{"id":6537,"date":"2019-01-21T09:54:41","date_gmt":"2019-01-21T09:54:41","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=6537"},"modified":"2019-01-21T15:34:12","modified_gmt":"2019-01-21T15:34:12","slug":"sem-reposicao-de-pessoal-hospitais-podem-piorar-advertem-entidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2019\/01\/21\/sem-reposicao-de-pessoal-hospitais-podem-piorar-advertem-entidades\/","title":{"rendered":"Sem reposi\u00e7\u00e3o de pessoal, hospitais podem piorar, advertem entidades"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>Entidades das \u00e1reas m\u00e9dica e de enfermagem do Rio de Janeiro recomendam que o choque de gest\u00e3o prometido pelo ministro da Sa\u00fade, Luiz Henrique Mandetta, para os hospitais federais no estado comece pela recomposi\u00e7\u00e3o do quadro de profissionais concursados. Para tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es de classe, a n\u00e3o reposi\u00e7\u00e3o de profissionais especializados que se aposentaram ou deixaram as unidades prejudica os servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o \u00e9 compartilhada pela Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos (Fenam), pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio\u00a0de Janeiro\u00a0(Cremerj) e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Rio\u00a0de Janeiro\u00a0(Coren-RJ).<\/p>\n<p>No total s\u00e3o seis hospitais, sob responsabilidade do governo federal: os do Andara\u00ed, de Bonsucesso, Cardoso Fontes, dos Servidores do Estado, da Lagoa e de Ipanema. H\u00e1 ainda duas unidades da rede federal que concentram atendimentos de alta complexidade e tamb\u00e9m o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e o Instituto Nacional de Cardiologia (INC).<\/p>\n<p><strong>Gravidade<\/strong><\/p>\n<p>O Cremerj e o Coren-RJ, assim como a Fenam, consideram que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave no Hospital Federal de Bonsucesso, no qual o corpo cl\u00ednico enviou uma carta ao minist\u00e9rio pedindo a imediata exonera\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do hospital. O documento foi entregue no dia 16 ao ministro pelo presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos, Jorge Darze, e relata que o hospital sofre desabastecimento decorrente da &#8220;incompetente gest\u00e3ol&#8221; da unidade.<\/p>\n<p>Na carta, \u00e9 detalhado que o d\u00e9ficit de pessoal, principalmente de m\u00e9dicos, leva \u00e0 &#8220;progressiva desativa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os especializados&#8221;. Jorge Darze relata que a unidade coronariana do hospital teve que ser fechada e lembra que os transplantes hep\u00e1ticos j\u00e1 haviam deixado de ser realizados no hospital pela falta de m\u00e9dicos. &#8220;O hospital tamb\u00e9m \u00e9 transplantador de rim. Essa atividade continua ocorrendo, mas em n\u00edvel inferior ao que era desempenhado anteriormente&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>O documento encaminhado pelo corpo cl\u00ednico do hospital tamb\u00e9m afirma que a dire\u00e7\u00e3o foi nomeada por influ\u00eancia de um deputado federal da Baixada Fluminense. O presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos M\u00e9dicos considera que este \u00e9 um problema hist\u00f3rico que precisa ser rompido pelo governo federal.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o emergencial<\/strong><\/p>\n<p>Para Darze, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade deve adotar uma pol\u00edtica mais ofensiva. \u201cPara garantir que [os hospitais] possam funcionar de maneira mais adequada, inclusive rompendo uma hist\u00f3rica situa\u00e7\u00e3o em que os diretores dessas unidades s\u00e3o indicados por deputados federais do Rio\u00a0de Janeiro.&#8221;<\/p>\n<p>Depois de se reunir com o ministro da Sa\u00fade no dia 16, o presidente da Fenam alertou sobre os impactos do quadro atual. &#8220;Mostrei que a situa\u00e7\u00e3o tende a piorar se o minist\u00e9rio n\u00e3o tomar medidas urgentes. H\u00e1 um quadro de pessoal com idade para aposentadoria, e a rede vem perdendo grande quantidade principalmente de m\u00e9dicos especialistas.&#8221;<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o que o presidente da federa\u00e7\u00e3o sugere \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de mais profissionais por meio de concurso p\u00fablico. No ano passado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade autorizou a contrata\u00e7\u00e3o de 3,5 mil profissionais tempor\u00e1rios para os hospitais federais, incluindo mais de 1,3 mil m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>&#8220;A forma tempor\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 a que entendemos que deve ser utilizada para resolver o problema da rede. Ela n\u00e3o \u00e9 estimulante, n\u00e3o contribui para que as pessoas se fixem nessas unidades. Ningu\u00e9m quer trabalhar temporariamente, principalmente o m\u00e9dico. Ele quer\u00a0ter\u00a0a certeza de que vai trabalhar ali e vai construir a vida dele naquele hospital e atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que procura a unidade de maneira continuada&#8221;, afirmou Darze, apelando para a valoriza\u00e7\u00e3o da carreira de m\u00e9dico com melhor remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Outro lado<\/strong><\/p>\n<p>Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que &#8220;o ministro recebeu da Fenam a manifesta\u00e7\u00e3o do corpo cl\u00ednico do Hospital de Bonsucesso. O documento, assim como todos aspectos cl\u00ednicos, de gest\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o ser\u00e3o analisados e objeto de a\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a-tarefa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para os hospitais federais no Rio. O objetivo \u00e9 ampliar e melhorar o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O presidente do Cremerj, Sylvio Provenzano, considera que problemas de gest\u00e3o est\u00e3o associados a boa parte das defici\u00eancias dos hospitais federais. Como ex-chefe do servi\u00e7o de cl\u00ednica m\u00e9dica de um dos hospitais federais, o dos Servidores do Estado, Provenzano disse ter visto de perto o desfalque na equipe com a n\u00e3o reposi\u00e7\u00e3o de profissionais.<\/p>\n<p>&#8220;Evidentemente, o ideal seria concurso p\u00fablico, e n\u00e3o uma contrata\u00e7\u00e3o que tem prazo de dois anos e que pode ou n\u00e3o ser renovada. O v\u00ednculo do profissional com a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 muito fr\u00e1gil. Ele sabe que, ap\u00f3s dois anos, o contrato pode ser encerrado sem qualquer explica\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico, \u00e9 fundamental fazer um diagn\u00f3stico completo da \u00e1rea de recursos humanos (RH). \u201c\u00c9 preciso um mapeamento adequado do RH de todas as unidades para que possa haver uma compatibiliza\u00e7\u00e3o adequada da proposta de atendimento com o pessoal. De nada adianta eu querer aumentar o numero de leitos se paralelamente n\u00e3o tiver um aumento do RH.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Relatos<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Cremerj, os relatos mais graves que recebe v\u00eam de casos ocorridos nos hospitais federais de Bonsucesso e do Andara\u00ed, no qual h\u00e1 dificuldades para atender ao fluxo da emerg\u00eancia. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que de perto se pare\u00e7a com a que Bonsucesso vive&#8221;. Nas demais unidades, avaliou, a situa\u00e7\u00e3o parece mais tranquila, apesar de relatos sobre falta de material para cirurgias e pr\u00f3teses. &#8220;S\u00e3o coisas que a gente espera que a partir de 2019 comecem a ser corrigidas.&#8221;<\/p>\n<p>Provenzano e Darze dizem que a falta de profissionais estrangula n\u00e3o apenas os servi\u00e7os ambulatoriais especializados, mas tamb\u00e9m as emerg\u00eancias abertas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Em unidades como Cardoso Fontes, Andara\u00ed e Bonsucesso, a chegada de atendimentos de urg\u00eancia disputa a aten\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos com procedimentos de alta complexidade que j\u00e1 estavam marcados.<\/p>\n<p>A vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio\u00a0de Janeiro, Ana Teresa Ferreira de Souza, acrescentou que a falta de m\u00e9dicos especialistas causa impacto direto no dia a dia dos enfermeiros, de quem muitas vezes \u00e9 exigida uma atua\u00e7\u00e3o que ultrapassa as atribui\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n<p>&#8220;Por aus\u00eancia de m\u00e9dicos, o enfermeiro foi obrigado, em alguns momentos, a fazer classifica\u00e7\u00e3o de risco e dispensar ou direcionar pacientes para outras unidades. Isso \u00e9 proibido&#8221;, disse a enfermeira, acrescentando que o Hospital Federal de Bonsucesso &#8220;est\u00e1 no topo&#8221; da crise, mas os problemas v\u00e3o al\u00e9m dessa unidade. Segundo Ana Teresa, o cen\u00e1rio atual provoca distor\u00e7\u00e3o de atividades e atribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea tem um enfermeiro cuidando de mais de 30 pacientes, o que \u00e9 ilegal. Voc\u00ea v\u00ea uma emerg\u00eancia de portas abertas com camas, macas e cadeiras improvisadas nos corredores. Do ponto de vista de ambi\u00eancia segura, isso \u00e9 totalmente ilegal. Inclusive a enfermagem se depara o tempo todo com a imin\u00eancia de estar sendo exposta a neglig\u00eancia, imper\u00edcia e imprud\u00eancia por causa disso.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Concurso<\/strong><\/p>\n<p>A vice-presidente do Conselho de Enfermagem defendeu como prioridade a realiza\u00e7\u00e3o de concurso p\u00fablico para equacionar os problemas nos hospitais federais do estado.<\/p>\n<p>&#8220;Essa rotatividade de pessoal lotado nessas unidades gera uma perda de cultura organizacional muito grande. Essas alternativas paliativas para contrata\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a melhor forma. Se ele [minist\u00e9rio] precisa de uma medida para melhorar, o concurso p\u00fablico \u00e9 talvez a primeira sa\u00edda&#8221;, afirmou Ana<\/p>\n<p>A enfermeira tamb\u00e9m citou problemas nos insumos dispon\u00edveis para os profissionais trabalharem, o que causa mais preju\u00edzos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. &#8220;A aus\u00eancia de materiais \u00e9 uma coisa absurda. Frequentemente, a enfermagem acaba sendo obrigada a trabalhar com materiais de qualidade inferior ao que \u00e9 preconizado por \u00f3rg\u00e3os que tratam de seguran\u00e7a. Parece que n\u00e3o, mas a falta de uma seringa adequada pode comprometer a vida de uma pessoa.&#8221;<\/p>\n<p>O N\u00facleo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Rio\u00a0de Janeiro\u00a0informou \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0que a rede tem 20 mil profissionais e que a maioria \u00e9 formada por servidores permanentes. &#8220;O Departamento de Gest\u00e3o Hospitalar (DGH) informa que h\u00e1 na rede federal, ao todo, 20 mil profissionais, cujo quadro funcional \u00e9 composto essencialmente por servidores permanentes, concursados, com carga hor\u00e1ria definida por lei, al\u00e9m de servidores tempor\u00e1rios da Uni\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Como parte do processo seletivo realizado em 2018 para os hospitais federais, Into e INC, est\u00e1 em andamento a realiza\u00e7\u00e3o de cerca de 4 mil contratos tempor\u00e1rios da Uni\u00e3o (CTU). Essas contrata\u00e7\u00f5es obedecem a decis\u00f5es judiciais sobre o assunto e encontram-se, estritamente, dentro do or\u00e7amento aprovado para isso.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Ag\u00eancia Brasil Entidades das \u00e1reas m\u00e9dica e de enfermagem do Rio de Janeiro recomendam que o choque de gest\u00e3o prometido pelo ministro da Sa\u00fade, Luiz Henrique Mandetta, para os hospitais federais no estado comece pela recomposi\u00e7\u00e3o do quadro de profissionais concursados. 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