{"id":8351,"date":"2019-10-16T11:50:52","date_gmt":"2019-10-16T11:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=8351"},"modified":"2019-10-22T12:07:52","modified_gmt":"2019-10-22T12:07:52","slug":"artigo-a-geracao-dos-medicos-sem-nome-e-o-fim-da-relacao-medico-paciente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2019\/10\/16\/artigo-a-geracao-dos-medicos-sem-nome-e-o-fim-da-relacao-medico-paciente\/","title":{"rendered":"ARTIGO: A gera\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos sem nome e o fim da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/alexandre_campos.jpg\" rel=\"lightbox[8351]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-8354\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/alexandre_campos-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>por Dr. Alexandre Campos Moraes Amato, integrante do departamento de Inform\u00e1tica e Marketing da SBACV-SP<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es diferentes tanto a medicina socializada quanto a capitalizada tem a inten\u00e7\u00e3o de anonimizar o prestador da parte mais nobre da medicina, o atendimento m\u00e9dico-paciente. Vimos recentemente a entrada de m\u00e9dicos n\u00e3o validados para complementar o servi\u00e7o escasso e mal distribu\u00eddo do pa\u00eds, numa estrat\u00e9gia socializada onde a medicina \u00e9 (teoricamente) igual independente de quem a executa e infraestrutura dispon\u00edvel. Vis\u00e3o notoriamente distorcida esta, mas que encontrou seus adeptos, por motivos eleitoreiros ou benef\u00edcios pessoais n\u00e3o republicanos.<\/p>\n<p>Mas mesmo no capitalismo, onde a demanda por monop\u00f3lio institucional tamb\u00e9m requer a massifica\u00e7\u00e3o da medicina, a anonimiza\u00e7\u00e3o do prestador e cria\u00e7\u00e3o de uma marca institucional forte faz com que o m\u00e9dico perca gradativamente o seu nome. Sua arte deixa de ser importante para a aceita\u00e7\u00e3o e seguimento de protocolos institucionais e contratos com operadoras. N\u00e3o interessa mais se o m\u00e9dico na linha de frente \u00e9 um excelente m\u00e9dico, mas, sim, se segue fielmente os protocolos fixos e imut\u00e1veis dessa ci\u00eancia das verdades transit\u00f3rias transformadas em dogmas para fins did\u00e1ticos, e, acrescento, fins comerciais. E, quando o m\u00e9dico se recusa a assumir sua posi\u00e7\u00e3o integral de aut\u00f4nomo, passa a ser pe\u00e7a num quebra cabe\u00e7a maior e manipulado por interesses maiores.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o anterior de m\u00e9dicos ainda em atividade acompanha essa transi\u00e7\u00e3o boquiaberta, onde aplicativos no celular, ou institui\u00e7\u00f5es de nome forte indicam seu melhor \u201cproduto\u201d para determinado problema, e, esse produto agora \u00e9 um m\u00e9dico sem nome, sob uma marca. Momentaneamente esse m\u00e9dico sente sua import\u00e2ncia no sistema sendo referenciado e reconhecido pelo seu paciente, mas, da mesma maneira que o paciente n\u00e3o o encontrou pelo seu nome, na pequena varia\u00e7\u00e3o do \u201cproduto\u201d entregue, perceber\u00e1 que o paciente n\u00e3o \u00e9 seu, pois ser\u00e1 redirecionado para um outro \u201cproduto\u201d solucionador do problema. E esse produto \u00e9 escolhido com base em \u201cestrelinhas\u201d num aplicativo ou algum \u00edndice de metas medido milimetricamente pelo sistema em que est\u00e1 inserido. Sejamos sinceros, o \u00edndice de resolutividade \u00e9 apenas uma vari\u00e1vel medida, o de retorno financeiro para a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 outro. Entre eles, qual \u00e9 o mais importante para o intermedi\u00e1rio?<\/p>\n<p>A tradicional rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente est\u00e1 se tornando rela\u00e7\u00e3o hospital-paciente (ou qualquer outro intermedi\u00e1rio-paciente, aplicativo-paciente por exemplo): os pacientes n\u00e3o buscam mais determinado m\u00e9dico, mas sim determinado servi\u00e7o de sa\u00fade. E o mais incr\u00edvel \u00e9 que isso ocorre bem no meio da revolu\u00e7\u00e3o da m\u00eddia social, que, teoricamente, coloca as pessoas em contato&#8230; com outras pessoas&#8230; ou n\u00e3o? E o pior de tudo, os m\u00e9dicos n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3 deixando isso acontecer, mas por n\u00e3o pensarem o que est\u00e1 escondido nas propostas que recebem, acabam agradecendo a oportunidade. Sem pensar que ser\u00e3o sumariamente trocados pelo pr\u00f3ximo que bater as metas interessantes no momento.<\/p>\n<p>Com o cerceamento da comunica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, que ocorre de v\u00e1rias maneiras, desde limita\u00e7\u00f5es severas impostas aos m\u00e9dicos e limita\u00e7\u00f5es frouxas aos servi\u00e7os de n\u00e3o-m\u00e9dicos, muitos abst\u00eam-se de qualquer aparecimento social com receio de julgamento externo. Embora sabidamente outros abusam. Isolam-se do problema colocando-se contratualmente sob clausulas (escritas ou n\u00e3o) abusivas. Aceitam a situa\u00e7\u00e3o, agradecem a oportunidade, mas reclamam da conjuntura.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o desse\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0levar\u00e1 inexoravelmente ao fim da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente e da arte da medicina, e \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o m\u00e9dico em um produto encapsulado e prontamente vend\u00e1vel. As m\u00e1ximas: \u201ca cl\u00ednica \u00e9 soberana\u201d e \u201ccada paciente \u00e9 um paciente\u201d tornam-se fracas em frente \u00e0 protocolos massificados e o poder financeiro das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Passou da hora de n\u00f3s, m\u00e9dicos, olharmos criticamente para nosso passado e entendermos onde foi que erramos. E planejarmos o futuro que queremos, n\u00e3o os que nos \u00e9 imposto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Dr. Alexandre Campos Moraes Amato, integrante do departamento de Inform\u00e1tica e Marketing da SBACV-SP Por raz\u00f5es diferentes tanto a medicina socializada quanto a capitalizada tem a inten\u00e7\u00e3o de anonimizar o prestador da parte mais nobre da medicina, o atendimento m\u00e9dico-paciente. 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