{"id":6127,"date":"2018-10-22T12:37:49","date_gmt":"2018-10-22T12:37:49","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=6127"},"modified":"2018-10-30T09:37:29","modified_gmt":"2018-10-30T09:37:29","slug":"apesar-de-ser-referencia-em-atendimentos-hospitais-do-sus-sofrem-com-superlotacao-e-falta-de-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2018\/10\/22\/apesar-de-ser-referencia-em-atendimentos-hospitais-do-sus-sofrem-com-superlotacao-e-falta-de-medicos\/","title":{"rendered":"Apesar de ser refer\u00eancia em atendimentos, hospitais do SUS sofrem com superlota\u00e7\u00e3o e falta de m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Observat\u00f3rio da Sa\u00fade RJ<\/p>\n<p>Quit\u00e9ria esperou quatro meses para realizar um exame. Eraldo diz ter sido salvo de um infarto pelo bom atendimento que recebeu dos m\u00e9dicos. Gabriel entrou e saiu do hospital sem o tratamento para pedra no rim de que precisava. Cristiane \u00e9 s\u00f3 elogios \u00e0 UTI na qual o filho est\u00e1 internado. Em comum nessas experi\u00eancias est\u00e1 o tratamento m\u00e9dico em hospitais p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Uns avaliam como excelente, outros como p\u00e9ssimo. As grandes unidades hospitalares do Brasil que possuem as portas abertas a toda a popula\u00e7\u00e3o costumam apresentar duas faces: uma \u00e9 o tratamento eficiente de casos de sa\u00fade complexos e a resolu\u00e7\u00e3o de problemas dos pacientes. A outra \u00e9 formada pela superlota\u00e7\u00e3o, as filas e o atendimento ca\u00f3tico.<\/p>\n<p>O que explica esse contraste? Para especialistas, as respostas est\u00e3o em parte fora dos hospitais. Um pa\u00eds que historicamente privilegiou o atendimento hospitalar e que s\u00f3 conseguiu ampliar o atendimento b\u00e1sico nas \u00faltimas d\u00e9cadas possui como desafio melhorar o atendimento de casos de sa\u00fade que poderiam ser resolvidos fora do hospital, mas que continuam lotando corredores e engrossando filas.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o segundo cap\u00edtulo de uma s\u00e9rie de quatro epis\u00f3dios sobre as desigualdades do SUS. No primeiro, bols\u00f5es de excel\u00eancia contrastam com hospitais sem rem\u00e9dios, falta de m\u00e9dicos ou ineficientes nos diagn\u00f3sticos. No terceiro, a ser publicado no s\u00e1bado, por\u00e7\u00f5es do interior do Brasil ainda esperam pela prometida \u201cuniversaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade\u201d. O \u00faltimo, no domingo,\u00a0descreve as desigualdades no atendimento aos pacientes diagnosticados com c\u00e2ncer no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Hospitais p\u00fablicos resolvem casos complexos<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio da manh\u00e3 do\u00a0dia 19 de maio, um s\u00e1bado, o advogado Eraldo Bulh\u00f5es J\u00fanior, 58, teve um infarto e foi levado \u00e0s pressas ao HGE (Hospital Geral do Estado), localizado em Macei\u00f3 e maior emerg\u00eancia p\u00fablica de Alagoas. \u201cEm menos de uma hora j\u00e1 estava fazendo um cateterismo. S\u00f3 estou vivo por eles terem atendido bem\u201d, lembra. Em mar\u00e7o, o hospital foi premiado pelo Programa Latin America Telemedicine Infarct Network com o melhor \u00edndice de pessoas salvas por infarto entre os hospitais participantes.<\/p>\n<p>Para casos como o de Eraldo (foto), \u00e9 imprescind\u00edvel o atendimento hospitalar de alta complexidade. Ele fecha um ciclo de atendimento de sa\u00fade que come\u00e7a pela aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e por medidas de preven\u00e7\u00e3o e passa pelas consultas m\u00e9dicas e realiza\u00e7\u00e3o de exames de complexidade m\u00e9dia. \u00c9 melhor (e mais barato) prevenir do que remediar, e o ideal seria que us\u00e1ssemos pouco o hospital.\u00a0De prefer\u00eancia, apenas em situa\u00e7\u00f5es em que s\u00f3 ele salva, como em acidentes.<\/p>\n<p>Ocorreu com o filho de Cristiane de Oliveira, 41. Ele bateu forte a cabe\u00e7a em um acidente de moto e precisou de tratamento em coma induzido. Ocorreu tamb\u00e9m com o marido de Edenalva Andrade, 43. Ele ficou desacordado ap\u00f3s cair de uma laje e precisava passar por cirurgia devido a um co\u00e1gulo na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>As duas acompanhavam os pacientes internados na UTI do Hospital do Mandaqui, refer\u00eancia em traumas na zona norte de S\u00e3o Paulo, quando conversaram com a reportagem do UOL. \u201cPelo menos na parte da UTI, \u00e9 muito bom. Eu nunca esperava isso desse hospital por ser p\u00fablico\u201d, conta Cristiane.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o dos grandes centros hospitalares \u00e9 tratar os casos mais graves de sa\u00fade e eles n\u00e3o seriam pouco utilizados se s\u00f3 fizessem isso. Para Maria do Carmo, ex-diretora de Aten\u00e7\u00e3o Hospitalar e Urg\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os nossos \u00edndices de viol\u00eancia, de acidentes de tr\u00e2nsito e de doen\u00e7as cr\u00f4nicas e degenerativas fazem do hospital de atendimento complexo local muito requisitado pela rede de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cA boa aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica contribui muito, mas n\u00e3o evita hipertens\u00e3o arterial, diabetes, doen\u00e7as que s\u00e3o consequ\u00eancias de h\u00e1bitos de vida. Por isso, \u00e9 preciso que exista boa rede de urg\u00eancia e emerg\u00eancia e uma boa retaguarda hospitalar para reduzir sequelas e mortes\u201d, afirma a especialista.<\/p>\n<p>O Hospital do Mandaqui, por exemplo, \u00e9 o destino principal de ambul\u00e2ncias que atendem casos de m\u00faltiplos traumas na regi\u00e3o em que ele est\u00e1 localizado. \u201cTem neurocirurgi\u00e3o e cirurgi\u00e3o vascular 24 horas\u201d, explica Ant\u00f4nio Jorge, coordenador da Coordenadoria do Servi\u00e7o de Sa\u00fade do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Mas se for \u201cs\u00f3\u201d uma pedra no rim<\/strong><\/p>\n<p>A dor provocada por uma pedra no rim fez o administrador Gabriel Carlos J\u00fanior, 26, correr para o Hospital do Mandaqui, de responsabilidade do governo do estado. Ele chegou no in\u00edcio da manh\u00e3, tomou rem\u00e9dio para aliviar a c\u00f3lica, realizou exames e foi embora no come\u00e7o da tarde com o rim inchado e a orienta\u00e7\u00e3o para procurar outro grande hospital que pudesse retirar a pedra.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fizeram o procedimento porque a m\u00e1quina estava quebrada\u201d, resignou-se. O c\u00e1lculo renal est\u00e1 entre os problemas de sa\u00fade que podem ser tratados em ambulat\u00f3rios menores que possuam os aparelhos adequados. Em S\u00e3o Paulo, o atendimento de baixa e m\u00e9dia complexidade \u00e9 de responsabilidade dos prontos-socorros da prefeitura.<\/p>\n<p>O incha\u00e7o sem resolu\u00e7\u00e3o do rim de Gabriel reflete outro, ainda maior: o\u00a0dos casos de m\u00e9dia complexidade que n\u00e3o t\u00eam vaz\u00e3o nas redes de atendimento \u00e0 sa\u00fade. Para especialistas, as pedras no caminho desse tipo de servi\u00e7o s\u00e3o as do investimento insuficiente, da inefici\u00eancia de pequenos hospitais que deveriam resolver os casos mais simples e das redes de assist\u00eancia mal estruturadas.<\/p>\n<p>\u201cO gargalo est\u00e1 nas consultas de especialidades, cirurgias e interna\u00e7\u00f5es eletivas\u201d, diz Oswaldo Tanaka, professor titular e diretor da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP. Para o especialista, desde a cria\u00e7\u00e3o do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade), h\u00e1 30 anos, o Brasil conseguiu incluir com sucesso milh\u00f5es de pessoas ao sistema de sa\u00fade. \u201cMas n\u00e3o se preparou para outras etapas. E a etapa hospitalar \u00e9 mais cara que a do atendimento m\u00e9dico em unidade b\u00e1sica\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Um exemplo do gargalo da m\u00e9dia complexidade apontado por ela est\u00e1 no tratamento do c\u00e2ncer de colo de \u00fatero. \u201cA mulher consegue fazer papanicolau [que permite rastrear a doen\u00e7a] na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. E o acesso \u00e0 quimioterapia em casos de c\u00e2ncer avan\u00e7ado n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dificultado. Mas n\u00e3o consegue [com facilidade] exames de ultrassom e tomografia, que est\u00e3o no meio do caminho. A\u00ed chega ao tratamento em est\u00e1gio avan\u00e7ado do c\u00e2ncer\u201d, resume.<\/p>\n<p>Ao maior custo de procedimentos de complexidade m\u00e9dia em compara\u00e7\u00e3o com a\u00a0baixa, soma-se o financiamento insuficiente, que tem impactos distintos nos diferentes estados, dependendo de como est\u00e1 organizada a rede de assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Eder\u00a0Gatti, presidente do Sindicato dos M\u00e9dicos de S\u00e3o Paulo, d\u00e1 exemplo da situa\u00e7\u00e3o que avalia ser a de S\u00e3o Paulo: \u201cO governo federal n\u00e3o investe o que deveria. O Estado investe pouco nos munic\u00edpios, prioriza servi\u00e7os pr\u00f3prios e n\u00e3o organiza a rede como deveria.\u00a0Tudo isso sobrecarrega os munic\u00edpios, que n\u00e3o d\u00e3o conta de organizar a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e a urg\u00eancia e emerg\u00eancia de baixa complexidade.<\/p>\n<p><strong>O hospitalocentrismo<\/strong><\/p>\n<p>No imagin\u00e1rio popular, pol\u00edtica de sa\u00fade \u00e9 sin\u00f4nimo de hospital. A associa\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada com a hist\u00f3ria da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade no Brasil. A constru\u00e7\u00e3o de pequenos hospitais por fazendeiros e irmandades religiosas remonta ao in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, quando foi criada a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Santos, em 1543 \u2013 a mais antiga institui\u00e7\u00e3o hospitalar em funcionamento no pa\u00eds.<\/p>\n<p>J\u00e1 no come\u00e7o do s\u00e9culo 20, come\u00e7am a surgir as\u00a0grandes unidades hospitalares p\u00fablicas, como os sanat\u00f3rios e os hospitais universit\u00e1rios. Uma dessas unidades foi o Hospital do Mandaqui, fundado em 1938 pelo governo paulista para tratamento de tuberculose. Assim, a constru\u00e7\u00e3o de hospitais pelo poder p\u00fablico \u00e9 mais antiga que as pol\u00edticas de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 sa\u00fade, que se consolidaram apenas com a cria\u00e7\u00e3o do SUS. Isso tudo explica a prolifera\u00e7\u00e3o de pequenos hospitais e a centralidade dos complexos hospitalares como principal lugar para o tratamento de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Para Quit\u00e9ria dos Santos, 87, sempre foi assim. Quando precisa sair de casa para passar por algum atendimento m\u00e9dico, prefere ir ao Hospital do Mandaqui\u00a0do que a uma unidade de atendimento b\u00e1sico. \u201cEla n\u00e3o gosta de passar na AMA (Assist\u00eancia M\u00e9dica Ambulatorial) porque, se precisar fazer qualquer coisa, v\u00e3o mandar para c\u00e1. O legal de vir aqui [no Hospital do Mandaqui] \u00e9 que tem tudo: exame de sangue, raio-X, todos os exames\u201d, conta a aposentada Odete dos Santos, que acompanha a m\u00e3e \u00e0s consultas e exames.<\/p>\n<p>As redes de sa\u00fade s\u00e3o organizadas de acordo com o grau de complexidade que s\u00e3o capazes de atender \u2013 baixa em postos de sa\u00fade, m\u00e9dia em AMAs e pequenos hospitais, e alta em hospitais de refer\u00eancia. \u201cAlgu\u00e9m com um agravo de sa\u00fade agudo deveria ir para a AMA, n\u00e3o para o hospital [de refer\u00eancia]\u201d, diz Ant\u00f4nio Jorge. Contudo, o Hospital do Mandaqui, al\u00e9m de receber pacientes transferidos, possui portas abertas para qualquer pessoa que busque atendimento espontaneamente.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um movimento err\u00e1tico do usu\u00e1rio, e ele tem uma legitimidade. Se a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o d\u00e1 resposta, ele vai para a porta do hospital\u201d, acrescenta Maria do Carmo.\u00a0Para Gatti, a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 mal provida de unidades e pouco resolutiva. \u201cIsso sobrecarrega a assist\u00eancia hospitalar. N\u00e3o \u00e9 certo o Hospital do Mandaqui\u00a0estar atendendo resfriados\u201d, completa Gatti.<\/p>\n<p>Os hospitais pequenos t\u00eam fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na rede,\u00a0quando se especializam no atendimento de pequenas urg\u00eancias e na estabiliza\u00e7\u00e3o do paciente para encaminhamento para estabelecimentos maiores.<\/p>\n<p>\u201cEle resolve bem casos pouco graves de descompensa\u00e7\u00e3o diab\u00e9tica, hipertens\u00e3o, crise asm\u00e1tica, apendicite, pequenas cirurgias, parto normal e c\u00f3lica renal. E precisa do que todo hospital geral precisa: material e equipe b\u00e1sica. Ningu\u00e9m vai levar um politraumatizado para um hospital desses\u201d, diz Carmo.<\/p>\n<p>Mas, quando est\u00e1 mal posicionado ou sem fun\u00e7\u00e3o definida\u00a0na regi\u00e3o em que presta servi\u00e7o, hospitais com menos de 50 leitos s\u00e3o de fato ineficientes.<\/p>\n<p><strong>E a fila cresce<\/strong><\/p>\n<p>Os problemas na rede de baixa e m\u00e9dia complexidade t\u00eam reflexo nas filas dos principais hospitais do pa\u00eds, que ficam ainda maiores.<\/p>\n<p>No Hospital Geral do Estado, em Macei\u00f3, os problemas t\u00edpicos das emerg\u00eancias p\u00fablicas se repetem. A fam\u00edlia do aposentado Gabriel Juv\u00eancio da Silva, 70, reclamava que ele esperou sentado em uma cadeira por 11 horas porque n\u00e3o havia leito ou maca para deitar. \u201cMeu pai est\u00e1 at\u00e9 agora num local inadequado, e nada de o hospital tomar uma posi\u00e7\u00e3o. Ele passou mal em casa e, inicialmente, disseram que ele teve um AVC [acidente vascular cerebral], mas nenhum exame foi feito\u201d, reclamou Vanusa Maria da Silva, 40.<\/p>\n<p>Quit\u00e9ria dos Santos passou pelo mesmo mart\u00edrio da espera e do desconforto no Hospital do Mandaqui quando foi internada por causa de quadro de confus\u00e3o mental.\u00a0\u201cFicamos at\u00e9 no corredor [refer\u00eancia \u00e0 espera em maca improvisada no corredor por falta de vaga em quarto]. Essa \u00e9 a parte dolorosa. N\u00e3o s\u00e3o confort\u00e1veis as cadeiras\u201d, conta sua filha, Odete. Outra espera que a fam\u00edlia enfrentou, desta vez de quatro meses, foi para a realiza\u00e7\u00e3o de uma colonoscopia. \u201cDemora muito para ser chamado. O m\u00e9dico bem que avisou: \u2018Tem fila!&#8217;\u201d, conta ela.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o desigual de hospitais agrava o problema. Segundo os especialistas, os principais centros hospitalares do pa\u00eds est\u00e3o concentrados nas regi\u00f5es Sul e Sudeste. A desigualdade na oferta ocorre tamb\u00e9m no interior dos estados, com concentra\u00e7\u00e3o nas capitais. \u201cA distribui\u00e7\u00e3o de equipamentos \u00e9 ruim. Est\u00e3o em munic\u00edpios de grande porte. N\u00e3o h\u00e1 leito dispon\u00edvel para rotatividade\u201d, diz Oswaldo Tanaka.<\/p>\n<p>O HGE, por exemplo, \u00e9 o \u00fanico em Alagoas refer\u00eancia no atendimento de m\u00e9dia e alta complexidade a v\u00edtimas de queimaduras, doen\u00e7as coronarianas e vasculares, AVC, traumas, ortopedia e pediatria. J\u00e1 a fila no Hospital do Mandaqui, em S\u00e3o Paulo, reflete os problemas da distribui\u00e7\u00e3o desigual de atendimento hospitalar no pa\u00eds. Al\u00e9m de drenar os casos de emerg\u00eancia da zona norte da capital paulista, recebe pacientes de fora do estado.<\/p>\n<p>A estudante Carolaine Fernandes, 18, conta que convenceu o pai a vir de Bel\u00e9m do Par\u00e1 para S\u00e3o Paulo para procurar atendimento m\u00e9dico para hipertens\u00e3o e diabetes. Ap\u00f3s realizar exames em uma AMA, ele foi encaminhado ao Hospital do Mandaqui devido a altera\u00e7\u00f5es em eletrocardiograma. \u201cAs pessoas reclamam do atendimento aqui porque n\u00e3o conhecem o atendimento de outros lugares\u201d, conta Fernandes.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o Paulo absorve atendimentos de m\u00e9dia e alta complexidade de todo o Brasil\u201d, diz Ant\u00f4nio Jorge, que responde pela rede de atendimento hospitalar do estado. De acordo com levantamento feito pela AMIB (Associa\u00e7\u00e3o de Medicina Intensiva Brasileira), o estado de S\u00e3o Paulo concentra 24,1% dos hospitais com UTI do Brasil. Apenas 15% dos munic\u00edpios brasileiros possuem leitos de tratamento intensivo.<\/p>\n<p><strong>A falha no que \u00e9 bom<\/strong><\/p>\n<p>A grande demanda e a superlota\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m comprometem os atendimentos de urg\u00eancia, principal voca\u00e7\u00e3o dos hospitais de alta complexidade, como o Mandaqui. \u201cMeu sogro teve um AVC e ficou em uma fila na enfermaria lotada aguardando vaga na UTI. O caso dele era de emerg\u00eancia, mas os m\u00e9dicos explicaram que todos ali eram casos de emerg\u00eancias. \u201d Raphael Parente, advogado (foto).<\/p>\n<p>Outra queixa est\u00e1 na falta de aten\u00e7\u00e3o a pacientes. A pedagoga Daniele Gambaroti, mulher de Parente, conta que precisou levar uma coberta para seu pai porque n\u00e3o tinha no hospital. \u201cMas eles n\u00e3o queriam deixar que eu entregasse porque poderia sumir. Eu disse que n\u00e3o teria problema se sumisse\u201d, conta Gambaroti. \u201cPor causa da falta de m\u00e9dicos e enfermeiros, os profissionais ali trabalham muito estressados e descontam isso nos pacientes\u201d, completa Parente.<\/p>\n<p>Uma vistoria realizada pelo Simesp\u00a0(Sindicato dos M\u00e9dicos de S\u00e3o Paulo) em mar\u00e7o constatou que o pronto-socorro do Hospital do Mandaqui estava sem m\u00e9dicos cl\u00ednicos tr\u00eas vezes por semana e havia mais de 40 pacientes internados pelos corredores e sala de medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No HGE, uma visita da For\u00e7a Nacional de Fiscaliza\u00e7\u00e3o do Sistema Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) encontrou problemas como superlota\u00e7\u00e3o e sobrecarga de trabalhos. No local, os fiscais encontraram ainda duas crian\u00e7as dividindo o mesmo leito, sem nem sequer uma grade de prote\u00e7\u00e3o para evitar queda.<\/p>\n<p>Para Eder Gatti, do Simesp, os problemas no atendimento est\u00e3o ligados a escassez de funcion\u00e1rios e car\u00eancia de materiais. \u201cM\u00e9dicos e enfermeiros acabam tendo que dar conta de mais pacientes do que deveriam. A falta de profissionais aumenta a sobrecarga de quem trabalha e compromete a assist\u00eancia de quem depende dela\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cIsso tudo colabora para que a qualidade da assist\u00eancia caia com a superlota\u00e7\u00e3o\u201d, diz o chefe do departamento de gest\u00e3o do exerc\u00edcio profissional do Cofen, Walqu\u00edrio Almeida.<\/p>\n<p><strong>Alta demanda sobrecarrega centros de refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Para Ant\u00f4nio Jorge, da Coordenadoria do Servi\u00e7o de Sa\u00fade do Estado de S\u00e3o Paulo, a espera e as filas s\u00e3o explicadas pela alta demanda. \u201cEntretanto, todos recebem o devido acolhimento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O Hospital do Mandaqui realiza mensalmente 13 mil atendimentos no pronto-socorro e cerca de mil interna\u00e7\u00f5es. S\u00e3o\u00a0355 leitos de interna\u00e7\u00e3o e 40 leitos de UTI. \u00c9 utilizado um sistema de classifica\u00e7\u00e3o de risco, em que s\u00e3o priorizados casos graves e grav\u00edssimos, como acidentados e politraumatizados, por exemplo.\u00a0De acordo com Ant\u00f4nio Jorge, quando n\u00e3o h\u00e1 vagas na UTI devido \u00e0 sobrecarga de pacientes,\u00a0\u00e9 solicitada transfer\u00eancia para outro hospital. Quem espera no corredor n\u00e3o deixa de ser acompanhado pelos profissionais de sa\u00fade, afirma.<\/p>\n<p>Ele aponta o recente aumento do uso da assist\u00eancia p\u00fablica por quem antes utilizava planos de sa\u00fade para explicar o aumento da demanda. \u201cDois milh\u00f5es de habitantes sa\u00edram da rede privada para o SUS. A rede sobrecarrega, n\u00e3o d\u00e1 para ter atendimento imediato. Mas servi\u00e7o p\u00fablico atende todo mundo. \u201d<\/p>\n<p>Sobre o paciente Gabriel Carlos, que n\u00e3o conseguiu tratamento para c\u00e1lculo renal, o coordenador diz que a pedra n\u00e3o representava risco porque n\u00e3o estava obstruindo canal no rim e que foi agendado procedimento para retirada em uma AMA. J\u00e1 sobre Quit\u00e9ria da Silva, ele afirma que os exames e consultas foram agendados.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do HGE afirma que, \u201cdevido ao grau de complexidade assistencial, sempre com suas portas abertas 24 horas, \u00e9 poss\u00edvel que a demanda [vari\u00e1vel conforme o dia] ultrapasse sua capacidade de leitos [255 conveniados com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade]. Entretanto, todos recebem o devido acolhimento, ainda que este seja de responsabilidade dos munic\u00edpios\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Observat\u00f3rio da Sa\u00fade RJ Quit\u00e9ria esperou quatro meses para realizar um exame. Eraldo diz ter sido salvo de um infarto pelo bom atendimento que recebeu dos m\u00e9dicos. Gabriel entrou e saiu do hospital sem o tratamento para pedra no rim de que precisava. Cristiane \u00e9 s\u00f3 elogios \u00e0 UTI na qual o filho est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6128,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-6127","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6127"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6129,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6127\/revisions\/6129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}