. Os recursos federais deste ano, R$ 130,8 bilh\u00f5es, correspondem a cerca de 42% do or\u00e7amento do SUS. Somados os repasses de estados e munic\u00edpios chega-se a cerca de R$ 257 bilh\u00f5es, segundo c\u00e1lculos da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Economia da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A sa\u00fade \u00e9 a maior preocupa\u00e7\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o, \u00e0 frente de viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, segundo pesquisa da Datafolha. Mas isso n\u00e3o se reflete nos programas de governo dos candidatos \u00e0 Presid\u00eancia, diz L\u00edgia Bahia, uma das autoras de uma an\u00e1lise das propostas, cujo resultado se resume a uma \u201cinacredit\u00e1vel falta de import\u00e2ncia dada \u00e0 sa\u00fade, em total disson\u00e2ncia com o interesse da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 A falta hist\u00f3rica de relev\u00e2ncia pol\u00edtica est\u00e1 na raiz dos problemas do SUS, seja o subfinanciamento seja a m\u00e1 gest\u00e3o. Pelos programas dos candidatos, essa elei\u00e7\u00e3o indica que esse ciclo ser\u00e1 perpetuado \u2014 diz Bahia, professora da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva da UFRJ.<\/p>\n<p>Ela observa que sa\u00fade custa caro e nenhum sistema do mundo opera no azul.<\/p>\n<p>\u2014 O SUS trouxe ganhos imensos para a popula\u00e7\u00e3o, mas nenhum governo o priorizou seja na aloca\u00e7\u00e3o de recursos quanto na escolha de ministros. E n\u00e3o se trata s\u00f3 do Executivo. Jamais tivemos uma bancada do SUS no Legislativo. Com a crise econ\u00f4mica, piorou \u2014 frisa Bahia.<\/p>\n<p>Coube ao SUS implementar a universaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. O Brasil se tornou o primeiro pa\u00eds a oferecer rem\u00e9dios contra o HIV, mudou o paradigma mundial. O programa de transplantes \u00e9 refer\u00eancia mundial e estabelece uma fila \u00fanica, que garante a equidade no acesso. O programa de combate ao tabagismo fez do Brasil, o segundo maior produtor de tabaco, reduzir de 30% para 15% o percentual de fumantes na popula\u00e7\u00e3o adulta, frisa Cristiani Vieira Machado, da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica\/Fiocruz.<\/p>\n<p>Foi o SUS que fez do Brasil o pa\u00eds com a maior acelera\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil \u2014 a taxa diminuiu em 67,5% de 1990 a 2015, sem paralelo no mundo. No mesmo per\u00edodo, o pa\u00eds estendeu a todo o territ\u00f3rio a rede de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e o Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o (PNI) havia alcan\u00e7ado a margem satisfat\u00f3ria de vacina\u00e7\u00e3o para 25 tipos de vacinas.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 o SUS que mant\u00e9m hospitais de refer\u00eancia, custeia o tratamento das doen\u00e7as mais caras, avalia e distribui medicamentos e mant\u00e9m um programa de sa\u00fade de fam\u00edlia que atende a metade da popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o or\u00e7amento do Brasil para a sa\u00fade jamais passou de 4% do PIB. \u00c9 muito pouco \u2014 salienta Machado.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, parte dessas conquistas come\u00e7ou a ser revertida. A mortalidade infantil, ap\u00f3s dez anos de queda progressiva, voltou a subir. A cobertura vacinal caiu abaixo do n\u00edvel seguro, s\u00f3 crescendo ap\u00f3s campanha deflagrada ap\u00f3s o aparecimento de casos de sarampo, n\u00e3o registrados desde 1989.<\/p>\n<p>\u2014 A crise econ\u00f4mica agravou o problema. E cresceu a aloca\u00e7\u00e3o de recursos do SUS no sistema privado de sa\u00fade, com ren\u00fancias fiscais e linhas de cr\u00e9dito \u2014 diz Machado.<\/p>\n<p><strong>PAGAMENTO DOBRADO<\/strong><\/p>\n<p>Subsidiar servi\u00e7os privados de sa\u00fade e estimular planos populares \u00e9 fazer dupla cobran\u00e7a ao contribuinte, diz Bahia. \u201cO brasileiro j\u00e1 financia o SUS com impostos. N\u00e3o teria que precisar de plano. Isso deveria ser op\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta. Para ela, o pa\u00eds est\u00e1 perto da \u201ctempestade perfeita\u201d na sa\u00fade, com a deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e a desorganiza\u00e7\u00e3o da rede. Tempos melhores dependem da import\u00e2ncia dada \u00e0 pasta pelo novo governo e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um sistema de fato integrado e transparente. Carlos Paiva, da ENSP da Casa de Oswaldo Cruz, concorda:<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil precisa construir uma base pol\u00edtica que sustente o SUS e garanta transpar\u00eancia. \u00c9 uma anomalia o brasileiro precisar de plano de sa\u00fade. Ele deveria exigir ter um bom SUS. A Constitui\u00e7\u00e3o diz que a sa\u00fade \u00e9 um direito. Isso \u00e9 muita coisa. Falta a sociedade cobrar e os governos se comprometerem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo O\u00a0Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u00a0(\u00a0SUS\u00a0) chega aos 30 anos como um dos maiores legados da Constitui\u00e7\u00e3o, que assegurou o direito \u00e0 sa\u00fade gratuito e universal aos brasileiros. 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