{"id":819,"date":"2015-06-22T12:02:26","date_gmt":"2015-06-22T12:02:26","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=819"},"modified":"2015-06-22T12:02:26","modified_gmt":"2015-06-22T12:02:26","slug":"como-trocar-a-dor-pela-alegria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2015\/06\/22\/como-trocar-a-dor-pela-alegria\/","title":{"rendered":"Como trocar a dor pela alegria"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-820\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/the-joy-of-life-300x225.jpg\" alt=\"the-joy-of-life\" width=\"300\" height=\"225\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>por Ana Lucia Azevedo<\/p>\n<p>Da hora do parto e da dureza das pistas de corrida surge um caminho para enfrentarmos uma indesejada companheira, a dor. Sem convite ou aviso, a dor, n\u00e3o importa aonde, sempre vir\u00e1 um dia nos atormentar. Mas uma s\u00e9rie de novos estudos revela que a mente humana \u00e9, de fato, forte o suficiente para sublimar certas dores e esquecer completamente de outras. Lidar melhor com a dor ajuda n\u00e3o apenas aqueles que praticam corrida ou qualquer outra atividade f\u00edsica. Mas qualquer pessoa a qualquer momento.<\/p>\n<p>Pergunte a uma m\u00e3e de suas mem\u00f3rias mais v\u00edvidas do nascimento do filho e a emo\u00e7\u00e3o de ver seu beb\u00ea pela primeira vez falar\u00e1 mais forte. A excruciante dor do parto, quase sempre, ficar\u00e1 em segundo plano. Converse com um maratonista sobre suas lembran\u00e7as da prova, e a alegria da chegada e a satisfa\u00e7\u00e3o do desafio superado ser\u00e3o o assunto. O joelho que amea\u00e7ava pifar, os p\u00e9s que ardiam em bolhas, a coluna que dava sinais de colapso, literais quil\u00f4metros de agonia, tudo isso ficar\u00e1 para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>M\u00e3es e corredores nem precisam pensar muito para esquecer as dores. Sofrem de uma esp\u00e9cie de amn\u00e9sia seletiva. Um processo cerebral complexo de agrad\u00e1veis resultados. A dor cai no esquecimento e a satisfa\u00e7\u00e3o toma seu lugar. Mais do que mera curiosidade, essa esp\u00e9cie de amn\u00e9sia despertou o interesse de cientistas pela \u00f3bvia utilidade em ajudar pessoas acometidas por dores.<\/p>\n<p>Um dos que se debru\u00e7ou sobre o assunto foi o polon\u00eas Przemyslaw Babel. Com colegas do curso de Psicologia da Universidade Jagielloniana, em Crac\u00f3via, ele investigou a amn\u00e9sia da dor em m\u00e3es e maratonistas. A escolha aparentemente ins\u00f3lita desses grupos se deve \u00e0 conhecida capacidade de lembrarem das coisas boas e deixarem as dolorosas de lado em momentos t\u00e3o cruciais de da vida.<\/p>\n<p>Num artigo publicado este m\u00eas na revista cient\u00edfica internacional \u201cMemory\u201d, Babel mostra que quanto mais gratificante o acontecimento, mais facilmente as dores s\u00e3o esquecidas. Na verdade, muitas vezes, s\u00e3o sublimadas durante o pr\u00f3prio evento.<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro realiza a m\u00e1gica de suplantar a sensa\u00e7\u00e3o real da dor de uma les\u00e3o por algo t\u00e3o intang\u00edvel quanto uma emo\u00e7\u00e3o. A psic\u00f3loga Aline Sardinha, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Terapias Cognitivas do Rio de Janeiro, explica que a dor \u00e9 processada em etapas e o c\u00e9rebro as manipula, ainda que esse processo seja inconsciente. H\u00e1 o limiar de dor, isto \u00e9, o est\u00edmulo que gera uma sensa\u00e7\u00e3o processada como dor. Depois, em fra\u00e7\u00f5es de segundo, nossa mente analisa de onde ela vem, se \u00e9 uma amea\u00e7a, qual a intensidade.<\/p>\n<p>Cada pessoa tem sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o. E, quando a dor vai ser guardada como mem\u00f3ria, essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ceditada\u201d pelo c\u00e9rebro, inclusive em n\u00edvel molecular. O c\u00e9rebro joga fora parte da informa\u00e7\u00e3o e compacta o que resta. A dor, quando parte de um evento importante, \u00e9 ou n\u00e3o armazenada. O c\u00e9rebro pode simplesmente descart\u00e1-la. O resultado \u00e9 que lembramos dos melhores momentos e do final feliz, mas muito pouco ou quase nada da dureza at\u00e9 chegar at\u00e9 ali.<\/p>\n<p>A mesma coisa acontece em outros momentos da vida, como no sexo. Em momentos em que prazer e dor se misturam, o c\u00e9rebro muitas vezes guarda ou prioriza apenas a sensa\u00e7\u00e3o de prazer. E a dor \u00e9 esquecida ou deixada em segundo plano.<\/p>\n<p>Aline destaca que o importante \u00e9 o estado de humor no momento da dor. Se o acontecimento for negativo, a dor vir\u00e1 como lembran\u00e7a v\u00edvida.<\/p>\n<p>H\u00e1 mecanismos moleculares e hormonais que influenciam a sensa\u00e7\u00e3o de dor. Mulheres que tiveram parto normal ficam com o c\u00e9rebro cheio de horm\u00f4nios ligados ao prazer como a oxitocina, observa Aline. Isso ameniza a dor. O mesmo acontece com o sexo. Coisa semelhante mas com subst\u00e2ncias diferentes acontece com a corrida e outras atividades f\u00edsicas, quando o c\u00e9rebro \u00e9 inundado por uma variedade de neurotransmissores dos quais a endorfina \u00e9 de longe o mais conhecido.<\/p>\n<p>Os pesquisadores poloneses buscam na evolu\u00e7\u00e3o uma explica\u00e7\u00e3o para esses mecanismos cerebrais de sublima\u00e7\u00e3o da dor. Nossos ancestrais ca\u00e7adores-coletores passavam dias a fio correndo atr\u00e1s da comida \u2014 ou para n\u00e3o virar comida \u2014 e n\u00e3o tinham tempo ou op\u00e7\u00e3o para hesitar perante a dor. Para eles, esquecer e ir em frente era o melhor poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que Babel encontrou uma boa explica\u00e7\u00e3o para muita gente correr maratonas e mais maratonas mesmo tendo padecido no inferno durante as provas anteriores e carregar marcas vis\u00edveis do sofrimento, como les\u00f5es em articula\u00e7\u00f5es persistentes. Coisa que acontece tamb\u00e9m com ciclistas, nadadores e tantos outros desportistas. E, claro, com as m\u00e3es que tiveram mais filhos. O importante \u00e9 estar feliz. A dor passa. A alegria fica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo por Ana Lucia Azevedo Da hora do parto e da dureza das pistas de corrida surge um caminho para enfrentarmos uma indesejada companheira, a dor. Sem convite ou aviso, a dor, n\u00e3o importa aonde, sempre vir\u00e1 um dia nos atormentar. 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