{"id":6370,"date":"2018-11-23T17:34:38","date_gmt":"2018-11-23T17:34:38","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=6370"},"modified":"2018-11-23T17:34:38","modified_gmt":"2018-11-23T17:34:38","slug":"artigo-a-caixa-preta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2018\/11\/23\/artigo-a-caixa-preta\/","title":{"rendered":"ARTIGO: A caixa-preta"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>por Merval Pereira<\/p>\n<p>Quando o hoje governador eleito de Goi\u00e1s Ronaldo Caiado denunciou no Senado que o acordo com Cuba para o programa Mais M\u00e9dicos seria uma maneira de \u201clavar\u201d parte do dinheiro, que voltaria ao Brasil para financiar o PT, parecia mais uma den\u00fancia sem comprova\u00e7\u00e3o de um inimigo dos petistas.<\/p>\n<p>Agora, no desdobramento dos telegramas que a &#8220;Folha de S.Paulo&#8221; revelou sobre como o programa foi montado, h\u00e1 uma parte da troca de mensagens altamente reveladora de uma triangula\u00e7\u00e3o financeira envolvendo o BNDES.<\/p>\n<p>Segundo relato do Itamaraty, os cubanos alegaram que \u201co incremento das\u00a0 importa\u00e7\u00f5es brasileiras de Cuba decorrente da contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dicos poderia dar mais sustentabilidade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es comerciais bilaterais e, consequentemente, mais recursos para que o lado cubano tenha condi\u00e7\u00f5es de honrar, no futuro, d\u00edvidas que est\u00e3o sendo contra\u00eddas por conta do financiamento brasileiro em diversas \u00e1reas, notadamente de infraestrutura, com a amplia\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o do Porto de Mariel\u201d.<\/p>\n<p>Os cubanos propuseram \u201cum mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o\u201d para pagamento dos financiamentos, e o Brasil sugeriu que fosse feito atrav\u00e9s de uma conta banc\u00e1ria brasileira. Como se v\u00ea, a proposta era de que Cuba pagasse os empr\u00e9stimos do governo brasileiro com o dinheiro que o pr\u00f3prio governo brasileiro lhe pagaria pelo programa Mais M\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Toda a negocia\u00e7\u00e3o, segundo os relatos oficiais, foi feita em termos comerciais, e n\u00e3o de \u201cajuda humanit\u00e1ria\u201d como o programa era vendido. Por isso, prevendo que o novo governo de direita, que derrotara o PT, faria uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o programa, os cubanos apressaram-se a romp\u00ea-lo unilateralmente.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter pecuni\u00e1rio do programa,\u00a0 em benef\u00edcio da ditadura cubana,\u00a0 explica porque o governo petista n\u00e3o se interessou, ao longo desses anos, em montar um programa de est\u00edmulo para que m\u00e9dicos brasileiros fossem substituindo gradativamente os estrangeiros, na maior parte cubanos.<\/p>\n<p>Se fosse um \u201cprograma de solidariedade\u201d, como tamb\u00e9m era chamado, n\u00e3o teria sido rompido abruptamente, sem que fosse feita uma tentativa de negocia\u00e7\u00e3o com o futuro governo. Ou, pelo menos, haveria uma retirada gradual dos m\u00e9dicos, dando tempo ao novo governo de reorganizar a situa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica nos grot\u00f5es brasileiros.<\/p>\n<p>Imaginemos se organiza\u00e7\u00f5es realmente humanit\u00e1rias como o M\u00e9dicos Sem Fronteira, ou a Cruz Vermelha, cujos integrantes trabalham em lugares in\u00f3spitos e t\u00eam que enfrentar guerras e ditaduras sanguin\u00e1rias, decidissem abandonar seu trabalho por alguma dificuldade com os governantes locais.<\/p>\n<p>Tudo foi feito como um acordo comercial, e dessa maneira foi rompido por Cuba com a chegada de um novo governo, cr\u00edtico \u00e0 ditadura cubana. A Organiza\u00e7\u00e3o Panamericana de Sa\u00fade (OPAS) s\u00f3 entrou na negocia\u00e7\u00e3o justamente para que o conv\u00eanio tivesse ares de ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os telegramas da embaixada brasileira em Havana revelam que partiu de Cuba a proposta para criar o programa Mais M\u00e9dicos no Brasil, justamente para viabilizar recursos para a ditadura, que tem na exporta\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra m\u00e9dica um dos seus tr\u00eas maiores produtos, s\u00f3 perdendo para a cana de a\u00e7\u00facar e o tabaco.<\/p>\n<p>O Brasil aceitou exig\u00eancias de Cuba de n\u00e3o realizar o Revalida, programa que avalia a capacidade dos m\u00e9dicos estrangeiros, nem permitir que eles exercessem a profiss\u00e3o fora do programa, para evitar que pudessem pedir asilo e trabalhar aqui. As quest\u00f5es jur\u00eddicas deveriam ser levadas \u00e0 &#8220;Corte Cubana de Arbitragem Comercial Internacional\u201d, sob suas normas processuais, na cidade de Havana, e no idioma espanhol.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o se sabe nem mesmo quanto o Brasil pagou nesses cinco anos de conv\u00eanio com Cuba, e nem a forma do pagamento \u2013 se como compensa\u00e7\u00e3o pelas obras da Odebrecht em Cuba, ou atrav\u00e9s das OPAS &#8211; ser\u00e1 preciso agora abrir a caixa preta do BNDES para entender exatamente o que aconteceu.<\/p>\n<p>A empreiteira Odebrecht estava envolvida em todas as obras de infraestrutura de Cuba, especialmente no Porto de Mariel, e \u00e9 poss\u00edvel que pelo menos parte desse dinheiro tenha sido transferida para o PT, dentro do sistema de financiamento de obras p\u00fablicas exportado pelo governo petista para muitos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. V\u00e1rios desses governantes est\u00e3o hoje ou presos ou respondendo a processos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo por Merval Pereira Quando o hoje governador eleito de Goi\u00e1s Ronaldo Caiado denunciou no Senado que o acordo com Cuba para o programa Mais M\u00e9dicos seria uma maneira de \u201clavar\u201d parte do dinheiro, que voltaria ao Brasil para financiar o PT, parecia mais uma den\u00fancia sem comprova\u00e7\u00e3o de um inimigo dos petistas. 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