{"id":7203,"date":"2019-05-13T10:54:38","date_gmt":"2019-05-13T10:54:38","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=7203"},"modified":"2019-05-13T17:56:03","modified_gmt":"2019-05-13T17:56:03","slug":"medicas-estao-a-caminho-de-serem-maioria-mas-ganham-menos-do-que-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2019\/05\/13\/medicas-estao-a-caminho-de-serem-maioria-mas-ganham-menos-do-que-medicos\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicas est\u00e3o a caminho de serem maioria, mas ganham menos do que m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Enquanto a medicina se torna uma profiss\u00e3o\u00a0cada vez mais feminina, um estudo mostra que m\u00e9dicas brasileiras ganham menos do que seus colegas homens mesmo trabalhando em condi\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o est\u00e1 em trabalho de cinco pesquisadores da USP publicado na semana passada no peri\u00f3dico acad\u00eamico\u00a0BMJ\u00a0Open.<\/p>\n<p>A partir de um levantamento telef\u00f4nico, eles mapearam sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, como local, carga hor\u00e1ria e especialidade, de uma amostra de 2.400 m\u00e9dicos representativa do pa\u00eds em 2014.<\/p>\n<p>Constataram que 80% das mulheres se concentram nas tr\u00eas categorias inferiores de\u00a0remunera\u00e7\u00e3o\u00a0da profiss\u00e3o, de um total de seis. Entre os homens, essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 50,8%.<\/p>\n<p>Os dados mostram ainda que elas trabalham mais no SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade), est\u00e3o mais presentes na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e fazem menos plant\u00f5es, enquanto eles dominam as especialidades cir\u00fargicas e t\u00eam mais representantes na faixa et\u00e1ria a partir de 60 anos.<\/p>\n<p>Para analisar a diferen\u00e7a de\u00a0remunera\u00e7\u00e3o, os pesquisadores aplicaram um modelo estat\u00edstico que isolou esses fatores. O resultado mostra que, ainda assim, a disparidade persiste. A chance de um homem estar na faixa mais elevada de sal\u00e1rio \u00e9 de 17,1%; entre as mulheres, de 4,1%.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres_folha.jpg\" rel=\"lightbox[7203]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7204\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres_folha.jpg\" alt=\"\" width=\"568\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres_folha.jpg 568w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres_folha-300x218.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens_folha.jpg\" rel=\"lightbox[7203]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7205\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens_folha.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens_folha.jpg 567w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens_folha-300x223.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cMesmo ap\u00f3s ajustes de vari\u00e1veis que poderiam influenciar nos ganhos, m\u00e9dicas ganham menos que m\u00e9dicos. O fato de existir discrimina\u00e7\u00e3o salarial na medicina mostra que nem em grupo de mulheres de maior escolaridade elas est\u00e3o afastadas da desigualdade\u00a0presente na sociedade\u201d, diz M\u00e1rio\u00a0Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores do estudo, ao lado de\u00a0Giulia\u00a0Mainardi, Alex\u00a0Cassenote, Aline\u00a0Guilloux\u00a0e Bruno\u00a0Miotto.<\/p>\n<p>Constata\u00e7\u00f5es semelhantes j\u00e1 haviam sido encontradas em estudos de outros pa\u00edses, como os Estados Unidos. No Brasil, o mesmo j\u00e1 foi visto em pesquisas\u00a0sobre outras profiss\u00f5es.<\/p>\n<p>A desigualdade salarial acontece em um contexto de\u00a0feminiza\u00e7\u00e3o\u00a0da medicina no Brasil. Enquanto os homens dominam as faixas et\u00e1rias mais avan\u00e7adas, elas j\u00e1 s\u00e3o maioria nas faculdades e entre os profissionais de at\u00e9 34 anos. De acordo com o estudo\u00a0Demografia M\u00e9dica\u00a02018, elas s\u00e3o 57,4% da faixa et\u00e1ria de at\u00e9 29 anos na categoria \u2014na de 70 anos ou mais, apenas 20,5%.<\/p>\n<p>Para\u00a0Denize\u00a0Ornelas, m\u00e9dica de fam\u00edlia e secret\u00e1ria geral do\u00a0Simesp\u00a0(Sindicato dos M\u00e9dicos de S\u00e3o Paulo), apesar da presen\u00e7a numericamente crescente, os espa\u00e7os de poder n\u00e3o se abrem no mesmo ritmo, o que pode influenciar a remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos diretores de hospital \u00e9 homem, assim como os de faculdade e os de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. N\u00e3o \u00e0 toa, nunca tivemos uma ministra da Sa\u00fade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ela aponta uma certa press\u00e3o para que m\u00e9dicas escolham especialidades mais ligadas \u00e0 mulher e \u00e0 inf\u00e2ncia. \u201cSomos vistas como pessoas mais ligadas ao cuidado, o que \u00e9 um estere\u00f3tipo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens2_folha.jpg\" rel=\"lightbox[7203]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7206\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens2_folha.jpg\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens2_folha.jpg 571w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/homens2_folha-300x204.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres2_olha.jpg\" rel=\"lightbox[7203]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7207\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres2_olha.jpg\" alt=\"\" width=\"553\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres2_olha.jpg 553w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheres2_olha-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 553px) 100vw, 553px\" \/><\/a><\/p>\n<p>De fato, uma compara\u00e7\u00e3o entre as especialidades deixa evidente a disparidade de g\u00eanero. Homens s\u00e3o apenas 25,2% dos pediatras, mas 91,4% dos neurocirurgi\u00f5es.<\/p>\n<p>Diana Santana, 36, \u00e9 uma das exce\u00e7\u00f5es. Mulher, negra e m\u00e3e de g\u00eameos, ela queria ser pediatra quando era crian\u00e7a, mas desenvolveu ao longo do tempo um interesse cada vez maior por neuroci\u00eancia, que aumentou na faculdade.<\/p>\n<p>\u201cEstudei piano desde cedo e gostava de fazer bijuteria. Queria unir esse interesse em neuroci\u00eancia com as minhas habilidades manuais.\u201d<\/p>\n<p>Ela conta que, em uma das sele\u00e7\u00f5es para a resid\u00eancia, estranhou a pergunta de um dos entrevistadores: \u201cVoc\u00ea pensa em ter filhos?\u201d. \u201cEle me perguntou coisas que tinham como base o fato de\u00a0eu ser mulher, n\u00e3o tinham a ver com a minha carreira acad\u00eamica, minhas habilidades, meu curr\u00edculo. Eram duas vagas, e fiquei em terceiro.\u201d<\/p>\n<p>Foi aprovada na USP e diz n\u00e3o ver problema algum em conciliar a neurocirurgia com a vida em fam\u00edlia\u00a0\u2014nesse\u00a0caso, com participa\u00e7\u00e3o igual do marido, frisa.<\/p>\n<p>\u201cExiste essa cultura muito antiga de que as\u00a0mulheres\u00a0 especificamente\u00a0devem ter um tempo para o trabalho e um para ficar em casa, mas \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social. Cabe a n\u00f3s desconstruir.\u201d\u200b<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Enquanto a medicina se torna uma profiss\u00e3o\u00a0cada vez mais feminina, um estudo mostra que m\u00e9dicas brasileiras ganham menos do que seus colegas homens mesmo trabalhando em condi\u00e7\u00f5es semelhantes. A conclus\u00e3o est\u00e1 em trabalho de cinco pesquisadores da USP publicado na semana passada no peri\u00f3dico acad\u00eamico\u00a0BMJ\u00a0Open. 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