{"id":7909,"date":"2019-08-19T12:00:34","date_gmt":"2019-08-19T12:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=7909"},"modified":"2019-08-21T09:42:12","modified_gmt":"2019-08-21T09:42:12","slug":"caro-nao-e-o-medico-nem-a-medicina-sao-os-burocratas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2019\/08\/19\/caro-nao-e-o-medico-nem-a-medicina-sao-os-burocratas\/","title":{"rendered":"Caro n\u00e3o \u00e9 o m\u00e9dico nem a medicina. S\u00e3o os burocratas"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Carta Capital<\/p>\n<p>por Rog\u00e9rio Tuma, m\u00e9dico neurologista com p\u00f3s-doutorado em oncologia pelo Johns Hopkins Hospital &amp; Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (EUA)<\/p>\n<p>Estudos econ\u00f4micos mostram que os custos chamados m\u00e9dicos aumentaram nos \u00faltimos anos, mas n\u00e3o por causa dos sal\u00e1rios de m\u00e9dicos e enfermeiros, mas pela burocracia criada na \u00e1rea da sa\u00fade. Enquanto a m\u00e3o de obra assistencial pouco aumentou, a \u00e1rea administrativa deu um salto exponencial em seu custo, tornando a medicina mais lenta mais cara e, talvez, mais burra.<\/p>\n<p>N\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, os hospitais eram geridos por m\u00e9dicos e enfermeiros, poucos eram os administradores que cuidavam dos custos, cobravam as fontes pagadoras e ajudavam a equipe assistencial a prestar um servi\u00e7o de melhor qualidade aos pacientes. Tudo girava em torno da \u00e9tica e do ato m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Hoje s\u00e3o poucos os jalecos brancos que circulam nos corredores dos hospitais, m\u00e9dicos e enfermeiros se diluem em uma sopa de novos cargos administrativos, com nomes perigosamente atraentes, como gerente de seguran\u00e7a do paciente, diretor de qualidade, analista de risco m\u00e9dico,\u00a0<i>compliance officer<\/i>, coordenador de protocolos, todos com o intuito de melhorar a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o m\u00e9dico e de tornar a medicina barata e eficiente.<\/p>\n<p>Certifica\u00e7\u00f5es internacionais s\u00e3o um\u00a0<i>must<\/i>\u00a0no mercado da sa\u00fade, mas s\u00e3o caras, em geral custam mais que todas as despesas de educa\u00e7\u00e3o continuada e treinamento ofertado para o pessoal assistencial, e seus benef\u00edcios s\u00e3o invis\u00edveis para m\u00e9dicos e pacientes. Elas exigem padroniza\u00e7\u00e3o do atendimento m\u00e9dico, com protocolos que nivelam a medicina pelo m\u00e9dio e n\u00e3o pelo topo. E os erros provocados por protocolos s\u00e3o crescentes, e seriam evit\u00e1veis se a intelig\u00eancia e a experi\u00eancia humana fossem bem aproveitadas, mas os burocratas exigem que os protocolos sejam seguidos ao p\u00e9 da letra, inibindo a criatividade m\u00e9dica em momentos cruciais do tratamento.<\/p>\n<p>O dado mais assustador \u00e9 que, de 1975 a 2018, o crescimento do corpo administrativo em rela\u00e7\u00e3o ao corpo m\u00e9dico nos hospitais americanos, e n\u00e3o deve ser diferente por aqui, foi de 300 vezes mais! O n\u00famero de empregos em sa\u00fade saltou de 4 milh\u00f5es para 16 milh\u00f5es, e o custo da sa\u00fade foi de 8% do PIB para 18%. Por sua vez, o custo de um leito hospitalar por dia passou de 100 para 4,6 mil d\u00f3lares. A participa\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o m\u00e9dico no custo da sa\u00fade \u00e9 de 7%, enquanto o tempo dedicado ao paciente caiu para menos da metade.<\/p>\n<p>No Brasil, o aumento do gasto anual da medicina suplementar \u00e9, em m\u00e9dia, de 17%, segundo estudo da Aon Brasil, principalmente por despesas com indiv\u00edduos acima de 59 anos, que \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o que mais frequenta os hospitais. De acordo com o Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar, na composi\u00e7\u00e3o dos custos, as interna\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por 61% das despesas, enquanto os m\u00e9dicos correspondem a apenas 9%. Entre 2016 e 2018, a participa\u00e7\u00e3o de consulta m\u00e9dica no custo \u201cm\u00e9dico\u201d caiu de 16% para 9,5% e a de hospitais subiu de 20% para 26%. Claramente, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u201cm\u00e9dica\u201d, mas \u201chospitalar\u201d.<\/p>\n<p>Medicamentos tamb\u00e9m s\u00e3o fontes de custos. Nesta semana foi liberado um medicamento nos EUA que passou dos 2 milh\u00f5es de d\u00f3lares. \u00c9 um avan\u00e7o, pois cura doen\u00e7a que antes era mortal, mas seria piada dizer que \u00e9 o m\u00e9dico que cobra caro.<\/p>\n<p>O termo infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dica deveria ser usado apenas para o custo de consultas e dos servi\u00e7os m\u00e9dicos, mas, na verdade, o que ocorreu nos \u00faltimos anos foi uma defla\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Portanto, os burocratas da sa\u00fade deveriam parar de se esconder atr\u00e1s desse termo e cunhar um novo, como custo hospitalar ou administrativo. Medicamentos tamb\u00e9m deveriam ter seu pr\u00f3prio termo, como custo terap\u00eautico ou outro.<\/p>\n<p>Como tudo que ocorre na \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 tachado de \u201cerro m\u00e9dico\u201d, o profissional da \u00e1rea, justi\u00e7a seja feita, n\u00e3o merece carregar um t\u00edtulo inflacion\u00e1rio que n\u00e3o lhe pertence.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Carta Capital por Rog\u00e9rio Tuma, m\u00e9dico neurologista com p\u00f3s-doutorado em oncologia pelo Johns Hopkins Hospital &amp; Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (EUA) Estudos econ\u00f4micos mostram que os custos chamados m\u00e9dicos aumentaram nos \u00faltimos anos, mas n\u00e3o por causa dos sal\u00e1rios de m\u00e9dicos e enfermeiros, mas pela burocracia criada na \u00e1rea da sa\u00fade. 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