{"id":616,"date":"2015-04-27T13:25:16","date_gmt":"2015-04-27T13:25:16","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=616"},"modified":"2015-04-27T13:51:14","modified_gmt":"2015-04-27T13:51:14","slug":"os-erros-graves-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/04\/27\/os-erros-graves-na-saude\/","title":{"rendered":"ARTIGO: Os erros graves na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Estado de SP, se\u00e7\u00e3o Opini\u00e3o<\/p>\n<p>O aumento do custo dos planos de sa\u00fade \u2013 mesmo os empresariais \u2013 para os usu\u00e1rios reabre a discuss\u00e3o sobre o papel que os prestadores privados de servi\u00e7os devem assumir no futuro, no setor da sa\u00fade. E tamb\u00e9m sobre o papel da rede de sa\u00fade p\u00fablica, pois suas not\u00f3rias defici\u00eancias levaram uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o \u2013 hoje na casa dos 50 milh\u00f5es \u2013 a procurar ref\u00fagio nos planos de sa\u00fade nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Uma op\u00e7\u00e3o que vai encarecendo e ficando cada vez mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Reportagem do jornal Valor mostra que as dificuldades criadas pela crise econ\u00f4mica j\u00e1 est\u00e3o levando as empresas a reavaliarem os planos oferecidos a seus empregados, tanto no que se refere \u00e0 participa\u00e7\u00e3o destes nos custos de alguns procedimentos como na op\u00e7\u00e3o por planos de abrang\u00eancia regional, mais baratos. Uma conduta que \u00e9 explicada tamb\u00e9m pelo fato de esse benef\u00edcio ter um peso consider\u00e1vel em seus custos, j\u00e1 que \u00e9 a maior despesa do setor de Recursos Humanos. E uma despesa que dificilmente pode ser cortada, porque se incorporou de tal forma \u00e0 rela\u00e7\u00e3o empregador-empregado que faz parte de acordos sindicais.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos empregados nos custos de consultas e exames, que j\u00e1 existe h\u00e1 algum tempo, est\u00e1 aumentando. De 10% em m\u00e9dia hoje, estima-se que ela deve ficar em pouco tempo entre 20% e 30%. Em consultas feitas em pronto-socorro, a contribui\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio j\u00e1 \u00e9 de 30% em alguns casos. Isso alivia a empresa, porque reduz sua participa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m porque tende a evitar o uso considerado exagerado do benef\u00edcio, restringindo-o ao indispens\u00e1vel, o que por sua vez leva a operadora do plano de sa\u00fade a conceder desconto na renova\u00e7\u00e3o do contrato.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia dos planos de sa\u00fade empresariais, que representam 65% do total, \u00e9 de se tornarem cada vez mais caros para os empregados. E essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve mudar quando passar a crise, pois dificilmente as empresas abrir\u00e3o m\u00e3o dessa economia. Quanto aos planos de sa\u00fade individuais, h\u00e1 muito tempo que eles se tornaram caros. Finalmente, os elevados custos dos modernos tratamentos e exames m\u00e9dicos tamb\u00e9m encarecem os planos.<\/p>\n<p>Em resumo, tudo indica que o acesso \u00e0 sa\u00fade privada vai se limitar progressivamente \u00e0s pessoas de faixas de renda mais altas, com exclus\u00e3o at\u00e9 mesmo, num futuro n\u00e3o muito distante, de fatias importantes da classe m\u00e9dia. A incorpora\u00e7\u00e3o a esse setor de camadas sociais ascendentes, incentivada pelo governo federal, est\u00e1 se revelando, portanto, invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos governos \u2013 por ironia, justamente os que mais se proclamam defensores das camadas de baixa renda \u2013 tomaram na \u00e1rea de sa\u00fade decis\u00f5es desastradas e irrespons\u00e1veis. Apostaram demagogicamente na expans\u00e3o dos planos de sa\u00fade \u2013 sem base em estudos s\u00e9rios que mostrariam facilmente seus limites, como se est\u00e1 comprovando agora \u2013 e deixaram de investir no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), que atende tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o, em especial os mais pobres.<\/p>\n<p>Dois exemplos bastam para provar isso. O primeiro \u00e9 a falta de atualiza\u00e7\u00e3o da tabela de procedimentos do SUS, que cobre apenas 60% dos seus custos. Como os hospitais filantr\u00f3picos conveniados, especialmente as Santas Casas, n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de cobrir indefinidamente os 40% restantes, acabaram se endividando e entrando numa crise que s\u00f3 se agrava. O socorro prestado pelo governo de tempo em tempo n\u00e3o passa de um remendo. E, como essas institui\u00e7\u00f5es respondem por cerca de 45% dos atendimento do SUS, \u00e9 f\u00e1cil de constatar a extrema e perigosa fragilidade do sistema de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o de mais de 14 mil leitos de interna\u00e7\u00e3o nos hospitais da rede p\u00fablica, em apenas quatro anos, de julho de 2010 a julho de 2014, como constatou estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>O investimento na rede p\u00fablica de sa\u00fade, como mostra o exemplo dos pa\u00edses da Europa ocidental, no qual se inspiraram os legisladores para criar o SUS, \u00e9 a sa\u00edda \u00f3bvia para oferecer atendimento m\u00e9dico e hospitalar digno \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Urge retomar esse caminho para recuperar o tempo perdido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Estado de SP, se\u00e7\u00e3o Opini\u00e3o O aumento do custo dos planos de sa\u00fade \u2013 mesmo os empresariais \u2013 para os usu\u00e1rios reabre a discuss\u00e3o sobre o papel que os prestadores privados de servi\u00e7os devem assumir no futuro, no setor da sa\u00fade. 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